______Versão on-line do zine Canibal Vegetariano______

Somos loucos apaixonados por rock, buscando sempre divulgá-lo de forma independente, sem jabá e amarras.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Peso, fúria e rock'n'roll: Guachass

Canibal Vegetariano
Guachass em Bragança Paulista
Há sete anos na estrada, a banda uruguaia Guachass fez uma passagem pelo Brasil entre outubro e novembro deste ano, por vários estados brasileiros, com parte deles em nosso estado, com shows em Campinas, Bragança Paulista, Valinhos e São Paulo. Nós aproveitamos a oportunidade e conversamos com a guitarrista Mariana Gascue para saber um pouco mais da história da banda

Canibal Vegetariano: Fale sobre a história da banda. Como e onde começou? Vocês estão juntos desde o início? Quais são as influências?
Mariana Gascue: Então, Guachass começou em 2004,  com Camila (vocal) e Florencia (baixo). Elas já tocavam juntas e queriam formar outra banda. Fui convidada para entrar,  e nós chamamos Martin (ex-baterista). Após a saída Martin, entrou Fede na bateria e logo Florencia se foi e convocamos Nico para tocar o baixo. Isso é bem resumido, pois a história é muito longa! E nossas influências são rock clássico como Black Sabbath, Pappo, The Rolling Stones, Motorhead, Blue Cheer, entre outras.

CV: Como que vocês vieram para o Brasil. De quem partiu o convite?
MG: Há alguns anos conhecemos Quique Brown (guitarrista e vocalista da banda Leptospirose) que tornou-se um grande amigo das Guachass; Tocamos com eles aqui em Montevideo e depois disso mantivemos contato. E devido ao fato dele curtir nosso som, acertou algumas datas para que nos apresentassemos no Brasil. Foi muito legal Quique!

Canibal Vegetariano
Galera curtiu muito com os uruguaios em Bragança
CV: O que vocês acharam de tocar no Brasil? Teve algum show especial? E as bandas locais com as quais tocaram, alguma marcou vocês?
MG: Os shows no Brasil foram muito bons, as pessoas são amorosas, gostamos muito de tocar com todas as bandas como Hellsakura, Leptospirose, Camarones Orquesta Guitarristica, Hellbenders. Há bandas incríveis no Brasil.

CV: Vocês já tocaram em outro país? 
MG: Sim, em 2010 viajamos por alguns países europeus. Fizemos uma tour de cerca de um mês e meio e tocamos na França, Austria, Alemanha, Suíça e Bélgica. Foi uma experiência única, muito legal, gostamos muito dessa viagem e pretendemos voltar em 2012.

Canibal Vegetariano
O mais novo integrante
CV: Como é o processo de composição da banda?
MG: Geralmente a partir de um riff. Depois do riff todos trabalham nas canções.

CV: Quantos álbuns vocês lançaram?
MG: Até o momento apenas o Guachass, mas estamos para gravar o segundo muito em breve.

CV: Quais os planos para 2012?
MG: Como disse anteriormente, gravar o segundo álbum, com canções em espanhol. Quem sabe mais uma tour pela Europa. Temos muitas expectativas e muitas ganas!






'It's only rock'n'roll'

Essa frase dos Rolling Stones define muito bem o som feito por duas moças e dois rapazes uruguaios que tocam na Guachass. O primeiro e, até o momento, único álbum dessa banda é difícil para comentar sem parecer puxação de saco, pois o disco é rock do início ao fim e ouço praticamente todos os dias desde que adquiri meu CD.
Logo na abertura, o riff de guitarra de Mariana mostra toda a influência do Motorhead, assim como em outras músicas, espetacular. Às vezes, você pode pensar que a banda é apenas uma cópia, mas muito longe disso, elas misturam tudo no liquidificador e aproveitam o que suas bandas preferidas fazem e criam um som poderoso, autoral e característico que bota a galera para abrir rodas, pogar e balançar a cabeleira do início ao fim.
Além das boas canções do álbum, ele tem um trabalho gráfico muito bem elaborado e a gravação foi muito bem feita, o ouvinte consegue sentir a emoção de cada nota executada, nenhum instrumento "atropela" o outro. Para resumir, discaço de rock, altamente recomendável aos apreciadores do estilo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Para ler e refletir: 'Não devemos nada a você'


Coletânea de entrevistas Punk Planet - Daniel Sinker - Editora Ideal Records - 304 páginas

Se você tem problemas com pessoas de religião, modo de vestir, opção sexual e educação diferente da sua, tome cuidado antes de ler "Não devemos nada a você: Coletânea de entrevistas da revista Punk Planet". O cuidado deve-se ao conteúdo de opiniões de diversas pessoas de várias áreas, seja do punk, hardcore, ativistas políticos e donos de selos musicais. Sem papas na língua, os entrevistados não fogem das perguntas e esclarecem detalhamente seus pontos de vista sobre diversos assuntos.
O livro aborda o punk rock de outros pontos de vista que vão além das jaquetas de couro e cabelos moicanos. Uma visão de mundo e de sociedade muito além de nosso tempo. Entre os entrevistados estão Ian MacKaye (Minor Threath, Dischord, Embrace, Fugazi), toda a galera da banda Black Flag, Thurston Moore (Sonic Youth), Jello Biafra (Dead Kennedys), Kathleen Hanna (Bikini Kill), entre outros.
E o interessante é que as entrevistas não são apenas aquelas chatices sempre com as mesmas perguntas. As entrevistas na verdade são bate papos que abordam bandas, músicas, política, religião, guerras, ativismo político. Para quem tem interesse em saber mais sobre o underground e sobre a música independente feita nos últimos 10 anos, "Não devemos nada a você" é uma leitura essencial, agora, se você pensa que é dono da verdade, talvez o livro cause alguma repulsa, pois opiniões fortes e polêmicas é o que mais se encontra entre as páginas e os entrevistados em alguns momentos, parecem que discutem com o entrevistador.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Caveiras, máscaras, novo disco, tênis bonitos e punk rock


Canibal Vegetariano
Uma noite de punk rock
Acompanhar um show do Drákula é sempre um evento em que a pessoa pode esperar algo surpreendente a qualquer momento. E a apresentação dos caras na penúltima noite do Auto Rock Campinas 2011, no Bar do Zé, foi mais um show marcante e para mim o melhor que acompanhei dos caras. Na passagem de som deu para sacar que os caras estavam empolgados e que a noite prometia.

Além de ser apenas mais um show em um festival de 10 dias, o show do Drákula era o primeiro depois do lançamento do EP em 7 polegadas (vinil) "Vilipêndio à Cadáver", em breve mais comentários deste disco no blog. Com novas músicas, os caras abriram a noite que ainda teria a apresentação do australiano/porto alegrense Simon Chainsaw.
Canibal  Vegetariano
E o Drákula foi para galera
A noite começou muito bem e o Drákula mandou várias músicas que botaram a galera para agitar e abrir boas rodas de pogo. Entre os destaques, Gorila Perez, Trash Can, Caveira Maldita entre outras boas músicas. Com muitas caveiras e um megafone, a banda "botou fogo" no palco e a galera agitou ainda mais.
Já ao final do show, o baixista Daniel ETE e o guitarrista Renan Fattori desceram do palco e foram, com seus instrumentos, agitar com a galera que estava insandecida. Entre as máscaras de "luchadores", tênis bonitos, caveiras, boas músicas, o Drákula fez uma de suas apresentações mais punks de todos os tempos, um show para ficar guardado na memória.
         
Canibal Vegetariano
"...caveira maldita, caveira rock'n'roll..."
Depois de uma exibição como a do Drákula, seria difícil para uma banda subir ao palco, mas Simon Chainsaw soube, com muita competência, manter a empolgação da galera que agitou bastante e cantou em coro com o cantor australiano que há algum tempo mora no Brasil. Entre um português ainda arrastado e boas canções, Simon fez uma grande apresentação e fechou com chave de ouro a penúltima noite do Auto Rock 2011.
Infelizmente devido a falta de bateria, não conseguimos registrar fotos da apresentação de Simon Chainsaw. 


domingo, 4 de dezembro de 2011

Uma noite de rock'n'roll e chuva


Canibal Vegetariano
Get Crazy abriu a noite rock no BDZ
 O Auto Rock Campinas começou no dia 1 deste mês e rola até domingo com diversos eventos em vários pontos da cidade. A abertura rolou na loja de nosso camarada Claudio, Disorder, onde está a exposição de camisetas e no dia da abertura teve um som da banda de surf music The Violentures. Entre as atrações e as chuvas que castigaram várias cidades da região, tudo rolou de boa na primeira noite do evento.
Assim que o show da Violentures foi encerrado na Disorder, o público correu para o Bar do Zé onde a abertura deste festival seria prolongada. E para animar a noite da juventude, estavam programadas duas bandas, Get Crazy, de Campinas, e Merda, do Espírito Santo. O show de abertura ficou a cargo dos campineiros e como sempre eles mandaram muito bem.
A banda é formada por ex-integrantes da banda Lunettes, Claudio (bateria), Juju (baixo) e Giovana (vocal) mais o guitarrista Beso da Alcoois, fez uma grande apresentação e botou muita gente que acompanhava o show para dançar.

Canibal Vegetariano
Mozine e Japa durante show do Merda
Após o bom show dos campineiros, o público pode acompanhar a apresentação dos capixabas do Merda. Com Mozine, vocais e guitarra, e Rogério Japa, baixo vocais, a banda estava desfalcada de seu baterista titular Paulista que foi substituído por Alex, editor da revista Prego, mas a animação e a pegada do som continuou a mesma.
O show era muito aguardado e assim que Mozine tocou os primeiros acordes em sua guitarra, o público que estava no bar tomou conta da pista de dança e acompanhou empolgado a apresentação do power trio. Entre pedidos de uma música e outra a Merda mandou ver em seu hardcore e sem dúvida, o ponto alto foi o momento em que eles tocaram o hit do ano, como disse Daniel ETE, organizador do evento, Maradona. Música  que como outras fez a galera agitar.
E como tudo na vida, o que é bom às vezes dura pouco, o show do Merda passou rápido. Quando Mozine disse que havia encerrado, o público exigiu mais algumas canções e foi atendido. Ao final, Mozine disse que como eles eram do Espírito Santo, a missão deles seria divulgar a música de sua terra e eles fecharam com um dos maiores clássicos de Roberto Carlos, o "rei". Para fechar com chave de ouro eles executaram, ao estilo Merda, a música "Quando". Algo que ao mesmo tempo surpreendeu muitos, também fez muita gente cantar junto. Um show sensacional!


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Auto Rock Campinas: dez dias de rock e cultura independente


Em uma dessas manhãs de primavera, nós do zine/blog Canibal Vegetariano fomos até Campinas para falar com Daniel ETE, baixista das bandas Muzzzarelas e Drákula e também organizador do Auto Rock Campinas, festival independente que chega a sua sexta edição e rola de 1 a 11 de dezembro. Entre a venda de um disco e outro, Daniel, que também é dono da loja Chop Suey Discos, falou sobre a edição deste ano e fez um relato dos primórdios do festival. O papo rolou durante uma bela audição de um dos discos mais clássicos do rock, Machine Head, dos ingleses do Deep Purple.

HISTÓRIA

 Além de tocar, organizo eventos desde 1996 e em 2003 não havia feito nada, pois ninguém queria saber sobre rock independente. até o dia em que um amigo chegou e disse para eu deixar de organizar shows de rock e sim fazer um festival. A primeira edição rolou nesse mesmo ano com quatro dias de duração. Fizemos isso na base da cara de pau, pois não adiante apenas reclamar que tudo está uma merda, e daí? Devemos protestar, reclamar, mas precisamos fazer algo também, aí começou a rolar. Os shows e algumas exposições rolaram no Evolução, uma casa bem legal que existia no Centro de Campinas.
No segundo, em 2004, rolou em um um sábado, domingo e alguns dias da semana. Em 2005 houve apenas um dia apenas com bandas. Aí, totalmente influenciado pelo festival Cardápio Uunderground, depois de dois anos sem fazer o festival, voltamos em 2008 com 10 dias seguidos de diversas atrações entre elas várias exposições, shows, mostra de vídeos e etc. E para organizar um evento deste tipo precisei e preciso de muita ajuda, uma das grandes colaboradoras do Auto Rock é minha esposa Valquíria. Ano passado não organizamos o festival pois nasceu nossa primeira filha e optamos por não fazer.
Antes o evento era pensado apenas para Campinas, depois passou a ser comentado e divulgado na Região Metropolitana de Campinas (RMC) atualmente estamos indo muito além disso.

2011

A abertura oficial será nesta quinta-feira, 1 de dezembro na loja Disorder onde rolará uma expoisção de camisetas e peça de skate velho. Teremos desde camisetas de auto lanche até coleção de camisetas dos Ramones e AC/DC para mostrar como era o silk screen há alguns anos. Ainda não decidi, mas penso em fazer algumas camisetas do festival no local e no mesmo espaço haverá uma apresentação da banda Violentures que fará um set acústico.


Depois da abertura oficial, seguimos para o Bar do Zé, onde rolará Get Crazy, banda formada por ex-membros da Lunettes, e Merda, que apresentará a música do ano, Maradona. Acredito que para este ano não tem para ninguém. Não tem para NX Zero, Beatles, Led Zeppelin. A música do ano é do Merda.

SHOWS

Haverá muitos shows, para todos os tipos de público rock, do indie ao metal. No dia 11 haverá o show de encerramento com muita banda boa. Entre as atrações teremos Forgotten Boys, Garage Fuzz, Wander Wildner entre outras bandas sensacionais. Haverá show em várias partes da cidade, inclusive uma noite apenas com bandas de metal, entre elas a clássica banda Executer, de Amparo, com seus mais de 20 anos de carreira.

DRÁKULA

No penúltimo dia do festival o Drákula lança seu disco novo, Vilipêndio a Cadáver,  no Bar do Zé. Tocaremos juntos com o australiano Simon Chaisaw, o cara que é nosso professor de rock australiano, afinal o cara é do país em que a maior banda local é o AC/DC .

APOIO PÚBLICO

Temos apoio do Bruno Ribeiro, secretário de Cultura de Campinas. A secretaria é parceira desde 2005 quando apresentamos o projeto. Eles contratam artistas, libera a estação para realização de show gratuito. Nosso festival não é competitivo . Não repetimos atrações ou fazemos sempre com as mesmas bandas. Nós trazemos bandas que nao têm a visibilidade que merece. Temos uma proposta muito legal. Tem muita banda que tocará por aqui e eles não tem espaço nos festivais que rolam pelo país. Teremos bandas clássicas, como Executer e bandas novas como Slag que é uma banda muito foda, Hutt, Test,  Tina Thunder Dokery Duo, será algo muito bacana.

Canibal Vegetariano
Drákula
VÍDEOS

Além dos shows, haverá várias apresentações de vídeos. Vamos passar dois filmes sobre a visão americana do punk rock, entre eles "Subúrbia"  que mostra uma visão pós apocalíptica, a partir de 1982, em que o mundo fica uma verdadeira merda. Teremos várias opções de filmes, principalmente voltados para o rock, são filmes engraçados. E teremos também a apresentação de vários curtas de terror.
Vamos passar também uns vídeos feito por nossa turma, com cenas de shows de metal dos anos 80, mais precisamente em 1988, e também de shows do Cólera em Campinas. Haverá diversão total para muita gente.



TRABALHO

Organizar um festival desse porte dá muito trabalho e tem gente que pensa que somos vagabundos, só porque gostamos de rock, tatuagens. Vagabundo para mim é quem fica puxando o saco de chefe, de patrão, pessoas que não produzem. Tem gente que não consegue se manter sozinho, precisam da ajuda de pai, mãe, mas que são grandes artistas, vamos dizer que um cara desse é vagabundo? Vagabundo é quem não faz nada e fica apenas ali, sugando.

PREÇOS
Canibal Vegetariano
Get Crazy
O show mais caro custa R$ 15, mas com nome na lista sai por R$ 12. tem gente que irá reclamar, mas ainda não dá para fazer tudo grátis. Espero um dia poder fazer algo em que o público não pague e as bandas recebam o que merecem, mas enquanto isso nao rola, teremos que cobrar um pouco. No último dia que haverávários shows na estação, a entrada é gratuita.

CONVITE

Espero que as pessoas compareçam, divirtam-se, participem e se você tem banda, manda material, pois nós trabalhamos apenas com bandas autoriais.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Hey Ho Let´s Go - A História dos Ramones


Everett True - Editora Madras - 480 páginas

O livro Hey Ho Let´s Go, a História dos Ramones, foi escrito pelo fã e jornalista inglês Everett True. Com depoimentos dos integrantes da banda e também de pessoas próximas, True passa a limpo a história de uma das bandas mais importantes de todos os tempos.
True não esconde nada, vai a fundo no relacionamento de Dee Dee com as drogas, as brigas entre Joey e Jhonny, as mudanças de bateristas entre ouros assuntos relativos a banda. Além das histórias, o livro tem fotos de várias fases da banda, desde os passos iniciais até  o final da carreira.
Certamente quem é fã de Ramones conhece a maior parte da história dos caras, mas sempre é bom observar algo, mesmo muito conhecido, de um outro ponto de vista. Conforme o leitor vira as páginas, terá um contato mais íntimo com a história de cada integrante e também os motivos que fizeram, mesmo com todos os problemas, essa banda ter uma carreira de 21 anos e ter se tornado um grande mito. Livro essencial na biblioteca não apenas de punks ou fã de ramones, mas sim de pessoas que gostam de boas histórias.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Rock com tesão e paixão


Quem teve o privilégio de ver ao menos uma apresentação dos uruguaios da Motosierra sabe que o rock feito por este quarteto é movido por paixão e tesão. O show dos caras é incendiário e seu vocalista Marcos é um showman e um frontman que agita até caveiras enterradas em alguns becos por aí. Para saber mais sobre o quarteto, falamos com o vocalista que falou um pouco da história da banda, dos planos para o futuro, além da cena independente no Brasil e Uruguai

Canibal Vegetariano: Como, quando e onde foi formada a banda Motosierra? Quais eram as influências de vocês quando começaram? E atualmente?
Marcos: Motosierra nasceu no final de 1999, no último show da banda Chicos Eléctricos, que foi uma das melhores bandas underground dos anos 90. A banda se formou no banheiro do clube, logo após o fim do show, quando o baixista dos Electricos, Gabriel Barbieri, junto com o baterista Walo Crespo, decidiram montar a banda. A escolha do guitarrista recaiu em Luis Machado. Depois de 2 meses sem vocalista, no mês de novembro eu fiz um teste, indicado pelo Walo, e fiquei na vaga. A ideia da banda foi fazer um som mais rápido, agressivo e cru do que as nossas bandas anteriores (eu já tocava com o Walo numa banda chamada Luisa Lane, e o Luis em La Sudaka). Nós continuamos a ensaiar durante todo o verão e fizemos a estreia em março abrindo para Buenos Muchachos. Em maio a banda gravou uma demo de 4 músicas e continuou a tocar em Montevideo e Buenos Aires. Em dezembro de 2000, de um jeito totalmente acidental e casual, nós entramos em um tributo a Turbonegro, junto com bandas como Queens of the Stone Age, Supersuckers, Dwarves, Zeke, enfim... Tudo aquilo que é bom e do que a gente gostava no momento. Daí surgiu o convite para editar o nosso primeiro disco, “XXX”, pelo selo argentino No Fun Records. O que veio depois foi uma história de vários anos de continuar gravando e editando no exterior, e tocando em Uruguai, Argentina e no Brasil, com algumas mudanças na integração e idas e vindas, incluindo a saida do baixista original, a minha estadia de 4 anos no Brasil com a minha esposa brasileira, a ida do guitarrista Luis Machado pra Espanha e, atualmente, o meu retorno ao Uruguai para tentar reativar a banda e gravar mais um disco.
As influências do Motosierra são variadas. Posso te falar que tudo aquilo que influi na banda é a vida dos integrantes da mesma em relação ao seu entorno, assim como referências culturais variadas de cinema e literatura. As influências estritamente musicais são muitas, mas as temos como base são Stooges, Turbonegro, Zeke, Dwarves, Motorhead, Black Sabbath, Rolling Stones, Sex Pistols, The Damned, AC/DC... Enfim, tudo aquilo do que é bom no punk, hardcore, metal, hard rock e rock and roll no geral.

" O negócio sempre foi a mesma coisa, fazer um disco bacana entre amigos para ter uma amostra em conjunto das duas bandas e curtir a amizade"
Canibal Vegetariano

CV: Qual é a formação atual da banda? Vocês já tiveram outras formações?
M: Como já falei, a banda teve algumas mudanças. Atualmente os originais da banda são o baterista Walo Crespo e eu. No baixo está o Leo Bianco, já faz 5 anos. E na guitarra, desde 2008, Leroy Machado, irmão do guitarrista original Luis Machado.

CV: Quantos discos vocês gravaram? Todos foram produzidos no Uruguai?
M: Temos 3 discos e um monte de gravação editada contando splits, discos de covers, tributos, etc. Foram todos gravados e produzidos no Uruguai, fora o nosso segundo disco “Rules!!!” e um disco de covers quase ao vivo, “Bathroom days”, que foram gravados em Buenos Aires. O paradoxo é que só o nosso último disco, “Life in hell”, foi editado no Uruguai. Do resto, foi todo editado em Argentina, Brasil, Alemanha, Finlândia, Espanha, Holanda, Japão e mais.

CV: Como era a cena uruguaia quando vocês começaram e como é atualmente?
M: A cena tava muito difícil naqueles tempos, e acho que isso não vai mudar. Mais agora pelo menos tem mais informação e acesso do que há 11 anos por causa da internet. Isso é bom. Também tem mudado muito as regras do mercado discográfico e fora a banda nunca ter se enfiado no mercado e tentado sempre continuar um caminho fora de tudo isso, não tem como não te afetar. O formato de disco está morto, agora todo single é produzido para o Youtube e tal. Mas não tem como negar a influência que a banda tem deixado no país, fizemos uma escola e um caminho de como se faz um trabalho underground sem comprometer teu som e os teus ideais. Acho que isso é positivo e tem banda que continua o nosso exemplo, para o bem ou para o mal.

CV: Quais as melhores bandas uruguaias de todos os tempos?
M: Nos anos 60, Los Mockers. Nos anos 90, Chicos Electricos e Cross.

CV: A Motosierra faz um som rápido e agressivo. O que vocês ouvem quando estão em casa?
M: Muitísima coisa. Rockabilly, rock de garagem, psicodelia, killer rock, glam, punk, hardcore, hard rock, metal... Enfim, um pouco de tudo. Para você ter uma ideia, o baixista Leo é colecionador de vinil e faz reedições junto ao selo Munster Records da Espanha de bandas perdidas de garagem e psicodelia latinoamericanas dos anos 60. É um negócio muito, mais muito amplo.

CV: Além do Uruguai, quais outros países que vocês mais se apresentam?
M: Só na Argentina e no Brasil.

CV: Qual o disco de vocês que a banda mais curte?
M: Acho que o primeiro, “XXX”. Até agora é um chute na bunda, rápido, agressivo, vivo, sincero e honesto. E muito, muito raivoso. É um reflexo perfeito da banda, do nosso entorno e de nós mesmos naquela época.

CV: É possível fazer uma comparação da cena atual do Uruguai com o que vocês encontram no Brasil?
M: Não tem como comparar. O Brasil é um país gigante, com muitíssimas cenas divididas entre vários estados, regiões e cidades, cada uma com as suas características próprias. E tem poderio econômico e uma indústria musical muito forte. Tudo isso muda a ideia pela qual qualquer moleque tenta montar uma banda. Além disso, o apoio estatal na cultura no Brasil é muito forte, assim como o movimento alternativo. Já no Uruguai você está sozinho, o mercado é mínimo, as posibilidades também e o público é, em sua maioria, conservador. Se você tenta fazer alguma coisa como o que a gente faz, você sabe que vai se ferrar. A única saída é orientar a banda para fora do país. Ou então, fazer o jogo do gosto popular e montar uma banda mais convencional. E isso nunca foi o nosso caso.

Canibal Vegetariano

CV: Na América do Sul, qual o país mais estruturado para shows de bandas independentes?
M: Do que eu conheço, o Brasil sem nenhuma dúvida. O apoio estatal da Petrobrás, a ABRAFIN, o circuito Fora do Eixo, tudo isso eu não vi nem no Uruguai nem na Argentina.

CV: Vocês gravaram um split cd com a banda brasileira Forgotten Boys. Como rolou gravar com uma banda diferentes de vocês?
M: Nós gravamos splits com várias bandas e o Forgotten Boys não foi nem a primeira nem a primeira do Brasil. A primeira foi o Evil Idols, de Curitiba. Também fizemos um com o Culpables do Uruguai. E o negócio sempre foi a mesma coisa, fazer um disco bacana entre amigos para ter uma amostra em conjunto das duas bandas e curtir a amizade. E sempre fizemos em troca um cover de cada banda. Isso ajuda e dar um gás para manter os laços de união com as bandas que achamos legais.

CV: A banda existe há mais de dez anos. Quais os planos para o futuro?
M: Gravar mais um disco no Uruguai, ainda neste ano e tocar em Montevidéo e Buenos Aires. E, no final do ano, voltar no Brasil de turnê. Depois, vamos decidir o que vai rolar.

CV: De onde vem a inspiração para as letras da banda? 
M: As letras são de minha responsabilidade. Tento botar nelas o sentimento que a música me produz e como isso se relaciona com minha vida, com minha situação em particular, tento ser honesto. Tento extrair a letra da música, como um catalizador de sentimentos que me ajudam a levar a bola para frente. Nunca faço uma música e depois a letra é o caminho contrário. Também, boto nelas, e por pura diversão, piadas internas, referências culturais de quadrinhos, cinema e literatura, particularmente da coisa mas trash, do que eu gosto muito. E nunca fiz uma canção de amor.

"XXX é um chute na bunda, rápido, agressivo, vivo, sincero e honesto. E muito, muito raivoso. É um reflexo perfeito da banda, do nosso entorno e de nós mesmos naquela época"

CV: Agradeço pela entrevista, deixo espaço para as considerações finais e para propaganda da banda. Muchas gracias.
M: Obrigado a voçês pelo espaço!! Demorou, mais está aí!! Eu tenho uma relação íntima com o Brasil. Cinco turnes pelo país, 2 festivais, 4 anos morando (2 em São Paulo e 2 em Uberlândia), uma esposa linda e uma segunda familia lá. Tenho uma divída imensa com todos vocês e eu sei que isso não acaba por aqui. Agora estou voltando e faz um mês e meio que estou no Uruguai, para tentar gravar mais um disco com a banda, que é uma parte importante da minha vida. Mais assim que puder, voltaremos para o Brasil e encontrar de novo todos os amigos e afetos que a gente tem colhido nesses anos de rock and roll. Então, é só aguardar notícias dos seus irmãos malucos do Uruguai!! Salve, salve e keep on rockin!!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Entre o hardcore e o thrash


 Músicas rápidas e pesadas com forte pegada de hardcore aliadas com os riffs guitarrísticos do "thrash metal", assim pode ser definido o álbum "Contraste" da banda mineira Aterro.
Mas o disco não resume apenas ao comentário acima, o álbum tem uma qualidade de gravação de dar inveja a muita banda considerada de "sucesso". Entre os riffs de guitarra de Marquinho, é possível ouvir com muita clareza os vocais ora bem cantados e ora "urrado" do vocalista Carlim "Bullet", assim como a pegada de baixo de Raphael Sapão sem contar toda a precisão, viradas e "rajadas" precisas de bumbo duplo do batera Serjatz.
O disco dos mineiros deve agradar aos amanrtes da boa música "porrada", pois qualidade não falta neste disco e mesmo a mistura de técnica e pegada não compromete em nada a indentidade da banda que passeia tranquilamente, nas 14 músicas executadas em pouco mais de 38 minutos, pelo hardcore e o trash que com certeza faz com que muito cabeludo bata cabeça nos shows assim como os punks abram rodas de pogo.
Em algumas músicas, a banda, mesmo com apenas um guitarrista, lembra bastante alguns bons momentos do Slayer, outra banda que nunca escondeu suas raízes punk's. Nas faixas mais voltadas ao hardcore, falta um pouco mais de backing vocals, há alguns no disco, bem trabalhados, que acredito poderia ser encaixado em outras músicas.
Além de todo o belo trabalho musical desempanhado pela banda, que foi indicada por um cara que conhece muito da cena independente, Fábio Mozine, o pessoal do Aterro tomou cuidado especial com o trabalho de encarte, todo cheio de desenhos que retratam várias cenas do cotidiano em muitas periferias pelo Brasil afora. Talvez o único ponto negativo tenho ocorrido pela ausência das letras, mas isso é de menos, faz com que o ouvinte fique ainda mais curioso e preste mais atenção ao potente som do Aterro.
E você leitor do nosso blog e ouvinte do programa A HORA DO CANIBAL, em breve poderá receber em sua casa um o CD da banda Aterro, pois estamos pensando em uma bela promoção para que o fim de ano dos leitores e ouvintes seja mais rock. CD altamente recomendável.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Faça parte dessa gangue você também


  Finalmente recebi o novo split da banda Merda, desta vez junto com a banda Morto Pela Escola. Ambas são do Espírito Santo e as duas fazem um som diferente, apesar de ser voltadas para o hardcore. O novo trabalho foi lançado em vinil sete polegadas amarelo, trabalho fino, chique, e a capa, um lado para cada banda, tem trabalhos artísitcos muito bem elaborados.
Falando sobre cada banda, a Merda tem cinco músicas, cada uma em homenagem ao grupo que integra a "Ganguinha do Merda", título deste novo trabalho dos capixabas. Caso você ainda não saiba, a Merda é um dos vários projetos de Fábio Mozine, que também toca no Mukeka di Rato, n'Os Pedrero, além de comandar a Laja Records. E Mozine estava inspirado na hora de compor as faixas desse novo trabalho, das cinco, quatro são de sua autoria, com exceção da música "Quique Browm", que foi escrita pelo próprio Quique, que além de guitarrista e vocalista na Leptospirose é um dos integrantes da "Ganguinha do Merda". Além dele, estão na lista, Sandrinho, Xumaiker, Maradona e Andy Irons.
A abertura do novo trabalho ficou por conta da faixa "Maradona", uma música mais calmas do disco, tratando-se de Merda, mas que não perde a oportunidade na curtição e criatividade na letra..."Maradona, para de cheirar cocaína..." na hora você nota que é música do Merda. Na sequência vem "Xumaiker", essa sim, letra curta, direta e som pauleira. "Sandrinho" é a terceira faixa do disco e também uma homenagem ao vocalista do Mukeka di Rato. A quarta faixa é "Quique Brown", escrita pelo bragantino e para fechar com chave de ouro mais este belo trabalho vem a faixa "Andy Irons" e as primeiras palavras pronunciadas por Mozine nesta música é..."i see red flowers...", simplesmente sensacional, mais um split clássico desta banda que atualmente é uma das mais criativas e originais do cenário independente.


O OUTRO LADO - Do outro lado do disco o ouvinte ouvirá outra boa banda. A Morto Pela Escola faz um hardcore, como é chamado por alguns, tradicional. Então, o ouvinte que é chegado em um pogo ou balançar a cabeça, poderá fazer isso sozinho ou com alguns amigos em uma roda no show dos caras.
Por ser um pouco diferente da Merda, a Morto Pela Escola gravou três músicas com destaque especial para a faixa de abertura "Tudo ou Nada". Além dela, também há as faixas "Química Acumulada" e "Vida Lenta", respectuvamente. Assim como os parceiros no split, o pessoal do morto teve todo um cuidado com o trabalho gráfico que também ficou muito bom e eles aproveitaram e, não sei se propositalmente, fizeram uma homenagem ao Ratos de Porão com o título "Vivendo cada dia mais burro e agressivo", lembrando muito bem um dos discos clássicos da banda paulistana nos anos 80 do século passado "Vivendo cada dia mais sujo e agressivo".  Para resumir, dois trabalhos nota 10.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Rock para todas as idades


Canibal Vegetariano

Domingo à tarde geralmente é um dia em que boa parte das pessoas reclamam que não tem nada de interessante para se fazer. Mas, no último domingo, dia 30 de outubro, rolava em Bragança Paulista a 8ª edição do festival Cardápio Underground, festival de arte e cultura independente. E as atrações do dia prometiam, afinal, além da apresentação dos alunos da Escola de Música Jardim Elétrico, haveria shows da banda uruguaia Guachass  e dos nossos amigos do Leptospirose.

Canibal Vegetariano

Então, com o rock rolando no Espaço SanSo, rumamos sob chuva até a vizinha Bragança Paulista. Quando chegamos já ouvimos um belo som de bateria, uma bela recepção para uma linda tarde/noite de muito rock. No espaço, havia várias gerações, pessoas de todas as idades e "tribos". No palco, crianças e pré adolescentes empunhando guitarras, baixos, baquetas. Ao lado oposto, havia também o Daniel ETE, da Chop Suey Discos, com parte de seu acervo de vinis, camisetas e outras mercadorias para atender o diverso público que passava pelo local.
Das bandas formadas por alunos das escolas conseguimos ouvir várias, e a molecada, tanto garotas quanto garotos, esta mandando bem, foi muito bacana ver uma banda como "Os Irritantes", formada apenas por crianças, a maior parte na faixa dos dez anos, subindo ao palco e tocando suas músicas próprias, nada de cover ou versões nesse dia, algo louvável, pois assim as crianças veem o quanto é importante criar seu próprio som e como isso é prazeroso. Tocar músicas dos ídolos é legal demais, mas a sua não tem preço.
Canibal Vegetariano

Após as apresentações dos alunos, todos eles de parabéns, e o cumprimento estende-se aos professores, pais e amigos que compareceram ao evento para prestigiar a apresentação da garotada. Assim que os alunos deixaram o palco, ele foi tomado pela banda uruguaia Guachass, que havia ouvido apenas pela Internet. E o som aparentava ser muito rock'n'roll. E no palco, duas garotas e dois rapazes mostraram que o Uruguai realmente é um país do rock. Eles mandaram um pertardo atrás do outro sem dar tempo para que as pessoas respirassem e mostraram que rock é algo feito com amor e raça, algo que não falta ao pessoal das Guachass.
E além de muito rock, a banda apresentou uma simpatia e sintonia muito grande com o público e parte dele, muitas garotas, subiu ao palco e cantou junto com os uruguaios. Quem também subiu ao palco e agitou muito com as Guachass foi Júlio, filho mais novo de Quique Brown, o garoto de pouquissima idade, agitou no palco e no público e após audição dos alunos, mostrou que rock é estado de espírito e não tem nada a ver com idade ou qualquer outra coisa.

Canibal Vegetariano

Depois do ótimo show das Guachass, os bragantinos do Leptospirose subiram ao palco e sem delongas mandaram ver no hardcore, punk, rock pauleira que a banda está acostumada e no domingo ainda mais inspirados, pois o álbum Aqua Mad Max, terceiro da banda, havia acabado de ser lançado em vinil, o CD estava sendo vendido há alguns meses. E o show teve músicas dos três albúns e ainda a participação de dois amigos e colaboradores do Leptospirose, Matías Picon e Daniel ETE, que encerraram com chave de ouro mais uma ótima performance de Serginho, Vellhote e Quique.

Canibal Vegetariano

E ao final da apresentação, fizemos algo costumeiro, uma passada na banca para compra de vinis e cd. No caminho de volta, tivemos a certeza, mesmo que muitos ignorem, a chama do rock ainda queima e queimará por muito tempo, pois tem uma juventude muito boa vindo por aí.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Matheus Canteri, sua gangue e um country rock visceral


Eles se apresentam amanhã, dia 29, na 8ª edição do Cardápio Underground que está sendo realizada em Bragança Paulista. O power trio formado por Matheus Canteri, guitarra, Johnny Junior,baixo, e Giovani Bruno, bateria, promete sacudir a noite do instrumental no Espaço SanSo. Aproveitando, você acompanha a entrevista que realizamos com Matheus Canteri, que recentemente foi entrevistado pela Guitar Player Brasil. Hoje você confere o papo, amanhã o som.



CV: Desde quando vocês estão juntos? Houve alguma mudança na formação?
MC: Estamos juntos desde 2009, sem mudanças na formação.

Canibal Vegetariano
CV: Achei o nome de vocês fantástico: “Matheus Canteri e a Gangue do Frango”. De onde vem esse nome?
MC: Pois é, quando eu era pequeno, fizeram um vídeo de um natal em casa em que eu pedia ao meu pai que “desse uma filmada no frango”, que era na verdade o peru da ceia... Daí meu primo achou divertido me chamar de frango, e, a banda seria a minha gangue (risos).

CV: Quais as influências de vocês e o motivo de ser uma banda instrumental?
MC: Cada um na banda tem suas influências, Johnny gosta muito de metal, Giovani escuta de tudo, gosta muito de coisas com ritmo complexo como Rush, Soundgarden e ao mesmo tempo ama a simplicidade dos Ramones. Eu também ouço muita coisa, mas gosto muito de country e todas as vertentes, gosto também de coisas dissonantes como Arrigo Barnabé, Frank Zappa e Hermeto Paschoal. Somos uma banda instrumental por ser essa uma proposta diferente, sem o vocal tentamos compor as músicas de uma forma que mantenha a atenção das pessoas durante o show, sem ficar aquela coisa meio “trilha sonora”, isso é um desafio, mas é muito bacana quando num show nosso as pessoas dançam e se divertem.


CV: Bragança é uma cidade que rola muito som, tem muita banda. Vocês fazendo som instrumental, têm as mesmas oportunidades como as outras bandas?
MC: Acredito que dentro do espaço que há para a música alternativa temos as mesmas oportunidades, mas é claro que é bem difícil a gente tocar em lugares em que a proposta é ouvir música comercial, mas nesse caso nem é pelo fato de ser instrumental e sim por ser algo que não toca todo dia na rádio ou na TV.

Canibal Vegetariano

CV: Como foi o processo de gravação dos álbuns de vocês?
MC: Captamos a bateria numa sala alugada, depois trouxemos tudo para meu pequeno estúdio em casa, lá gravamos todo o resto, inclusive a mixagem e masterização. Gosto do processo de produção da música, então foi muito favorável poder ter o controle sobre como soaria o álbum e gostei muito do resultado.


CV: Vi um show de vocês, em que abriram para o Leptospirose. Como é tocar com uma banda de estilo totalmente distinto?
MC: O público alternativo, assim como nós da banda, tem a cabeça aberta sem preconceitos musicais, então é bem tranquilo, fazemos nosso show e depois ficamos curtindo o som da outra banda. Foi assim com várias outras como Almight Devildogs, Dizzaster, Black Drawing Chalks.

CV: Vocês sempre procuram tocar com bandas diferentes, ou isso é algo que ocorre ao acaso?
MC: É algo que acontece ao acaso, com bandas que estejam em turnê ou na mesma cidade na data do show, mas é bacana quando rola um show de bandas instrumentais ou de country, como foi com o Fabulous Bandits.

Canibal Vegetariano

CV: Como está a cena para música instrumental, não apenas em nossa região, mas no Brasil todo?
MC: Temos alguns exemplos de bandas que estão conseguindo seu espaço com muito esforço, como é o caso do Macaco Bong. O espaço para música alternativa em geral ainda não é algo grande, mas o que podemos observar é um aumento no número de bandas instrumentais surgindo com propostas de som muito boas.

CV: Quais serão os próximos passos da banda?
MC: Nós gostamos de nos divertir tocando, sempre procurando novos espaços e oportunidades, uma das coisas que mais gostamos de fazer é compor e gravar, então acredito que caminhamos para mais shows e mais discos, e, se tudo der certo, mais gente ouvindo nosso som.




CV: Agradeço pela atenção e deixo espaço para as considerações finais. Abraço a todos.
MC: Agradecemos as nossas famílias que nos apóiam, às guitarras HC, a escola de música Jardim Elétrico, aos amigos, as pessoas que escutam os CDs e ao amigo Ivan Gomes.

domingo, 23 de outubro de 2011

De volta as origens


Canibal Vegetariano
Gabriel falou com exclusividade sobre o novo álbum que chega
no final do mês às lojas de todo país
 A banda Autoramas lança o novo disco "Música Crocante" no dia 29 deste mês pelo selo Coqueiro Verde. Nós do zine/blog Canibal Vegetariano aproveitamos a deixa e conversamos em uma dessas noites de primavera com o guitarrista e vocalista da banda, Gabriel Thomaz, para saber sobre o processo de gravação, turnês, mudanças de formação entre outros assuntos. Abaixo, você confere a entrevista exclusiva que ele concedeu.



Canibal Vegetariano: Por que "Música Crocante"?
Gabriel Thomaz: "Música Crocante" é o que define nosso som nesse momento, onde há uma evolução natural na melhora da qualidade de gravação, nas letras, na música e esse novo álbum reafirma o que é o Autoramas.

CV: Haverá lançamentos de singles, vinis? Por que vocês continuam lançando música em vinil?
GT: Quero lançar vinil, quero lançar singles, haverá música do Autoramas em todos os formatos e para todos os públicos. E nós lançamos em vinil pois é algo muito legal, que gosto bastante e esse lance de vinil ficou esquecido no Brasil, mas no resto do mundo sempre existiu e muitas bandas continuam lançado música nesse formato no exterior. E atualmente o vinil está em crescimento em nosso país com muitas bandas independentes lançando material neste formato.

CV: Como surgiu o novo álbum? E como foi o processo de composição?
GT: Nós nunca paramos de compor e fazer shows, com isso as músicas vão surgindo naturalmente. O processo foi rápido, fizemos uma captação de recursos com nossos fãs e com ajuda deles, que receberão brindes especiais, conseguimos gravar e produzir o álbum de maneira rápida e sincera. E também com esse lançamento mantivemos nosso padrão que é a cada um ano e meio ter material inédito.


CV: E os shows para divulgação desse novo álbum, como serão? Haverá algo de acústico neles, devido ao álbum anterior?
GT: Não, nós encerramos nossa oitava turnê pela Europa recentemente e aproveitamos para testar o novo repertório nos shows. A nova turnê estará bem legal e redonda e não tocaremos mais no formato acústico na turnê do novo disco. Até gravamos uma música no formato acústico neste novo álbum, que na verdade é um bonus track, mas ao vivo teremos apenas guitarras, pois é mais tranquilo viajar levando somente guitarras.

Canibal Vegetariano
Autoramas ao vivo em Mogi das Cruzes em 2010
CV: Como é a receptividade do público europeu com a banda? Quais os locais que vocês costumam se apresentar? 


GT: Sempre fomos muito bem recebidos por lá e a internet ajuda bastante nos contatos com produtores e promotores de shows. Muita gente tem medo de ir para Europa e cantar em português pois pensa que o público não compreende. Mas a galera curte bastante o som. Em relação aos locais, tocamos em lugares pequenos, médios e grandes, inclusive em grandes festivais. Na Europa tivemos o privilégio de tocar com bandas incríveis como Pixies, Pavement, Mudhoney, inclusive no Brasil, The Muffs, entre outras.

CV: Por que o Autoramas gravou um álbum acústico ou desplugado como foi chamado?
GT: Cara, foi um projeto maravilhoso e o aceitamos para experimentar uma sonoridade diferente e sair da zona do conforto. Foi algo muito bom e os últimos shows desta fase foram realizados na Europa.

CV: E o rock no Brasil, como está a cena atual? Você concorda com as pessoas que afirmam que não temos mais rock no país?
GT: De jeito nenhum, o rock está muito vivo e para mim a cena nunca esteve tão legal e democrática. Diminuiu um pouco a quantidade de lançamentos de discos, mas tem muita banda boa e lugares legais para rolar um som. Quanto a esta afirmação, acredito que parte do público que curtia rock e sempre acompanhava em rádio envelheceu, trabalha, estuda, tem esposa e filhos. Isso dificulta para ir aos shows e locais em que está o rock está rolando.

CV: Voltando ao Autoramas, porque houve mudança de baixista e porque vocês sempre escolhem uma mulher para assumir o baixo? E a Flavinha teve participação ativa na composição do novo álbum?
GT: Ela participou ativamente e compôs algumas canções também, foi muito legal. O lance de sempre ter mulher na banda é pelo fato do vocal feminino. e mudanças de formação é algo natural e rola em toda banda.

Canibal Vegetariano
Flavinha compôs músicas para o novo álbum da banda
CV: Estamos no final de 2011. Quais os projetos para o próximo ano?
GT: Cara, nossa vida é tocar, vivemos disso e para isso, então faremos muitos shows pelo Brasil e se rolar, faremos alguns países da América do Sul, afinal já tocamos em vários deles. O que posso dizer é isso. Tocaremos muito em 2012.

CV: E os projetos paralelos?
GT: Toco em um projeto muito bacana que é o Lafayette e os Tremendões e temos alguns shows neste mês de novembro no Rio de Janeiro e Bahia. Estamos por aí, sempre fazendo um som.


CV: Gabriel, agradeço pela entrevista e deixo espaço para suas considerações finais.
GT: Cara, só posso dizer que estamos muito orgulhosos do "Música Crocante" e que pretendemos apresentá-lo para muita gente, valeu.

Canibal Vegetariano
Sob as luzes, Flavinha, nova baixista da banda


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

‘De volta para o futuro’

Edson Spitaletti
A banda paulistana The Concept retoma as atividades após alguns anos de inativa e prepara vários lançamentos para os próximos meses, com novos álbuns, singles, entre outros projetos. Para conhecer esses paulistanos que estão a quase 20 anos na independência, você confere o bate papo que tivemos com o baixista Vagner Sousa. Boa leitura.

Canibal Vegetariano: Por favor, apresente os músicos e seus respectivos instrumentos.
Vagner Sousa: Rob Son (guitarras e vocais), Vagner Sousa (baixo), Augusto Vitorino (bateria), Henrique Almeida (guitarras e backing).

CV: Quais as influências da banda e de cada músico?
VS: As influências são muitas, porém algumas habitam nosso sub-consciente tais como Beatles, Stones, Mc5, Velvet Underground, The Stooges, The Jesus and Mary Chain, Nirvana, Teenage Fanclub, Ride, My Bloody Valentine, entre outros. Acho que esta lista serve de influência para cada um de nós, mas também posso dizer que ouvimos muitas outras bandas e artistas...

CV: A The Concept volta depois de quase dez anos inativa. O que houve para vocês ficarem tanto tempo parados?
VS: Na verdade ficamos sem tocar juntos por 5 anos, nesse longo período cada um esteve envolvido em muitos projetos e outras bandas. Eu toquei no Supersad com o Henrique e montei o NoctVillains. O Bob montou algumas bandas e projetos, excursionou como músico convidado com várias bandas de reggae pela América do Sul, e o Augusto tocou no Fino Tino. Quero dizer que não ficamos parados. Já o Concept precisava desse afastamento. Nós somos muito amigos e às vezes isso pode explodir.

CV: De quem foi a ideia de reunir novamente a banda? Qual o principal motivo do retorno?
VS: A ideia surgiu entre conversas nas baladas entre eu e o Rob Son, ficamos uns três anos sem nos falar, uma fatalidade nos uniu e novamente o caminho para a volta estava aberto e iluminado.

CV: Qual a principal diferença que vocês notaram quando começaram com a banda, há quase 20 anos, e hoje?
TC: Cara são muitos anos de "mudanças" e poucas diferenças, continua a mesma coisa, a estrutura de bares e casas noturnas é fraca, os organizadores em uma grande parte só se preocupam com djs e seus pen drivers, os djs não tocam bandas brasileiras nas pistas ( Second Come, Pin Ups, Plazma, Brincando de Deus, Cigarrets, Pelvs entre muitas outras). Nos festivais de "médio" porte você tem que ser muito amigo dos organizadores, tem que dar muitos tapinhas na costas e ainda pagar todo o transporte até outros estados e por aí vai. Claro que tem promoters profissionais que realmente se preocupam com os shows, mas ainda é muito pouco. De bom mesmo temos a internet, a maior revolução musical depois das cordas. Você grava e mostra para quem quiser ouvir em qualquer parte do planeta, pena que tem muito lixo digital, lixo que não acaba mais. 

CV: O público que acompanhava a banda no começo da carreira também está voltando a acompanhá-los, ou vocês têm novos admiradores?
VS: Em seis shows percebemos que a maioria são fãs das antigas, e está rolando de alguns fãs assistirem o show pela primeira vez, acredito que estamos conquistando novos admiradores.

CV: Além da The Concept, vocês têm outras bandas? Quais os estilos?
VS: Como disse, eu e o Rob Son junto com a minha namorada/esposa estamos produzindo o 1º álbum do NoctVillains, o Henrique toca no Elevadores e o Rob também esta gravando um disco, e acredito que o estilo estará sempre ligado ao The Concept e nossas influências.

CV: Vocês estão para lançar um CD este ano, como será o disco?
VS: Olha, os discos vão ficar para o segundo semestre, temos uma coletânea indo para prensagem, com tudo que gravamos de 2000 a 2005. E um álbum de inéditas sendo gravado para lançar ainda este ano.

CV: Vocês pretendem viajar para divulgar o novo álbum? Como será feito o trabalho de divulgação?
VS: Sim, queremos tocar em todas as cidades possíveis e divulgar os trabalhos com todos os recursos possíveis também.

CV: Além deste trabalho previsto, o que mais podemos aguardar?
VS: Um álbum de inéditas, alguns singles com vídeos, mais um álbum de inéditas para 2012, mais vídeos, um documentário, um pirata ao vivo de 2003 e um show só com músicas das bandas chamadas shoegazer.

CV: Agradeço pela entrevista e deixo espaço para os comentários finais. Abraço a todos. 
VS: Agradecemos a você e ao programa A Hora do Canibal por estar sempre tocando nossas músicas e agradecer também, a todos que acreditam na boa música.

domingo, 2 de outubro de 2011

Leptospirose: Aqua Mad Max


Laja Records - Criminal Attack Records - Pisces Records - Balboa - Zuada Rec - Cauterized Productions - Caveira da Força Discos - Xaninho Discos Falidos

O novo disco da Leptospirose "Aqua Mad Max" é um daqueles registros que tiram o fôlego de qualquer fã de rock pauleira, não dá para afirmar se é hardcore, grindcore ou qualquer outro rótulo. Leptospirose é rock!!! Aqua Mad Max é rock!!!
E é muito rock que o ouvinte irá encontrar nas 19 faixas tocadas em pouco mais de 16 minutos. Se você tem ouvido frágil, mantenha certa distância desse novo disco dos caras, pois ele é agressivo, rude, mas muito, muito bem tocado, produzido e executado.
As faixas são explosões de som e fúria com destaque para toda versatilidade de Serginho, bateria, o Keith Moon brasileiro. O cara que arrebentou nos discos anteriores, neste novo trabalho bate ainda com mais vontade em seus pratos e tambores em velocidades alucinantes, mas sem perder o tempo e tudo isso acompanhado por passagens de baixo arrasadoras de Velhote, o baixista fenomenal, que parece ter motores em suas mãos devido a velocidade que executa as notas em seu instrumento.
E com dois instrumentistas desses, Quique Brown fica à vontade para criar riffs em sua guitarra que a cada disco fica mais "pesada e suja". As letras, bom, as letras continuam um nonsense total, mas essa é a marca da Leptos, pois às vezes, realidade demais enche o saco e ouvir os bragantinos faz bem é uma viagem sensacional, a um mundo de rock, puro e simples, feito por pessoas que tem uma imensa necessidade de fazer música a velocidade da luz, afinal, o tempo parece passar cada vez mais rápido. Retornando a Aqua Mad Max, simples, discasso de rock, nota 10 e com um dos trabalhos gráficos mais bonitos feitos para uma banda. Toda a arte do disco é do grande artista campineiro Daniel ETE. Se você ainda não ouviu, não perca tempo e ouça, de preferência no volume máximo.

A HORA DO CANIBAL E THE CONCEPT


É isso mesmo galera, o programa A HORA DO CANIBAL e a banda paulistana, de rock, punk, psicodelia, The Concept, presentearão cinco ouvintes com belas camisetas.
Belas camisetas que você pode levar para casa e curti-las durante o verão
Para participar é muito fácil, basta enviar e-mail para nkrock@hotmail.com dizendo "camiseta para que te quero". Os vencedores serão conhecidos no segunda quinzena de outubro. Vale participação de todos ouvintes e leitores do blog CANIBAL VEGETARIANO. Ouvintes e leitores de Itatiba receberão o prêmio pessoalmente, enquanto o pessoal de outras cidades receberão em suas casas, sem nenhum custo.
Então pessoal, pensem, reflitam e escrevam frases bonitas e toscas, você pode ser um feliz ganhador. Lembrando que mulheres tem vantagem, pois a banda disponibilizou três camisetas às damas e duas para cavalheiros. Ouçam o programa, leiam as matérias e não deixe de enviar e-mail, quantidade ilimitada.

domingo, 25 de setembro de 2011

20 anos de 'Nevermind': parece que foi ontem


No último dia 24 de setembro, parte dos roqueiros de todo o mundo comemoraram 20 anos do lançamento de um dos discos mais importantes da história da música mundial e do rock'n'roll. Vinte anos de um disco que, com certeza, mudou a vida de muitos adolescentes, ou pré adolescentes, que ouviram seus primeiros acordes em um distante final de setembro de 1991, tão distante, mas tão vivo em nossa memória que às vezes dá a impressão que foi ontem.
Em 1991 o Brasil era governado pelo presidente, caçador de marajás, Fernando Collor de Mello. Nossa moeda era o cruzeiro, conviviamos com a inflação. Para os poucos adolescentes que se interessavam em música, restava comprar alguns discos de bandas que saim no país, ou gravar fitas com discos de amigos ou ficar "caçando" alguma FM que rolasse algo interessante. A MTV no país ainda engatinhava e poucas pessoas tinham acesso. Outra maneira de informação musical era ler as revistas especializadas da época, uma das mais famosas era a BIZZ. No início de 1991 havia rolado o segundo "Rock in Rio" e como o Guns era a bola da vez, e por ter emplacado uma música na trilha do Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento final -, era a banda mais executada nas rádios que conseguiamos sintonizar em Itatiba. Sendo assim, muitos jovens da época eram fãs dos Guns'n'Roses.
Mas, não me lembro da data, na primavera de 1991 ouvi em alguma dessas rádios, um som que ao mesmo tempo que era pesado, era sutil, ao mesmo tempo que era sujo, era melódico, furioso e com uma pegada pop, uma voz que urrava, depois sussurava. Aquilo causou espanto em muita gente e depois de alguns dias fui descobrir que aquela música chamava-se "Smells like teen spirit", de uma banda que eu nunca havia ouvido falar, Nirvana.
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Este é o bebê, da capa de Nevermind
Depois daquilo, ouvia sempre as músicas do Nirvana nas rádios, bons tempos aqueles, em que acabava um Nirvana, rolava um Guns, rolava Metallica, em 1991 e 1992, era possível ouvir até Sepultura nas rádios, principalmente com a versão que eles haviam acabado de lançar, 'Orgasmatron' do Motorhead. E o Nirvana continuou tocando, tocando até a morte de seu vocalista e guitarrista, Kurt Cobain em 1994. Mas, o que parecia ser o fim, foi apenas o inicio. A "nirvanamania" só aumentou com a morte de Kurt, náo só no Brasil mas em vários lugares do mundo.

Hoje, 20 anos após o lançamento de Nevermind, nós estamos aqui, escrevendo em blogs, fanzines e em outros meios de comunicação de maneira totalmente independente, pois a sociedade e o mundo passaram por profundas mudanças nessas duas décadas, inclusive a maneira domo ouvimos e consumimos música. O que não muda são as obras de arte, que sobrevivem as mudanças, pois elas são eternas. Nevermind é tão atual hoje, como era há 20 anos, e será daqui 30, 50, 100 anos. E assim como influenciou vários garotos e garotas daquela época, ele influencia e inflenciará, pois enquanto houver pessoas interessadas em boa música, alguém sempre indicará "ouça nevermind".
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Butch Vig, produtor de um discos mais importantes de toda a história do rock'n'roll

Senhor punk


Canibal Vegetariano
A história dele confunde-se com a história do punk brasileiro. Há 30 anos ele toca guitarra e canta na banda Inocentes. Antes, fez parte das lendárias bandas Restos de Nada e Condutores de Cadáver. Atualmente, é pai de família, produtor, apresentador, agitador cultural, entre outras funções. Conheça mais sobre esta lenda do punk nacional em uma entrevista exclusiva.

Canibal Vegetariano: Cara, para começar, qual a principal diferença entre o Clemente de 1978, quando começava o punk no Brasil, e o Clemente da atualidade, no início da segunda década do século XXI?
Clemente: Todas as possíveis, em 1978 eu tinha 15 anos, o país estava sob ditadura militar, o inimigo era claro, era esse tal de “sistema capitalista”, o punk era uma novidade e havia espaço para se experimentar e criar, não era nada de protesto pelo protesto, havia a arte de confronto e a quebra de tabus.
Hoje o punk não é nenhuma novidade, há anos as bandas novas repetem fórmulas já batidas, é apenas o protesto pelo protesto, ninguém experimenta mais, ficou muito chato, eu tenho 48 anos, o inimigo não é mais tão claro, é uma tal de “globalização” e vivemos sob uma democracia que vem dando certo apesar de não ser perfeita, pois essa perfeição é uma ilusão.



CV: "Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer." Esta frase ainda é válida ou foi mais um desabafo de momento? Qual frase você usaria hoje?
C: Era ela válida para o punk paulistano naquele momento, daquele contexto, hoje ela faz parte da história, não tenho nenhuma frase tão boa para hoje em dia, o mundo e o país mudaram muito, até o punk mudou.

CV: Você atualmente toca com a Plebe Rude, é líder dos Inocentes e tem vários trabalhos na Internet, é casado e pai. Como você consegue lidar com tudo isso? 
C: Não consigo, hahahahaha! É muita coisa, toco na Plebe, Inocentes, Jack & Fancy (minha banda com a Sandra das Mercenárias), tem o Combat Rock, com o Redson do Cólera, Ari do 365, Mingau do Ultraje, sou apresentador no Showlivre.com, DJ e produtor. Isso que dá ter 3 filhos, tem que trabalhar hahahaha!

Canibal Vegetariano

"Somos mal informados, existe um controle da mídia sobre nós, acontecem coisas que não sabemos direito o que são de verdade" Clemente ao Fanzine Canibal Vegetariano

CV: O João Gordo do Ratos de Porão foi chamado de traídor do movimento em determinada época do século passado por causa de mudança de estilo. Você também foi chamado de traídor alguma vez? Como rolou o lance dos Inocentes, em meados dos anos 80, do século XX, gravar por uma gravadora multinacional?
C: Estávamos de saco cheio da cena, que se preocupava mais com as brigas do que com a música, ninguém chamava os briguentos de traidores, e eram eles que impossibilitavam o movimento,  eles fecharam todas as portas que se abriam para nós, encheu o saco tudo isso. Normal sem problemas, se ser punk era ser conivente com aquela idiotice, sou traídor com muito orgulho.
Fomos para a Warner, tocar para quem estava interessado em música e foi ótimo, ficamos conhecidos no Brasil inteiro e os considerados nossos melhores discos foram lançados pela Warner, foi bem positivo.


CV: Cara, vi o documentário "Botinada" várias vezes e a pergunta que não quer calar. Onde começou o movimento punk no Brasil. São Paulo ou Brasília? E comente sobre suas bandas no início de carreira, Restos de Nada, Condutores de Cadáver.
C: Ora, começou em todos os lugares ao mesmo tempo, é claro que aqui ganhou características de movimento muito antes pois, era tudo maior, eu comecei a tocar em 1978 com o Restos de Nada e ouvia punk e pré-punk desde 1976, acho que fomos bem precoces, saí do Restos para tocar no Condutores de Cadáver que foi a base do movimento punk, organizamos um festival em pleno Carnaval de 1980, havia punks pela cidade toda, diferente de Brasília que era uma turma só, mas acho que tudo começou junto, na Bahia tinha o Marcelo Nova e sua turma e por aí vai, é que falamos que o movimento começou aqui por que nos outros lugares não tinha as condições que caracterizam um movimento, mas sim o contato com a música punk.


Canibal Vegetariano

CV: Cara, no começo do movimento, podemos chamar assim?, Havia muitas gangues e brigas. Como é atualmente o comportamento do pessoal, principalmente os mais jovens, que frequenta shows punks, principalmente da galera pioneira, no caso, Inocentes, Cólera, Olho Seco entre outras.
C: Costumo dizer que nos shows do Inocentes vão até punks hahahaha! Vem de tudo, gente jovem, mais velha, o legal que o clima é sempre tranquilo, embora a música não seja hahahahaha!
Quando tocamos junto com Cólera, Garotos e coisa e tal, vai um pessoal mais punk mesmo, metal, skatista, mas é sempre legal.
É engraçado notar que sempre existe essa preocupação com as brigas e as gangues, parecem que eles marcam mais que a música, ganham mais destaque na mídia que a música, isso cansa, mas o povo gosta de consumir esse tipo de coisa.





CV: Qual sua opinião sobre as bandas que surgem atualmente, exemplos como Restart, Cine, entre outras? E aproveitando, o que você pensa sobre as bandas que insistem em manter-se no underground?
C: Que tipo de opinião sobre o Restart? Sempre existiram banda assim, não sei o que incomoda tanto, ou eu teria que me preocupar em fazer música para adolescente deslumbrado? Já as bandas que insistem em se manter no underground,  se elas estão felizes está tudo bem, cada banda tem seus objetivos e propostas é assim que tem que ser, nós continuamos no underground, o ruim é a falta de estrutura, isso é ruim, para todo mundo.

CV: Você acredita que atualmente a Internet é a melhor ferramenta para conhecer novas bandas e promovê-las?
C: Atualmente sim, é uma ferramenta maravilhosa, possibilitou que uma cena alternativa se estabelece, possibilitou a não dependência da grande mídia, isso é ótimo. Mas fazer boa música ainda é importante, não tem Internet que salve uma música ruim.

CV: Fale sobre seus trabalhos atuais, eles são voltados para um público segmentado?
C: Nunca se pensa nisso quando se faz um trabalho, sempre se espera atingir o número maior de pessoas possível, não dá para achar que um determinado tipo de público merece seu trabalho e outro não. A segmentação pode acontecer naturalmente, determinadas pessoas curtem um determinado tipo de música, como diria o Cramps, “Música ruim para pessoas ruins”.

CV: Cara, o "Musikaos" era um programa sensacional, que abria espaço para várias formas de arte, principalmente o pessoal do underground. Como rolou o convite para você ser produtor do programa e qual o motivo para o fim da apresentação?
C: O Musikaos foi uma das melhores coisas que fiz na vida, éramos felizes e sabíamos, hahaha! O convite rolou porque eu fazia um projeto de oficinas com bandas de garagem pela periferia de São Paulo, organizava shows, mostras em parceria com as Secretarias de Cultura da Prefeitura e do Estado, além do SESC, sem falar que era produtor artístico da gravadora Paradoxx e era responsável pelos álbuns dos Garotos Podres, Pavilhão 9, Ratos de Porão, Skamoondongos, Skuba e etc. Quando o Gastão me ligou, eu estava ensaiando com o Inocentes, ele me falou por cima e eu topei na hora, nem sabia o que fazia um produtor musical em um programa de TV, fui aprender fazendo e as reuniões de pauta eram divertidíssimas, o diretor Pedro Vieira era ótimo. Mas a TV Cultura sofreu um corte de verba e como o Gastão havia decidido morar em Florianópolis resolveram acabar com o programa.
Canibal Vegetariano

CV: Agora vamos falar um pouco dos Inocentes. O que te motiva, depois de mais de 20 anos, tocar na mesma banda? Quais os planos para o futuro?
C: Na verdade são 30 anos de Inocentes este ano, as vezes me faço essa pergunta, o que me motiva? São canções poderosas que funcionam com aqueles caras, mas já sinto sinais de cansaço, realmente tocar “Pânico em SP” o resto da vida enche o saco, o público não presta muita atenção nas músicas novas e tem muita coisa boa, vamos lançar um disco comemorando esses 30 anos e vão ter algumas inéditas e várias versões diferentes de músicas antigas.

CV: Cara, como surgiu a letra "Pânico em SP"? Em 2006, quando houve ataques do PCC, vários jornais citaram trechos da letra. Seria algo profético?
C: Não era nada profético era só uma constatação, somos mal informados, existe um controle da mídia sobre nós, acontecem coisas que não sabemos direito o que são de verdade, porque será que o PCC parou de atacar? Parece um acordo de cavalheiros. A letra é atual porque, simplesmente, a situação não mudou, por isso parecia profecia, muita gente sabia que isso aconteceria uma hora.

CV: Qual o momento de maior alegria em sua carreira musical e qual a pior época?
C: A maior alegria foi gravar o “Grito Suburbano”, foi algo mágico, não fazia ideia que era possível gravar um disco de verdade. Já a pior época foi logo que saímos da Warner, sem shows, sem grana e nem os punks apareciam para falar mal de nós hahahahahaha! Foi uma fase difícil.

CV: Clemente, qual dica você dá para aquele guri, ou guria, que está pensando em comprar guitarra, uma bateria ou um baixo e formar uma banda?
C: DESISTA! Não faça uma besteira dessas hahahahahahaha!
Ah! Sei lá, se vire, ninguém me deu dica nenhuma, faça o que seus instintos mandam é isso.


CV: Cara, quem são seus amigos na atualidade? Existe amizade com membros de outras bandas que começaram a carreira junto com você? E como é o relacionamento dos pioneiros com os novatos?
C: Adoro conversar com o Wander Wildner, com o pessoal do Garotos Podres, principalmente o Sukata, o Redson do Cólera, o Ari do 365, o Mingau, a Sandra das Mercenárias, sei lá todos meus parceiros do Inocentes e Plebe Rude, Rodrigo Cerqueira do Firebug, Wellington do Skamoondongos. Sei lá, conheço e convivo com muita gente, o Tibira do Vegas, o Porkão do CB, todo mundo no Showlivre, os roadies das bandas são meus amigos. Muita gente.

Canibal Vegetariano

"Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer." Clemente, nos primórdios do punk, no Brasil, na década de 70



CV: Qual sua opinião sobre Dilma Roussef presidente? É muito cedo para analisar?
C: Nenhuma né, é cedo ainda. Já o Lula foi muito acima das expectativas, é que tem gente que projeta todos os seus problemas em cima da figura do presidente, se tem um buraco na rua dele a culpa é do presidente, ele esquece que existe o sub-prefeito, o prefeito, o governador, o deputado, o senador e coisa e tal, a culpa é sempre do presidente e não é assim, mas se ele age dessa maneira esquece de cobrar quem ele devia cobrar de verdade e fica tudo na mesma. Sou pragmático e não acho que um presidente vai mudar o país sozinho, todo mundo tem que participar, fazer sua parte e cobrar das autoridades certas ajuda muito. O país será melhor, quando formos melhores.

CV: Cara, agradeço demais pela entrevista e peço que faça seus comentários finais. Um abraço.
C: Essa foi a segunda entrevista mais longa da minha vida hahahahahahaha! Mas foi bem legal, é isso. Valeu por me convidar.