______Versão on-line do zine Canibal Vegetariano______

Somos loucos apaixonados por rock, buscando sempre divulgá-lo de forma independente, sem jabá e amarras.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Mistura de ritmos e insanidade sonora são as marcas da Topsyturvy

Divulgação
Atualmente são poucas as bandas que a pessoa ao ouvir o som não consegue rotular. E a Topsyturvy, de Mogi das Cruzes, é um exemplo. Power trio insano, com músicos com "M" maiúsculo, formado por Alexandre Lima (guitarra e vocais), Gustavo "Gummer" Rocdrigues e Athos Araujo (baixo), os caras fazem um som que deixa qualquer um alucinado, no mais que bom sentido da palavra. Nós do Canibal vimos a banda ao vivo duas vezes e em 20 de junho os veremos novamente. Antes de se apresentarem em Campinas, os caras falaram sobre o trabalho.

Canibal Vegetariano: Assim como a sonoridade de vocês, o nome também é diferente. Como ele surgiu?
Topsyturvy: Muitas ideias foram cogitadas no início, Topsyturvy pode ser traduzido como todo ao contrário ou de pernas pro ar, julgamos que o nome reflete bem a sonoridade da banda e acabamos nos acostumando.

CV: Quais as influências da banda? 
T: Viemos de escolas do rock diferentes, e gostamos muito de música brasileira, por isso julgo que é mais fácil falar de ritmos que nos influenciaram (e influenciam) do que propriamente de bandas ou artistas. Desde a inegável influência do metal, passando pelo hardcore e o punk, mesclando com jazz, um toque de experimentalismo da mpb, um toque de frevo, de maxixe e de samba. No final das contas juntamos tudo numa panela e temperamos (risos). Tentamos fazer o nosso som.

CV: Como rola o trabalho de composição: tanto de letra quanto de melodia?
T: Acho que podemos definir nossa composição como uma grande jam. Claro que às vezes vamos com algo mais "pronto" para o estúdio, mas é quando os três estão juntos que a coisa vai tomando forma e vai sendo lapidada. Deste jeito, geralmente o som sai primeiro, de riffs e pequenos trechos, oriundos às vezes de "bolhas" de improviso. Depois corta daqui, corta de lá, gruda uma parte na outra, inverte, volta....vai encaixando a melodia, a letra, e a música vai surgindo. Isso faz com que elas continuem num processo de "mutação" mesmo após gravadas, tomando um norte diferente de acordo com o tempo que as tocamos ou com o humor do dia, sendo que ao vivo sempre surge algo de uma maneira diferente. isso é muito importante para nós, pois mantém a música viva e não engessada.



CV: Muitas pessoas do meio musical gostam de rótulos. Como vocês veem isso e como rotulariam o som de vocês?
T: Tentamos, como uma brincadeira, nos auto-rotular de Rock-abrasileirado frenético, até tem sentido com relação ao som , mas não da pra falar de um estilo assim tão específico. No "frigir dos ovos", somos uma banda de rock.

CV: Qual foi o local mais interessante que tocaram e qual o pior?
T: Difícil falar de um lugar apenas (até porque e ainda bem que temos conseguido mostrar o nosso trabalho em uma boa quantidade de lugares). Sempre fomos muito bem recebidos em Minas Gerais (inicialmente graças aos camaradas do Curved) o que faz com que toda volta a este estado das noites estreladas seja ótima. Gostamos (é claro) de festivais, mas nos sentimos muito bem na zona leste de São Paulo (vide "Formigueiro" que é um ótimo bar). Afinal de contas gostamos de tocar, de mostrar nosso trabalho, de nos divertir no palco (ou no canto do boteco)  e acho que os piores lugares que tocamos foi quando não estavamos bem para tocar.

CV: Quem é o público da Topsyturvy?
T: Além dos nossos familiares? (risos)... Acho que é tão variado quanto a mistura de som que nos propusemos a fazer. Neste aspecto é interessante ver pessoas que não são tão simpáticas ao rock, escutando "Topsy". Público é uma ideia estranha e acho que estamos começando a agradar a alguns bons amigos.

CV: Como é a cena em Mogi das Cruzes?
T: Em geral estamos "na cena" há dez anos cara, e Mogi ainda nos surpreende. Notamos que muitas bandas acabaram e se reformularam em novas estruturas ao longo deste tempo. Nós somos o resultado disso e sazonalmente a "cena" se fortifica, o que parece estar intrínsecamente atrelado aos bares e casas que abram espaço para o som alternativo. Em resumo, mais espaço gera mais bandas. Atualmente vemos uma cena mais calma, mais branda, mas é cíclico, daqui a pouco nos surpreendemos novamente.

Divulgação

CV: Quais os planos para o restante do ano?
T: Estamos mixando, então no segundo semestre estaremos com o cd em mãos. Esta sendo um doloroso parto, mas estamos felizes com o que esta saindo. Para divulgação pretendemos lançar uns dois vídeos, camisetas,  canecas (risos) e tentar salvar algum áudio ao vivo digno de divulgação. Fora isso, trabalho , trabalho e trabalho, divulgar o cd, ligar para todo mundo acertando apresentações e caindo na estrada.

CV: Agradeço pela entrevista e deixo espaço às considerações finais.
T: Nós é que agradecemos o espaço e o carinho que o Canibal tem conosco, lançando o "play" mandamos um para vocês verem se gostam. Valeu.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Monaural: o rock sujo e visceral está de volta

André Astro
Depois de cerca de quatro anos parados, Ayuso reuni novamente a Monaural, com o baterista Herik, mais conhecido como "toca de véia" e um novo membro e traz novamente o rock sujo e visceral à luz do cenário underground. Para saber mais sobre esse retorno, nós do Canibal Vegetariano conversamos com o vocalista e guitarrista. Abaixo, você confere o papo na íntegra.

Canibal Vegetariano: Ayuso, depois de um bom tempo em hibernação, a Monaural está de volta. Como rolou esse processo?
Ayuso: Estávamos dormindo e de repente passaram-se quatro anos..., acordamos do nada, com muita fome e vontade de tocar, tocar, comer e tocar! (risos). Estou com trinta e dois anos, o Herik tem seus vinte e oito e Fedo, o nosso novo baixista, trinta e três, três trintões entediados, sem perspectivas, sem ter nada de divertido para se fazer nos finais de semana, por que não se divertir novamente, resgatando um pouco daquilo que ficou em nosso tempo de colegial? Nos conhecemos na escola em que estudávamos, se não tivesse conhecido o Fedo, não teria tocado com ele no Estéreo, nem teria conhecido o Herik, ou seja, o Monaural nunca teria existido, tudo culpa desse lazarento e hoje, nada mais justo, antes de encerrarmos as chuteiras para valer, fazer essa “volta” com o figura que indiretamente mudou todo o paradeiro da minha medíocre vida...

CV: E as composições, seguiram aquela linha voltada para o som de Seattle do início dos anos 90?
A: Temos um novo baixista, como disse anteriormente; um irmão, vizinho, amigo de longa data, Fedo on bass, um cara divertido, engraçado, está sendo maneiro tocar com ele de novo. Estamos resgatando músicas antigas, três quatro acordes, riffs de metal abafado, coisas simples, com uma identidade nossa, tentando soar mais pesado e lento do que antes...



CV: Atualmente, tudo passa e muda rapidamente, como você vê o cenário underground hoje. Ele mudou em relação a época que vocês pararam?
A: Continua a mesma merda cara, segregado, glamorificado no talo, bandinhas pseudo-braZileiras tendo mais espaço e público, aquela coisa, o povo brasileiro é tudo paga pau de gringo, não tem jeito, mas aí, gosto pacas do que foi feito dentro do rótulo rock em nossa língua e somos mais uma dos remanescentes, teimosos e persistentes, mesmo que isso nos custe a vida, vamos continuar cantando em nossa língua mãe, nasci aqui, não quero ter uma vida que não tenho, cantar sobre coisas importantes numa língua que não é minha para pagar de gatinho playboyzinho, para pegar menininha, sempre achei isso um lixo e por outro lado, fica a cada dia mais evidente a dominação e o aniquilamento da nossa cultura..., sei que pode soar meio contraditório eu citar essas coisas, ainda mais falando sobre “roque”, mas foda-se, é minha forma de ver e pensar, prefiro ser fiel aos meus princípios. Embora, talvez nós iremos gravar um só em “ingreis”, só para mostrar como é mais fácil, muito mais fácil, escrever qualquer coisa e cantarolar no "embromation" para ninguém te entender (risos). A desculpa dessas bandas é, queremos ir para gringa..., que americanos vão se interessar por brasileiros sem personalidade querendo copiar o som deles e ainda na língua deles...tirando o Sepultura, e o Cansei de ser Sexy que não deu em quase nada..., não vejo mais futuro para isso, mas, posso estar equivocado, veremos.

CV: Ayuso, com a volta da Monaural, como ficam seus outros projetos musicais?
A: Não tenho mais projetos, nem vontade de retomá-los, tô ficando velho e com as bola cheia dessa cidade infernal...só queria ter grana para reformar meu violão e ficar tocando um som de fronte algum pé de morro, vendo o verde e ouvindo o cantarolar dos pássaros a me acompanhar.

CV: Vocês já fizeram algum show após o retorno? O que a galera pode esperar dessa volta da banda? 
A: Sim, nos apresentamos no Cidadão do Mundo, no ABC paulista. Lançamos um registro, espécie de bootleg, com o áudio do show, que foi filmado pelo Clóvis, Stage Struck, ficou bom até, para quem interessar, tem lá no nosso bandcamp.
monaural.bandcamp.com. Continuando, acho que não podem e nem devem esperar nada... [risos], acredito que estamos melhores ao vivo, mais experientes, e o que possa vir, e em breve virá, é no máximo um bom registro de estúdio para ficar aí para uma posterioridade do esquecimento digital.

André Astro

CV: Quais as bandas que você mais tem ouvido neste momento?
A: METZ... hummm...quem mais? A faixa nova do Sunny Day!

CV: Agradeço pela entrevista e deixo espaço para as considerações finais.
A: Nós quem agradecemos, por teu apoio e amizade verdadeira, desde muito tempo, sempre firme na luta ae, ajudando a divulgar a música independente. O mérito é todo seu cara. Até breve e esperamos ter a chance de tocar novamente em Itatiba antes que eu me mude definitivamente para o sul e o Monaural faleça permanentemente.

domingo, 11 de maio de 2014

'Os punks também amam'

Canibal Vegetariano 

No sábado 10 de maio, o Motim Records, de Valinhos, organizou festival com quatro bandas. O evento foi realizado em um lava rápido. Duas bandas eram valinhenses e outras duas de fora, sendo a Dirijo de Campinas, e Fast Falling, de Indaiatuba.
Como há tempos trocávamos ideia com o "Tuco", da banda Dirijo, a galera do Canibal Vegetariano seguiu sentido Valinhos para acompanhar o som que prometia aquecer a noite de outono, com vento frio. Para variar, como sempre ocorre, nos perdemos no caminho, tanto na ida, como na volta, mas cumprimos nossa meta.
Depois de vários pedidos de informações, conseguimos chegar ao local e a primeira banda a se apresentar foi a Meivorts, de Valinhos. Nos primeiros acordes os caras tiveram problemas com o baixo e o início foi adiado. Minutos depois, o som rolou de boa e a banda apresentou seu som, com influências do hardcore melódico do início dos anos 90. Antes do final, outro problema, desta vez com uma das guitarras, mas eles também superaram e encerraram bem a apresentação.

Canibal Vegetariano 

Após apresentação de uma das bandas "da casa", foi a vez do pessoal de Indaiatuba, Fast Falling. Também com influnências de punk rock e hardcore melódico, os caras apresentaram bom repertório de canções próprias que falam sobre a vida dos jovens brasileiros e também tecem algumas críticas sociais. Boa apresentação dos caras que formam um bom power trio.
Em seguida foi a vez dos campineiros da Dirijo. Nas gravações que ouvimos da banda o som também tem muita influência de bandas de punk rock e hardcore melódicos dos anos 90, mas ao vivo, a pegada é outra. Além de mandar muito bem nos sons, a banda tem boa presença e as músicas ganham mais peso e os caras misturam outros ritmos que tornam o show ainda mais instigante.

Canibal Vegetariano 

Passava-se muito das 22h e o vento aumentou a sensação de frio. O encerramento ficou a cargo da banda Falling Jimmy. A banda é formada por jovens e eles ainda não tem vasto repertório próprio e executaram muitas canções de bandas conhecidas. Aí, foi a deixa para voltarmos para casa e nos perdemos no caminho, novamente, mas achamos o caminho de casa. Rock'n'roll é isso!!!
    

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Rock no Dia dos Namorados

Arte: David W. Bueno 
O blog/zine Canibal Vegetariano em parceria com o programa A Hora do Canibal e apoio da rádio Click Web, traz para o leitor/leitora, uma promoção MONSTRO para o Dia dos Namorados, comemorado, no Brasil, em 12 de junho.
Nesta promoção, o vencedor ou vencedora receberá três CDs: Conquest for Death (Estados Unidos), Motor City Madness (Porto Alegre/RS) e a coletânea Rock São Paulo vol.4, com músicas de várias bandas independentes da capital paulista.

Arte: David W. Bueno

Para participar, basta os ouvintes e leitores encaminharem e-mail para zinecanibal@hotmail.com, vale quantas frases a pessoa tiver capacidade de inventar. A tosqueira também pode ser feita por vídeo, foto, colagem. O lance mais tosco leva o prêmio e quem ganhar, economizará uma grana com o presente em junho. Não fique aí parado e bota o "cabeção" para trabalhar.


A promoção é válida para todas as pessoas do planeta Terra. Caso o vencedor (a) seja de outra cidade, estado, país, receberá os prêmios no conforto de seu lar, com tudo pago pelo Canibal Vegetariano. Também podem participar pessoas casadas, amasiadas, que tenha amante, funcionários da rádio, quem escreve para o blog e tudo mais.   

domingo, 4 de maio de 2014

A noite em que Bragança Paulista tremeu

Canibal Vegetariano
A terra da nossa querida Bragança Paulista, conhecida como a terra da linguiça, não sofreu nenhum abalo sísmico mas o chão tremeu por mais de meia hora enquanto a banda Conquest for Death, formada por estadunidenses e um japonês, esteve no palco do Ciles do Lavapés.

Com energia mais do que contagiante, presença de palco insana e músicas com pouco mais de um minuto, a Conquest for Death agitou todos que foram ao local para ouvir o hardcore feito pelo quinteto. Assim que subiram ao palco, os cinco passaram a pular e soltar riffs precisos, rápidos, acompanhados de fortes "pancadas" na bateria.

Canibal Vegetariano

Rapidamente rodas de pogo foram abertas e outra parte do público, a galera do cabelo comprido, ficou em frente ao palco e soltou a cabeleira ao léu. O vocalista Dev não parava um minuto no palco, com pulos e exposição do microfone para galera cantar junto. Em alguns momentos, ele deixava o palco e saia para agitar com a galera e mesmo assim mandava muito bem nos vocais. Dev ainda deixou o palco para subir em uma mureta às margens de um rio para cantar para galera que acompanhava a apresentação da rua.

Enquanto Dev corria para todos os lados, os outros integrantes detonavam seus instrumentos no palco. No final da apresentação, parte do público não resistiu e muitos subiram para compartilhar o momento contagiante com a banda e seus integrantes. Alguns moshs foram vistos em meio à galera. Ao final do show, agradecimentos, compra de discos e afins e os comentários que não poderiam faltar: "que show foda, destruidor, coisa linda", eram as palavras mais ouvidas entre o público.

Canibal Vegetariano

Antes da apresentação da Conquest, houve o show da banda Kollision, banda com muita influência de thrash metal que agitou e esquentou o público antes do show da banda principal. Os moleques mostraram som competente e prometeram que em breve terão disco apenas com músicas próprias. Que esta gravação seja bem vinda, a galera das camisetas pretas agradece.