______Versão on-line do zine Canibal Vegetariano______

Somos loucos apaixonados por rock, buscando sempre divulgá-lo de forma independente, sem jabá e amarras.

domingo, 24 de novembro de 2013

Uma noite de 'mosh's' e 'banhos' de cerveja

Enio C. Nascimento

A noite de 22 de novembro de 2013 foi histórica! Só quem esteve presente no Woodstock Bar, em Campinas, pode relatar o que foi essa noite /madrugada de primavera brasileira quando Don Ramón e Muzzarelas subiram ao palco para tocar rock'n'roll.
Apesar do dia chuvoso, o clima ainda estava quente e a galera do Canibal Vegetariano percorreu mais de 40 quilômetros para acompanhar uma apresentação da Muzzarelas que prometia ser histórica por alguns motivos: 1 - os caras têm mais de 20 anos de carreira; 2 - eles subiram ao palco após longo tempo sem apresentações. Devido a isso e ao fato que teríamos a abertura da banda do camarada Artie Oliveira, fomos com boas expectativas para o evento. Quando chegamos o clima já era totalmente rock! Bom público aguardava abertura da casa enquanto ouvíamos a passagem de som.

Enio C. Nascimento

A abertura do evento ficou por conta da Don Ramón e os caras não decepcionaram, ao contrário, foram muito além das expectativas. Quem os ouviu em disco sabe que agressividade é sinônimo da banda, mas ao vivo eles são ainda melhores. Os vocais "insanos" de Artie não ficam apenas no disco, no palco ele faz ainda mais guturais extremos e não perde a voz, segue no mesmo pique do início ao fim.
Além de apresentar músicas do primeiro registro deles "Fat boy strikes again", os caras ainda mandaram músicas que estão em um "demo" que foi entregue à nós do Canibal logo que chegamos. Das novas músicas, o destaque, sem dúvida, é "Sapatênis caramelo [pisante dos inferno]". Show sensacional em que o público correspondeu com "boas rodas" e alguns mosh's. O clima estava perfeito para "chegada" da Muzzarelas.

MUZZA/ Logo após apresentação da Don Ramón, fomos ao lado externo da casa para dar uma aliviada no calor que dentro do salão estava o verdadeiro "bafo do capeta". Refeitos do calor, voltamos para acompanhar a Muzzarelas.
Com a pista totalmente "tomada", o clima ficou ainda mais quente. Logo a banda começou apresentação e aí boa parte da galera agitou ao som dos clássicos da Muzzarelas, que é uma das bandas mais importantes, se não a mais importante do interior do Estado de São Paulo, e uma das principais bandas do underground nacional. Os caras deram uma verdadeira aula de rock'n'roll.

Enio C. Nascimento

Para a banda parece que os 20 anos não passaram, devido a energia que eles transmitem do palco. Mas pelo público, percebemos o carinho com o qual são tratados. Todas as músicas foram acompanhadas em coro, galera presente no palco e muitos "mosh's" foram feitos. O clima ficava mais quente, aí começou a "chover" cerveja, para refrescar o público que não parava de pogar e curtir.
Os caras ainda tiraram "onda" com as bandas que tocam cover e fizeram alguns, algo muito engraçado diga-se de passagem. Eles citavam nomes de músicos que morreram e ficavam parados. Depois de mais de uma hora de apenas clássicos, a Muzzarelas encerrou sua apresentação com o som de uma de uma banda que é a grande referência da maioria de seus integrantes, Ramones! Encerramento perfeito para uma noite extremamente rock'n'roll.
PS: Escrevo esse texto na manhã de domingo [24], de algum lugar do Rio de Janeiro, ainda com muito zumbido nos ouvidos.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Rock instrumental direto dos pampas

Divulgação

A banda gaúcha The Experience Nebula Room é um power trio que executa ótimas canções de rock'n'roll instrumental com influências que vão desde o rock clássico dos anos 1970 até ao peso do grunge e stoner rock dos anos 1990. Para saber mais sobre o trio, formado por Rafael Rechia [guitarra], Eduardo Custódio [baixo e bateria em algumas músicas] e Nicholas Lucena [bateria e baixo em algumas faixas], conversar com o guitarrista e baixista para saber mais sobre o trabalho que tem se destacado não apenas no underground nacional como em mídias do exterior. Abaixo você confere entrevista na íntegra.

Canibal Vegetariano: Para começarmos: o nome da banda é muito interessante e longo, há algum significado?
Rafael Rechia: O nome surgiu totalmente sem querer, queríamos algo sonoro, bonito de estar numa capa de disco, e que ao mesmo tempo remetesse a aquela aura dos anos 70. O “Experience” sem sombra de dúvidas é por causa do primeiro e fenomenal disco “Are You Experienced”, de 1967, do mestre Jimi Hendrix, que é uma forte influência na estética da nossa banda, tanto pela formação de power trio quanto pela sonoridade.
Sempre gostamos dessa ideia de ser um trio, nesse tipo de formação cada músico se obriga a dar o máximo de si sempre. Se prestar bem atenção, a abreviação “TENR” remete a primeira inicial do nome dos músicos da banda, e com isso criamos uma serie de combinações até chegar ao “Experience Nebula Room”, e o mais legal que tudo se encaixou perfeitamente (nome + proposta e sonoridade da banda).

Divulgação

CV: Vocês fazem som instrumental de uma maneira um tanto diferente do que muitos estão acostumados. Como surgiu a ideia de montar a banda e porquê optaram por fazer instrumental?
Eduardo Custódio: A ideia do instrumental aconteceu naturalmente, pois estávamos acostumados a fazer jams sessions nas ruas da nossa cidade. Essas jams atraiam um público muito legal, o que nos surpreendeu, pois não esperávamos uma resposta assim para rock instrumental (um tanto quanto pesado e barulhento). Com o fim das bandas que tínhamos na época, criar a The Experience Nebula Room foi uma maneira de “oficializar” e organizar as jams que fazíamos.
RR: Quando participamos do primeiro Grito Rock de Rio Grande, em 2011, nosso repertório era consideravelmente grande, quase todo instrumental, com exceção da canção “Devil’s Mountain” de nossa autoria. A canção é um blues bem tristonho, que remete a aquela aura de bandas como Grand Funk Railroad nos primeiros discos. Era legal, mas começamos a notar que nossas músicas 100% instrumentais tinham uma aceitação muito boa pela galera, sendo assim, não pensamos duas vezes e resolvemos assumir esse estilo de rock alternativo instrumental.

CV: O Rio Grande do Sul tem uma cena rock muito forte e respeitada em todo país. Quais as influências da banda? Vocês misturam com algo regional?
EC: Direta e conscientemente, não misturamos com sons regionais, mas, acredito que é impossível não trazer, mesmo que de forma inconsciente, as peculiaridades da música da nossa região. Uma vez li (acho que no ensaio do Vitor Ramil) que a milonga tinha a característica de ser cíclica e repetitiva, quase como um mantra, o que liguei a algumas músicas da TENR, que giram em torno de uma ideia criando um clima e texturas. E foi bem legal, o que eu achava que poderia ser uma limitação na verdade pode ser uma característica positiva nossa (um diferencial).
RR: Quanto às influências é isso mesmo, queríamos extrair o que se tinha de melhor dos anos 70, timbres, atitude, psicodelia e aliar ao peso, sujeira e atitude do grunge e stoner rock dos anos 90, praticamente nossas influências, é o que ouvimos desde que nos conhecemos por gente.

CV: Como é a cena atual no estado de vocês e quais os espaços que vocês costumam se apresentar?
EC: Geralmente conseguimos espaços em bares e fora da nossa cidade quando ocorrem festivais. A cena é um tanto quanto limitada, principalmente pela falta de grana que acaba impedindo shows em lugares mais distantes e com maior frequência.
RR: A cena musical do Rio Grande do Sul é riquíssima, temos excelentes músicos e artistas dos mais distintos gêneros. No entanto a valorização e espaços para divulgação da arte ainda é bastante limitada como o Eduardo citou acima. Tem que ser uma via de mão dupla – o artista traz a arte e as casas de cultura devem remunerá-los justamente pelo trabalho (o que ainda não é uma realidade).

CV: Vi um clipe de vocês e ele é muito bem produzido. Vocês acreditam que o clipe ainda ajuda na divulgação do trabalho? E discos físicos, vocês têm?
EC: Atualmente, a divulgação é praticamente toda via internet, o que faz com que tenhamos um empenho maior em ter um material de maior qualidade para apresentar. O clipe ajudou bastante, pois gerou o "buzz" que queríamos nesse período em que ainda não temos nosso próximo trabalho concluído. A ideia de fazer um clipe ajudou muito à banda porque é uma forma de arte que vai além da música  e que nos permite divulgar, além do YouTube, na TV. Quanto aos discos físicos, ainda não fizemos, mas não é uma ideia descartável. Pretendemos fazer tiragens pequenas para ampliar a divulgação dos nosso trabalho, principalmente em shows.
RR: O clipe de “Ignition” foi um dos materiais que produzimos que mais me orgulho. A música foi gravada em 2011 pelo produtor fonográfico Bruno Pires, e o vídeo foi gravado pelo Thiago Gonçalves no fim de 2012, em uma tarde ensolarada, na nossa bela paisagem de campos que só se vê aqui no Rio Grande do Sul. O material ficou parado por um bom tempo até que o Marcos Alaniz (vocalista da The Sorry Shop) se prontificou a editar o clipe. O resultado final foi surpreendente, o Marcos conseguiu dirigir e organizar toda a estética concebida pelo Thiago e captar a essência da banda.
Em Julho de 2013 lançamos o clipe e o resultado foi fantástico. O clipe repercutiu muitíssimo bem, em 2 dias chegamos a 1000 visualizações no Youtube (o que considero um número significativo para uma banda independente de rock instrumental). Diversos sites resenharam e divulgaram o clipe e para nosso espanto o clipe foi publicado na seção de vídeo da renomada revista NME [New Musical Express], sim, a NME de Londres, no Showlivre.com da UOL e esses dias apareceu no programa Demo Tape na TVE de São Carlos - SP... Realmente é uma alegria imensurável ver nosso clipe circulando pelo mundo a fora.



CV: Vocês sabem quem é o público da banda? Quem se identifica com esse tipo de som?
EC: O interessante é que nosso som é bem abrangente. Sinto que em bandas padrão (não instrumentais) o tipo de vocal e vocalistas delimita muito o público.  E com a The Experience Nebula Room, conseguimos tocar tanto em lugares em que o público é aquele mais acostumado com música pop quanto em lugares em que o pessoal escuta música underground. Não ter um tipo de público definido é algo bacana pois não cria rótulos.

CV: Quais os planos da banda para 2014?
EC: Lançar mais músicas novas, nas quais já estamos trabalhando. Ainda não sabemos se será um single, EP ou um disco fechado. Tudo depende (como toda banda independente) de tempo, dinheiro e as demais variáveis.
RR: Estamos em fase de pré-produção. Temos ouvido muitas coisas novas, testado melodias, efeitos, estéticas diferentes e compondo bastante. A produção tem sido um processo bem lento, não queremos fazer o disco as pressas para simplesmente lançar algo novo, queremos lançar um disco bom, e que acima de tudo nos orgulhemos por tê-lo feito. Nós já temos alguns nomes, títulos e temáticas, mas nada ainda 100% definido. As novas músicas tem mostrado outro lado da TENR que não exploramos muito nos primeiros registros fonográficos, um lado mais noventista, mais direto e às vezes um pouco dançante, mas sem perder a essência dos trabalhos anteriores.

Divulgação

CV: Com a qualidade da música de vocês, a banda já se apresentou no exterior? Há planos para isso?
RR: Tocar no exterior é uma das metas sim. Nosso som tem tido uma aceitação muito boa e acredito que levantar voos mais altos é questão de tempo mesmo. Assim que lançarmos material novo pretendemos fazer uma divulgação bem boa, divulgar bastante nos meios afins, e ampliar nossa rede de contatos. Então músicos, produtores que se interessarem em fazer parcerias com a gente é só entrar em contato com a gente pelo Facebook ou pelo nosso email, fica o convite.

CV: Deixo espaço para as considerações finais.
The Experience Nebula Room: Gostaríamos de agradecer a todos leitores e ouvintes do Canibal Vegetariano e do A Hora do Canibal, bem como para todos os sites, blogs e amigos que têm apreço pelo nosso som, que acreditam no rock instrumental, e permitem com que o rock ‘n’ roll continue pulsando fortemente nos dias de hoje. Nosso muito obrigado, e sintam-se a vontade para entrar em contato com a gente e ouvir e espalhar o som da The Experience Nebula Room por todos os cantos.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Promoção do Pelado II - A missão!

A partir do momento em que você ler este post, até o próximo dia 25, está valendo a "Promoção do Pelado II - A missão", no programa  A HORA DO CANIBAL em parceria com o zine/blog Canibal Vegetariano e Rádio Click Web.
Para participar e ganhar um lindo CD da banda paulistana Lomba Raivosa - Choula - os interessados em receber este belo "disquinho" devem enviar e-mail para zinecanibal@hotmail.com, com alguma frase tosca sobre nudez, foto do participante ou mesmo vídeo correndo nú por aí. A ideia é abordar a nudez, vale até recorte de revista, mas nada de revistas manjadas sobre ensaios nus. Não há limites para e-mails, envie quantos achar necessário.
Quem não mora em Itatiba, deve enviar o endereço completo no e-mail pois caso vença, receberá o prêmio no conforto de seu lar sem custo algum. Por conter nudez, a promoção é válida apenas para pessoas acima dos 18 anos e que não tenha juízo, pois alguém com cabeça no "lugar" não participará de uma coisa dessa.

domingo, 10 de novembro de 2013

Meia década de loucuras

Canibal Vegetariano
Vinicius, Ivan e Boss, nos estúdios da Nova Rádio Web
 A melhor definição para escrever sobre o aniversário de cinco anos do programa A HORA DO CANIBAL realmente é a expressão citada acima, meia década de loucuras. Hoje, 10 de novembro de 2013, completamos cinco anos de um programa voltado para o rock'n'roll, mas não para tocar "mais do mesmo" e sim apresentar novas bandas e as várias facetas desse senhor quase sexagenário.

A HORA DO CANIBAL foi criado em outubro de 2008, dias depois do lançamento da primeira edição impressa do Fanzine Canibal Vegetariano. Devido ao lançamento do zine, nosso camarada e então diretor da Nova Rádio Web, Boss, vulgo Fabinho de Oliveira, chegou um dia qualquer e convidou a mim e ao meu camarada Vinicius França, para participarmos de seu programa, "Rádio Livre", para divulgarmos o zine.

Canibal Vegetariano
Kid Vinil foi o primeiro entrevistado do programa
Convite feito, convite aceito. Vinicius e eu fizemos uma playlist com os sons que gostávamos de curtir e das bandas que havíamos entrevistado para primeira edição. Durante esse programa, Boss teve a ideia de transformar o zine/blog em programa de rádio. Em uma semana, criamos nome, quadros, vinhetas e nossa camarada Tatiana Petti, foi até o estúdio e gravou várias vinhetas. Fãs da banda Drákula, fomos até Campinas falar com Daniel ETE para liberar a música Zombie Birdman, pois ela era ideal para ser trilha do programa.

Com tudo pronto, precisaríamos de um apoio jurídico, devido a alguém não gostar do que falássemos e prontamente nossa amiga e advogada Andréa Lima, aceitou cuidar de nosso departamento jurídico. Tudo acertado, em 10 de novembro de 2008 rolou o primeiro programa. De lá para cá, muita coisa mudou.

No final de 2008, Vinicius saiu em férias e ficou ausente por duas semanas, nossa amiga e ouvinte Rejane Castaldi se propôs a cobrir o descanso de nosso camarada. Cerca de dois meses depois, Vinicius precisou deixar o programa. Ali deu-se a impressão que seria o fim de um projeto que começava a ganhar espaço. Novamente Boss entrou na "fita" e pediu para este que vos escreve seguir com o projeto, pois, apesar de tudo, seria capaz de tocá-lo. E assim, chegamos a cinco anos.

Canibal Vegetariano
Brazilian Cajuns Souhern Rebels, de Londrina/PR,
 para tocar ao vivo no programa 
Nessa meia década de tantos programas, ele foi sendo reformulado inconscientemente, devido as mudanças de emissoras, chegamos a ser transmitidos em rádio FM especialiazada em rock, devido a mudança de público, ao próprio formato com bandas em apresentações acústicas, convidados de diferentes estilos. Nesse tempo de programa, músicos, políticos, jornalistas, ativistas ambientais, manifestantes, professores, advogados e ouvintes foram entrevistados em um programa que é politicamente incorreto, não por vontade própria, simplesmente porquê nasceu dessa maneira.

Em data tão importante como esta, agradeço a todas as bandas que acreditaram e acreditam no projeto, pois sem essas bandas que tocam em bares, porões e estúdios não existiria o Canibal Vegetariano, muito menos esse programa.

Canibal Vegetariano
Quique Brown e Matias Picon, durante programa gravado
na cozinha da casa da mãe do apresentador
Agradeço ao Boss, Vinicius, Andréa Lima, Rejane Castaldi, Tatiana Petti, David "Geffen", entre tantas outras pessoas, que sempre apoiaram e contribuíram muito para este "sucesso". Quantos horas em estradas para acompanhar shows, gravar entrevistas, divulgação do trabalho. Quantas noites sem dormir, eventos organizados. Valeu a todos, obrigado também a você que lê este blog e ouve o programa. Seu apoio é fundamental para o desenvolvimento e crescimento da cena independente.



domingo, 3 de novembro de 2013

Doce em forma de rock e melodias


Oriundos de Minas Gerais, os integrantes da banda 'Churrus' fazem som com muitas influências distintas que segundo o guitarrista Matheus Lopes, vão de Tim Maia a Slayer. Para saber mais sobre o trabalho do grupo que está há alguns anos na estrada, conversamos com Matheus sobre vários assuntos. A entrevista na íntegra você confere abaixo.

Canibal Vegetariano: Para começar, apresente aos nossos leitores, nomes, instrumentos e outras informações que acharem necessárias.

Matheus Lopes: A banda atualmente tem Túlio Panzera (guitarra/vocal), Matheus Lopes (guitarra/vocal), Luis Couto (guitarra/teclado/vocal), Bruno Retez (baixo) e recentemente o Daniel Mascarenhas assumiu a bateria no lugar do PF Souza que teve de deixar a banda pois se mudou para São Paulo a trabalho.

CV: O nome de vocês é muito curioso, 'Churrus'. Como pintou a ideia desse nome para banda?
ML: Essa é uma pergunta complicada, pois ninguém sabe ao certo de como pintou esse nome. É certo que ele não foi escolhido em meio de outros nomes. O que me lembro é de antes de a banda surgir, o Túlio Panzera sempre gravava discos de suas músicas, sendo cada um deles com um nome diferente. Um em particular que me chamou a atenção e me fez procurá-lo para montar a banda se chamava Churrus – Piano. Como começamos a tocar as músicas desse disco, sempre nos referíamos ao projeto naturalmente como Churrus, e assim ficou.



CV: Ouvindo o trabalho de vocês percebe-se ótima qualidade de gravação e influências de bandas gringas. Vocês se inspiraram em alguma banda específica quando começaram a compor?
ML: Existem bandas que mexem mais com a gente em diferentes épocas, acho que no Churrus nota-se em todos discos o quanto nós escutamos e nos inspiramos em bandas como Teenage Fanclub, Guided by Voices, Wilco, Pavement, Beulah e Pernice Brothers. Porém, vai muito além disso. Gosto muito do rock anos 50/60, Motown, Funk, Punk 77, NWOBHM, Hardcore americano dos 80, Thrash americano dos 80, Grunge, Shoegaze, Lo-Fi, Britpop, Indie, surf music, além de muita coisa da música brasileira. Escutamos de tudo e isso de alguma forma acaba por refletir em nossas músicas nem que seja de uma maneira bem discreta. Se você escutar com atenção, pode perceber muitas influências além dessas que citei acima. Como seria impossível citar todas essas bandas que nos influenciam, tentarei simplificar dizendo que vai de Tim Maia a Slayer.

CV: Falando em composição, como vocês trabalham as músicas? E as letras, como surgem?
ML: Não acho que exista um método/técnica de compor na banda. Gosto de sentar com a guitarra ligada e um programa de gravação no computador. Vou tocando e gravando pedaços de música de uma forma bem fragmentada, daí, quando menos espero, enxergo uma canção naquilo e começo a juntar os pedaços de modo que ela crie forma. O Túlio já gosta de compor direto com um violão na mão. O Luis, o Bruno e o PF (que são os outros integrantes que já contribuíram com músicas para a banda) eu nem faço ideia de como fazem suas composições. No final das contas, para a gravação final dos discos, cada um chega com suas músicas e a gente vai testando arranjos e riffs nessas até achar que está legal. Nessa parte todos participam.

CV: Vocês lançaram o álbum em julho pela Midsummer Records. Como rolou este contato e como tem sido a recepção do público em relação a este trabalho?
ML: No lançamento do nosso primeiro disco The Greatest Day em outubro de 2007, organizamos um pequeno festival de duas bandas em São João Del Rei/MG chamado All Stars Festival II (o primeiro foi em 2003 em BH) e para esse evento chamamos a banda Pelvs. Foi uma noite muito legal em que se criou uma amizade bacana entre as bandas. A nosso pedido, um integrante da Pelvs, acho que foi o Gordinho, levou um exemplar de nosso álbum até as mãos do Rodrigo Lariú, que é o dono da MMRecords. Bom, parece que ele gostou e desde então a gente faz parte do selo.
Quanto a recepção do último disco Transcontinental tem sido excelente. Até agora, felizmente, só recebemos críticas boas tanto do público, quanto dos blogs, e-zines, bandas e outros do meio.



CV: E os espaços para shows, vocês conseguem com facilidade ou ainda existe muita dificuldade para conseguir espaço para tocar?
ML: Apesar de ser difícil hoje em dia uma banda de rock que não é cover arrumar lugar pra tocar, nossa maior dificuldade para subir ao palco não é essa. Nosso problema é arrumar data em que todos estão disponíveis uma vez que todos trabalham em áreas diversas, e mais, 3 moram em BH [Belo Horizonte] e 2 em São João Del Rei. Isso, infelizmente nos faz recusar convites para oportunidades únicas de tocar.
Voltando à pergunta. Aqui em São João Del Rei existem lugares em que a gente toca as vezes, mas a prioridade desses lugares não é de bandas que tocam músicas autorais. Então existe sim certa dificuldade de espaço. Porém em BH é bem tranquilo de arrumar lugar. Com certeza Aobra em BH é nosso palco favorito e que mais vezes tocamos. Nunca recusaram espaço e sempre a casa é cheia. Já tocamos no Rio de Janeiro algumas vezes e em São Paulo também e vejo nossos amigos do The John Candy, Lê Almeida e Single Parents sempre tocando, portanto, acho esses lugares tem espaço sim.

CV: Quais os planos da banda para 2014?
ML: Nós estamos numa época complicada agora. Como já disse antes, acabamos de trocar de baterista e agora estamos atrás de alguém para substituir o Túlio temporariamente. Ele acabou de ir para a Inglaterra para uma temporada de 1 ano no qual ele fará um pós-doutorado. Nossa intenção é manter a banda na ativa e fazendo shows enquanto o disco ainda é novidade. Para o ano de 2014 não podemos esperar nenhuma novidade quanto a lançamento de material novo como um EP ou álbum, mas acho bem possível saia um ou mais vídeos de músicas do Transcontinental.


CV: Agradeço pelo papo e deixo espaço para considerações finais.
ML: Gostaria de lhe agradecer encarecidamente por seu interesse em nossa banda e por essa entrevista. O que você faz no blog e na rádio é o que mantém vivo esse espírito do rock’n'roll que a gente tanto é apaixonado. Meus parabéns e continue assim. Gostaria também de mandar um abraço aos amigos das bandas The John Candy, Lê Almeida, Camera, Radiotape, Single Parents, Mallogro e Pelvs.