______Versão on-line do zine Canibal Vegetariano______

Somos loucos apaixonados por rock, buscando sempre divulgá-lo de forma independente, sem jabá e amarras.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

E mais um ano chega ao fim!

O ano de 2009 sai de cena e deixa saudades em algumas partes, pois foi um ano, principalmente em Itatiba, onde aconteceu vários shows de rock e festivais e algumas festas em alguns bares e pub's que enfim, começam a contar com bandas de rock independente entre as atrações, deixando de lado um pouco as bandas que se dedicam somente aos cover's.

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Banda Mão de Vaca durante apresentação no 1º Festival Pró Rock realizado em maio

Entre os destaques fica os dois festivais organizados pela galera da Pró Rock, festas no Celso's Pub, Self Fest e o 2º Grito Urbano, estes dois últimos totalmente voltados para as bandas independentes. Na região de Itatiba, destaques para os festivais Auto Rock em Campinas e Cardápio Underground em Bragança Paulista. Um pouco mais afastado, mas tão importante quanto os festivais da região são as noites de rock que rolam quase todo sábado no Stúdio Phabiño, no Guarujá (abração especial para toda galera de lá) e o festival Insanidade Coletiva, capitaneado pelo nosso camarada Ayuso, em São Paulo.

Arquivo Pessoal
Banda Saint Ripper detonando em alguma tarde de agosto no festival realizado no Celso's Pub

Além das saudades dos momentos importantes, ficamos na expectativa de que neste novo ano que começa, a parada aconteça ainda com mais força, apoio de público e patrocinadores e que role com mais frequência, pois nosso povo e parte de nossa juventude anda carente de bons eventos de rock. Este ano também foi muito bom em relação a shows internacionais, várias bandas consagradas tocaram em terras tupiniquins, bandas como Faith no More, AC/DC, Sonic Youth, The Killers entre outras. E 2010 já começa com Metallica, dias 30 e 31 de janeiro em São Paulo, prometendo um novo ano de muito rock'n'roll.

Arquivo Pessoal
Galera reunida para eternizar o 1º Self Fest realizado em novembro

DINHEIRO

Mas nem tudo foi uma maravilha, pois como tudo na vida tem dois lados, precisamos lembrar de algumas merdas que aconteceram durante o ano. Uma das cenas mais vexatórias é a cena do governador de Brasília e seus "amiguinhos" escondendo dinheiro em meias e cuecas, mostrando que a politicagem e a picaretagem no Brasil continua como sempre. Quantos foram punidos até o momento?

Google
E os caras tem coragem de dizer que são inocentes. Brasil, País da impunidade

Algo que encheu muito o saco também foi a tal da crise financeira, que não foi nada daquilo que os "especialistas" previam no início de 2009. A gripe suína, que depois foi chamada de nova gripe, também torrou a paciência e como sempre a grande mídia fez um enorme alarde para algo que não foi nem um terço do que eles falavam. E a morte do Michael Jackson? Quase ninguém mais comentava sobre o cara, mas aí ele morreu e de uma hora para outra virou um cara que era meigo, doce, um amor de pessoa e "deus" do pop. Que saco!

NOVA RÁDIO WEB

E o ano encerra-se com um tom de melancolia, pois um dos canais mais legais para a divulgação do rock independente e de informação sem censura, deixou de operar nos primeiros minutos de 29 de dezembro. Após pouco mais de dois anos, a Nova Rádio Web, por decisão de seu diretor Fabio de Oliveira, Boss, deixou de transmitir sua programação. Os motivos que levaram o encerramento das atividades deve-se a falta de incentivo de empresários e comerciantes que ainda não abriram os olhos e não veem que a Internet e as rádios web, não são o futuro, são o presente.
Com isso, o público que acompanhava a programação perde um espaço muito importante para obter informação e cultura e artistas perdem um espaço para divulgação de seus trabalhos. Mas, o Boss não desanima e diz que a parada é somente para tomar um fôlego e retornar com tudo em 2011 ou ainda no fim deste novo ano. Que assim seja!
Voltando as expectativas para este 2010, nós do blog/zine Canibal Vegetariano continuaremos por aqui, entrevistando bandas, resenhando uns discos, falando sobre os shows das bandas independentes, além de algumas novidades que só o tempo dirá se vingarão ou não. O zine também deve ter uma edição impresa logo neste início de janeiro, no mais tardar no início da segunda quinzena.
O programa A HORA DO CANIBAL continuará tocando o bom e velho rock'n'roll dando prioridade para as novas bandas. Ao menos dois programas por mês serão disponibilizados em formato de podcast no site do programa www.ahoradocanibal.podomatic.com. Portanto, se você tem banda e precisa divulgá-la, é só entrar em contato conosco através do e-mail: nkrock@hotmail.com. Com a Nova Rádio Web desativada, quem acessar o site www.novaradioweb.com.br irá encontrar o conteúdo deste blog.

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Em agosto a banda Monaural esteve presente nos estúdios da Nova Rádio Web e fez o lançamento da música "Me drogar até morrer"

Então pessoal é isso. 2009 vai, vem 2010, e nada mudará enquanto você ficar sentando apenas reclamando que o mundo e as coisas ao seu redor estão sempre do mesmo jeito. Quer um ano diferente? Reclame menos e faça mais! Rock é atitude e não discurso panfletário. Um bom ano a todos.


Promoção Natal de Saco Cheio, resenha da vencedora

Como prometido nesse blog, estamos divulgando a resenha vencedora da promoção de Natal da Nova Rádio Web em parceria com o blog/zine Canibal Vegetariano. Quem levou o saco cheio de CD’s, DVD’s, camisetas e livro foi a ouvinte Mariana Sesti, de 14 anos. Segue abaixo o texto vencedor.

"Não tenho o que falar, o festival estava demais, assisti a apresentação de todas as bandas e curti demais. Eu adorei, todas tocaram super bem e os integrantes são super legais e simpáticos, garanti o CD de várias delas, não de todas, infelizmente. Indiquei amigos para também entrarem no caminho do rock’n’roll e aproveitarem as melhores bandas independentes.

A banda que eu mais gostei foi a Lunettes. É uma banda super legal e super feminina, só um homem, que engraçado. Já a Mão de Vaca era a mais louca e também tocaram super bem. A Banda Racha Cuca é muito porra louca, já a Drákula não tem nem o que falar, é muito maneira, além do som, eles usuram máscaras. A The Beber’s Operários fez um show empolgante e super legal. A Monaural também tocava super bem e a Sprint 77 fez um som muito massa e teve participação da galera que estava no local.

O evento começou as 14h e foi terminar às 22h30, mais ou menos, eu participei do começo ao fim e amei, podem garantir meu ingresso de qualquer evento dessas bandas, pois gostei muuito e vou sempre que tiver. Bom, enfim quero dizer que amei o evento, as bandas estão de parabéns e espero ganhar o saco cheio, pois acho que mereço. Boas festas".

Mariana Sesti

Mariana Sesti provando que esteve presente no 2º Grito Urbano. Ao fundo, apresentação da banda Mão de Vaca

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Nas trincheiras da cultura, Moacyr Scliar fala sobre sua vida e obras

Para encerrarmos muito bem 2009, nós do blog/zine Canibal Vegetariano, entrevistamos um dos escritores mais famosos e reconhecidos do Brasil. Autor de livros como o "Exército de Um Homem Só", Mês de Cães Danados", "Max e os Felinos" e "Centauro no Jardim", o escritor, médico e professor Moacyr Scliar, falou sobre seus vários trabalhos e contou um pouco sobre seu ponto de vista político.

Canibal Vegetariano: Faça uma apresentação de sua pessoa para nosso leitores.
Moacyr Scliar: Sou porto-alegrense, filho de imigrantes pobres, médico, escritor e uma pessoa extremamente simples.

CV: Com quantos anos o senhor escreveu sua primeira obra? E desde qual idade o senhor é escritor e o motivo que o levou a escrever?
MS:
Escrevo desde a infância, estimulado por uma mãe professora que era grande leitora. Minhas primeiras histórias eram narrativas de criança, mas quando entrei na Faculdade de Medicina surgiu uma nova temática na qual se baseou "Histórias de médico em formação", meu primeiro livro de 1962.

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Moacyr Scliar já conquistou vários prêmios de literatura e tem várias de suas obras publicadas em vários países

CV: Como é a vida de escritor no Brasil, um País em que as pessoas não tem o hábito da leitura? E de onde vem a inspiração para suas estórias?
MS: É certo que no Brasil ainda se lê pouco, mas tenho muitos leitores, sobretudo entre o público juvenil. E baseio minha ficção numa variedade de fontes: episódios históricos, notícias de jornal, pessoas que conheci, a Bíblia...

CV: Além de escritor, o senhor é médico e professor universitário. Qual a opinião do senhor, sobre a educação e saúde no Brasil? E o nível cultural das pessoas, o senhor acredita que atualmente é muito diferente de quando começou a publicar seus livros? Melhorou ou piorou?
MS: O Brasil tem muitas deficiências, tanto na área da saúde como na da educação, mas melhorou muito. Os dados mostram que os brasileiros vivem mais, se alimentam mais, lêem mais.

CV: Qual sua opinião sobre o governo Lula? E o que o senhor pensa desses presidentes, como Chaves e Evo Moralez e outros da América do Sul, que defendem a censura, a orgãos de imprensa, entre outras arbitrariedades?
MS:
No presidente Lula admiro sua empatia para com a população, mas acho que às vezes fala de forma precipitada. E como alguém que viveu sob a ditadura, não posso concordar com atitudes anti-liberdade de imprensa, como as de Chavez.


A obra "Mês de Cães Danados", como em muitos textos do escritor, mistura realidade e ficção


CV: Com a cena política atual da América do Sul, o senhor acredita que nós possamos viver novamente um período de autoritarismo como a Europa viveu entre as décadas de 20 e 40 do século passado, com tiranos como Hitler e Mussolini?
MS: Não, não acredito. Acho que aprendemos nossa lição.

CV: Mudando de assunto, o senhor é membro da Academia Brasileira de Letras há quase 10 anos, tem vários livros publicados no Brasil, em vários estilos, tem obras publicadas em mais de 12 linguas diferentes. O senhor acredita que seu trabalho tem o devido reconhecimento em nosso País? E como suas obras foram recebidas pelo público do exterior?
MS: Sou daqueles escritores que não têm do que se queixar: fui, sim, reconhecido em meu País e no exterior. E é muito gratificante viajar para um País como os Estados Unidos e discutir com leitores, sobretudo jovens, literatura brasileira, o que é um aprendizado para eles.

CV: Alguns de seus livros são citados em algumas músicas, principalmente dos Engenheiros do Hawaii, casos como "O Exército de Um Homem Só", que inclusive é o título da canção e tem a música "Descendo a Serra", em que Humberto Gessinger cita "Mês de Cães Danados". Como o senhor se sentiu quando ficou sabendo e ouviu essas citações? E o senhor acredita que música e literatura podem "caminhar" juntas?
MS: Não tenho dúvidas de que literatura e música podem se associar, e no Brasil isto é muito comum. Para mim é motivo de orgulho; acho que um bom compositor é tão importante quanto um bom escritor.


O título do livro é citado pela banda gaúcha Engenheiros do Hawaii, em uma de suas canções e dá nome a ela. A música é uma das mais populares da banda


CV: Exército de Um Homem Só é um de seus livros que foi escrito há quase 40 anos e continua atual até hoje. Como o senhor explica esse fenômeno? E ele é um de seus preferidos, pois o senhor cita-o bastante na obra "Enigmas da Culpa".
MS: Sim, "O Exército" é muito lido, e acho que é por causa do tema: ele fala da revolta contra a injustiça, do desejo de mudar o mundo, coisas que para minha geração eram tremendamente importantes. O nosso sonho desmoronou, mas acho que os ideais atrás dele permanecem válidos.

CV: Falamos sobre música e literatura. Além dos Engenheiros, há várias bandas que gravam discos e músicas baseados em obras literárias, além de músicos que escrevem livros e se manifestam através de outros tipos de arte, um exemplo é o Arnaldo Antunes. Com tudo isso, na sua opinião, qual seria o motivo para termos poucos leitores e novos escritores com obras interessantes?
MS:
O Brasil tem um longo passado de analfabetismo, do qual apenas agora estamos saindo. Mas o número de leitores vem crescendo, e entre os jovens escritores há gente com muito talento.

CV: Uma de suas obras, Sonhos Tropicais, foi adaptada para o cinema. Como o senhor vê essas adaptações que são muito comuns no exterior, aqui ainda não, e qual sua opinião sobre o filme. Para o senhor que escreveu, o filme é fiel a suas ideias?
MS: Gostei muito dessa adaptação, como gostei da peça baseada em "A mulher que escreveu a Bíblia", mas nem sempre a transposição para a tela ou para o palco dá certo. De qualquer modo, parto do princípio que o escritor não deve interferir na adaptação.

CV: Além de sua vasta obra, ser membro da academia, o senhor ganhou vários prêmios de literatura. Qual a importância desses troféus para um escritor?
MS: Prêmios são importantes: representam reconhecimento (especialmente no caso do importante Jabuti) e às vezes uma grana não desprezível... Mas o melhor juri é aquele que cada escritor tem dentro de si.

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Mesmo após várias obras publicadas e ser reconhecido no Brasil e no exterior, Moacyr afirma ser uma pessoa simples

CV: Fora os livros, o senhor escreve para vários jornais. Desde que a Internet se popularizou, várias pessoas acreditam que os exemplares impressos de livros e jornais serão extintos. O senhor acredita que isso possa acontecer. Várias editoras já começaram a comercilizar os "e-books". O que o senhor pensa a esse respeito?
MS: A mídia eletrônica veio para ficar, mas o livro ainda tem uma longa sobrevivência. A mim não importa como serei lido; o que importa é que meus textos sejam, literariarmente, os melhores possíveis.

CV: Se possível, cite os seus cinco autores favoritos e as cinco melhores obras que o senhor já leu. E quais são suas principais influências?
MS: Influências: Érico Veríssimo, Franz Kafka, Guimarães Rosa. Cinco grandes obras: Dom Quixote, de Cervantes, A metamorfose de Franz Kafka, O alienista, de Machado de Assis, A hora da estrela, de Clarice Lispector, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Arregaçando as mangas e botando o pé na estrada. Conheça a banda Keps

Influenciados por várias vertentes do Rock'n'Roll, a banda Keps, do município de Guarulhos, está há alguns anos na estrada, "batalhando" seu espaço entre as principais bandas de rock independente nacional. Para você conhecer mais sobre a banda, nós do zine/blog Canibal Vegetariano, batemos um papo com o guitarrista e vocalista Joey. Confira a entrevista abaixo.

Canibal Vegetariano: Faça um resumo da história da banda.
Joey Keps: Nós surgimos de uma reunião de amigos que tocavam em bandas de som próprio e covers. Numa noite típica de bebedeira da banda eu dei a ideia de fazer um som e deu certo. Ficamos satisfeitos e tornamos isso profissional. Tocando para os amigos e agora para um grupo de pessoas que já curti o nosso som.

CV: Quais as principais influências?
JK: Muita coisa diferente, mas tem desde os Beatles, passando por tudo que imaginar dos anos 60 aos anos 10 do novo século, a gente gosta de música e não tem limites pra ouvir nada... a música é um bem universal e deveria ser apreciado com mais gosto e deixar as diferenças de lado é sempre o melhor começo pra poder apreciá-la.

Capa do single "Jim Wilson", o primeiro lançamento dos caras da banda Keps

CV: O estilo que vocês se propuseram a seguir é o mesmo desde o início?
JK: Estilo é dificil de se dizer: é um punk grunge´roll, um rock sem vergonha, um garagem rock safado. Posso dizer que nosso som é um pouco diferente, mas porque gostamos de mudar as coisas, descobrir sempre algo diferente mas que seja o rock sincero de sempre.

CV: Quais as principais dificuldades que vocês enfrentaram e enfrentam até hoje?
JK: Tocar ainda é uma dificuldade, mas muitas portas tem sido abertas para a Keps e convites de pequenos shows. Divulgar graças a Internet é bem mais fácil e barato, mas o maior barato sempre é de mostrar o som para o público certo. Mas claro, senão fosse difícil nao teria tanta graça. O prazer de consquistar essa dificuldade é que torna a coisa mais legal. Agora para quem quer seguir e tem duvidas, não entre nesse caminho, senão pode acabar frustrado.

CV: Como é o espaço para as bandas de Guarulhos apresentarem o seu trabalho? Como é o público na cidade de vocês?
JK: Uma bosta! Aqui você tem que ter um grande nome ou ficar pagando 200 reais para tocar em festivais de bosta. A falta de espaço para a diversidade de música que tem aqui é o que torna a cidade horrível nesse ponto. Tem ótimos lugares para banda TOP, mas nada para o underground, nem há um pico de rock fixo. Mas mudaremos isso! Porque público de rock tem, uma pena que a classe roqueira daqui é financeiramente incapaz de frequentar qualquer casa de rock, mas é bem fiel e as bandas lutam para mostrar seu som através da net mesmo.

Os caras da banda tem o ideal de mudar a cara da "cena" de Guarulhos

CV: Qual o momento mais bacana que vocês tiveram com a banda e qual a maior "furada"? JK: Ah, só 10 meses juntos, aconteceu muita coisa legal, até hoje fizemos tudo que planejamos, abrimos shows pra uma banda foda: ZEFIRINA BOMBA, fomos tocar numa cidade litorânea (Guaruja), fomos convidados para pequenos e ótimos shows, que até que a apresentação não foi tão agradável e as pessoas curtiram e elogiaram principalmente as bandas que tocaram com a gente. Maior furada ainda não teve, mas se ano que vem for igual ao que nós estamos planejando agora, a Keps continuará mostrando seu som para um público maior e mais diferenciado.

CV: Vocês tinham algumas canções gravadas e recentemente vocês regravaram elas. Qual o motivo para regravação? JK: Queriamos lançar um EP, algo pequeno para poder divulgar mas com ótima qualidade de som, daí entramos em estúdio, gravamos o single Jim Wilson e lançamos. Na sequência lançamos o EP "Tem gente", as pessoas queriam o som bem gravado e nós demos isso ao público. É engraçado encontrar pessoas que já foram em um show seu e te elogiar.

CV: Quais os planos da banda para 2010? JK: São segredos...rsrs... Posso dizer que vamos continuar batalhando e tocando, viajar mais e divulgar nosso "roquim rou!" Continuaremos a planejar e gravar o nosso primeiro album e com calma fazer a coisa dar certo.

O vocalista e guitarrista Joey se preparando para fazer "barulho" com sua guitarra

CV: Em festivais de rock, alguns organizadores costumam misturar bandas de vários estilos. O que você pensa sobre isso? Você acredita que está mistura é valida? JK: Concordo, é válida, mas precisa saber fazer isso. Para história da música isso é bom. É bom em festivais grandes, no Brasil infelizmente, as pessoas são muito preconceituosas contra outros estilos, ao contrário da Europa, por isso lá grandes festivais não acabam. E aqui infelizmente, somem cada vez mais. Daí você precisa procuram no interior, nas cidades longe das grandes capitais para achar bons festivais de rock.

CV: Deixo o espaço para divulgação de venda de material, data de shows, contato. Resumindo, o espaço é seu.
JK: Por enquanto a banda fez seu último show esse ano, e só volta a ativa, no ano que vem. Refrescar a cabeça um pouco. Para quem quiser é só procurar myspace da Keps
www.myspace.com/kepsrock
Baixem as músicas e esperem as novas datas de shows já confirmados para o fim de janeiro. Queria agradecer a você Canibal, ao pessoal da Nova Rádio Web que tem nos apoiado e nossos ´pequenos fans', que graças a Deus tem nos divulgado no myspace e outras bandas
que tem nos ajudados nessa jornada foda de shows e contatos. Agradecer a banda Zefirina Bomba, ao Gabriel Thomaz e outras bandas de amigos que curtimos muito. Rock'n'Roll!!

Todas as fotos são de arquivo pessoal, cedidas por Joey

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Autoramas: banda lança disco 'desplugado' e continua a mais de 300 km/h

A banda Autoramas foi formada no Rio de Janeiro no final dos anos 90, e desde então, ela vem realizando um trabalho íntegro, respeitando as influências de seus integrantes e lançando discos com certa regularidade, que são sempre muito bem recebidos pelo público do underground e pela galera que acompanha o mainstream. Aproveitando que a banda está lançando seu primeiro DVD: "MTV Apresenta Autoramas Desplugado", nós do zine/blog Canibal Vegetariano, trocamos uma ideia com o fundador, guitarrista e vocalista da banda, Gabriel Thomaz, para ele comentar sobre os anos de estrada, o lançamento do novo projeto e o futuro do Rock e da Autoramas.

Divulgação
A nova baixista Flávia, Gabriel Thomaz e Bacalhau. O power trio recentemente fez uma turnê pela América do Sul e está lançando DVD

Canibal Vegetariano: A banda está há 12 anos na estrada. Peço que você faça um resumo de como começou essa ideia e se você esperava passar dos dez anos?
Gabriel Thomaz: O Autoramas começou depois do fim do Little Quail, minha antiga banda. O Little Quail tinha um estilo muito bem definido e muitas coisas que eu queria fazer não tinha espaço ali. Na real, a demo do Autoramas foi gravada para ser o repertório de um novo CD do Little Quail, mas eu acabei gravando tudo sozinho e vi que o caminho que eu queria seguir era outro. Me mudei para o Rio de Janeiro, encontrei amigos com quem eu gostaria de tocar e formamos a nova banda, com um repertório já composto por mim. Daí começamos a fazer shows e o negócio foi andando. O que eu esperava e desejava era viver tocando, viajando, gravando discos. E estamos aí até hoje.

CV: Recentemente vocês realizaram mais uma turnê pela América do Sul, desta vez passando por Chile, Argentina e Peru. A Argentina sabemos que os caras são rock total. O Chile também tem umas paradas loucas. Mas e o Peru? Como são as bandas de lá? E qual o resultado deste giro por esses países?
GT: Já fizemos muitos shows por outros países da América do Sul, o primeiro foi no Uruguai em 2004 e desde então sempre voltamos, a galera curte e sempre recebemos convites para tocar nesses países. Nessa última turnê, foi a primeira vez que fizemos shows no Peru. Já sabíamos da tradição roqueira do Peru, principalmente o Rock dos anos 60 que já era bem agressivo, muita gente até diz que o Punk Rock foi inventado lá. É uma realização muito grande ter a chance de tocar num País como esse, desde os Paralamas do Sucesso, que uma banda brasileira não tocava em Lima. O resultado é que vai aumentando o número de pessoas que curte a banda, e conhecer o mundo com tudo pago é realmente uma beleza.

CV: Além de turnês pela América do Sul, vocês já estiveram na Europa e Japão e sempre fazendo sucesso com o público. Como os gringos recepcionam uma banda brasileira nesses lugares? E a divulgação do trabalho de vocês rola legal por lá? E vocês cantam em português?
GT: Sim, cantamos em português. A recepção é sempre maravilhosa. Não importa a nacionalidade da banda, o importante é a galera gostar da música. Cada vez que nós vamos, conseguimos divulgar melhor a banda, tem sempre mais gente dando uma força, falando da banda e comparecendo aos shows. É um trabalho que vai crescendo a cada dia.

CV: Nestes últimos dez anos, muito se falou que o Rock está morto, que acabou e várias outras coisas. Mas em compensação, tem um monte de banda lançando vinil, CD, fazendo shows com certa frequência e saindo em turnê por países vizinhos e até Europa. Como você analisa a atual cena brasileira? E quais bandas você tem ouvido ultimamente e quais você recomenda para os leitores do zine/blog Canibal Vegetariano?
GT: Nunca tinha ouvido falar nessa história do Rock estar morto...que doideira. Tenho ouvido muita coisa de muitos lugares do mundo, de épocas diferentes, coisas novas e antigas. Recomendo a banda peruana atual Turbopotamos, um dos melhores shows que já vi na minha vida. E das coisas antigas, sou fã do Devo, do B-52's, do Sonics, do Guitar Wolf, do Elvis, do Rock Brasileiro dos anos 60...

Divulgação
A banda em uma de suas apresentações ao vivo. Mesmo estando a pouco mais de uma década na estrada, Gabriel quer fazer cada vez mais shows

CV: Nesta época em que tudo está se tornando digital, o Autoramas continuará a lançar EP's em vinil, lançar CD's? E você ainda compra discos? Uma vez eu li uma matéria com você, sobre coleção de discos, e você afirmou que comprava vários discos "exóticos". A sua coleção continua "crescendo"?
GT: Compro sim, é um vício. Adoro ouvir música...colocar um disco, ficar olhando a capa, sentir o cheiro do vinil. Sei que tem gente que nem liga para isso, mas tudo bem, cada um na sua. Se quiser jogar seus discos fora, me mande um e-mail antes, passo aí e busco.

CV: Qual o motivo da saída da baixista Simone? E com a entrada da Flávia, mudou um pouco o estilo de vocês, ou não?
GT: Simone foi fazer pós-graduação num lance aí que nem sei o nome, mas quando me perguntam digo que ela virou doutora em proctologia. Ela sempre vai aos nossos shows e continua enchendo meu saco como antigamente. Flavinha entrou arrebentando, ela toca muito, sabe tudo de música e está acrescentando muita coisa ao som do Autoramas.

CV: De onde surgem as ideias para as letras do Autoramas? E como é o processo de composição de vocês? E como é tocar com um baterista como o Bacalhau, que possui um jeito totalmente tranquilo mas uma pegada muito rock? E qual o segredo para partilhar mais de 10 anos de banda com ele?
GT: Cara, as letras falam de coisas que estão aí, no mundo, que todo mundo sabe ou conhece...não tem muito mistério: quando pinta uma ideia, rola um processo de concentração extrema e a letra acaba saindo. Bacalhau é um gênio da bateria, além de ser uma enciclopédia de assuntos pop: ele sabe toda a programação de todos os canais de TV, o nome de todos os atores e apresentadores, o enredo de todas as novelas e filmes e seus respectivos produtores, ano que foram lançados e detalhes mais incríveis. No mundo da música ele sabe o nome de todos os integrantes de todas as bandas, discografias completas, biografias e tudo mais que cabe naquela memória interminável.

CV: Para quem ainda não sabe, você tocou no Little Quail + The Mad Birds. Qual o motivo do fim da banda e qual a importância que ela teve para o rock nacional nos anos 90? E como foi viver esse período em que surgiram também os Raimundos, Chico Science entre outras bandas?
GT: O Little Quail foi uma banda muito legal e tenho muito orgulho de tê-la formado. O que aconteceu na época, é que tinha um monte de gente no Brasil todo com boas ideias, que formou todo esse cenário. Eu era muito novinho, não sabia nada de nada, só queria me divertir e consegui. A banda acabou quando deixou de ser divertida.

Divulgação
A banda sempre fez questão de deixar explícito em suas músicas suas influências. A Jovem Guarda e todo o Rock nacional dos 60 são algumas

CV: Em todos os discos do Autoramas, dá para sacar una pegada Jovem Guarda. Peço que você comente sobre o projeto Lafayette e os Tremendões. Como surgiu esse projeto? Vocês pretendem continuar com essa ideia? E para você, como foi dividir o palco, no VMB deste ano, com o tremandão Erasmo Carlos?
GT: Foi uma grande emoção, ele é uma referência muito forte pra mim. No mundo inteiro o Rock fervilhou nos anos 60, nosso representante foi a Jovem Guarda, com músicas maravilhosas e divertidíssimas. Esse tipo de som está no sangue, não dá pra eu me livrar disso.

CV: Uma pergunta que precisa ser feita diretamente. Qual o futuro do rock, não só no Brasil, em todo o mundo?
GT: Sempre existirão coisas boas e ruins. O grande lance é saber escolher as coisas boas.

CV: Falamos sobre a banda, rock, seus outros trabalhos. E como fica o Autoramas daqui para o futuro? Quais os objetivos que vocês pretendem conquistar com a banda?
GT: Estamos lançando agora nosso primeiro DVD: MTV Apresenta Autoramas Desplugado. Está bem legal, na minha opinião. Nosso objetivo continua sendo viver de música fazendo aquilo que nós gostamos. Até agora está dando certo.

CV: A banda Autoramas é muito bem recebida tanto no underground como no mainstream. Qual a importância para vocês, e para o rock em geral, dos fanzines, e-zines, blog's e rádios pela Internet?
GT: Sempre houve gente que curte a música e gosta de escrever sobre ela, e assim divulgá-la. Tento acompanhar na medida do possível, hoje tem muita coisa acontecendo. Tenho meus sites preferidos e sempre vou lá me informar.

CV: Gabriel, agradeço pela entrevista deixo o espaço para você divulgar datas de shows, locais de venda de CD's, criticar, xingar. Enfim, o espaço é seu.
GT: No nosso site www.autoramasrock.com.br e no nosso MySpace www.myspace.com/autoramas tem sempre nossas datas, não esqueçam de visitar. Muita paz e muito Rock para todos!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Passe o Natal e comece 2010 de saco cheio

A Nova Rádio Web em parceria com o blog/fanzine Canibal Vegetariano, lançou a promoção "Natal de Saco Cheio" que irá contemplar um ouvinte da rádio com um saco cheio de presentes para passar o natal e começar 2010 curtindo muito Rock'n'Roll.
Já aderiram a promoção as seguintes bandas: Monaural, Mão de Vaca, Lunettes, Instiga, Alcoois, Drakula, Amorin Menezes, Saint Ripper, Rock'n'Watts, Racha Cuca, Vivalda, Ocean Soul, Ecliptica, Amazon, Stormenta entre outras. As bandas estão oferecendo CD's, DVD's, camisetas e adesivos. E os contatos não param, mais bandas se comprometeram em mandar CD's e outros produtos de divulgação.
Para participar, basta que o leitor do blog e ouvinte da rádio, envie uma resenha de um show de uma banda independente, de qualquer lugar do mundo, com uma foto para comprovar que a pessoa esteve no evento. A melhor resenha será escolhida por funcionários da Nova Rádio Web e do Zine. O texto pode ser enviado, no máximo em 20 linhas, fonte Arial tamanho 12, para o e-mail contato@novaradioweb.com.br. As bandas podem enviar material até o dia 12 de dezembro e as resenhas devem ser enviadas até o dia 15.

Com essa promoção, corra para um bar com banda independente, assista aos shows, escreva sobre eles, faça fotos e envie para a Nova Rádio Web. Além de ouvir boa música, a pessoa que fizer isso, com certeza, fará grandes amizades, irá adquirir conhecimento e cultura. Lembrando que além de ganhar um saco cheio de brindes, a melhor resenha será "postada" no blog.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tem shows de rock este fim de semana

Atenção galera que estará este fim de semana no litoral paulista, principalmente nas praias do Guarujá. A partir das 18h deste sábado, dia 07/11, o STUDIO PHÁBIÑO apresentará mais uma noite de concertos para a juventude, com quatro shows de rock!!! Entrada R$ 5.
Para curtir a festa é só comparecer ao endereço abaixo:

RUA JORDÃO OTAVIO DE AZEVEDO, 257, ESQUINA COM RUA E
BAIRRO DO MONTEIRO DA CRUZ, VICENTE DE CARVALHO-GUARUJÁ
PROXIMO AO COLÉGIO NAPOLEÃO, ANTIGA LOCADORA CRIS VIDEO

Se você ficar por Itatiba ou região, a pedida pode ser o 1º Self Fest

Os shows tem início a partir das 13h deste sábado, 07/11, no Aguados Bar, que fica na Rua Romeu Augusto Rela, Bairro do Engenho, atrás da Ford, em Itatiba. Ingressos a R$ 5.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Rock, suor e união, um resumo do Festival Insanidade Coletiva

foto: Renata Olivares
Vista parcial do local onde rolou as muitas horas de rock em São Paulo

Canibal Vegetariano: Como surgiu a idéia de organizar um festival deste porte?
Ayuso: Já fazia algum tempo que eu e o Gui estávamos pensando em fazer um festival. Depois que nós "rodamos" em Trindade, chegamos a pensar em fazer um festival para reembolsar a grana que nos fora roubada pelos policiais. O Festival chamaria “Propina´s Rock Festival” (hahahaa) acredita? Mas depois de um tempo a ideia meio que abafou e pensamos em algo mais sério e maduro e daí surgiu o lance do Festival Insanidade Coletiva.

CV: Qual o balanço que você faz deste primeiro “Insanidade Coletiva Festival”?
A: Para mim foi tudo um grande aprendizado e no geral nós acertamos em muita coisa, tirando o lugar escolhido para o festival que não tinha muito haver e além de abafado tinha péssima acústica! Mas foi bom até, para um lugar onde costuma rolar forró...

foto: Renata Olivares
Apresentação da banda Maquiladora, uma das sete bandas que se apresentaram entre o final da tarde e noite do dia 24

CV: Como foi a recepção do público? Qual a reação das bandas?
A: O público e inclusive as bandas acabaram entendendo o espírito da coisa, todo mundo acabou se ajudando, emprestando um amplificador, mexendo na mesa, etc..
O espírito coletivo é algo que só precisa ser estimulado para que as pessoas percebam que uma depende da outra e só assim através da união é que podemos mudar algo em nossa sociedade ou em qualquer outro meio.

CV: Podemos acreditar que haverá mais edições?
A: Ano que vem pretendo fazer mais um sim, só que mais planejado! Estão dentro desses planos arrumar patrocínios e trabalhar com venda antecipada de ingressos.

foto: Renata Olivares
Linari, da banda La Carne, soltando a voz. O evento foi um sucesso e deve ser ampliado no próximo ano

CV: Como foi a exposição de zines? O público se interessou pelos meios alternativos de informação? E a quantidade de zines, te surpreendeu de alguma maneira?
A: A pessoa responsável (Bruna Sizilio – Fuzz Zine) pela exposição acabou não podendo comparecer e assim acabei ficando responsável por isso também! Levei alguns exemplares que peguei com a Bruna e muita gente se interessou sim, pegando o seu para ler e divulgar.

foto: Renata Olivares
Banca onde ficaram expostos os zines e materias das bandas que se apresentaram no Insanidade Coletiva

CV: No geral, houve uma troca de informações e cultura entre todos os envolvidos?
A: Sim! Nesse aspecto foi o que mais entusiasmou todo mundo, muitas bandas compareceram para prestigiar o evento e fizeram novas amizades e contatos.

foto: Renata Olivares
Ayuso (à esq.), guitarrista e vocalista da Monaural e um dos organizadores do evento, junto com Orione do Superduo

CV: Deixo o espaço para críticas, agradecimentos ou o que você queira escrever.
A: Quero agradecer a todas as bandas que realmente acreditaram na proposta do festival sem se prenderem a idiotices e fizeram sua parte tocando, participando, ajudando, etc...e claro a todas as outras pessoas, bandas e amigos que nos ajudaram nesse mutirão pois sem elas nada disso teria acontecido.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

1º Self Records apresenta bandas de Itatiba e região

Vem aí mais um festival de bandas independentes em Itatiba. No próximo dia 7 de novembro, a partir das 13h (vulgo 1h da tarde) tem a festa de lançamento do selo Self Records, e para comemorar, será realizado o 1º Self Fest com seis bandas, de rock, punk e hardcore, sendo três de Itatiba e três da região.
O evento está previsto para ter início às 13h no Aguados Bar, localizado na Rua Romeu Augusto Rela, atrás da Ford, no Bairro do Engenho. A entrada custa R$ 5. Você que gosta de rock, não deixe de prestigiar a cena independente.

Festa Halloween no Guarujá

Quem vai para o litoral durante o fim de semana prolongado, também pode curtir um bom rock. No domingo dia 1, tem uma incrível festa no Estúdio Phabiño. Informações seguem abaixo:
NÃO PERCA! DIA 1-11 A NOITE MAIS MACABRA DA HISTÓRIA!

HALLOWEEN DO STUDIO PHÁBIÑO!
A PARTIR DAS 18HS!
SHOW COM AS BANDAS: TASTE OF SIN, DRY SYSTEM E STORIA
E MUITO MAIS MÚSICA...

SORTEIO DE BRINDES PARA AS MELHORES FANTASIAS!
ENTRADA 5 REAIS!

STUDIO PHÁBIÑO! RUA JORDÃO OTAVIO DE AZEVEDO, 257, ESQUINA COM RUA E VICENTE DE CARVALHO. PROXIMO AO COLEGIO NAPOLEÃO, ANTIGA LOCADORA CRIS VIDEO!

INFOS: (13) 33417826 e (13)97382992

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Entre o retrô e o moderno, a banda Del-O-Max 'detona' seu rock'n'roll

Formada em Campinas, em 2002, a banda Del-O-Max mistura o rock garageiro do final dos anos 60, com o rock considerado moderno. Com uma formação que por muitos é considerada inusitada, pois ao invés de ter dois guitarristas, os caras têm dois baixistas, Gui Galembeck, que também faz os vocais e Renato Henriques. Com esta diferença, e o potente som que compõem, a banda que além dos baixistas, conta também com o guitarrista Maurício Struckel e o baterista Alessandro Poeta concedeu uma entrevista ao editor do blog/zine Canibal Vegetariano, onde foi comentado sobre o estilo que seguem, influências, composições entre outros assuntos. Boa leitura.
foto: Gui Galembeck e Mari Whitaker
Contra capa do disco 'Too Hard' que a banda lançou em 2007

Canibal Vegetariano: Por que o nome Del-O-Max?
Renato: Alan Lomax pode ser considerado o pioneiro na gravação independente nos EUA. Ele saía com um Ford modelo "T" procurando músicos de blues e country que ele pudesse gravar, sendo estes artistas autênticos, e não músicos querendo gravar um produto meramente comercial. Leadbelly, importante músico de blues e também para as raízes do rock foi uma de suas "descobertas". No fim dos anos 50 teve na costa Oeste dos EUA a gravadora Del-Fi, de Bob Keane. Bob gravava um tipo de rock novo até então, que tinha nos riffs e no instrumental seus pontos fortes e quebravam com aquela tradição do rock típico dos anos 50. Gravou também artistas exóticos e doo-wop. De qualquer modo, pode ser considerado um primeiro marco na destruição/resconstrução do rock, fugindo de seus modelos tradicionais. Assim, com o nome Del-O-Max achamos que poderíamos fazer nossa homenagem a Alan Lomax e à gravadora Del-Fi.
Alê: Eu entrei posteriormente na banda e não participei desta escolha. Apesar da teoria que explica a criação do nome da banda, gosto dele antes da explicação, como alguma coisa abstrata, que faz algumas referências mas não deixa explícito de que se trata, aguçando a imaginação. Na verdade, existem outros fatores que influenciaram na parte estética, como a simetria e o uso dos hífens que separam as palavras (elemento presente nos nomes de eletrodomésticos e em outras coisas dos anos 50 e 60: Trap-O-Matic, Car-a-Van, etc). O nome soou bem no meu ouvido desde a primeira vez que ouvi e acredito que esta impressão não é só minha. Parece que caíria muito bem para um grupo de surf music também, uma associação que já foi feita algumas vezes. Mas depois de ouvir o som e ver o show tudo parece se encaixar harmoniosamente.

CV: Algo de diferente que dá para notar no som e na presença de palco de vocês, é o lance de dois baixos. De quem partiu a ideia? Como o pessoal recebeu essa ideia e como é feito o trabalho de composição?
Renato: A ideia veio do Guilherme, que estava cansado de trabalhar com guitarristas, e pensou que um segundo baixo no lugar de uma guitarra poderia quebrar a hegemonia. Mas percebemos que faltavam clarezas na melodia, diferenças mais marcantes entre tons maiores e menores, etc, e daí incorporamos também uma guitarra, que também é tocada de uma maneira bem peculiar, por conta da formação. A composição para a gente é um processo natural, onde alguém vem com um riff, e vamos construindo a música a partir dos resultados legais alcançados no improviso. Depois a letra é encaixada e os riffs encaixados de maneira mais matemática.
Gui: Os baixistas ainda costumam ser mais entusiasmados a longo prazo que os guitarristas. Não mudou nada.
Alê: Os dois baixos são o principal diferencial na sonoridade da banda. O som fica pesado, gordo, e deliciosamente rouco e sujo com a distorção ao mesmo tempo que pode soar delicado. Acredito que a limitação inicial pela falta de um timbre de guitarra fez com que a banda estudasse e testasse bastante as combinações de timbres entre os baixos e a maneira como eles trabalham. Alguém aparece com um riff, e começamos a testar e adaptar as funções de cada instrumento, inclusive os baixos tem funções distintas. Às vezes o riff vem gravado num celular porque alguém assobiou algo que pareceu legal e gravou para não esquecer. Algumas coisas que a princípio parecem ridículas, acabam ficando fantásticas depois de misturar tudo e cada um dar a sua contribuição. Criticamos quando não gostamos de algo ou da linha de algum instrumento, propomos alterações, readaptamos e assim por diante até a finalização. Algumas músicas ficam prontas em poucos ensaios, outras levam meses, algumas desistimos ou damos um tempo esperando a ideia amadurecer.

foto: Tatiana Ribeiro
A dupla de baixistas da banda, Gui, à esquerda e Renato. Gui também faz os vocais

CV: Quais são as principais influências de vocês?
Renato: Não sei. A gente praticamente nem sequer sabe o que o outro ouve em casa. Mas a atitude verdadeiramente rock de todas as eras certamente é a nossa força-motriz.
Gui: Em casa... Rock, Low-Fi e recentemente música eletrônica.
Alê: Acho que não me arrisco mais responder a esta pergunta citando nomes pois me tornei eclético em relação a música. Gosto de muitos estilos e acredito que esta variedade acrescenta de todos os lados. O rock é minha preferência e como disse o Renato, nossa força-motriz. Gosto de ficar transformando tudo em rock.

CV: Vocês lançaram em 2007, o disco "Too Hard", somente em vinil ou teve lançamento em CD? E por que fazer um lançamento em vinil?
Renato: Lançamos o disco em Vinil e em MP3 gratuito disponível no nosso site (mas que está passando por reformulações no momento).
Gui: Vinil é mais legal para a gente, e já que fazemos isso para nós mesmos antes de mais nada, ter a liberdade de lançar em vinil, que por si só um objeto mais colecionável que o CD, era uma vontade pessoal da banda. Eu mesmo não compro um CD há anos. A idéia é que a pessoa que quiser CD baixe do site e grave algumas cópias, ou passe a música em MP3, tanto faz, o importante é que a música seja ouvida, e quem quiser comprar algo, compra uma peça mais exclusiva em Vinil. Mais do que seria se lançassemos em CD.
Alê: Não é só pelo fato do disco ser de vinil (material), pelo tamanho do objeto ou da capa, ou por ser um formato antigo, colecionável … Na minha opinião o grande e verdadeiro charme e vantagem está no fato de ser um formato analógico. Mesmo novo, nenhum disco será exatamente igual ao outro e depois de usado menos ainda. A leitura é feita através de contato mecânico e isso traz tanto limitações quanto vantagens que tornam o som do disco de vinil diferente do CD. Já o CD não chega a ser exatamente um disco, é na verdade uma mídia de suporte de um arquivo digital que pode ser transferido para qualquer outro tipo de dispositivo de armazenamento digital como um pen-drive, um HD, etc. Hoje, as pessoas se preocupam em carregar mil músicas no seu MP3 portátil, não andam mais por aí com diskman e CD's na mochila. O CD já está obsoleto, vai virar lixo. Hoje poucas pessoas jogam discos de vinil no lixo, normalmente eles vão para o armário de outra pessoa ou voltam para os sebos onde são comercializados novamente. Isso chega a ser engraçado pois se parar pra pensar um disco de vinil usado pode estar sendo comprado pela terceira, quinta vez, e ainda acaba valendo mais hoje do que quando foi vendido pela primeira vez e este disco ainda tem uma história, uma tragetória, foi de outras pessoas, esteve em outros lugares. É meio que uma maneira de agregar mais valor ao som e disponibilizar um formato diferenciado também na sonoridade. Quanto a durabilidade, estou convencido de que a do vinil é superior. Tenho discos de 40 anos que continuam tocando e CD's muito mais novos que já não tocam mais. O CD é muito frágil e delicado. Se você pegar um CD com a mão úmida ou engordurada ele pode oxidar naquele ponto e se perder por completo depois de um tempo, já o disco de vinil vc pode até lavar. É uma maneira de imortalizar a coisa gravar em vinil. No disco de vinil o som está lá, você vê ele lá riscado, dá pra ver a batida do bumbo, falo sério. Você pega no som, você ouve o som saindo da agulha só de girar o disco, nem precisa ligar o aparelho. Não se ouve um disco de vinil, se toca ele, ele é praticamente um instrumento sonoro.

CV: Esse lance de lançar o trabalho em vinil partiu de quem? Houve algum apoio, selo de distribuição? O disco foi lançado somente no Brasil, ou foi para o exterior também?
Gui: Partiu da gente mesmo. O disco foi lançado no Brasil, com apoio da Riva Rock Discos apenas. Mas tem uma longa história por trás disso... Inicialmente a Pisces Records iria entrar na distribuição e produção.. acabou até saindo o logo deles na capa, porém não recebemos um puto deles até hoje, e não creio que isso vá ser acertado algum dia. Falta honestidade por parte do Ulisses, que simplesmente sumiu e não cumpriu com a parte que lhe cabia. O disco só foi lançado mesmo, por causa de nossos próprios esforços e de mais ninguém. Portanto, foda-se a Pisces Records e o Ulisses... não precisamos de "parceiros" assim. Cuidado com esses caras!
Alê: O Gui é o mais bravo dos integrantes. Ainda bem que ele está na banda.
Gui: Acho que as coisas combinadas devem ser cumpridas... underground sim, mal feito não! Então, se puder ser feito melhor que o combinado... ótimo, não é mais que obrigação... coisa que o Ulisses passou longe. Aliás... não sei como esse cara ainda não foi queimado em praça pública por bandas sedentas que estão esperando há anos na gaveta dele para serem lançadas conforme prometido... conheço várias!
foto: Tatiana Ribeiro
"A banda é uma atividade secundária em nossas vidas e também está relacionada a
diversão. Mas não deixa de ser um trabalho voluntário", Alê, baterista

CV: Qual o principal objetivo que vocês almejam como banda?
Renato: Creio que a música seja o fim por ela mesma. Tocamos por gostarmos e fazemos rock do jeito que achamos que o rock tem que ser feito.
Gui: Diversão, música, diversão.
Alê: É uma atividade secundária em nossas vidas e também está relacionada a diversão mas não deixa de ser um trabalho voluntário em que nos dedicamos a música. Claro que gostamos de elogios mas creio que a maior satisfação é quando reconhecemos ou percebemos por si mesmos que fizemos uma música boa. Concordo com o Renato, que é no fundo a música por ela mesma.

CV: Qual a opinião de vocês sobre o lance de compartilhamento de música? Vocês são contra ou a favor?
Renato: Acho que não é nem questão de ser contra ou a favor. A questão é que é isso que está acontecendo no momento, não é algo que irá mudar tão cedo e o artista precisa saber trabalhar de acordo com estas circunstâncias. Mas como público consumidor, certamente todos nós temos uma bela coleção de MP3 pego pela rede.
Gui: Sou completamente a favor.
Alê: Simplesmente é inevitável e acho bom.

CV: Campinas têm muitas bandas de rock, dos mais variados estilos. A cena parece crescer a cada dia. Vocês acreditam que isto ajuda as bandas locais, ou acaba criando alguma rivalidade?
Renato: Nós, infelizmente, não vemos uma cena crescer. Certamente existem pessoas e casas promovendo bons shows e montando bandas, mas achamos que ainda está muito longe do que acontece em locais como Goiânia, onde há uma estrutura muito mais bem fundamentada para fazer a coisa funcionar. Mas pelo menos fazemos nossa parte promovendo intercâmbios com bandas, eventualmente fazendo um show pelos bastidores e não pelo palco com a gente tocando, etc, e temos também várias bandas da cidade que são boas companheiras nesse sentido.
Gui: Acho que cada um deveria se preocupar apenas em produzir e produzir e produzir. Quanto mais gente tocando, fazendo, agitando, se mexendo... melhor ! Rivalidades nesse ponto seria mera infantilidade. A dita "cena" é um objetivo ainda, não realidade.

CV: Voltando a banda, não sei se eu ouvi direito, mas parece que o show de vocês no Bar do Zé, em agosto, foi o primeiro do ano. Por que vocês ficaram tanto tempo sem se apresentar?
Renato: Estávamos e ainda estamos compondo novo material. Isso exige uma certa dedicação, que não estavamos conseguindo ao fazermos muitos shows. Por outro lado, agora achamos que já era hora de testarmos nos palcos algumas dessas novidades.
Gui: A gente trabalha, tem contas a pagar, família (ainda não filhos, mas... ), cada um tem sua profissão fora da música... e não dá para viver da banda.... digo, de shows, venda de disco, essas coisas.... você gasta mais que ganha na maioria das vezes. Sendo assim acho que estamos dando preferência a produzir material novo quando reservamos tempo para a banda, ao invés de se desgastar em apresentações. Mas estamos aí... tocamos quando dá... quando chamam a gente... na verdade chamam a gente bem pouco.

foto: Tatiana Ribeiro
Ao contrário da maioria das outras bandas, os caras do Del-O-Max optaram por ter somente uma guitarra. Na foto, o guitarrista Maurício Struckel

CV: Quais os projetos para o futuro?
Renato: Estamos em uma fase bem introspectiva para cada um dos membros, todos procurando um melhor lugar ao sol nas suas vidas pessoais, o que dissipou um pouco da energia para algo coletivo nosso, mas certamente esta força ainda existe. Assim estamos compondo material, que provavelmente nós mesmos iremos fazer todo o processo de gravação. E para isso, precisamos também de mais boas novas músicas.
Gui: Gravar! Tirar férias .... gastar todo meu dinheiro com a banda.... rsrsrs. E por fim achar uns discos sendo vendidos a 0.50 cents no sebo da esquina daqui a 30 anos...

CV: Para encerrar, deixo o espaço para vocês divulgarem datas de shows, onde comprar o disco e etc.
Renato: Discos à venda na Riva Rock Discos, Baratos Afins e Big Papa, em São Paulo e via internet, na Livraria Cultura e Saraiva. Se preferirem entrem em contato direto com a gente: contato@del-o-max.com.br. Shows em breve! Por enquanto quem quiser pode aparecer nos ensaios e tomar umas com a gente. A garagem está aberta.