______Versão on-line do zine Canibal Vegetariano______

Somos loucos apaixonados por rock, buscando sempre divulgá-lo de forma independente, sem jabá e amarras.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Hutt: grindcore em ‘estado bruto’

Fotos: Canibal Vegetariano
Há mais de dez anos na estrada, a banda paulistana de grindcore Hutt se apresentou em Campinas no mês de fevereiro. Nós do Canibal Vegetariano acompanhamos a apresentação que foi um “arrasa quarteirão”. Dias após entramos em contato com o vocalista Marcelo Appezzato para fazermos a entrevista que você lerá a seguir. Além de Apezzato, a banda ainda tem Leandro na guitarra, André no baixo e Diego (baterista monstruoso) em sua formação. Durante o papo, falamos da história do quarteto, política e próximos lançamentos. 

Canibal Vegetariano: Desde o início em 2002, houve alguma mudança na formação? Em caso positivo quais foram e por quê?
Marcelo Appezzato: Começamos o Hutt como um trio, eu, o Leandro e o Choukri (ex-Presto) na bateria. Sem baixo. Em 2006 o Choukri saiu e a gente colocou o Diego e o André. Gravamos o Monstruário com essa formação. Em 2010 ou 2011 o Choukri voltou pra banda e o Diego saiu. Em 2013 o Choukri saiu de novo e o Diego voltou. Ou seja, uma confusão dos infernos.

CV: Quais as principais influências de vocês?
MA: Cara, vou falar por mim, pois cada um escuta suas coisas. Eu sempre curti punk/hardcore, crossover, death e thrash metal, pelo menos no que diz respeito as minhas influências como vocalista. Mas como fã de música escuto um monte de outras coisas, nem queira saber o quê (risos).

CV: Como é ter uma banda de grindcore no Brasil? Há espaços para shows, divulgação e venda de discos?
MA: Deve ser a mesma coisa que ter uma banda grind em qualquer lugar do mundo, cerveja morna como cachê, shows nem sempre lotados, poucas mulheres e muita roupa preta. A cena é pequena mas forte, e é tocada por algumas pessoas que fazem a diferença, seja tendo banda, promovendo shows ou principalmente: comparecendo em shows e comprando o material das bandas.

CV: Vocês estão na estrada há 13 anos. O que mudou de 2002 para cá? As mudanças foram positivas?
MA: Acho que a principal mudança foi na comunicação, por causa da internet. O público aumentou um pouco também e está mais diversificado. De resto não vejo muita coisa diferente. Pra gente, como banda, tá melhor.

CV: O que vocês planejam para o futuro?
MA: Tocar por aí de vez em quando, gravar mais uns discos, conhecer um monte de lugares e pessoas legais, experimentar uns aditivos diferentes e, principalmente, não chegar aos 3 maços de cigarro por dia.

CV: Quem é o público que acompanha o Hutt, é possível descrevê-lo?
MA: Como eu disse antes, o publico é mais variado atualmente, mas no geral são pessoas de cabeça aberta, que escutam variados estilos de música e que usam bermuda numa boa.

CV: Vocês tiveram alguns registros lançados fora do Brasil. Como rolou esse esquema e ele contribuiu para que vocês ficassem conhecidos no exterior?
MA: Contribui sim. Mas eu não lembro direito como foram feitos os contatos. Acho que os caras que lançaram escutaram, curtiram e quiseram lançar.


CV: Quem acompanha a banda saca que o som de vocês é rápido e com muito peso. Qual o estímulo após tantos anos de banda para seguir compondo música?
MA: Estimulantes poderosos (risos). Cara, acho que a vontade de fazer música juntos impera.

CV: Desses 13 anos, qual a maior furada que a banda se envolveu e também qual o ponto de maior orgulho. Tocar com algumas bandas gringas ajudam para crescimento profissional?
MA: A única coisa que tocar com bandas gringas me ensinou é que nem todos os seus heróis são legais. A gente já entrou em um monte de roubada, ainda entramos, mas hoje rola menos. Impossível lembrar de uma em especial.

CV: Qual a opinião de vocês sobre a atual situação política no Brasil? Isso interfere na música de vocês?
MA: A situação política no Brasil é uma merda desde que eu me lembro por gente. Tenho 35 anos mano. Duvido que algo vá mudar, pelo menos a tempo da gente ver. Espero que eu esteja errado. Claro que isso influencia, mas na maioria das vezes inconscientemente.

CV: Agradeço pela atenção e deixo espaço para considerações finais e “merchan”.
MA: Valeu pelo espaço mano. Logo mais lançamos o disco novo e um compacto Split com o Facada. Novidades na pagina do HUTT no Facebook https://www.facebook.com/huttgrind?fref=ts

GRIND ABRAÇO.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Garrafa Vazia esbanja 'litros' de punk rock

Fotos: Arquivo pessoal
A banda Garrafa Vazia é de Rio Claro, interior do Estado de São Paulo. Com muitos anos de estrada, a banda lançou recentemente o álbum "Back to Bacana". Devido a este fato, conversamos com os caras para saber mais sobre o trabalho e também como eles veem a atual cena, tanto no interior como no Brasil em geral. O papo na íntegra você confere abaixo.

Canibal Vegetariano: Vamos começar pela apresentação da banda: nomes, instrumentos, há quanto tempo estão juntos e houve alguma mudança na formação?
Hebert: O embrião do que viria a ser o Garrafa Vazia começou em 98, com o Mário Mariones (baixo e voz) e uns camaradas. A banda surgiu definitivamente em 2009, e em 2011 adotou a formação atual, comigo (Hebert) na guitarra e vocais e o Vadio comandando o batuque dos infernos.

CV: Quais são as principais influências da banda?
H: O punk rock 77 dá a tônica ao som da banda, mas cada um curte uma porrada de sons distintos, de Gories a Guilherme Arantes, e essa distinção nas influências acabam trazendo um gostinho de quero mais ao nosso som.

CV: Como rola o processo de composição das músicas e também das letras?
H: Rola de uma forma bem democrática. Geralmente o Mariones chega com as letras e melodias, aí nos os ensaios colocamos a “magia” de cada um, viradinhas malucas, solinhos propositalmente nas coxas e afins.

CV: Comentem sobre a cena de Rio Claro e cidades da região. Como está o atual momento para shows?
Mário Mariones: A cena de Rio Claro é fértil e 100% chapação. A cidade tem bandas fodas de punk rock, hardcore, metal, rock and roll. Posso destacar aqui algumas como Dezakato, Mordeth, Sacristia, Hal 9000, Marsh Gas. Do pessoal mais recente o Interceptor, Anguere, Funeral Sex, Carniceiro, Craniana, Coaggula, Head Bones, Delunes, Reagan, Foca Alada, o pessoal que toca em bandas de outras cercanias, como o Netão do Mullet Monster Mafia e o Matheus Campos do Krokodil. A cena é densa e prolífica, e o maior festival de Rio Claro é o Equinócio. Realizado anualmente, ele chega agora em sua décima quarta edição trazendo o Olho Seco e será uma grande honra para nós mais uma vez fazer parte do festival.
Já passaram por aqui Korzus, Ratos de Porão (em 2013, tocamos nesse dia, foi demais), Genocídio, Krisiun, só pra citar algumas. É um festival de caráter solidário, filantrópico que atrai uma legião de pessoas – e neste ano a entrada novamente será um litro de leite que será encaminhado ao Fundo Social de Solidariedade. A Antiga Estação Ferroviária vai tremer dia 9 de maio a partir da uma da tarde. Outro festival bacana é o Rock Feminino, que em sua última edição trouxe o Girlschool, com apresentação única e exclusiva no Brasil por aqui.
As cidades do interior de SP estão pegando fogo. Sabe aquela coisa de buteco, praça, farmácia e vizinhança na calçada, velhos amigos trocando ideia, tomando uma, curtindo um som? E é foda não citar São Carlos como um dos grandes centros catalisadores de toda essa usina - particularmente para nós do Garrafa. Ponto de encontro de amigos e bandas fudidaças. Inclusive é lá que estamos gravando nossos últimos trampos, com os irmãos da Pé de Macaco S/A, uma produtora audiovisual fodida, que faz a diferença.


CV: Como vocês veem o surgimento de várias bandas, de diversas vertentes do rock, principalmente no interior. Isso pode contribuir para aumento do público e também de locais para shows?
MM: Sem dúvida. Muitas bandas do barulho estão surgindo. É o velho ciclo de gerações em contínua formação e transformação. Quase sempre de forma solidária e criativa. Como diria o Hugo Brito, do Hippies not Dead: “o underground é construção”.

CV: Qual a principal “enrascada” que vocês entraram e qual o momento mais positivo de vocês como banda?
MM: Vixi, rolaram várias. No quesito bad trip: tocamos algumas vezes em São Paulo e no ABC nesses anos, e numa delas foi um pouco tenso, com o pessoal falando que uma gangue ia jogar bomba no local do evento, então o ambiente estava realmente contendo uma apreensão extra (risos). Em outras praias já rolou de sermos boicotados em festivais, geralmente pelo pessoal da mesa de som, que dá aquela tesourada no volume, sei lá porque, mas tudo isso é legal, faz parte.  Outra ocasião engraçada foi de um sujeito que viu a gente tocar num festival bacana e logo depois a todo custo insistiu que queria “empresariar” a banda e tal, cheio de conversa que “tinha um escritório e vários contatos”, daí a gente virou e disse “opa, firmeza”.
Momentos positivos foram alguns, bem agradáveis! Tocar com o Cólera e o Biohazard no Araraquara Rock em 2010 (conversámos na época com o Rédson sobre a possibilidade dele produzir um CD do Garrafa, e as conversações estavam adiantadas), tocar no extinto Porão em São Paulo com os punks cantando junto e pogando sem parar – ANIMAL - tocar em Santa Gertrudes no Revolution Pub, num festival organizado pela gente com uma puta galera e o lendário Excomungados tocando na sequência, tocar em Minas Gerais num festival muito massa (World Trash, grande festival!) junto com o Hippies not Dead, dividir o palco com o GBH em Americana, as sonzeras insanas em São Carlos, um bailão alucinante em São José dos Campos, outro em Avaré (no aniversário de 20 anos dos brothers do Ratazana) um rolê mágico em Rio Claro na casa de uns amigos, ao lado do mestres do Retaliatory de Belém fechando a noite, tocar ao lado dos irmãos destruidores do Shitfun de Petrolina, Pernambuco... são muitos momentos que a gente guarda com a maior alegria e satisfação. A gente é sem frescura, tranquilão, o que vale é a intensidade e a broderagem, o chão é nossa casa.


CV: Quem é o público que os ouve?
MM: Do ouvinte “macro” ao “micro”, e “para todas as idades”. Penso que é a galera que curte aquele som toscão, divertidão, mas é difícil rotular: talvez seja o pessoal que ouça rock and roll em geral (ou não), metal, punk rock, aquele rock cachaça torto, ou que ouve um som mais cru e sem firula. E tem os doideira lá da gringolândia também.

CV: Quais as metas da banda para os próximos meses?
MM: Vamos gravar um trampo novo agora em junho. E vamos soltar mais um split de inéditas ao lado do lendário Hippies not Dead, banda fodida de São Carlos, irmãos atuantes no underground desde 1995.

CV: Grato pelo papo e deixo espaço para “merchan”, críticas e o que quiserem falar.
MM e H: Nós que agradecemos, brigadão pelo espaço! Sempre escutamos o Canibal Vegetariano, queria inclusive aqui deixar um abraço ao Vareta Baqueta do Ação Tóxica, que foi quem me apresentou (Mariones) esse grande programa radiofônico que faz a alegria da galera nas noites de segunda. O blog é bem bacana também, mesclando sonzera com cultura em geral, jornalismo de prima. E no mais é isso aí capetada: valeu pela força! Ouçam nosso novo disco, “Back to Bacana”, e aumentem o som que o pogo é o fogo, união e fuleragem sempre! Abração!
Facebook: https://www.facebook.com/pages/GARRAFA-VAZIA/206708446038506?fref=ts 

domingo, 3 de maio de 2015

‘Se o rock não rola tanto é por culpa do público que não valoriza as bandas desconhecidas’, critica Pirocca

Fotos: Divulgação
Não é zoeira, a afirmação acima é do jovem Pirocca, de prenome Arthur, guitarrista e vocalista da banda Bikini Hunters, de Veranópolis, cidade que fica na serra gaúcha. Além dele, fazem parte do time o baixista Lenon Peruzzo e o baterista Davi de Lima. Recentemente o power trio lançou seu primeiro registro e desde então tem chamado atenção das pessoas que gostam de ouvir bom rock e música honesta. Para saber mais sobre o trabalho dessa gurizada, conversamos com Arthur, escrever Pirocca pegaria mal, que deu uma geral na história da banda.

Canibal Vegetariano: Algo que chama atenção na banda é o nome. Ele tem algum significado?
Arthur Pirocca: Acho que ele fala por si só. Bikini Hunters, um nome descontraído e que mostra um pouco o nosso lado brega cafajeste. O nome surgiu quando ainda nem tínhamos ensaiado juntos, veio das nossas influências da surf music e do bubblegum, mesmo sendo bem difícil ver garotas de biquíni aqui na serra gaúcha, devido às temperaturas negativas e tudo mais (risos).

CV: Há quanto tempo estão na estrada? Já passaram por alguma mudança na formação?
AP: Bicho, quando fazem essa pergunta eu até fico meio tenso, porque já estamos com nove anos de banda. Temos uma demo bem tosca (mas que temos muito carinho por ela e a galera ainda pede para tocarmos nos shows) gravada em 2006! Claro que paramos várias vezes, voltamos e até então nunca tínhamos levado a sério. Posso dizer que a Bikini Hunters começou a existir de verdade no ano passado, quando decidimos que ou fazíamos algo (um disco, saíamos tocando por aí e tudo mais) ou nem valia mais a pena ficar tocando só por tocar. Essa é a terceira formação. Só resta eu da primeira (devo ser chato afú!). Todo mundo virou gente séria e eu continuo nessa maldição que é o rock. O primeiro a sair foi o Vini (baterista) que decidiu se tornou aviador e deu lugar ao Davi. Algum tempo depois o Lenon entrou na banda no lugar do Gordo, que decidiu deixar a banda para casar, adotar 28 gatos e estudar engenharia. Coisas da vida. As influências mudaram mas o baile segue.


CV: Vamos falar sobre o disco de vocês. Como rolou o processo de gravação?
AP: A coisa foi extremamente rápida e divertida. Nosso mestre, Davi Pacote, chegou a comentar que no ritmo que estávamos indo era um possível recorde do estúdio. Em um sábado gravamos todas baterias e baixos. No domingo estávamos de ressaca, chegamos tarde ao Hill Valley Studios mas gravamos todas guitarras, com algumas participações fundamentais, como a do próprio Pacote e do Akiro (um grande amigo nosso). No outro fim de semana estávamos gravando as vozes e aí surgiu o Sérgio (Caldas) da Motor City Madness. O cara toca em uma das melhores bandas do Brasil e nem por isso deixou de ser humilde ao extremo. Chegou lá e cantou, deu pitaco, tomou umas quantas geladas e passou o dia inteiro lá com a gente. Fizemos uma baita parceria e até tocamos juntos no final do ano passado. Foram três dias de total diversão e que deixou gostinho de quero mais, fazer um novo álbum para logo!

CV: Quais as influências para composição das músicas e como surgem os temas para letras?
AP: As influências musicais são diversas. O Lenon gosta de sujeira, Motorhead e Nirvana, por exemplo. O Davi gosta de uns hardcores podreiras, tipo Ratos de Porão, Mukeka di Rato, mas também é bastante ligado ao rockabilly. E eu sou bem eclético, mas sempre acabo deixando tudo soar com uma pitadinha de Ramones. Então, a coisa é “bemmm” diversificada sonoramente. Sobre as letras, chegamos em uma fase muito foda da banda que estamos fazendo muita coisa juntos. Alguém lança uma ideia ou alguma coisa que aconteceu entre nós e as coisas vão sendo escritas por nós três (sempre com algumas biritas na cabeça, mas isso é detalhe). Ainda acontece de um ou outro levar alguma canção quase pronta, mas no final a gente sempre conclui em conjunto as canções, sem muito apego para xingar a música do outro ou elogiar.

CV: Como está sendo o trabalho de divulgação deste trabalho?
AP: Acho que isso foi surpreendentemente animador para nós. Entramos em contato com alguns blogs depois que lançamos o disco e a coisa foi se tornando uma bola de neve, um blogueiro via o disco no blog do outro e divulgava e assim sucessivamente, tanto que o disco já saiu há algum tempo e ainda tem gente falando dele quase toda semana. No soundcloud são aproximadamente mil plays por mês e querendo ou não, isso anima demais banda. A internet proporciona essas coisas, faz rádios de lugares onde nem dá para imaginar tocarem o nosso som, faz pessoas totalmente desconhecidas virem nos conhecer para bater um papo e dizer que gostam das músicas. Enfim, acho que só depois do disco estar pronto conseguimos entender uma das coisas mais legais do rock, que é conhecer muita gente bacana e que gosta de som igual nós.

CV: Aproveitem e comentem como está a atual cena rock não somente no município de vocês, Veranópolis, mas também no Rio Grande do Sul.
AP: No nosso município o pessoal é chorão e preguiçoso. Uns reclamam que não têm chance mas nunca gravaram nada realmente relevante, outros vivem naquela maldita onda de fazer covers para poderem tocar por aí. Acho que ao mesmo tempo que tem várias portas abertas e é só correr atrás, o pessoal está um pouco acomodado; nós somos um exemplo disso! Olha quanto tempo ficamos praticamente “parados”, mas quando começamos a nos mexer as coisas começaram a acontecer. Bandas boas têm por todo canto aqui no RS, a citada anteriormente, Motor City Madness, é uma pedrada e estão rolando pelo Brasil todo, a Flanders 72 voltou de turnê na Europa não faz muito tempo, algumas bandas focam mais em tocar aqui no sul mesmo (Os Horácios, Júlio Igrejas, Os Torto), e vejo que tem várias bandas legais pra caramba que também estão gravando e correndo atrás, a Estive Raivoso é um exemplo delas. Enfim, acho que tem muita banda acontecendo e fazendo um som honesto aqui no Sul (e isso é o mais importante). Mas “eu também vou reclamar” e dizer que se o rock não rola tanto por aí, é por culpa do público que não valoriza as bandas “desconhecidas” ou de som autoral; preferem ver um cover, ou pagar ingressos caros para ver bandas “consagradas” antigamente e que hoje já não lançam mais nada de legal e fazem shows bem sem energia.

CV: Quais as próximas metas de vocês?
AP: Cara, deixa a “ceva” gelando que logo, logo estamos por aí um barulho (risos). Esse papo de nos largarmos por aí fazendo som é uma constante nos ensaios, deixamos o show redondinho e agora o foco é tocar. O disco foi uma grata surpresa e nos animou muito. Aquele medinho ou comodismo de não sair por aí para tocar por ser uma puta função (e acreditem, é!), não está mais rolando com a gente. Só queremos tocar em todo canto, finalmente percebemos que funcionamos assim, na pressão, marcando e fazendo as coisas e depois pensando nas consequências. Nunca botamos muita fé no nosso próprio som e acho que esse foi um grande erro, o que descreve bem isso, foi um dia que um de nós da Bikini, não lembro quem, estava com um disco físico nosso (sonho realizado) na mão e disse: “bichosss... se essa banda não fosse nossa, eu ouviria ela com certeza!”. Gostamos realmente do que fizemos, estamos felizes por estarmos tocando com bandas que curtimos para caramba e continuamos compondo sem parar. Achamos que os novos sons que estão surgindo estão ainda mais divertidos, têm um jeitão todo nosso (no disco que lançamos ainda dá pra perceber algumas coisas bem “ramônicas”). Então, queremos tocar sem parar até o fim do ano, para chegarmos lá e podermos gravar coisas novas e ainda mais legais.

CV: Agradeço pela atenção e deixo espaço para “merchan” e considerações finais.
AP: Nós é que agradecemos o apoio de sempre, é um enorme prestígio a Bikini Hunters ser curtida por um cara que entende tanto de som quanto tu. Então, vamoooosss ao business:
O Facebook é legal porque a galera dá umas risadas com as nossas asneiras, anda vindo um pessoal bater papo com a gente (e isso é foda demais!), têm bandas querendo marcar uns rolês juntos, galera comprando discos e camisetas, enfim, dá um “like” na “page” que coisa toda acontece lá: www.facebook.com/bikinihunters
E óbvio, aumenta todo o volume do teu som e ouçam a Bikini Hunters: soundcloud.com/bikinihunters
VAMOOOOSSSSSS NÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓSSSSSSSS!!!!

Impressões sobre o disco 'Bikini Hunters' 

São nove canções em 25 minutos, uma mistura de power pop com punk rock, assim pode ser definido o som do trio da serra gaúcha Bikini Hunters. Em seu primeiro álbum, a banda mostra várias influências ao longo das faixas que foram gravadas nos estúdios Hill Valley.

Das faixas que compõem o disco, o destaque vai para “Bárbara”, que tem os elementos citados acima e a letra é muito boa, os caras falam sobre uma garota argentina fã de Ramones. Outra que se destaca é “Hot rod king”, com participação do vocalista e guitarrista da Motor City Madness, Sérgio Caldas. Ele ainda participa das faixas “Não tive tempo” e “Tudo o que eu queria”. Além do responsável pela voz do Motor City, Akirão e Pacote também participam do disco com guitarras e teclado.

Como todo bom registro musical precisa de arte e boa gravação. A qualidade do trabalho é muito boa assim como a arte da capa mostra um pouco do perfil da banda, música para diversão. O encarte vem com todas informações e as letras para que o fã acompanhe junto com a banda as belas canções ali registradas. Para o primeiro registro feito de maneira independente, os caras merecem todos os parabéns e nosso respeito. 

sábado, 2 de maio de 2015

Galinha Preta e Olho Seco ‘arrebentam’ na abertura do ‘Maio Cultural’

Fotos: Canibal Vegetariano
O 1º de Maio, quando se comemora o ‘Dia do Trabalho’, foi de descanso e festa para muitos trabalhadores, menos para algumas pessoas que trabalharam na abertura do “Maio Cultural” em Bragança Paulista ou que foram ao local para fazer a cobertura do evento, como os casos de nosso camarada Will Edu e deste que escreve estas mal traçadas linhas.
Final de tarde de outono, temperatura amena e nós na estrada prontos para ouvir muito rock. Quando chegamos, a primeira banda escalada para tocar, Lesão Corporal, estava no final de sua apresentação e com isso não podemos tecer qualquer comentário a respeito da apresentação dos garotos.
E em eventos deste tipo sempre encontramos os camaradas de show e estrada. Enquanto os jovens bragantinos da banda “Ranho” se apresentavam, aproveitamos para pôr o papo em dia com German Martinez, do Raro Zine, e Diego do DuoFox, além dos camaradas do Merda e do Leptospirose. Com o som dos garotos ao fundo, notamos que a banda é boa e os guris têm jeito para o lance do “rock pesado”. Rodas e pogos foram vistos durante quase toda apresentação. Essa é uma banda que precisamos “ficar de olho”, pois promete.
Após apresentações de bandas locais, chegou a vez dos brasilienses da Galinha Preta. A banda que atualmente é um quinteto subiu e fez valer a espera de muitos por sua apresentação. Riffs de guitarra, bateria sendo espancada na medida certa e Frango, o vocalista, mostrou ótima performance como “band leader”.
Enquanto estiveram no palco os brasilienses fizeram a alegria de muita gente no Ciles dos Lavapés. Do repertório da banda os caras mandaram quase todos os sons e não faltaram as clássicas como “Padre baloeiro”, “Ninguém nesse mundo é porra nenhuma”, “Roubaram meu rim” e “Música de trabalho”, uma singela homenagem à maioria dos “engravatados” de Brasília que finge que trabalha. Show nota 10 e como tudo que é bom dura pouco, ficamos insatisfeitos, no bom sentido, pois queríamos mais sons da Galinha.
Mesmo com o final do show do quinteto, a quase fria noite de outono ainda prometia mais, afinal, uma das bandas mais clássicas do Brasil e da história do punk se apresentaria pela primeira vez em terras bragantinas, Olho Seco, com seus 35 anos de história.
No palco, o quarteto paulistano liderado por Fabião, como é mais conhecido, matou a sede de punk rock de garotos e pessoas de meia idade que cresceram ao som da banda. Com o público ensandecido, Fabião deu uma aula de carisma e a todo momento abaixava-se para deixar as pessoas participarem do show e cantarem com ele grandes clássicos como “Botas, fuzis, capacetes”, “Nada”, “Sinto”, “Olho de gato”, “Que vergonha” e o som que todos pediam a todo momento: “Isto é Olho Seco”.
Após uma avalanche de clássicos, restou-nos apenas pegar um registro com Frango, vocalista da banda Galinha Preta, que além de entrevista para o programa A Hora do Canibal, doou três CDs para a galera do Canibal Vegetariano. Ao final de tudo, estrada e um longo caminho até Itatiba, que cada dia mais parece uma ilha, pois em nossa cidade não temos eventos como este “Maio Cultural” que teve apenas seu primeiro dia. Até dia 31, Bragança Paulista terá shows, oficinas, workshops, debates, palestras, tudo em busca de fortalecimento de parcerias para que cada vez mais sejam valorizados os coletivos e grupos culturais daquele município.
Ainda sobre o primeiro dia de evento, é importante frisar que em um show como este é a qualidade de som, luzes e estrutura para realização dos shows foram impecáveis. O público compareceu em bom número e o evento foi muito organizado, tudo estava encerrado antes das 22h e não houve atrasos para apresentações. E o mais importante, todos se divertiram e não houve qualquer incidente. Que este festival sirva de exemplo para outros municípios.