______Versão on-line do zine Canibal Vegetariano______

Somos loucos apaixonados por rock, buscando sempre divulgá-lo de forma independente, sem jabá e amarras.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

E o zine impresso voltou



Desde a última quarta-feira está circulando por estabelecimentos comerciais de Itatiba, exemplares da 3ª edição impressa do Fanzine Canibal Vegetariano.
Após um longo tempo de espera, muito devido a crise financeira que atingiu nosso paupérrimo país durante o ano passado, voltamos com força total e com novo layout.
Quem reside em Itatiba pode encontrar exemplares em nosso patrocinadores: Pró Rock, Wap Dead, Pastelaria 29, Intercâmbio CD's, Auto Mecânica Irmãos Piera, Escritório de Advocacia Cunha e Lima, Escritório Objetivo, Livraria Toque de Letras, La Marca Tatuagem, Piercing e Acessórios, Música em Itatiba e Pixel Engenharia Digital.
Em breve os exemplares estarão disponíveis em Campinas, Bragança Paulista, Jundiaí, Atibaia, São Paulo, entre outros municípios do Brasil e do mundo. Se você não mora em Itatiba e quer receber um exemplar do zine, envie e-mail para nkrock@hotmail.com, que estaremos enviando para qualquer lugar do planeta.















sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ayuso fala sobre o fim da banda Monaural

O ex-vocalista e guitarrista da banda Monaural falou com o zine/blog Canibal Vegetariano sobre o fim de sua banda, que estava prestes a gravar um EP de músicas inéditas, e conta sobre os novos projetos de vida e musicais.

Canibal Vegetariano: Qual o motivo do fim da Monaural?
Ayuso:
O motivo do término da banda, foi o Herik (batera) que estava comigo desde o começo ter saído. Já havia algum tempo uma pequena possibilidade de sua saída, mas eu acreditava muito no trabalho que estávamos realizando como banda e achava que era mútuo... mas cada um seguiu a sua órbita, seus planos... eu ainda não acredito nessa história de me tornar economicamente auto-suficiente, tendo que engolir desaforos de um chefe mala pra caralho...saca?


Ayuso 'atacando' sua guitarra em uma das várias apresentações da extinta Monaural

CV: Tudo ainda é muito recente, mas há possibilidade de um retorno da banda?
A:
Possibilidade sempre existe...mas isso não significa que irá acontecer. Estou focado em outros projetos agora, nem quero pensar no passado.

CV: E o seu relacionamento com os outros ex-integrantes como esta?
A:
O Herik é supostamente meu vizinho e desde então, nunca mais nos falamos. Acho normal esse desgaste. Ainda falo com o Gui, pois somos amigos e tal...e é só.


CV: E as músicas que vocês estavam para gravar no próximo EP? Elas ficarão para um outro trabalho, ou você irá encostá-las?
A:
Algumas já faziam parte de uma nova remessa de composições...essas vão entrar para meu novo projeto certamente.


Uma das características da banda Monaural era o som sujo e visceral

CV: Após alguns dias do fim da Monaural, você apareceu falando do projeto Mandíbula. Ele já existia ou teve início após o fim de sua banda?
A:
Eu já tinha essa ideia, esse nome na minha mente. Apenas fui empulsionado a começar...

CV: E qual a diferença entre as duas bandas?
A:
Acho a proposta da Mandíbula mais madura, "moderna" e melodiosa. Eu já tava pirando para caramba em melodias e arranjos mais "complexos", não só nos instrumentais no finalzinho da Monaural. Apenas estou dando continuidade ao fluxo criativo e registrando tudo. Estou escrevendo letras mais politizadas, mais filosóficas que as de costume...nesse aspecto lírico a Monaural era muito mais introspectiva. Sinto que estou conseguindo canalizar melhor minha música, sem que ela soe datada, isso é muito difícil de fazer no rock, ainda mais hoje em dia e em português.
Na Mandíbula estou 100% ligado ao meu computador. Eu que sempre defendi e apreciei a cultura lowfi, hoje estou abusando um pouco da tecnologia moderna para fazer rock, claro que de forma suja, mesmo que essa sujeira seja digitalizada. Estou produzindo o disco todo meio que sozinho em casa, minha guitarra, uma interface de áudio, uma garrafa de vinho, ganja, guitar rig, madrugadas, fone de ouvido, etc.

CV: E o lance de organizar eventos, você pretende continuar ou irá se dedicar apenas ao Mandíbula?
A:
Eu tinha planos de organizar o segundo "Insanidade Coletiva Festival", mas no momento estou fodido de dinheiro e pretendo me focar mesmo na Mandíbula. Isso é por enquanto, tudo é muito imprevisível.


O 'furioso' guitarrista em momento banquinho e violão. Atualmente ele se dedica exclusivamente ao projeto 'Mandíbula

CV: Ayuso, agradeço pela entrevista e deixo espaço para seus comentários finais.
A:
Em primeiro lugar, eu que agradeço pelo espaço, foi um enorme prazer responder as perguntas para o blog. Uma honra, sempre! Eu apenas peço para que as pessoas acreditem para valer em seus sonhos, objetivos e desejos. Pois essa vida aqui só vale a pena quando vivemos, acreditamos e sonhamos. Paz, amor e união em prol da música independente.

Todas as fotos são de arquivo pessoal

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dia dos namorados com muito punk rock



O próximo sábado é dia dos namorados, mas independente disto, quem gosta de punk rock tem que dar uma passada no Decontrol Rock Bar Tattoo em Campinas e conferir o "Campinas Hardcore Festival vol. 1". O destaque do festival será a banda Lobotomia, uma das bandas mais clássicas do punk nacional. Além deles estarão se apresentando Divída Externa, Bad Taste, Toxemia e a banda itatibense The Bebers Operário. Mais informações vide o cartaz ao lado.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A banda de um homem só

Ele já tocou em um power trio que foi considerado uma das bandas mais importantes da cena underground brasileira na virada do século XX para o XXI. Atualmente ele segue com a Jam Messenger, um duo incendiário, e a Uncle Butcher and His Oneman Band, conhecida como a banda de um homem só. Para saber mais sobre os trabalhos de Marco Butcher, nós do zine/blog Canibal Vegetariano batemos um papo com o cara, que falou abertamente sobre sua antiga banda e os novos projetos.


Marco Butcher tocando na Uncle Butcher and His Onemam Band

Canibal Vegetariano: Para começar, vamos falar um pouco sobre a história da Thee Butchers Orchestra. Como começou a banda e qual o motivo para o fim do trio?
Marco Butcher:
Montamos a banda no final de 1995 e a ideia era fazer somente algumas jams na minha antiga garagem que depois de algum tempo passou a ser conhecida por Ordinary Recordings. Com o tempo começamos a fazer shows e mais shows e a coisa não parou mais. Após 12 anos todos estavam um pouco cansados e precisando de um tempo para se dedicar a outros projetos e por isso decidimos dar um tempo com a coisa toda.

CV: Vocês foram considerados uma das principais bandas do underground brasileiro no final do século XX e início deste século. Isso teve alguma influência no ego de alguns dos integrantes?
MB:
Não saberia como responder essa pergunta já que normalmente as coisas ditas sobre a banda vem de fora dela e são observações feitas por outras pessoas, nunca tivemos esse tipo de visão ou mesmo paramos para pensar no peso que isso poderia ter dentro de uma cena.

CV: Por que vocês optaram para não ter baixo na banda? Quais eram suas influências?
MB:
Não foi uma opção, na época tínhamos um punhado de guitarras em casa mas nenhum baixo, depois de um tempo tínhamos um repertorio inteiro feito com musicas sem baixo e achamos que soava bem dessa forma e a coisa acabou ficando assim. Sempre ouvimos de tudo man, na época estávamos mergulhados em tipos diferentes de música, de Harry Pussy a James Chance passando por Gories, Lydia Lunch, Pussy Galore, Wilson Picket, Lord High Fixers entre milhões de outras.

CV: E, atualmente, como é seu relacionamento com os ex-integrantes da Butchers? Eles continuam trabalhando com música?
MB:
Nossa relação continua muito boa, nunca tivemos problemas de relação dentro da banda. No ano passado nos juntamos para uma série de shows em alguns clubes de São Paulo e também no Festival Blues Punk no SESC Pompéia e atualmente todos tocando com suas respectivas bandas.

CV: Após o fim da Butchers, você deu um tempo na carreira de músico ou imediatamente entrou para outra banda?
MB:
Sempre estive envolvido em projetos mesmo durante o tempo em que estive com os TBO, não me lembro de ter tido férias ou um tempo, na época eu já trabalhava no meu lance como Oneman Band e também em vários outros combos musicais.

"É preciso uma certa dose de ridículo para fazer Rock & Roll. Sem isso fica tudo meio plástico demais e perde o sentido, afinal, a música rock não nasceu para ser entendida ou aceita de forma alguma, mas sim para criar caos e revolução" Marco Butcher


Após a saída da Thee Buthcers Orchestra, Marco seguiu carreira solo e fundou a Jam Messenger


CV: Vamos falar um pouco sobre a Jam Messengers. Como esse duo teve início e qual o motivo de ser uma dupla? E por que este projeto é o seu favorito?
MB:
Os Jam Messengers nasceram de uma longa amizade que já dura 16 anos entre mim e o Rob K, fechamos com o formato duo pois sempre pensamos que não fosse necessário mais do que isso para passar nosso recado. Então quando os Workdogs, antiga banda do Rob K e os TBO, terminaram, achamos que seria a hora perfeita para por em prática o Jam Messengers e isso já vem acontecendo a 5 anos. Gosto muito da elasticidade dos Jam Messengers, vamos do mais puro trash & Blues ao Hip Hop ou jazz ou Boogie Woogie , não seguimos uma direção ou tendência e é isso que me faz gostar tanto desse duo.

CV: Em cinco anos de banda, vocês gravaram cinco álbuns. Como é o trabalho de composição e de onde vem a inspiração? Como rola a comunicação entre você e o Rob K?
MB:
Eu e o Rob K sempre pensamos música da mesma maneira e é por isso que temos os Messengers, as músicas normalmente vem em forma de Jam ou algo que tenha rolado no nosso dia-a-dia. Não fantasiamos ou criamos histórias do nada mas usamos nossas experiências pessoais ou coisas que rolam na nossa rotina.

CV: Rob tocou com o Jon Spencer (Jon Spencer & The Blues Explosion), que faz um rock bem enérgico e cru. O som de vocês dá para dizer que é mistura do que ele fazia na antiga banda, e você com a Butchers? Ou você considera a sonoridade da Jam Messenger algo totalmente novo?
MB:
A música dos Messengers esta a quilômetros de tudo que já fiz com os TBO e com certeza também longe da música feita pelos Workdogs e acho que o único elo seria nossa paixão pela música Blues. O Jon foi guitarrista dos Workdogs por alguns anos e com os Dogs lançou alguns álbuns também, mas na verdade a sonoridade dos Workdogs pouco tem a ver com o trabalho feito pelos Blues Explosion mesmo que os dois grupos tenham tido a música Blues como fio condutor.

CV: Já que estamos falando da banda, faça um comentário sobre o novo trabalho de vocês "Dictionary of Cool".
MB:
Dictionary Of Cool é com certeza um do meus discos favoritos pois aborda temas que são muito interessantes na minha opinião, não é um disco fácil e tão pouco um disco pop no sentido ouvir uma vez e sair cantando na segunda, mas é justamente isso que me faz gostar tanto dele, é um disco que faz o ouvinte pensar e questionar várias coisas.


No segundo semestre deste ano o duo deve partir para a Europa e divulgar o trabalho mais recente da banda

CV: Vocês estão sempre em turnês pela Europa e Estados Unidos. Como é a recepção do público? Há diferenças entre o público europeu e estadunidense? E no Brasil? E a facilidade para realizar shows é maior fora ou dentro do país?
MB:
Pessoas são diferentes a cada metro que se anda então não é o caso de ser Brasil ou Europa ou EUA mas sim o fato de estarmos lidando com seres humanos com suas culturas locais e todo o tipo de loucuras ou barreiras que em alguns casos pode ser muito positivo ou não. Realizar shows nunca foi ou será uma missão fácil pois envolve muitas coisas, então acho que tudo depende de como isso é feito e principalmente de quem está fazendo. No nosso caso temos a Mamma Vendetta que é quem cuida de nossas tours e biss no sentido de manter a banda ativa e lançando discos o que tem sido perfeito para nós.

CV: E quais são os planos da Jam Messenger para o 2º semestre deste ano?
MB:
Acabamos de lançar um novo vinil Dictionary Of Cool, como disse anteriormente, que saiu por um selo da Escócia, Eruption Records, no Brasil o disco foi lançado em CD pela Mamma Vendetta numa tiragem bem limitada. Temos planos para uma próxima tour rolando pela Europa na segunda parte do ano para divulgação desse álbum.

CV: Agora mudando um pouco, além da Jam Messenger, você toca na Uncle Butcher and His Oneman Band. Como é tocar em uma banda de um homem só? E o que te levou a tocar sozinho?
MB:
Posso dizer que para mim é uma espécie de terapia onde coloco todas as minhas viagens musicais de forma bem primitiva mantendo a coisa simples e crua. O que me levou a tocar no formato Oneman Band foi a necessidade de estar sempre tocando e o fato de poder fugir do circuito casas noturnas e clubes. Também como Oneman Band é bem fácil estar numa estação de trens ou praça, rua e coisas assim.

CV: Com os compromissos com a Jam Messenger, como você consegue tempo para o trabalho solo?
MB:
É até bem fácil pelo fato de eu morar no Brasil e o Rob K em Nova York, pois de certa forma acaba dando um tempo maior entre nossas atividades e tempo nunca foi um problema para mim.

CV: E como você diferencia as composições? Essa música é para a Jam, essa é para o trabalho solo.
MB:
Acho que minhas músicas já nascem com uma cara, não me lembro de ter tido que pensar nisso, elas simplesmente vem!!


Capa do último registro lançado pela Uncle Butcher

CV: E os locais das apresentações das bandas? Onde você toca solo, rola também de tocar com a Jam? Ou são locais e públicos distintos?
MB:
Os locais geralmente são os mesmos e o público de forma geral também é. Claro que às vezes acaba trazendo um ou outro tipo de pessoa mas acho que tudo faz parte do mesmo momento na música.

CV: Agora, abrangendo um pouco o assunto, como era a cena independente quando você começou? E hoje? Você acredita que houve melhoras, tanto na qualidade das bandas como das pessoas que promovem eventos? E as casas de shows?
MB:
Acho que dá para notar alguma diferença sim. Não sei dizer se para melhor ou pior já que nunca fiz parte de uma cena ou pacote na intenção de tentar vender uma nova ideia. Gosto de fazer as coisas do meu jeito e é assim que levamos os Jam Messengers, num mundo onde a música se tornou corporativa e onde a cada dia que passa vemos mais e mais pessoas entrando nisso pelos motivos errados me sinto bem em dizer que nossas expectativas com música são simplesmente continuar tocando.

"As coisas ditas sobre a banda vem de fora dela e são observações feitas por outras pessoas, nunca tivemos esse tipo de visão ou mesmo paramos para pensar no peso que isso poderia ter" Marco Butcher

CV: Como você pensa que a música será consumida daqui alguns anos. Você acredita que o CD será extinto? E o vinil? Você mesmo lança seus trabalhos em vinil. Existe mercado para o disco no Brasil atualmente? E no exterior?
MB:
Acredito no lance dos ciclos, não sei dizer se o CD vai morrer ou se será a volta do vinil ou algo assim. No momento está tudo bem confuso mas isso se deve ao fato de que uma boa parte das pessoas não ouve ou sente música da mesma maneira pois a coisa toda se tornou bem mais descartável e fácil perdendo uma boa parte do romantismo e com isso um senso geral de arte. Meus últimos discos tem sido lançados por selos da Europa sendo em 90% dos casos em vinil pois o mercado de vinil por lá sempre esteve em uma boa posição. Aqui no Brasil estamos passando por uma fase onde acredito que os selos ainda estejam tentando lidar com o lance da era digital e downloads e coisas assim, não sei dizer o que vai rolar mas acredito que em algum momento isso acabe voltando ao que era antes, bandas fazendo seus discos em casa, fazendo suas próprias capas e vendendo nos shows durante as tours.


Foto totalmente rock. Marco toca guitarra, repare nas cordas estouradas, bateria e canta. Ao fundo é possível notar garotas dançando em frente ao palco

CV: Devido ao respeito que você tem no meio underground, qual o conselho que você dá para os jovens que estão começando?
MB:
Sou apenas um estudante da música, não saberia dar conselhos a ninguém mas acho que não levar a coisa toda tão a sério, tipo um plano de carreira, já seria um bom começo. É preciso uma certa dose de ridículo para fazer Rock & Roll. Sem isso fica tudo meio plástico demais e perde o sentido, afinal, a música rock não nasceu para ser entendida ou aceita de forma alguma, mas sim para criar caos e revolução nas cabeças um pouco mais atentas.

CV: Marco, agradeço pela entrevista, valeu mesmo. Deixo o espaço para suas considerações finais.
MB:
O que você esta fazendo para participar??
Thanx man!!

FOTOS: Todas as imagens são de arquivo pessoal