______Versão on-line do zine Canibal Vegetariano______

Somos loucos apaixonados por rock, buscando sempre divulgá-lo de forma independente, sem jabá e amarras.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Festival Auto Rock apresenta música, cinema e cultura em geral

Do dia 1 ao dia 11 de outubro de 2009, o município de Campinas irá respirar cultura quase 24 horas por dia, isso acontece, pois está começando a 5ª edição do Festival Auto Rock, que contará com shows de rock, exposição de artes plásticas, exibição de documentários entre outros eventos culturais. Você que gosta de cultura alternativa e apóia as bandas independentes, não deixe de conferir este que um dos maiores festivais do Brasil. Abaixo segue a programação dos 11 dias de evento.
Muito rock!!!
QUINTA 01/10/2009

exposição EMOÇÃO TERROR- exposição com artistas influenciados pelo punk rock

Artistas convidados:
Kauê Garcia,Carol,Ete,Pipoca,Bigode,Miurão,Coxa,Chico Felix,Bá,Bira,Raphael (irmão do Japones do Merda),Ana Luisa Flores,Insekto (guitarra do Ornitorrincos),Disturbios,Mauricio Rossi (7 magz),Daniel One,Luciana Araújo,Victor Stephan,Angu,Mateus Mondini,Eduardo Vaz,Ivo,Muniz,Estênio,SHN,Chã,Rodolfo,Belo,Carlinhos,Matias Picón,Diente,Rael,Sesper,Túlio DFC

Exibição do documentário REBOARD
arte em shapes de skate dos anos 70 até 1999 produzido por Alexandre Cruz (a.k.a farofa, Sesper).

local - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DE CAMPINAS
r. Regente feijó 859 - centro - Campinas
19h entrada franca

show - FOOTSTEP SURF BAND
local - BAR DO ZÉ
av. Albino J.B de Oliveira 1325 - barão geraldo - Campinas
22h r$7,00

SEXTA 02/10/09
shows - DRÁKULA,BIGGS e MAGUERBES
local - BAR DO ZÉ
av. Albino J.B de Oliveira 1325 - barão geraldo - Campinas
22h r$10,00

SÁBADO 03/10/09
show - RADIARE
local - LIVRARIA CULTURA
shopping iguatemi campinas
19h entrada franca

shows - GARAGE FUZZ, ALCOOIS
local - BAR DO ZÉ
av. Albino J.B de Oliveira 1325 - barão geraldo - Campinas
22h r$12,00

DOMINGO 04/10/09
shows - MUZZARELAS,FUZZFACES,ATOMIC NATCHOS,LABATARIA,SUPERDRIVE
local - HAMMER ROCK BAR
av. dr Armando sales de Oliveira 377 - taquaral - Campinas
18h entrada franca

TERÇA 06/10/09
video - VALVULADO 2002-2007
local - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DE CAMPINAS
r. Regente feijó 859 - centro - Campinas
19h entrada franca

QUARTA 07/10/09
video - FUGAZI EM CAMPINAS 1997
local - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DE CAMPINAS
r. Regente feijó 859 - centro - Campinas
19h entrada franca

QUINTA 08/10/09
show - CANASTRA
local - CASA SÃO JORGE
av. Santa Izabel 655 - Barão Geraldo - Campinas
21h r$15,00

SEXTA 09/10/09
shows - CÓLERA,LOBOTOMIA,LETHAL CHARGE e ADREDE
local - HAMMER ROCK BAR
av. dr Armando sales de Oliveira 377 - taquaral - Campinas
22h r$15,00

SÁBADO 10/10/09
show - NUER
local - LIVRARIA CULTURA
shopping iguatemi campinas
19h entrada franca

shows - LUNETTES,ESTUDANTES,VIOLENTURES
local - BAR DO ZÉ
av. Albino J.B de Oliveira 1325 - barão geraldo - Campinas
22h r$10,00

DOMINGO 11/10/09
shows - RATOS DE PORÃO,AÇÃO DIRETA e LEPTOSPIROSE
local - ESTAÇÃO CULTURA
praça Marechal Deodoro s/n
17h entrada franca

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Se toda insanidade fosse assim, o mundo seria bem melhor

Para quem vive reclamando que falta espaço para divulgação de bandas independentes, vem aí mais um festival para quem curte as novas bandas que estão aparecendo. No dia 24 de outubro, vai rolar em São Paulo, um encontro de 7 bandas. O evento, Insanidade Coletiva Festival está marcado para começar as 16h.
Como reclamar e cruzar os braços não resolve, tem uma galera correndo, batalhando para que os espaços que não existem, ou são escassos, sejam criados. E devido a essa batalha, assim como foi o 2º Grito Urbano em Itatiba, nós do blog/zine Canibal Vegetariano apoiamos e convidamos todos os amantes do rock para que compareçam ao Galpão do Gil, localizado na Rua São Benedito, 266 em Santo Amaro, a cinco minutos, a pé, do terminal Santo Amaro, em São Paulo, para que prestigiem as bandas. Além de sete shows, no mesmo local será realizada uma exposição de fanzines.
Fica dado o recado, agora é esperar chegar o dia 24 e rumar para Sampa. Temos certeza que além de ver bons shows, os presentes poderão acompanhar como funciona todo o esquema do rock independente, trocar ideias sobre zines e música e com certeza, fazer muitas amizades. Para que o rock continue vivo, atitudes como essa devem ser exaltadas. Para obter mais informações acesse: http://www.myspace.com/insanidadefest ou envie e-mail para: insanidadecoletivafestival@gmail.com




terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um grito de rebeldia no ar

Cartaz do festival que teve o apoio da Nova Rádio Web, do blog/zine Canibal Vegetariano, escritório de advocacia Cunha e Lima e escola Sol Maior

Foi em uma tarde de primavera, em um domingo, que aconteceu o 2º Grito Urbano em Itatiba, um verdadeiro grito de rebeldia, que sem medo de nada e quase sem apoio, trouxe para a cidade cinco bandas da região e duas locais para fazerem um som. E um detalhe, todas as bandas independentes, que tocam canções próprias e tem trabalho rolando pela Internet, além de CD's e outros materiais de divulgação.
O evento começou a ser idealizado pelos organizadores Rafael Piera e Boss, vulgo Fabinho, em meados de maio, quando os caras começaram a convidar as bandas para participarem do evento. Após fechar o cast e o local, começou uma divulgação na base do boca a boca. E no último dia 13, o salão do Operário recebeu uma galera que estava com sede de novidades e provavelmente cansado da mesmice que rola na pequena Itatiba. O Grito Urbano foi o grito dos que se rebelaram e partiram para outros caminhos e viram que o rock continua com a chama acessa, mais vivo do que nunca.

Os campineiros do Drákula abriram o festival 2º Grito Urbano com um show empolgante

E o festival começou a todo vapor, pois a abertura ficou a cargo dos campineiros do Drakula. Os caras que com seu surf-music, punk rock, e máscaras, já de cara mostraram que o Grito seria um festival para entrar para a história de Itatiba. Como sempre a banda fez um show de rock para ninguém botar defeito. Músicos empolgados e competentes que fizeram a galera agitar. E a banda evolui a cada show e não será surpresa alguma quando eles começarem a tocar direto nos principais festivais do Brasil e sair em turnê pelo exterior.
A banda Mão de Vaca "jogou" em casa e interagiu com a galera presente que cantou várias canções

A segunda banda a se apresentar foi a itatibense Mão de Vaca. Como eu toco nessa banda, não posso afirmar como foi o show. Mas deu para sacar que tinha uma galera agitando e cantando as canções, inclusive pedindo algumas.

A banda Lunettes estreou a nova guitarrista durante o festival. A banda foi muito bem recebida pelo público

Assim que acabou o show da Mão de Vaca, a vez foi da banda Lunettes, de Campinas. E o show que fizeram por aqui foi ainda mais especial, pois além de ser a estréia da banda em Itatiba, foi a primeira apresentação da banda com sua nova guitarrista (me perdoem mas esqueci o nome da garota). Com a entrada da nova integrante, a banda volta ser composta por quatro garotas e um rapaz. E mesmo a guitarrista sendo estreante, o show foi enérgico como sempre e as mulheres mostraram que rock não tem nada a ver com sexualiade e sim com sangue. Lunettes em Itatiba foi um grande show, espero que voltem logo.

PAULISTANOS

Após o show da Lunettes, e que show, foi a vez dos paulistanos do Sprint 77. O trio fez uma apresentação impecável e foi um dos grandes destaques do festival. Eu já havia visto um show dos caras e aqui eles realizaram a apresentação com o mesmo pique e competência, do qual eu havia conferido. As músicas que tratam de temas do cotidiano, motocicletas e lambretas, levou a galera ao delírio, fazendo com que o público pedisse bis e no final tomasse os microfones da banda para cantar junto.
Com canções que falam sobre o cotidiano paulistano e lambretas, o Sprint 77 fez um dos shows mais elogiados do festival

Logo na sequência outra banda da capital, desta vez, Monaural. Os caras mostraram durante o show e provaram porque o som é sujo e visceral. Com grande influência das bandas de Seatle do final dos anos 80 e início dos anos 90, os caras mandaram em pouco mais de meia-hora, sons que fizeram a galera agitar e chacoalhar a cabeleira. Com uma cozinha enérgica e precisa e riffs cortantes de guitarra, a banda apresentou um show que deixou muita gente pensando que havia regredido no tempo. Na minha opinião o destaque ficou para as músicas "mais um pecado" e "me drogar até morrer", a letra dela é excelente e reflete muito bem a situação de vários jovens e adolescentes de nosso paupérrimo País.
O trio Erick (bateria), Ayuso (guitarra e vocal) e Gimaia (baixo) mostrou todo o rock sujo e visceral da banda Monaural

Já era noite quando foi a vez do Racha Cuca se apresentar em Itatiba, pela segunda vez no Grito. A banda que foi um dos destaques do primeiro festival, mais uma vez apresentou e enlouqueceu os presentes com seu punk rock. E o show dos paulistanos e bragantinos é punk total. Após acompanhar a apresentação enérgica de cinco bandas, a galera ainda teve muita caloria para queimar com o Racha Cuca, que como sempre, já vi vários shows dos caras, mandaram muito bem, e volto a repetir o que escrevi há um ano, quando resenhei o show dos caras, o "Mason" é um showman, e tinha uma galera chamando o vocalista do Racha de "Hulk".
Devido ao grande sucesso na apresentação no 1º Grito, o Racha Cuca voltou para Itatiba e fez mais um excelente show

E para encerrar a noite, os itatibenses do The Beber's Operários, banda dos organizadores da festa, Boss e Piera. Já passava das 21h quando eles começaram a apresentar o seu street-punk que relata o dia-a-dia dos trabalhadores. Infelizmente uma parte do público já havia deixado o local, mas quem ficou, agitou e interagiu com a banda durante todo o show. Mais uma presença marcante do Beber's e que segundo Piera, em breve irá gravar as novas músicas que foram executadas no show.
Piera, na guitarra a direita, um dos organizadores do evento, durante a apresentação de sua banda The Bebers Operários

E foi assim que terminou o 2º Grito Urbano. Foi sem dúvida o melhor festival já realizado em Itatiba, pois contou com a participação de 7 bandas independentes, algo impossível de se realizar até alguns anos. E que venha o terceiro, quarto, quinto e assim por diante. Todas as pessoas que estiveram no local estão de parabéns, pois souberam curtir e se divertir. Não foi registrado nenhum ato de violência ou vandalismo. E um lance bacana que vale ser registrado, havia no local muitas mulheres com seus filhos, mostrando que o rock é para todos. Parabéns a todas as bandas pelo profissionalismo apresentado e aos organizadores. Ficamos agora na expectativa do próximo.
Boss (Fabinho), em pé de camiseta branca, junto com a banda Lunettes, Beso Alcoois (deitado) e Daniel ETE (pisando em Beso), da banda Drakula. Boss junto com Piera, organizou o 2º Grito Urbano

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Zorg: a calmaria em meio ao caos

Zorg é uma banda de folk rock da Suíça, ou melhor, três sonhadores que um dia decidiram tocar um som lento e doce em um mundo barulhento. A banda está junta já faz um bom tempo e como eles mesmos dizem: “viramos tipo um casal de velhinhos... mas somos três e não dois. Um “ménage a trois” duradouro.” Com três discos gravados (o álbum “A Certain Idea of Love” foi lançado no Brasil em 2004), eles já tocaram para multidões em diversos festivais pela Europa, bem como para públicos pequenos em shows intimistas. O Zorg concedeu uma entrevista exclusiva para o zine Canibal Vegetariano, falando sobre a cena na Suíça, metal, álbum novo, shows no Brasil, o futuro das gravadoras, literatura e outras coisas mais. Confiram abaixo a entrevista na íntegra!

Canibal Vegetariano: Vocês já gravaram três álbuns e o último saiu em 2006. Vocês estão trabalhando em músicas novas? Em caso afirmativo, quando vai ser lançado um disco novo?
Zorg: Ha! Essa é uma pergunta complicada. Quando finalizamos a turnê do disco “Between Us”, sentimos que era necessário um tempo para fazer outras coisas como ler livros, ver filmes, assistir shows de outras bandas, ouvir sons novos... Notamos que precisávamos de experiências novas para adicionar coisas diferentes em nossa música. Caso contrário, o próximo álbum seria uma mera cópia do anterior.
Voltamos a nos encontrar recentemente... e até estamos plugando os violões novamente! Depois de três discos, queremos nos aventurar em novos caminhos, fazer as coisas de maneira diferente, nos desafiarmos A questão é a seguinte: ainda não sabemos que caminhos são esses e como encontrá-los. Mas sabemos que descobriremos cedo ou tarde. Queríamos muito ser capazes de responder: “o próximo disco já está pra sair”, mas a verdade é que ainda não sabemos de nada.

CV: Temos uma crise em termos de vendas de CDs no Brasil. Talvez não seja só uma crise local, mas internacional também. A maioria das bandas independentes brasileiras está lançando suas músicas somente na internet. Vocês podem nos dizer como está a situação da indústria musical na Europa? Que maneiras vocês usam para divulgar seu trabalho? Ainda existem lojas especializadas em rock na Suíça?
Z: A crise é internacional na verdade. Se bem nos lembramos, as vendas de discos na Suíça caíram em 20% no ano em que lançamos “Between Us”... e isso, em um país pequeno como o nosso, é muito. O que está acontecendo com as gravadoras é assustador, mas, ao mesmo tempo, interessante. Agora está claro que devemos enxergar as coisas sob um novo ponto de vista. Seria estúpido seguir em frente fingindo que nada está acontecendo.
É por causa disso também que a gente está dando um tempo para gravar o próximo disco. Estamos tentando imaginar de que forma poderíamos usar esses novos meios. Desde o começo do Zorg, enfatizamos as qualidades da “produção caseira” de nossa música. Essas novas tecnologias são uma ótima forma de continuarmos a explorar isso.

CV: Assistimos alguns festivais de música europeus aqui no Brasil (pela TV) e observamos que grande parte das bandas que participam é de metal. Em que tipo de festivais vocês tocam? Como é a reação do público?
Z: Sim, os organizadores de festivais gostam de convidar bandas barulhentas e “festivas” porque acham que só o barulho atrai multidões. Quando lançamos nosso primeiro disco, muitos organizadores tinham medo de nos convidar, pois tocávamos uma música lenta e minimalista. Mas tivemos nossa primeira chance em um grande festival na nossa cidade. Tocamos para 3000 ou 4000 pessoas sob as estrelas. Foi incrível! E foi assim que tudo começou. No verão passado, nos apresentamos em grandes festivais e ficamos surpresos do quanto foi legal. As pessoas eram receptivas e partilhavam aquele momento com a gente. Uma das nossas apresentações favoritas foi no festival francês “Les Eurockeennes de Belfort”. Foi um momento tão intenso diante de uma multidão. Quase choramos!

CV: O segundo disco de vocês saiu no Brasil. Como isso foi possível? E os outros álbuns, por que eles não estão sendo vendidos aqui?
Z: Foi uma grande surpresa pra gente. Bem, aconteceu assim: um de nossos agentes estava em uma convenção musical na França (o Midem em Cannes) e alguém do Brasil ficou interessado em nossa música. Nosso disco foi distribuído aí e até tocou em algumas rádios.
Foi incrível perceber que nossa música tinha uma vida própria, atingindo os ouvidos das pessoas em um país que nunca fomos. Realmente foi muito legal. O acordo não continuou no nosso próximo disco porque o cara, que nos contratou, saiu da gravadora e, como você sabe, as vendas de disco desceram ralo abaixo. Com isso as gravadoras ficaram mais cautelosas com o dinheiro.
Quando finalizamos a turnê do disco “Between Us”, sentimos que era necessário um tempo para fazer outras coisas como ler livros, ver filmes, assistir shows de outras bandas, ouvir sons novos... (Zorg)

CV: Vamos conversar um pouco sobre as letras. Quem é responsável por elas? De onde vem a inspiração para escrevê-las? De livros, filmes, músicas, experiências, etc.?
Z: Bem, as letras são um capítulo à parte em nossa história. Quase não escrevemos letras pro nosso primeiro disco. Foi uma amiga nossa, a Tanya, que escreveu. Tudo começou porque ela fez um texto para o funeral de um de nossos amigos e decidimos musicar esse texto. Foi nossa primeira experiência como Zorg e nos ocupamos bastante com a parte musical. O segundo disco é um misto entre letras de Tanya e algumas nossas. Já no último, há quase uma conversa entre Guillaume e Catia. Escrevemos as letras juntos, como um diálogo, ou separados. O que queríamos dizer era inserido na música. Foi muito interessante proceder dessa forma.
Com relação à influência, é difícil dizer. Nós lemos livros, temos nossos autores favoritos: Philippe Djian (o autor francês que escreveu “Betty Blue”... de onde veio o nome Zorg), Bukowski, Miller, Kerouac, etc. Também gostamos do processo de escrita automática de Burroughs.
Mas, quando escrevemos, o mais importante é que as palavras sejam musicais. Elas têm que se juntar perfeitamente à música. Algumas vezes a parte musical vem primeiro, em outras a letra, não há regra. A língua inglesa é muito mais musical do que a francesa (ao menos para os nossos ouvidos). Às vezes gostaríamos de cantar mais músicas em francês, mas ainda não encontramos a musicalidade dessa língua.

CV: No álbum “A Certain Idea of Love” vocês tocaram uma versão da música “The captain of her heart” da banda Double. Essa música foi um grande sucesso no Brasil. Por que vocês decidiram fazer essa versão?
Z: Guillaume veio com a idéia em uma manhã (muito vinho no dia anterior?). A gente já estava quase acabando de mixar o disco, mas começamos a gravar essa música, só porque achamos engraçada a idéia. Sempre gostamos de covers. É muito legal pegar a música de alguém e tentar fazê-la soar como uma música do Zorg. Gostamos desse desafio, especialmente Totor.
Muitas pessoas não sabem, mas Double (a banda que fez “The Captain of her heart”) era suíça. Por isso também achamos legal gravar o cover. Além disso, transformar uma música horrorosa da década de 80 em uma canção folk e pop foi demais.

CV: Aqui no Brasil, grande parte da informação sobre rock diz respeito à Inglaterra e Estados Unidos ou metal da Alemanha e de países nórdicos. Como é a cena musical na Suíça? Vocês sabem algo sobre a cena no leste europeu?
Z: Bem, também estamos mais cercados por música anglo-saxã. Há sons que vêm da Escandinávia, mas não só metal. Há muitas bandas acústicas de pop e folk na Suécia e Noruega, tais como Kings Of Convenience ou Jose Gonzáles. Na parte da Suíça que fala francês, as pessoas também escutam música francesa. Não somos fãs desse tipo de música, mas alguns cantores como Camille, por exemplo, são incríveis.
A cena musical na Suíça é muito rica e o nível das bandas é particularmente elevado. Temos músicos realmente bons aqui e em vários estilos: do doom ao pop, do rap ao stoner rock. E, acredite ou não, nossa cidade natal (Lausanne) tem a reputação de revelar as melhores bandas e artistas do país. Ah, sim, é verdade, já ia esquecendo! Uma revista dedicou algumas páginas ao fenômeno. Nossos artistas favoritos de Lausanne são Honey For Petzi, um trio de post rock incrível, e Monkey 3, uma banda que faz um stoner-rock bem psicodélico e pesado. Ah, eles também são um trio… estranho, que coincidência, tantos trios, deve ter algo rolando no ar. Mas, verdade, existem muitas outras bandas nesse país e vários estilos diferentes. Confiram: Stress, Sludge ou Sophie Hunger, eles vão te deixar de boca aberta.
Com relação ao leste europeu, a gente não sabe muita coisa sobre a cena de lá. A maior parte das bandas são é de metal... e uma vez que a gente não tem ouvido metal ultimamente...
Nossos gostos batem mais com a cena canadense recente ou mesmo islandesa. Gostamos de gente como Olafur Arnalds... bem, queremos dizer, Guillaume and Catia, porque Totor ainda está louco por AC/DC!

CV: Essa pergunta vai para o Guillaume. Você tocou em uma banda de metal antes do Zorg, certo? Como foi a experiência de mudar abruptamente do metal para um som folk? Você ainda ouve heavy metal ou quer tocar em uma banda desse estilo?
Z: Foi algo muito lógico pra mim. Ouço música acústica desde meus 20 anos. Gosto de extremos. Quando eu era mais jovem, queria mesmo tocar música alta e pesada. Foi uma experiência incrível. Depois de alguns anos, isso passou. Fiquei cansado de ficar pulando de um lado para o outro pelo palco. Eu queria tocar algo completamente diferente. Na mesma época, estávamos começando o Zorg, tínhamos ótimas oportunidades e eu sabia que era isso o que eu queria fazer. Eu estava cansado de ouvir metal, já havia dez anos que ouvia esse tipo de música. Mas agora, depois de dois anos, estou começando a gostar de metal novamente. Tive a oportunidade de tocar covers do Alice in Chains com amigos da banda Monkey 3 e foi muito divertido. Mas tocar novamente numa banda de metal não dá. Estou feliz com a escolha que fiz. Tivemos tantas experiências boas com o Zorg e, se Deus quiser, ainda há muita coisa pra acontecer.

CV: Gostaríamos de agradecer pela entrevista e deixamos esse espaço para vocês! Ah, só mais uma perguntinha: vocês gostariam de tocar no Brasil se tivessem a oportunidade?
Z: Será que alguém responderia “não” pra essa pergunta? Claro que ficaríamos emocionados de tocar no Brasil. Isso é a dádiva da música: ser capaz de encontrar pessoas diferentes, ir para países diferentes e partilhar música. Quem poderia sonhar com uma vida melhor? A gente ia tocar por duas semanas no Brasil em 2005, mas não aconteceu por alguma razão. Quem sabe no próximo disco? Por enquanto, desejamos muito amor pra vocês, daqui do nosso planeta, e não deixem de checar nossas próximas aventuras em:
www.zorgmusic.com