______Versão on-line do zine Canibal Vegetariano______

Somos loucos apaixonados por rock, buscando sempre divulgá-lo de forma independente, sem jabá e amarras.

domingo, 3 de novembro de 2013

Doce em forma de rock e melodias


Oriundos de Minas Gerais, os integrantes da banda 'Churrus' fazem som com muitas influências distintas que segundo o guitarrista Matheus Lopes, vão de Tim Maia a Slayer. Para saber mais sobre o trabalho do grupo que está há alguns anos na estrada, conversamos com Matheus sobre vários assuntos. A entrevista na íntegra você confere abaixo.

Canibal Vegetariano: Para começar, apresente aos nossos leitores, nomes, instrumentos e outras informações que acharem necessárias.

Matheus Lopes: A banda atualmente tem Túlio Panzera (guitarra/vocal), Matheus Lopes (guitarra/vocal), Luis Couto (guitarra/teclado/vocal), Bruno Retez (baixo) e recentemente o Daniel Mascarenhas assumiu a bateria no lugar do PF Souza que teve de deixar a banda pois se mudou para São Paulo a trabalho.

CV: O nome de vocês é muito curioso, 'Churrus'. Como pintou a ideia desse nome para banda?
ML: Essa é uma pergunta complicada, pois ninguém sabe ao certo de como pintou esse nome. É certo que ele não foi escolhido em meio de outros nomes. O que me lembro é de antes de a banda surgir, o Túlio Panzera sempre gravava discos de suas músicas, sendo cada um deles com um nome diferente. Um em particular que me chamou a atenção e me fez procurá-lo para montar a banda se chamava Churrus – Piano. Como começamos a tocar as músicas desse disco, sempre nos referíamos ao projeto naturalmente como Churrus, e assim ficou.



CV: Ouvindo o trabalho de vocês percebe-se ótima qualidade de gravação e influências de bandas gringas. Vocês se inspiraram em alguma banda específica quando começaram a compor?
ML: Existem bandas que mexem mais com a gente em diferentes épocas, acho que no Churrus nota-se em todos discos o quanto nós escutamos e nos inspiramos em bandas como Teenage Fanclub, Guided by Voices, Wilco, Pavement, Beulah e Pernice Brothers. Porém, vai muito além disso. Gosto muito do rock anos 50/60, Motown, Funk, Punk 77, NWOBHM, Hardcore americano dos 80, Thrash americano dos 80, Grunge, Shoegaze, Lo-Fi, Britpop, Indie, surf music, além de muita coisa da música brasileira. Escutamos de tudo e isso de alguma forma acaba por refletir em nossas músicas nem que seja de uma maneira bem discreta. Se você escutar com atenção, pode perceber muitas influências além dessas que citei acima. Como seria impossível citar todas essas bandas que nos influenciam, tentarei simplificar dizendo que vai de Tim Maia a Slayer.

CV: Falando em composição, como vocês trabalham as músicas? E as letras, como surgem?
ML: Não acho que exista um método/técnica de compor na banda. Gosto de sentar com a guitarra ligada e um programa de gravação no computador. Vou tocando e gravando pedaços de música de uma forma bem fragmentada, daí, quando menos espero, enxergo uma canção naquilo e começo a juntar os pedaços de modo que ela crie forma. O Túlio já gosta de compor direto com um violão na mão. O Luis, o Bruno e o PF (que são os outros integrantes que já contribuíram com músicas para a banda) eu nem faço ideia de como fazem suas composições. No final das contas, para a gravação final dos discos, cada um chega com suas músicas e a gente vai testando arranjos e riffs nessas até achar que está legal. Nessa parte todos participam.

CV: Vocês lançaram o álbum em julho pela Midsummer Records. Como rolou este contato e como tem sido a recepção do público em relação a este trabalho?
ML: No lançamento do nosso primeiro disco The Greatest Day em outubro de 2007, organizamos um pequeno festival de duas bandas em São João Del Rei/MG chamado All Stars Festival II (o primeiro foi em 2003 em BH) e para esse evento chamamos a banda Pelvs. Foi uma noite muito legal em que se criou uma amizade bacana entre as bandas. A nosso pedido, um integrante da Pelvs, acho que foi o Gordinho, levou um exemplar de nosso álbum até as mãos do Rodrigo Lariú, que é o dono da MMRecords. Bom, parece que ele gostou e desde então a gente faz parte do selo.
Quanto a recepção do último disco Transcontinental tem sido excelente. Até agora, felizmente, só recebemos críticas boas tanto do público, quanto dos blogs, e-zines, bandas e outros do meio.



CV: E os espaços para shows, vocês conseguem com facilidade ou ainda existe muita dificuldade para conseguir espaço para tocar?
ML: Apesar de ser difícil hoje em dia uma banda de rock que não é cover arrumar lugar pra tocar, nossa maior dificuldade para subir ao palco não é essa. Nosso problema é arrumar data em que todos estão disponíveis uma vez que todos trabalham em áreas diversas, e mais, 3 moram em BH [Belo Horizonte] e 2 em São João Del Rei. Isso, infelizmente nos faz recusar convites para oportunidades únicas de tocar.
Voltando à pergunta. Aqui em São João Del Rei existem lugares em que a gente toca as vezes, mas a prioridade desses lugares não é de bandas que tocam músicas autorais. Então existe sim certa dificuldade de espaço. Porém em BH é bem tranquilo de arrumar lugar. Com certeza Aobra em BH é nosso palco favorito e que mais vezes tocamos. Nunca recusaram espaço e sempre a casa é cheia. Já tocamos no Rio de Janeiro algumas vezes e em São Paulo também e vejo nossos amigos do The John Candy, Lê Almeida e Single Parents sempre tocando, portanto, acho esses lugares tem espaço sim.

CV: Quais os planos da banda para 2014?
ML: Nós estamos numa época complicada agora. Como já disse antes, acabamos de trocar de baterista e agora estamos atrás de alguém para substituir o Túlio temporariamente. Ele acabou de ir para a Inglaterra para uma temporada de 1 ano no qual ele fará um pós-doutorado. Nossa intenção é manter a banda na ativa e fazendo shows enquanto o disco ainda é novidade. Para o ano de 2014 não podemos esperar nenhuma novidade quanto a lançamento de material novo como um EP ou álbum, mas acho bem possível saia um ou mais vídeos de músicas do Transcontinental.


CV: Agradeço pelo papo e deixo espaço para considerações finais.
ML: Gostaria de lhe agradecer encarecidamente por seu interesse em nossa banda e por essa entrevista. O que você faz no blog e na rádio é o que mantém vivo esse espírito do rock’n'roll que a gente tanto é apaixonado. Meus parabéns e continue assim. Gostaria também de mandar um abraço aos amigos das bandas The John Candy, Lê Almeida, Camera, Radiotape, Single Parents, Mallogro e Pelvs.

2 comentários:

Nanda disse...

Churrus é uma banda excelente com músicos fantasticos.. Sou fã número 1 da banda e ouço simplesmente TODOS OS DIAS... a galera tá de parabéns..

Rita Cardoso disse...

Um belo CD pra escutar em qualquer ocasião. Os meninos da banda estão de parabéns pelo belo trabalho que realizaram!