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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Gritando HC: duas décadas de hardcore

Canibal Vegetariano
Os paulistanos do Gritando HC completam 20 anos de carreira neste ano e devido a importância da data e da banda para o cenário independente nacional, a equipe do Canibal Vegetariano conversou com Lee, vocalista da banda, em uma noite de outono de 2014, antes de uma apresentação da banda em Campinas. Em seu relato, a vocalista falou sobre a trajetória da banda, a perda de Donald e os caminhos que pretendem trilhar.

Balanço dos 20 anos
Agora que deu um estalo, pois vivemos e passamos por muitas etapas. Tivemos duas fases distintas, cerca de dez anos com o Donald e praticamente dez com esta formação atual. O que passou neste tempo colho agora as respostas.

Manifestações
As manifestações despertaram as pessoas, principalmente os mais jovens. E a música punk, hardcore gera protesto. Este período foi fértil, pois a cena teve uma certa quebra com a chegada do emo. Houve novamente a junção do skate com a música, assim como ocorria no final dos anos 80, então em nossa música, esses dois elementos sempre estiveram juntos, mas esse conceito havia sido perdido e houve um resgate, mesmo com a queda musical, o skate continuou forte e se manteve e a junção que houve novamente se encaixou e há cerca de dois anos vejo esse reflexo.

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Perda do Donald
Falando por mim, quando entramos nessa fase foi foda, o chão se abriu. Além de estarmos juntos desde o início da banda, éramos noivos, começamos a namorar e veio a banda. Houve um peso pessoal muito grande. Em relação a banda, no momento do choque, não sabia o que fazer, pois Donald era muito ativo. Logo em seguida ao que houve, Ritchie, nosso baixista, chegou um dia e disse que Donald pediu para que caso algo ocorresse com ele, não era para banda parar. Ele morreu em 21 de setembro de 2001. Em seguida, houve dois shows em Santos, quase não fui, mas compareci e tive apoio de muitos amigos.
Seguimos até 2003 e a banda cresceu, foi uma época que tivemos produtor pela primeira vez e aprendemos sobre vários assuntos relacionados ao nosso som. Em São Paulo tive alguns problemas e não consegui processar a morte dele mas continuei com o trabalho. Mas a situação chegou a um ponto que o fato me cobrou e depois de alguns shows pelo Nordeste neste mesmo ano, resolvemos dar um tempo. E o curioso é que três anos depois, voltamos a fazer show e foi no Nordeste, onde havíamos parado e onde fechamos a atual formação.
No tempo dado pela banda, fui estudar no IGT e foi algo bem legal, dois meses depois das aulas consegui tocar com o pessoal do Dead Kennedys, que é uma puta influência. Depois do retorno da banda, lançamos o álbum 'Fase Adulta', em 2011, que é o registro com um hardcore mais pesado, pois foi uma época de revolta. Agora para este ano pretendemos gravar um novo disco, vamos preparar uma demo profissional. Também pretendemos gravar um documentário, para que sirva de incentivo à galera, pois toda banda precisa de referência e podemos dizer que hoje somos. É legal o saudosismo de ouvir bandas antigas, mas o passado já foi. Tem galera que para de ir no rolê, para no tempo e não conhece mais as pessoas, é isso que queremos estimular, que as pessoas saiam.

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FUTURO
Quero continuar a fazer meu som, fazer parcerias e batalhar pela cena que é bacana e independente, com muita coisa boa rolando. Vamos continuar com o som, produzir discos. Precisamos de uma aposta sincera mesmo com um mercado ruim. Digo isso pois tudo é muito caro em nosso país, transporte, custo para manter a banda. E além disso, em São Paulo, temos as turmas muito divididas, precisamos de um lance mais conjunto, como ocorre em outras regiões, o lance dividido não dá muita visibilidade.

MULHERES
Sempre houve algumas mulheres no rolê, mas tá melhorando, apesar de ainda ter uma participação mínima. Onde falta mulher é no lance de produção de shows, temos muitos homens nesta área, cerca de 90%. As mulheres trabalham em produção de banda, mas de shows, é muito raro. No estilo hardcore também são poucas, além de mim dá para contar nos dedos, é muito pouco. Elas estão em bandas mais calmas.

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MUDANÇAS
Em relação a shows considerados grandes e convites para festivais melhorou muito. Mas o mercado independente precisa de espaço para show, festivais, principalmente para apresentações menores, que o mercado ainda é ruim. Para termos força, precisamos de festivais com bandas conhecidas para levar público, mas pelo que tenho visto, acredito que teremos melhorias no futuro.

MENSAGEM
Aos leitores e também aos novos leitores do zine e de outros zines, afirmo que isto é um material funcional e essencial desde sempre, pois é a mídia que está lá. Espero que esse movimento continue e valorizem a informação e quem ainda não conhece, entre em contato, procure saber como funciona, faça parte disso e aposte nas ideias.

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