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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sérgio Pereira Couto: jornalista e escritor fala sobre sua paixão por rock e história

Sérgio Pereira Couto é jornalista e escritor, autor de mais de 40 livros entre ficção e não ficção nas áreas de história antiga, esoterismo, romance policial e história do rock. Além de tudo isso, é também um estudioso do classic rock e admirador de Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Deep Purple e The Doors. Conheça mais sobre Sérgio nesta entrevista exlusiva que ele concedeu ao blog Canibal Vegetariano.
 Divulgação
O escritor Sérgio Pereira Couto é autor de 40 obras e ainda tem muitas estórias e histórias para contar

Canibal Vegetariano: Cara, como e quando você começou a carreira de escritor?
Sérgio: Comecei a carreira em 2004, quando compilei várias entrevistas com sociedades secretas para o lançamento de um livro desse gênero. Meu editor achou que seria mais fácil vender o peixe se eu inserisse as informações num romance e aí criei uma história de fundo e coloquei o conteúdo das entrevistas quase na íntegra. Estávamos já com tudo pronto quando chegou por aqui O Código da Vinci, de Dan Brown, que estourou de vendagem. Lançamos o Sociedades Secretas, meu primeiro romance, pouco depois. Inseri nele algumas falas sobre o livro de Brown e tornei a narrativa mais cheia de  citações de cultura geral, inclusive alusões a nomes como Pink Floyd, The Doors e Led Zeppelin que, de uma maneira ou outra, eram ligados ao esoterismo. Hoje o livro está na terceira edição e vende muito bem.

CV: Você teve influência de algum escritor?
S: Neil Gaiman, Stephen King, Alan Moore, Raymond Chandler, Giulio Leoni, Ian Fleming e Patricia Cornwell, não necessariamente nessa ordem...

CV: Quantas obras você lançou?
S: Até o momento exatos 40 títulos e tenho mais dois romances em análise, três de não ficção encomendados, seis em fase de transformação para áudio book e mais quatro em fase de planejamento.

CV: Como é para você escrever sobre fatos históricos e musicais? Há muita diferença? Qual seu estilo preferido?
S: Escrever sobre fatos históricos é muito rico à medida em que você aprende com o objeto que você estuda. Descobrir detalhes pouco divulgados ou mesmo inserir tudo num contexto pouco explorado mas verossímil é um excelente exercício para sua imaginação, além de ser uma experiência e tanto, à medida que você descobre que há muito mais na história do que os livros contam. Falar sobre os fatos musicais não apresenta muita diferença, já que o ponto de vista histórico é sempre o mesmo. O que você tem que tomar cuidado é atentar para que seu trabalho saia com uma cara profissional e não de algo que um fã faria. E, de longe, meu estilo predileto é o policial/suspense. Se colocar tudo junto, então, aí me sinto mais à vontade.

CV: Agora vamos falar especificamente sobre Help, A Lenda de um Beatlemaníaco. Como surgiu essa história?
S: Tive minha fase beatlemaníaca há alguns anos quando fiz minha peregrinação a Liverpool. Sempre achei que a ideia de que a cidade era tão colorida quanto os Beatles era meio falsa. E já em Londres vi que tinha razão: era, afinal, o local onde Jack o Estripador atacou. E imaginei como deveria ser difícil para os jovens de hoje crescerem numa cidade como Liverpool à sombra de um grupo musical que deixou de existir há exatos 40 anos. E venhamos: de todos os fãs de bandas, acredito que os fãs dos Beatles são os mais radicais que existem. Nem os de Elvis são tão assim. Imaginei então algo para juntar tudo e como já havia a Beatle Week, o evento anual onde bandas cover do mundo todo se reúnem por lá, consegui o cenário que queria. E sem contar que a cultura beatle é mundial e atemporal.

CV: Como você se tornou um beatlemaníaco?
S: Frequentei por muito tempo o cenário beatle de São Paulo e conheço várias bandas que estão em atividade até hoje, como a Comitatus, a Beatles Alive e a Beatles 4 Ever. E fora que continuo um adorador da obra do quarteto, seja ela em grupo ou solo.

CV: A impressão que você passa no livro é que conhece bem a cidade de Liverpool, devido aos detalhes que você cita. Fale um pouco mais sobre o assunto.
S: Eu sempre brinco que, enquanto os muçulmanos fazem peregrinações à Meca, os beatlemaníacos fazem o mesmo para Liverpool. Assim, fiz a minha há alguns anos. E fiz questão de ir apenas com alguns mapas e sozinho, para explorar bem os locais e reunir bastante material turístico sobre os pontos mais citados nas biografias do quarteto. Foi uma experiência muito incrível refazer os passos de todos, de Abbey Road até a Saville Row (onde ficavam os escritórios da Apple), em Londres, e em Liverpool, das casas onde eles nasceram até as docas, as estátuas de Eleanor Rigby e do submarino amarelo e adentrar o Cavern Club, além de ter participado da Magical Mistery Tour no ônibus do filme. Anotei tudo e recolhi o máximo que pude de panfletos para ter material de pesquisa suficiente.
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Sua banda favorita é The Doors, mas ele também teve uma fase de beatlemaníaco

CV: Quando você escreve, os personagens surgem um a um, ou a estória vem como um todo?
S: No geral, tenho um esqueleto da história, ou seja, um esquema onde sei o que vai acontecer. Depois vou inserindo aos poucos os personagens. De longe o que dá mais trabalho de montar são os personagens. Enquanto não houver coesão e verossimilhança, não tem condições de serem inseridos na trama. Às vezes você acha que tal situação ficaria bem com um protagonista, mas na verdade é uma mulher que daria o efeito que você tanto almeja. Ou seja, é um laboratório onde você tem que experimentar várias vezes até conseguir o melhor efeito desejado. E com esse livro não foi fácil, já que visa um público conhecedor e exigente por natureza.

CV: E seus livros sobre Hitler. O que te motivou a escrever sobre um dos nomes mais odiados da história?
S: Na verdade estava discutindo com o editor, que queria iniciar uma série de biografias históricas. Queríamos um nome que fosse polêmico e que, ao mesmo tempo, permitisse que se fizesse uma análise histórica imparcial, livre de preconceitos. Hitler sempre foi um nome que causa calafrios ao ser pronunciado, mas, apesar das atrocidades cometidas (que são inegáveis), merece que seja analisado como qualquer outro ditador histórico.

CV: Como é a vida de escritor no Brasil? É possível viver somente desse trabalho?
S: Infelizmente não é uma vida fácil, mesmo quando você é jornalista. Afinal, nós, que vivemos da escrita, ganhamos por produção, e esse é o motivo pelo qual tenho tantos títulos. A maioria das pessoas que conheço dessa área mantém pelo menos mais dois serviços juntamente com este. Eu mesmo não sou uma exceção. Mas o contato que mantemos com o público em geral é gratificante e não há nada melhor do que ouvir alguém dizer que comprou um livro seu e adorou a leitura...

CV: Sérgio, agradeço pela entrevista e deixo espaço para que você teça seus comentários finais, valeu.
S: Eu é que agradeço a oportunidade que você abriu para poder dialogar com seus leitores. E apenas lembro: muito rock´n´roll na veia e, na hora de escolher um livro, parodiando John Lennon, “Tudo o que dizemos é dê uma chance ao escritor nacional”.

Help: A lenda de um beatlemaníaco
Sérgio Pereira Couto - 286 páginas - Editora Idea

 Eu não sou fã de Beatles, conto nos dedos os discos e as músicas que gosto da banda, mas o que me levou a ler este livro, foi o próprio escritor, Sérgio Pereira Couto, que conheci durante a Bienal do Livro em Sampa, em agosto deste ano.
Comecei a ler a obra por curiosidade e logo nas primeiras páginas notei que havia algo diferente, interessante e intrigante. Terminei a leitura em pouco mais de três dias, devido a enorme curiosidade para saber o desfecho da trama. Quem é fã de Beatles com certeza curtirá ainda mais devido a enorme quantidade de informações da banda, mas quem não é fã, como é meu caso, fucará amarradão devido as idas e vindas da estória, muito bem amarrada pelo autor.
    Independente de gostar ou de rock, gostar ou não de Beatles, o livro é totalmente recomendável, pois quem gosta de uma boa trama policial, cheia de suspenses e surpresas, não pode perder este livro, pois emoções não faltam nas páginas desta obra.

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