______Versão on-line do zine Canibal Vegetariano______

Somos loucos apaixonados por rock, buscando sempre divulgá-lo de forma independente, sem jabá e amarras.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Paebiru – Psicodelia à moda nordestina


Paebiru é um dos discos mais raros da música brasileira e está avaliado em cerca de R$ 4 mil

O texto que segue a seguir é uma resenha escrita por um grande camarada, Carlos Ferrari, que é fanático por música, e guitarrista, dizem as más linguas que é dos bons. Nesta resenha ele fala um pouco da história de um dos discos mais raros da música nacional, esperamos que gostem. Boa leitura!

Os discos brasileiros de música psicodélica/progressiva/instrumental/experimental dos anos 70 tornaram-se “moda” entre colecionadores e audiófilos mundo afora. Os discos originais são disputados por milhares de dólares em leilões na Internet e títulos são relançados em vinil e cd em países como Inglaterra, Alemanha, Portugal, Bélgica e até na Polônia e esgotam-se rapidamente. No mundo inteiro nessa época fazia-se um som na mesma linha, no auge do rock progressivo. O que se explica então o fato dessa procura e interesse muito maior pelo som feito aqui?
A resposta talvez esteja naquilo que sempre diferenciou nossa música. A quantidade absurda de ritmos, instrumentos e diferentes linguagens musicais, que incorporadas às sonoridades que vinham de fora, resultaram talvez na mais rica fase de música experimental brasileira, desde o sul até o norte do país.
O símbolo maior dessa fase talvez seja o disco Paebiru de Lula Côrtes e Zé Ramalho, tanto pela diversidade de sonoridades e experimentações quanto pela mística criada em torno de suas histórias.

O disco era duplo, numa época em que isso raro no Brasil e com encartes em alto relevo num nível até então inédito por aqui

Gravado em 1975, o disco foi planejado e gravado em 4 canais por Lula Cortês, que já vinha de um disco anterior, Satwa e pelo estreante Zé Ramalho. A obra é considerada por muitos críticos uma “Tropicália Nordestina” porque contou com a participação de nomes como Alceu Valença, Robertinho do Recife e Geraldo Azevedo. O disco era duplo, numa época em que isso raro no Brasil e com encartes em alto relevo num nível até então inédito por aqui. Cada lado é dividido em elementos da natureza: água, fogo, terra e ar e com sonoridades que procuravam direcionar a esses elementos, utilizando instrumentos das mais diferentes origens.
Não bastasse a qualidade musical incontestável, a tiragem do disco original foi reduzida a 300 cópias, devido a uma enchente que inundou os estoques da lendária gravadora Rozenblit de Recife. Um exemplar é avaliado hoje por volta de R$ 4 mil. Há relançamentos alemães e ingleses em cd e vinil que se esgotam rapidamente.
Paebiru é daqueles discos que devem ser ouvidos muitas vezes pra um entendimento maior e ainda sim sempre haverá algo a descobrir. É um trabalho fundamental para se entender a fusão da música brasileira, especialmente nordestina com o rock progressivo e todos os rumos do rock nacional desde então.

Um comentário:

Anônimo disse...

muito bom como sempre, e o mais legal qdo ele diz 'o inciante zé ramalho'....doido isso né/? parece q já curto o cara há séculos...rsrs
de@