quarta-feira, 4 de abril de 2012

NoctVillains: Entre o folk, o pós punk e taças de vinho

Arquivo pessoal

O duo paulistano NoctVillains, formado por Roxy Lady e Vagner Sousa, traz de volta os sons pós punk que marcaram parte da década de 80 misturado com folk music. Mas, com um toque moderno e boas composições próprias, a dupla faz um som em que o ouvinte pode viajar sem sair do lugar. Com boa pegada e canções intimistas, a NoctVillains destaca-se entre as bandas independentes atuais. Para conhecer mais sobre o trabalho, o zine/blog Canibal Vegetariano conversou com o duo para saber mais sobre o trabaho realizado por eles.

Como surgiu a NoctVillains? Em quem vocês se inspiraram?
Roxy: Surgiu da necessidade de resgatar o tempo perdido com os nossos antigos trabalhos, onde deixamos pra trás muitas oportunidades de registrar nossos trabalhos com qualidade, devido muitas vezes a inexperiência e a sede por fazer shows. Não que isso tenha sido ruim, pois nos deu muita experiência de palco, mas devido a falta de dedicação para as gravações, tanto a X DEVOTION quanto o THE CONCEPT, deixaram de registrar seus trabalhos de maneira merecida depois de tantos anos de dedicação ... Então neste momento estamos tentando fazer algo mais simplificado com menos pessoas envolvidas, o mais simples e puro Rock, sem maiores complicações, nem rótulos, nem cobranças, apenas compondo, gravando e sem maiores pretensões...
Vagner: Aconteceu de estarmos juntos com o contrabaixo e taças de vinho. Toquei uma melodia e a Roxy cantou com extrema facilidade. Ali nascia a primeira música do NoctVillains (A kind of love) em poucos meses tinhamos umas 10 músicas e juntamos a fome com a vontade de tocar... As inspirações são muitas, uma delas é a música ruim e a fácil manipulação da mídia. Algumas bandas que nos influenciam depois das nossas próprias bandas, são: Velvet Underground, é claro, Roxy Music e Bryan Ferry, Joy Division, Jesus & The Mary Chain, The Cars, Frank Black, acho que influências são infinitas... Acredito que assim podemos continuar criando sempre.

Arquivo pessoal

CV: Vocês já tinham ideia de ter uma vocalista mulher ou isso veio depois?
R: Nao tínhamos nenhuma ideia na verdade. Aconteceu naturalmente, quando vimos tínhamos formado um duo de Rock, apenas voz e violão, mas com uma levada bem pesada.
V: É isso, o NoctVillains nasceu com uma vocalista.

CV: Vagner, a NoctVillains é diferente da The Concept, ao menos para mim que estou ao lado de fora. E para você? Há alguma diferença? 
V: Cara, diferença tem logo na formação, mas pra mim é a consequência de tudo que vivo no The Concept. Inevitavelmente pelas composições porque participo de ambos os processos e por ter esse espirito livre de compor ensaiar e tocar...

CV: Quantos discos vocês lançaram?
R: Estamos apenas no início de tudo, apenas o EP Friends and Wines, e agora estamos em processo de gravação do nosso primeiro álbum, com várias composições. Estamos fazendo tudo com muita calma para sair o melhor possível e não cometer os mesmos erros do passado.
V: Bom esse EP é mais um presente para nossos amigos do que um trabalho oficial, quem sabe no futuro seja item de colecionador.

Arquivo Pessoal

CV: Como foi o processo de gravação do EP Friends and Wines? Vocês gostaram do resultado?
R: Nós gostamos do resultado, apesar de saber que ainda tem algumas falhas, pois foi feito meio as pressas, nada muito profissional, só queríamos saber como iria ficar e resolvemos lancar o EP apenas para divulgação do trabalho aos amigos.
V: Como disse acima, gravamos essas músicas com muito carinho, mas ainda não é um trabalho oficial e sobre o resultado, musicalmente, é o gosto pela simplicidade, eu gosto.

CV: Qual público vocês esperam atingir?
R: Não esperamos atingir um público específico... Acredito que quem gosta de Rock de verdade irá se identificar com nosso trabalho.
V: Acho que esse é o primeiro grande erro para alguém que quer montar uma banda e criar um trabalho, que porra é essa de atingir alguém? Outro dia eu ouvi um pós emo discursando em praça pública que estava montando uma banda, compondo músicas próprias e discutindo "qual público atingir?" Esse é o primeiro passo para ser enlatado e  ser apenas mais um PRODUTO na imensa prateleira do vasto corredor, no desprezivel supermercado da música, e pior, um país que vende qualquer lixo, onde o ex-presidente assinou um papel declarando um ritmo escabroso como PATRIMÔNIO CULTURAL DO BRASIL. Eu quero atingir a mim mesmo, faço música para me completar como ser, faço música por sorte.

Arquivo pessoal

CV: E espaço para shows? Vocês têm feito muitas apresentações?
R: Fizemos algumas, em formatos diferentes, algumas só voz e violão, outras com bateria, mas estamos preparando novidades. Nossa última apresentação em dezembro, antes de darmos uma parada para as gravações foi no Rock na Vitrine na Galeria Olido, que nos rendeu um retorno muito bom por parte do público, foi muito satisfatório... Várias pessoas que viram um violão, voz e bateria, imaginaram que íamos tocar MPB, mas acabaram se surpreendendo com o som, que é bastante impactante, com muito peso, mas sem esquecer da melodia que a música necessita para moldar a voz da vocalista.
V: É isso, estamos tocando pouco, mas o objetivo é surpreender com a simplicidade.

CV: E os planos para 2012?
R: Planos por enquanto, gravar, gravar e gravar...somente depois de termos algo consistente em mãos, pensaremos em shows.

V: Estamos gravando e filmando. Abraço.

Para saber mais sobre o CD da NoctVillains acesse: http://canibalvegetariano77.blogspot.com.br/2012/02/noctvillains-friends-and-wines.html

domingo, 25 de março de 2012

Pugna: Mais de uma década de rock'n'roll


Arquivo Pessoal
A banda sorocabana está há 11 anos na estrada e entre lançamentos de álbum, EPs e mudanças na formação, continuam com muito pique e fome de rock'n'roll. Recentemente lançaram um split CD com a banda Maguerbes. Nós do zine/blog Canibal Vegetariano conversamos com o guitarrista Fábio que falou sobre a história da banda e também dos projetos futuros de sua trupe. Além de Fábio, a Pugna tem Richard no contra baixo, Fernando na guitarra, Márcio no vocal e Bruno na bateria.

Canibal Vegetariano: Cara, após 11 anos na estrada, com todas as dificuldades para manter uma banda atualmente, o que os mantêm na batalha?
Fábio: Bom ,todas as pessoas tem seus talentos , uns jogam bola, outros vendem drogas , outros roubam bancos, alguns combatem o crime, sei lá...Nós fazemos o que sabemos e temos talento para isso, não poderia ser diferente para mim, o rock me deu coisas que jamais poderia ter em outras situações e sendo assim sou devoto a ele.

Arquivo Pessoal
 CV:Qual a proposta musical do Pugna e quais as influências?
F: Nossa proposta é fazer o que sentimos bem ,os riffs saem de uma forma natural porque estamos no clima , gostamos de Rock e é isso que fazemos .Muitas coisas nos influenciou  nessa caminhada, não só a música como as atitudes, coisas como Fugazi, At the Driven In, Minor Threat, Mc5, Refuse, Queens of the Stone Age, Ramones, Black Flag,  etc ... Quando a musica é boa e bate  de alguma forma ela te contagia e a influência é automática sem pretensões.


CV: Vocês lançaram um EP em 2003 e três anos depois houve o lançamento de um álbum. Recentemente vocês lançaram um split com o Maguerbes. Houve outro registro neste intervalo?
F: Em 11 anos realmente foi complicado o processo de gravação e lançamentos, foi bem isso que você citou. Lançamos a demo “primeiro round” em 2002 com 5 músicas  e na sequência gravamos o álbum “Gladiadores na Arena”  com 13 músicas que ficou só no virtual para baixar pois a Pisces Records seria o selo que lançaria esse trampo, e como o cara é um puta sacana e um grande FDP  deu "mo mio" com conosco e ficamos esperando sair e não saiu, então acabamos disponibilizando só na net mesmo, e agora estamos com essa split com o Maguerbes que é uma puta satisfação para nós, lançando do jeito mais punk possível que é nossa cara.

Arquivo Pessoal
 CV: Por que vocês lançaram um split e não apenas um álbum de vocês? E fazer isso com a Maguerbes, era algo planejado?
F: Cara nós estávamos com 7 músicas quase prontas e me veio essa ideia de split , que antigamente sempre tinha entre as bandas punks e juntar duas bandas que não tem um segmento na cena saca, tipo, nós não somos HC ou indi ou garagem ou ... sei lá que porra é isso é rock e o Maguerbes é meio que isso também, então essa é a forma de duas bandas fazerem um corre com uma puta parceria onde quer que vamos, nós os levamos com a gente seja no físico ou apenas no CD e eles o mesmo. Os caras são muito firmeza e é umas das coisas que mais acertamos nesses 11 anos de Pugna.

CV: Como é o espaço para divulgação das bandas independentes em Sorocaba e na região?
F: Bom, no momento a coisa tá boa, com vários agitadores organizando eventos  e desbravando locais para apresentações de bandas em praças, bares, espaços da prefeitura, casas pequenas, loja, porão etc... Então tem espaço para tocar e organizar gigs com as nossas bandas prediletas, está viável e com o crescimento dos coletivos a coisa tende a melhorar cada vez mais.

CV: Em todo esse tempo de estrada, quais os lugares mais legais que já tocaram e qual a maior furada?
F: Todos os lugares que tocamos foram ótimos pois se abriram espaço para nós que somos toscos, tocar tem que ser um pico foda mesmo(risos). É sério, não quero bancar o boa praça, mas não tem essa, se formos até o local para tocar, temos que fazer o role ficar "loco"  e isso faz com que o show e o local seja o melhor. Mas temos várias histórias "locas" de shows como quase sermos presos no palco ou guitarras caindo da van em auto estrada, sinistro!

Arquivo Pessoal
CV: Em que as cenas regionais e a nacional precisam melhorar?
F: Precisam para de esperar cair do céu coisas que  que você tem que fazer por si só e parar de montar bandas para agradar produtores. Se você gosta de Rock faça com sinceridade que de alguma forma você vai ser recompensado.


CV: O que vocês planejam para 2012?
F: Bom estamos no corre de tocar e divulgar essa split..de resto sem planos ... deixar rolar que eles se formam no decorrer do ano... Paz e Rock a todos !

terça-feira, 13 de março de 2012

Uma outra história estadunidense


Ideal Records - documentário - 100 minutos

                Quando e onde ele nasceu não é possível afirmar com toda certeza, mas os punks sabem que entre o final da década de 70 e início dos anos 80, do século XX, o punk rock conhecia uma de suas vertentes mais extremas, o hardcore.
                Músicas mais rápidas e guitarras com mais distorção, bateristas que tocavam com uma pegada jamais imaginada, um público ainda mais insano e letras ainda mais diretas contra o sistema político da época e também em contestação ao estilo de vida, principalmente nos Estados Unidos.
                Tudo o que rolou nos seis primeiros anos deste estilo, entre a ascenção, queda e renascimento, está praticamente nesse documentário "American Hardcore - A história do punk rock americano 1980 - 1986". O filme de Paul Rachman, escrito por Steven Blush, inspirado no livro "American Hardcore - A Tribal History", vai diretamente ao ponto em entrevistas/declarações dos principais nomes da história deste estilo que 30 anos depois continua mais vivo que nunca.
                Entre entrevistas com músicos, fãs, zineiros e outras pessoas envolvidas com o estilo, o filme dá uma geral em tudo o que rolou em uma das épocas mais violentas e também mais criativa do rock. Se você busca conhecimento e quer conhecer mais sobre o punk e o hardcore, o DVD pode ajudá-lo, pois nada melhor do que a história ser contada, por quem fez história. 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Promoção do Pelado n'A HORA DO CANIBAL


A partir do momento em que você ler este post até o próximo dia 31, está valendo a "Promoção do Pelado" do programa  A HORA DO CANIBAL em parceria com o zine/blog Canibal Vegetariano.
Para participar e ganhar um lindo DVD "Breaking Brazilian Bones in Europe Tour", documentário de Binho Miranda e Rogério Japonês, sobre a turnê do Leptospirose e Merda pelo coninente europeu, os interessados em ter esse DVD devem enviar e-mail para nkrock@hotmail.com com alguma frase tosca sobre nudez, ou foto da pessoa ou mesmo vídeo correndo nú por aí. A ideia é abordar a nudez, vale até recorte de revista. Não há limites para e-mails, envie quantos achar necessário.
Quem não mora em Itatiba, deve enviar o endereço completo no e-mail pois caso vença receberá o prêmio no conforto de seu lar sem custo algum.

terça-feira, 6 de março de 2012

Magüerbes: O rock chega à maioridade



Adams Fehlauer 55 11 71777710
 Há quase duas décadas na estrada, a banda de Americana, Magüerbes, foi formada em 1994 e lançou recentemente um split com os sorocabanos do Pugna. Para saber mais sobre esse trabalho conversamos com os integrantes da banda, que além do novo trabalho, deram uma geral na carreira. 


Canibal Vegetariano: Após muitos anos de estrada e mudanças de formação, quem integra o Magüerbes atualmente?
Magüerbes: Atualmente segue com Haroldo no vocal, Tuti e Douglas nas guitarras, Rafael no baixo e Ricardo na batera.

CV: Vocês completam 18 anos em 2012. Quais os pontos positivos e negativos nesse tempo de estrada e o que faz com que vocês continuem batalhando na cena independente?
M: Os pontos positivos são vários. Desde a oportunidade de poder viajar para poder tocar, conhecer pessoas no Brasil inteiro, ter um ideal, um propósito para viver, além de poder “fugir” da rotina “trampo/casa”, sem contar os ensaios e produção dos discos, que são momentos de extrema terapia mental. Não consigo lembrar no momento de nenhum ponto negativo, mas eles existem. Podemos citar, por exemplo, a falta de estrutura de determinados lugares e o anti-profissionalismo de alguns produtores. Mas como você bem disse, isso tudo faz parte da batalha diária de se ter uma banda independente, que corre com recursos próprios. O prazer de tocar, viajar, pegar estradas e madrugadas junto com amigos é o que nos faz continuar batalhando na árdua estrada da cena independente brasileira.

CV: Há quase duas décadas na estrada, o que mudou de quando vocês começaram para este início de ano? Podemos dizer que existe uma cena no interior? Melhorou ou piorou?
M: Desde quando começamos mudou muita coisa, por exemplo, não tínhamos lugar nem equipamentos para ensaiar, hoje em dia tem uma porrada de estúdios de ensaio. Também não existia Internet, a comunicação era feita por cartas, telefone e através de revistas e zines especializados. A gente tocava em festas juninas de bairro e de escolas, dificilmente tinha um show de alguma banda considerada na cena, até porque não existia lugar e, em especial na nossa cidade, Americana, esse problema ainda existe, temos 1 ou 2% de apoio do poder público aqui para realizar eventos. Até que veio o Juntatribo né... hahah que com toda certeza foi o pontapé que faltava para uma cena que estava se formando no interior de São Paulo, especialmente em cidades da RMC. Hoje em dia podemos dizer sim que existe uma cena no interior, porém, essa cena já foi melhor na metade da década passada. Resumindo, de quando começamos até hoje, melhorou bastante, mas ainda falta espaço e investimento.

CV: Vocês lançaram recentemente um split com a banda Pugna. Vocês os escolheram para dividir o disco ou foi ao contrário?
M: O Pugna é uma banda “fudida” de Sorocaba que corre com nós há alguns anos, e a ideia de fazer um split surgiu de ambos. Nós estávamos querendo gravar algumas músicas e eles já tinham algumas músicas prontas já gravadas e resolvemos que iríamos lançar um disco junto. Essa conversa toda começou em 2009/2010.

CV: Como rolou o processo de gravação e como vocês divulgam este trabalho?
M: Cada banda correu de acordo com o tempo disponível pra fazê-lo. O Maguerbes estava numa situação onde a gente se encontrava em shows, não tínhamos muita rotina de ensaio. O Leonardo (antigo guitarrista) estava saindo da banda, mas quis gravar o disco até porque ele ajudou na composição das músicas. O Danado, que era o outro guita, assumiu quando o Léo saiu. Também gravou, mas também já havia escolhido o caminho que ele queria, então sobrou eu, o Tuti e o Haroldo para correr com mix, master, etc. Nessa época, a banda quase acabou e quase que esse split não sai, mas resolvemos fazer porque já havia muita gente envolvida nesse processo todo. Gravamos no mesmo estúdio onde foi feito o Modelo de Prova, com o Luis Gustavo Venturim, o famoso Granja, que é um cara que trabalhou com a gente e se identificou com nós, e vice-versa. A divulgação desse disco está sendo feita através da Internet, em sites como o Trama Virtual, estamos vendendo nos shows e mandando via Sedex para festivais e veículos de comunicação de todo Brasil.
Adams Fehlauer 55 11 71777710
CV: Ultimamente muitas bandas têm feito seus lançamentos em formato split. Existe algum motivo especifico para isso ou é apenas curtição?
M: Acredito que além da curtição de poder dividir um trabalho desses com alguma banda parceira, também fica mais viável na hora de pagar as contas (risos). Talvez role um saudosismo dos tempos áureos dos 80’.

CV: Quando eu era moleque, em meados dos anos 90, muitos caras seguiam para Americana para adquirir discos, principalmente de metal extremo pois havia uma loja especializada no assunto. Vocês também frequentavam essa loja? Quais são as principais influências da banda?
M: Opa! Claro que frequentávamos (risos), a Heavy Metal Rock. Era lei aos sábados de manhã ir a heavy encontrar os camaradas, comprar alguns discos, gravar fitas, etc. Era lá que se encontravam os metaleiros de Americana e região. Acho que as influências da banda, de tantas coisas que vimos e ouvimos, desde os primórdios, varia muito e vai muito além de bandas e estilos musicais, mas podemos dizer que se teve uma influência forte na sonoridade do Maguerbes, foi a cena roqueira alternativa que surgiu no começo dos anos 90, fim dos 80, com bandas como Faith No More, Sepultura, Slayer, Deftones, Helmet, RDP, Fudge Tunnel, rap nacional, rap gringo, etc.

CV: Quais os principais shows em que a banda se apresentou? Por quê?
M: Teve vários na verdade, difícil vai ser lembrar de todos, mas podemos destacar alguns que fizemos pelo sul, como em Guaramirim-SC, no saudoso Curupira, onde rolava o encontro da Cultura Underground, foi muito bom pela receptividade do povo roqueiro daquela região, principalmente porque foi a época que estávamos lançando o single Soco. Então fomos com um monte de CDs e camisetas e voltamos sem nada, isso foi importante para perceber que talvez não estávamos fazendo algo que agradava só a nós da banda ou aos amigos, mas também pessoas que nunca tínhamos visto na vida. Todos os shows que fizemos em Goiânia, tanto no Goiânia Noise, quanto no Bananada foram muito fodas porque aí já foi pra um público de mais de duas mil pessoas, onde até então isso para nós era um grande desafio! O role que fizemos pelo Mercosul foi importante também pelo fato de estarmos desbravando um território até então novo pra nós, outra língua, porém, mesma cultura. Posso destacar também o role pelo Brasil. Fizemos com o Dead Fish, no New Skate Tour, onde tocamos para um público muito grande, estrutura foda e cidades e estados que não havíamos ido. Nesse role percorremos o sul, sudeste, nordeste.

Adams Fehlauer 55 11 71777710
CV: E para este ano, quais são as metas?
M: Para este ano estamos trabalhando num disco novo que é bem provável que saia até o fim do ano. Estamos com nova formação e numa sintonia de ideias bem saudáveis e produtivas. E também tocar pelo Brasil para desovar esse split que estamos na mão.

CV: Agradeço pela atenção e deixo espaço para vocês. Valeu.
M: Nós que agradecemos a oportunidade e espaço desse zine que é foda e que acompanhamos há algum tempo. Parabéns pelo trabalho e continuem na batalha. Nossos canais de troca de ideias e comunicação em geral podem ser encontrados no Facebook, discografia para download no Trama Virtual, Fotolog, Youtube, Twitter, etc. É só digitar “maguerbes” no Google (risos).








segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Memória Punk: Pânico em SP


Documentário produzido no auge do punk no Brasil mostra como era o público e a ideologia de quem fazia parte deste movimento que foi um dos mais importantes na história da música mundial

 O documentário Pânico em SP mostra como era a cena punk no Brasil em seu auge, início dos anos 80, século XX. O Brasil vivia o final da ditadura militar e na periferia de São Paulo, jovens reclamavam sobre a repressão, falta de oportunidades, além de outros problemas vividos à época. O texto que vocês irão ler foi escrito por Claudio Morelli, free-lancer na área de comunicações, roteirista, diretor de fotografia e diretor de trabalhos institucionais.   
                Em 1982 eu cursava o 8º semestre do curso de Cinema na ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP). Era o último semestre e o grupo tinha direito a dois curtametragens em 35 mm. Ao mesmo tempo, eu tomava contato com o movimento punk através do Marião (Mario Dalcêndio Jr., amigo velho de guerra) que já estava vagando por aquelas searas. A empatia foi imediata e comecei a frequentar os ambientes dos punks (o salão no Pari, a Galeria do Rock, o Largo São Bento, etc).
                Devido a tudo isso propus um projeto de documentário ao grupo e ele foi aceito. Optamos pela bitola de 16 mm. Por questões de maior mobilidade e facilidade no manuseio. A ideia era documentar os espaços, a música, as opiniões, o comportamento, a vestimenta, tudo enfim; no entanto eu queria documentar de uma forma que eles mesmos se expressassem, sem interferência da produção. Nada de narrador descrevendo nada, e muito menos uma montagem que pudesse direcionar o espectador a uma opinião, fosse de simpatia ou antipatia. O filme seria como uma colagem, com cenas curtas, um ritmo frenético como a música punk.

 Mas, por que eu simpatizei com os punks logo de cara? Para começar, imediatamente percebi que aquela ideia de punks como vândalos destrutivos não correspondia à realidade. Eles tinham uma ideologia e motivos para a rebeldia.         
Estávamos nos estertores da ditadura militar e esses jovens da periferia testemunhavam a repressão aos trabalhadores, que lutavam por salários e, associados aos universitários e à intelectualidade, exigiam liberdade de opinião, de expressão e de manifestação. Além disso, esses mesmos jovens não viam no horizonte nenhuma possibilidade de ascensão social ou desenvolvimento pessoal e material.
                Daí a revolta. O símbolo e a ideia de Anarquia tomou conta desses grupos e nada de autoridades, nada de poder, nada de governo (que, obviamente, era o títere da repressão). Agruparam-se então em torno dessas ideias. Óbvio que havia os mais exaltados, que acabavam saindo da linha e cometendo pequenos delitos de violência. Por causa deles, todo o movimento punk era mal visto pela sociedade em geral e, principalmente, pelos encastelados com seus cães-de-guarda.
                Mas essa não era a regra. Os punks eram pacíficos, quando muito armavam confusões entre eles mesmos, entre os diversos grupos que compunham o movimento (Carolina, ABC, etc.). Não saíam por aí depredando mansões ou queimando BMW.      

Quanto a drogas, poucos usavam e a mais consumida era cola de sapateiro. Bebiam pinga com groselha. A rebeldia estava nos trajes (pretos, quase sempre), jaqueta de couro paramentadas com adereços característicos de peças de montaria, calça de brim, e, principalmente o coturno. Acho que o coturno era uma forma de se opor à repressão, tomando delas um de seus símbolos. As meninas (que não eram muitas, é verdade) se vestiam praticamente da mesma maneira.
                O alemão era uma exceção; vestia-se sempre com roupas de cores berrantes, com adereços estranhos. Era comum o símbolo da Anarquia ser desenhado nas costas. Às vezes podia-se encontrar uma ou outra suástica, mas tenho certeza que era apenas para chocar as pessoas. É verdade que na época já existiam os skinheads, com suas idiotices repugnantes, que se trajavam como os punks. Também por isso os punks eram associados ao vandalismo, graças aos skins.

Mas, a coisa que mais me atraía mesmo era a música. A proposta era genial. Na época não havia nada de importante no rock. Tudo tinha virado balada, disco ou então egressos do heavy metal do início da década de 1970 com seus virtuosismos, trajes glamorosos e alienação ideológica. A solução punk para isso foi bem simples: faça você mesmo sua música, basta aprender três acordes, ninguém precisa mais que isso. Uma boa distorção na guitarra, bateria frenética e, principalmente, letras que expressem o que você vive, sua revolta, sua indignação, seu "no future".
Essa música levava à dança. Uma dança que exorcizava os desejos, uma dança que representava uma luta, com empurrões e chutes cadenciados. Resumindo, tudo isso me encantou, e eu, junto com o Marião, me juntei a eles, começamos a fazer parte deles. Nós frequentavamos o Largo São Bento nos fins-de-semana, ia aos salões e tudo mais.
           Foi essa identificação resultou no filme Pânico em SP, cujo nome vem de uma música dos Inocentes. E o filme tentou ser tão punk quanto eles e nós. Para saber mais, assista ao filme. De vez em quando ele roda por aí.

Todas as fotos são do Arquivo Pessoal de Cláudio Morelli

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

NoctVillains - Friends and Wines


Produção Independente
A banda paulistana NoctVillains lançou seu EP "Friends and Wines". O CD tem seis músicas com uma sonoridade que passeia entre os anos 80 e 90 do século passado.
E o destaque deste lançamento é, sem dúvida, a faixa de abertura "Sorry". Com uma entrada de violão simples mas muito marcante e a voz de Roxy Perrota é algo muito agradável de se ouvir, ela não soa grave como a maior parte das cantoras de MPB, mas também não é aquela voz fraca que cantoras pop insistem em fazer. A de Roxy, é a voz feminina que encaixa perfeitamente ao que a música pede.
A primeira faixa termina e logo vem a segunda que é outro grande potencial a hit, "Dangerous Day". Música que mescla o melhor do pop com o rock alternativo. Após, mais quatro faixas, todas com destaque especiale ritmos e instrumentos diferentes, com participação de vários amigos da banda durante as canções.
O EP foi todo gravado de maneira independente, mas nem por isso pense que a gravação é tosca. Muito pelo contrário, a gravação é algo totalmente profissional. Com instrumentos e vozes bem claros e limpos, é possível ouvir todos os músicos de maneira limpa, inclusive às vozes sobrepostas que dão um toque especial a cada faixa.
Se você se interessar, procure ouvir este EP que faz parte da 'Promoção do Capeta" do programa A HORA DO CANIBAL em parceria com o fanzine/blog Canibal Vegetariano. Se você curtir o som, saiba como participar e um CD pode ser seu.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Promoção do 'Capeta' no Canibal Vegetariano

Canibal Vegetariano
O Fanzine/Blog Canibal Vegetariano convida todos seus leitores e também ouvintes do programa A HORA DO CANIBAL para participar desta verdadeira promoção do Capeta, homenagem ao carnaval brasileiro, que começa a valer "agora" e prossegue até 29 de fevereiro. Não é zueira, neste ano teremos esse dia.
Na promoção do Capeta, o leitor/ouvinte pode enviar quantos e-mails quiser e escrever "porque a promoção tem este nome?". As repostas mais criativas ganham CD's e camisetas. Serão sorteadas duas camisetas da banda paulistana NoctVillains. Devido ao formato, as camisetas serão sorteadas somente para ouvintes/leitores do sexo feminino.

Canibal Vegetariano

Os CDs serão entregues para as pessoas que se interessarem pelas "bolachas". Serão sorteadas os discos: um CD da banda mineira Aterro. Esse CD é recomendado para pessoas que gostam de thrash metal e hardcore. Além do Aterro, os ouvintes/leitores podem ganhar dois CDs da banda paulistana NoctVillains. Projeto paralelo de Vagner Sousa, baixista da banda The Concept. Neste disco, a banda flerta com sons dos anos 1980 com bandas do século 21. Também serão sorteados três CDs da coletânea Rock São Paulo vol.4. O disco tem bandas de vários estilos, entre as bandas neste registro estão Dance of Days, Elevadores e NoctVillains.

  É isso aí, serão entregues seis CDs e duas camisetas. Para participar basta enviar e-mails para nkrock@hotmail.com. Moradores de Itatiba receberão o prêmio em local a combinar. Quem for de outras localidades, recebe o brinde em casa.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Les Fleurs: uma viagem sem limite

Canibal Vegetariano
André
A banda itatibense Les Fleurs, antes chamada Les Fleurs du Mal, volta às atividades depois de um hiato de cinco anos, devido, principalmente, ao rolê que um dos membros originais, André Fujiwara, deu pelo lado oriental do planeta.
E as mudanças da banda não param apenas no nome, elas também ocorrem na formação, repertório e decisões polêmicas, uma delas a troca de músicos humanos por computadores e programas pré-programados. Para saber mais sobre o retorno e todas as mudanças, o cara chato que sempre escreve no fanzine/blog Canibal Vegetariano, foi conferir um ensaio da banda e entre uma cerveja e outra, trocou uma ideia com os membros atuais: André Fujiwara, guitarra, backing vocals, Reginaldo Maciel, vocais, guitarra, violão, Richard Kraus, teclado e Daiane Zep, vocais, backing vocals.

Canibal Vegetariano
Reginaldo e Daiane
A primeira pergunta durante o bate papo foi; por que vocês optaram por se apresentar sem baixista e baterista? "Cara, desde o início, tivemos vários problemas com bateristas, nunca pelo lado pessoal, mas sim musical, nossas ideias não batiam, estávamos muito além do que muita gente toca, pois fazemos uma salada musical e temos muitas influências distintas", disse Reginaldo Maciel.
André também comentou sobre as mudanças. "Aqui no Brasil é difícil encontrar músicos que topam tocar junto com algo programado. Pelo atual momento da banda, teríamos fácil, umas dez pessoas tocando juntas, mas sabemos que isso é inviável por várias razões e aproveitamos para trabalhar mais com a tecnologia", comentou.

Canibal Vegetariano
Richard
REPERTÓRIO/ A banda atualmente deixou um pouco de lado o as composições próprias e no retorno eles apostam em versões para músicas obscuras da cultura pop e também hits conhecidos das várias fases do rock'n'roll. "Nossa viagem musical ocorre de New Order a Kinks, do início do rock nos anos 50 a bandas do século 21. Misturamos tudo devido ao gosto de cada um. Estamos curtindo muito esse momento", comentou Richard.
                Sobre a entrada de uma mulher na banda, os três disseram que isso era algo que eles pensavam há tempos. "Sempre gostamos de experimentar, de não limitar nossas ideias, e sempre tivemos bem claro que seria muito legal ter um vocal feminino e isso está rolando atualmente, o que nos deixa ainda mais a fim de nos apresentarmos", afirmaram.
              
Canibal Vegetariano
A banda
Para quem pensa que a banda toca somente cover pode esquecer. Em pouco mais de sete anos de banda, com intervalo, já dito, de cinco anos, eles lançaram um EP "Rock'n'roll french bitch" e um álbum "Dancing on the bottle neck". "Fizemos pouquissimas cópias, mas registramos dois CD's com músicas próprias e ainda temos um pronto, ainda não lançado. Ele é um projeto que fizemos com Mateus Machado, poeta, em que musicamos vários poemas de seu livro 'Pandora's Pussy'", declarou André. "Atualmente deixamos essas músicas de lado para nos dedicarmos as versões, pois queiram ou não, é mais fácil para descolar shows em bares, mas não abandonamos as composições, tanto que na apresentação do dia 11, vamos apresentar uma canção inédita", encerrou André.
                A banda Les Fleurs faz sua primeira apresentação após retorno no próximo dia 11, em Itatiba. O local será o bar Ponto Alto, no bairro Cruzeiro a partir das 22h.


sábado, 28 de janeiro de 2012

Noite de muito rock em Campinas


Quem gosta de ouvir boas bandas de rock não pode perder a oportunidade de curtir uma noite de muito rock, punk rock que será realizada no Bar do Zé em Campinas. A banda paraense Machete apresenta-se hoje no recinto ao lado dos campineiros do Aquëles. Para saber mais sobre as bandas, divulgamos algumas informações sobre elas.


MACHETE

 "Machete é um projeto de 4 amigos desajustados que vem se arrastando desde 2007,  mas que por vários motivos nunca se concretizava. Até que por fim, no início de 2010, influenciados por bandas punk/hardcore, garage, e pitadas de surf music, a banda passa a existir. A banda nativa de Belém do Pará é formada por Wood Mutran (bateria), Felipe Carmo (vocal), Robson Siqueira (guitarra) e Edwin (baixo) - todos os integrantes seguem a filosofia straight edge (livres de drogas)."

AQUëLES!

"Tudo começou quando já não havia mais o que começar. Quando aqueles três raparigos de Campinas, conhecidos de longa data, resolveram juntar aqueles seus velhos instrumentos surrados para fazer aquele bom e velho rock’n’roll..." A banda AQUëLES! de Campinas/SP existe a cerca de um ano e é formada por José Felipe (bateria), Eduardo Machado (Guitarra e voz) e Héctor "Zazá" Vega (baixo). Os rapazes bebem da mesma fonte de bandas como Leptospirose, Merda, Estudantes, Muzzarelas... 

Link: http://tramavirtual.uol.com.br/aquelesrock

Machete - Tour pelo sudeste:

Hoje a banda se apresenta em Campinas. A banda que se desponta como revelação no cenário independente nacional vem para o sudeste para apenas duas apresentações, uma em Campinas/SP (no lendário Bar do Zé em Barão Geraldo) e outra em São Paulo/SP dia 29/01 (domingo) no já tradicional festival "Verdurada".

Em Campinas eles apresentam ao lado da banda local "AQUëLES" que também tem sido destaque no circuito independente paulista. O show comemora o lançamente do CD split "Seven Steps To Hell" lançado pelas duas bandas no final do ano passado via "Velho Rabugento" distribuidora/zine independente de Pernambuco.

Já na "Verdurada" a banda se apresenta ao ladado de grandes nomes como "O Inimigo" (banda formada por integrantes e ex integrantes de bandas como Ratos de Porão e CPM 22) e Questions. 

A turnê da banda pelo sudesde já teve grande repercussão em diversas midias como a Tv Cultura local de Belém, o jornal Diário do Pará, o site Trama Virtual de propriedade de João Marcello Bôscoli e o site Zona Punk.

Links:

Trama Virtual: http://tramavirtual.uol.com.br/noticia/2012/01/machete-em-sao-paulo
Café in Sônia: http://cafeinsoniafilmes.wordpress.com/2012/01/06/machete-tour
Zona Punk: http://zp.blog.br/?m=news&id=17699
AcheBelem: http://www.achebelem.com.br/shows/os-paraenses-do-machete-fazem-tour-por-sp-despedida-e-dia-21-na-veg-casa
Durango95: http://durango95.com.br/2012/01/23/machete-leva-vibracoes-tupinambalescas-para-sao-paulo
Diário do Pará: http://ee.diariodopara.com.br

Serviço Bar do Zé:

AQUëLES! - http://tramavirtual.uol.com.br/aquelesrock
MACHETE (Belém) - http://tramavirtual.uol.com.br/machete

Data: 28/01/2012 - Sábado
Entrada: 8 reais até as 22h - 10 reais após as 22h

Local: O Bar do Zé - Av. Albino J. B. de Oliveira, 1325, Barão Geraldo, Campinas/SP

domingo, 15 de janeiro de 2012

Surf na cidade de concreto


A banda Drakula formou um triângulo amoroso entre surf music, punk e garage rock, que executado por quatro caras de Campinas que usam máscaras de "luchadores", além de caveiras espalhadas pelo palco, resulta em um som autêntico e de muita energia.

E toda a autenticidade pode ser conferida no EP Vilipêndio a Cadáver que os caras lançaram em dezembro durante o Auto Rock Campinas. Neste EP, com quatro músicas e lançado em vinil, e nas primeiras cem cópias o disco briha no escuro, as canções flertam muito bem com os três estilos descritos acima.

Com boa pegada de bateria, duelos de guitarra e uma presença de baixo marcante, o disco tem uma qualidade de gravação excepcional. Todos os instrumentos são totalmente audíveis e a qualidade, só para variar, supera muito CD lançado por aí.

No lado A, estão "we want to set your ass on fire" e "satan girl" em que a mistura entre punk rock e surf music ficam muito evidentes. Elas são duas canções que farão os fãs mais exaltados mexer os esqueletos quando a ouvirem. 

No lado B, os três estilos ficam bem evidentes nas duas faixas, "cidade assassina", está com letra em português, e "i wanna be an aussie homeless" músicas perfeitas para rodas de pogo, bate-cabeça ou simplesmente sair no agito pelo salão.

E além de toda boa música, não podemos deixar de citar o belo trabalho gráfico deste disco. Com desenhos de Daniel ETE na capa e contra capa, o disco também tem artes de outros dois artistas. Michel Munhoz foi autor da arte do selo do EP no lado A e Victor Stephan, vocalista da banda carioca Os Estudantes, foi o responsável pela arte do selo no lado B. Para entender tudo o que foi escrito, se ainda não ouviu, corra e ouça este trabalho de uma das bandas mais interessantes que surgiu nos últimos tempos no cenário nacional.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Balanço Musical 2011: com as letras, mestre Quique Brown

Por Quique Brown


Publicado originalmente no Espaço Edith Cultura: http://espacoedithcultura.blogspot.com/

Canibal Vegetariano
Galera curte show no Cardápio
Como já vem acontecendo há uns bons anos, é hora de fazer o balanço final das atividades musicais de 2011. Diferente do que fiz nos anos anteriores, neste, vou trabalhar com três categorias aparentemente distintas (Edith Cultura, Escola Jardim Elétrico e Leptospirose) que, em menos de um minuto de conversa, juntam-se de forma extrema. Boa parte das bandas que vieram pra cá foram graças a contatos do Leptospirose que, por sua vez, trabalha dentro da escola de Música Jardim Elétrico – que, na maioria das vezes, emprestou seu som de graça pras bandas tocarem, bancou os pôsters e botou as bandas para dormir em uma de duas salas. Já o Edith fez toda a parte de divulgação, assessoria e cobertura dos eventos.

Canibal Vegetariano
Uma das atrações gringas: Guachass
Pelas mãos do Edith Cultura, em parceria com a Escola de Música Jardim Elétrico, Bragança Paulista recebeu em 2011: 29 eventos musicais, em 10 pontos (públicos e privados) da cidade, envolvendo 55 bandas diferentes, vindas de 23 cidades brasileiras, 10 estados e 3 países (sem contar o Brasil). O principal estilo musical envolvido nestes eventos foi o rock, em suas mais variadas vertentes, porém, também tivemos eventos com jazz, blues e MPB. Artistas de Bragança se apresentaram em quase todas as ocasiões tanto como banda de abertura quanto como atração principal. A cidade que mais mandou artistas pra cá em 2011 foi a capital pernambucana Recife - com cinco bandas - dos mais variados estilos. 

Os artistas internacionais que recebemos em nossa cidade este ano vieram do País Basco, dos Estados Unidos e do Uruguai, sendo que recebemos artistas dos EUA em três ocasiões diferentes. Toda a turnê brasileira da banda uruguaia Guachass -  com nove shows em 12 dias - foi organizada pelo Edith Cultura, em parceria com a Escola de Música Jardim Elétrico. Dos 29 eventos que aconteceram em Bragança este ano, 15 foram no Taberna Dharma Rock Bar, onde vemos o quão importante é este espaço para a cena de música autoral da cidade. Todos os eventos juntos receberam a presença de cerca de 3.500 pessoas, sendo que em algumas ocasiões as bandas tocaram para 10 pessoas e em outras para 400. 

Canibal Vegetariano
Alegria e rock: Cardápio Underground
No âmbito escolar, a Escola de Música Jardim Elétrico, participou da produção de sete eventos, em cinco lugares diferentes, com a presença de mais de 100 conjuntos escolares e produziu dois cds; coletânea de bandas da Viverde volume 1 e o 1° EP dos Irritantes. Dos 07 eventos produzidos pelo Jardim Elétrico, dois foram realizados com alunos da Escola Viverde, dois com alunos do Colégio Az Billingue e três com alunos da Escola Jardim Elétrico. 

Canibal Vegetariano
Quique refresca-se no Cardápio
O Leptospirose, banda da qual eu faço parte cantando e tocando guitarra, se apresentou 31 vezes em 16 cidades diferentes e sete estados. Seu 4° álbum - Aqua Mad Max - foi lançado em CD por oito gravadoras independentes de todo o Brasil e em LP pela Läjä Records. Durante o ano, o grupo lançou três vídeos, apareceu duas vezes (em ocasiões diferentes) na TV Cultura - em menos de um mês, gravou um ensaio de quase duas horas para a TV Trama e entrou numa parceria monstruosa com a marca de roupas do mal Weird Company.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Peso, fúria e rock'n'roll: Guachass

Canibal Vegetariano
Guachass em Bragança Paulista
Há sete anos na estrada, a banda uruguaia Guachass fez uma passagem pelo Brasil entre outubro e novembro deste ano, por vários estados brasileiros, com parte deles em nosso estado, com shows em Campinas, Bragança Paulista, Valinhos e São Paulo. Nós aproveitamos a oportunidade e conversamos com a guitarrista Mariana Gascue para saber um pouco mais da história da banda

Canibal Vegetariano: Fale sobre a história da banda. Como e onde começou? Vocês estão juntos desde o início? Quais são as influências?
Mariana Gascue: Então, Guachass começou em 2004,  com Camila (vocal) e Florencia (baixo). Elas já tocavam juntas e queriam formar outra banda. Fui convidada para entrar,  e nós chamamos Martin (ex-baterista). Após a saída Martin, entrou Fede na bateria e logo Florencia se foi e convocamos Nico para tocar o baixo. Isso é bem resumido, pois a história é muito longa! E nossas influências são rock clássico como Black Sabbath, Pappo, The Rolling Stones, Motorhead, Blue Cheer, entre outras.

CV: Como que vocês vieram para o Brasil. De quem partiu o convite?
MG: Há alguns anos conhecemos Quique Brown (guitarrista e vocalista da banda Leptospirose) que tornou-se um grande amigo das Guachass; Tocamos com eles aqui em Montevideo e depois disso mantivemos contato. E devido ao fato dele curtir nosso som, acertou algumas datas para que nos apresentassemos no Brasil. Foi muito legal Quique!

Canibal Vegetariano
Galera curtiu muito com os uruguaios em Bragança
CV: O que vocês acharam de tocar no Brasil? Teve algum show especial? E as bandas locais com as quais tocaram, alguma marcou vocês?
MG: Os shows no Brasil foram muito bons, as pessoas são amorosas, gostamos muito de tocar com todas as bandas como Hellsakura, Leptospirose, Camarones Orquesta Guitarristica, Hellbenders. Há bandas incríveis no Brasil.

CV: Vocês já tocaram em outro país? 
MG: Sim, em 2010 viajamos por alguns países europeus. Fizemos uma tour de cerca de um mês e meio e tocamos na França, Austria, Alemanha, Suíça e Bélgica. Foi uma experiência única, muito legal, gostamos muito dessa viagem e pretendemos voltar em 2012.

Canibal Vegetariano
O mais novo integrante
CV: Como é o processo de composição da banda?
MG: Geralmente a partir de um riff. Depois do riff todos trabalham nas canções.

CV: Quantos álbuns vocês lançaram?
MG: Até o momento apenas o Guachass, mas estamos para gravar o segundo muito em breve.

CV: Quais os planos para 2012?
MG: Como disse anteriormente, gravar o segundo álbum, com canções em espanhol. Quem sabe mais uma tour pela Europa. Temos muitas expectativas e muitas ganas!






'It's only rock'n'roll'

Essa frase dos Rolling Stones define muito bem o som feito por duas moças e dois rapazes uruguaios que tocam na Guachass. O primeiro e, até o momento, único álbum dessa banda é difícil para comentar sem parecer puxação de saco, pois o disco é rock do início ao fim e ouço praticamente todos os dias desde que adquiri meu CD.
Logo na abertura, o riff de guitarra de Mariana mostra toda a influência do Motorhead, assim como em outras músicas, espetacular. Às vezes, você pode pensar que a banda é apenas uma cópia, mas muito longe disso, elas misturam tudo no liquidificador e aproveitam o que suas bandas preferidas fazem e criam um som poderoso, autoral e característico que bota a galera para abrir rodas, pogar e balançar a cabeleira do início ao fim.
Além das boas canções do álbum, ele tem um trabalho gráfico muito bem elaborado e a gravação foi muito bem feita, o ouvinte consegue sentir a emoção de cada nota executada, nenhum instrumento "atropela" o outro. Para resumir, discaço de rock, altamente recomendável aos apreciadores do estilo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Para ler e refletir: 'Não devemos nada a você'


Coletânea de entrevistas Punk Planet - Daniel Sinker - Editora Ideal Records - 304 páginas

Se você tem problemas com pessoas de religião, modo de vestir, opção sexual e educação diferente da sua, tome cuidado antes de ler "Não devemos nada a você: Coletânea de entrevistas da revista Punk Planet". O cuidado deve-se ao conteúdo de opiniões de diversas pessoas de várias áreas, seja do punk, hardcore, ativistas políticos e donos de selos musicais. Sem papas na língua, os entrevistados não fogem das perguntas e esclarecem detalhamente seus pontos de vista sobre diversos assuntos.
O livro aborda o punk rock de outros pontos de vista que vão além das jaquetas de couro e cabelos moicanos. Uma visão de mundo e de sociedade muito além de nosso tempo. Entre os entrevistados estão Ian MacKaye (Minor Threath, Dischord, Embrace, Fugazi), toda a galera da banda Black Flag, Thurston Moore (Sonic Youth), Jello Biafra (Dead Kennedys), Kathleen Hanna (Bikini Kill), entre outros.
E o interessante é que as entrevistas não são apenas aquelas chatices sempre com as mesmas perguntas. As entrevistas na verdade são bate papos que abordam bandas, músicas, política, religião, guerras, ativismo político. Para quem tem interesse em saber mais sobre o underground e sobre a música independente feita nos últimos 10 anos, "Não devemos nada a você" é uma leitura essencial, agora, se você pensa que é dono da verdade, talvez o livro cause alguma repulsa, pois opiniões fortes e polêmicas é o que mais se encontra entre as páginas e os entrevistados em alguns momentos, parecem que discutem com o entrevistador.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Caveiras, máscaras, novo disco, tênis bonitos e punk rock


Canibal Vegetariano
Uma noite de punk rock
Acompanhar um show do Drákula é sempre um evento em que a pessoa pode esperar algo surpreendente a qualquer momento. E a apresentação dos caras na penúltima noite do Auto Rock Campinas 2011, no Bar do Zé, foi mais um show marcante e para mim o melhor que acompanhei dos caras. Na passagem de som deu para sacar que os caras estavam empolgados e que a noite prometia.

Além de ser apenas mais um show em um festival de 10 dias, o show do Drákula era o primeiro depois do lançamento do EP em 7 polegadas (vinil) "Vilipêndio à Cadáver", em breve mais comentários deste disco no blog. Com novas músicas, os caras abriram a noite que ainda teria a apresentação do australiano/porto alegrense Simon Chainsaw.
Canibal  Vegetariano
E o Drákula foi para galera
A noite começou muito bem e o Drákula mandou várias músicas que botaram a galera para agitar e abrir boas rodas de pogo. Entre os destaques, Gorila Perez, Trash Can, Caveira Maldita entre outras boas músicas. Com muitas caveiras e um megafone, a banda "botou fogo" no palco e a galera agitou ainda mais.
Já ao final do show, o baixista Daniel ETE e o guitarrista Renan Fattori desceram do palco e foram, com seus instrumentos, agitar com a galera que estava insandecida. Entre as máscaras de "luchadores", tênis bonitos, caveiras, boas músicas, o Drákula fez uma de suas apresentações mais punks de todos os tempos, um show para ficar guardado na memória.
         
Canibal Vegetariano
"...caveira maldita, caveira rock'n'roll..."
Depois de uma exibição como a do Drákula, seria difícil para uma banda subir ao palco, mas Simon Chainsaw soube, com muita competência, manter a empolgação da galera que agitou bastante e cantou em coro com o cantor australiano que há algum tempo mora no Brasil. Entre um português ainda arrastado e boas canções, Simon fez uma grande apresentação e fechou com chave de ouro a penúltima noite do Auto Rock 2011.
Infelizmente devido a falta de bateria, não conseguimos registrar fotos da apresentação de Simon Chainsaw. 


domingo, 4 de dezembro de 2011

Uma noite de rock'n'roll e chuva


Canibal Vegetariano
Get Crazy abriu a noite rock no BDZ
 O Auto Rock Campinas começou no dia 1 deste mês e rola até domingo com diversos eventos em vários pontos da cidade. A abertura rolou na loja de nosso camarada Claudio, Disorder, onde está a exposição de camisetas e no dia da abertura teve um som da banda de surf music The Violentures. Entre as atrações e as chuvas que castigaram várias cidades da região, tudo rolou de boa na primeira noite do evento.
Assim que o show da Violentures foi encerrado na Disorder, o público correu para o Bar do Zé onde a abertura deste festival seria prolongada. E para animar a noite da juventude, estavam programadas duas bandas, Get Crazy, de Campinas, e Merda, do Espírito Santo. O show de abertura ficou a cargo dos campineiros e como sempre eles mandaram muito bem.
A banda é formada por ex-integrantes da banda Lunettes, Claudio (bateria), Juju (baixo) e Giovana (vocal) mais o guitarrista Beso da Alcoois, fez uma grande apresentação e botou muita gente que acompanhava o show para dançar.

Canibal Vegetariano
Mozine e Japa durante show do Merda
Após o bom show dos campineiros, o público pode acompanhar a apresentação dos capixabas do Merda. Com Mozine, vocais e guitarra, e Rogério Japa, baixo vocais, a banda estava desfalcada de seu baterista titular Paulista que foi substituído por Alex, editor da revista Prego, mas a animação e a pegada do som continuou a mesma.
O show era muito aguardado e assim que Mozine tocou os primeiros acordes em sua guitarra, o público que estava no bar tomou conta da pista de dança e acompanhou empolgado a apresentação do power trio. Entre pedidos de uma música e outra a Merda mandou ver em seu hardcore e sem dúvida, o ponto alto foi o momento em que eles tocaram o hit do ano, como disse Daniel ETE, organizador do evento, Maradona. Música  que como outras fez a galera agitar.
E como tudo na vida, o que é bom às vezes dura pouco, o show do Merda passou rápido. Quando Mozine disse que havia encerrado, o público exigiu mais algumas canções e foi atendido. Ao final, Mozine disse que como eles eram do Espírito Santo, a missão deles seria divulgar a música de sua terra e eles fecharam com um dos maiores clássicos de Roberto Carlos, o "rei". Para fechar com chave de ouro eles executaram, ao estilo Merda, a música "Quando". Algo que ao mesmo tempo surpreendeu muitos, também fez muita gente cantar junto. Um show sensacional!