Os portugueses da Dirty Coal Train estiveram em turnê pelo Brasil. Foto: Divulgação
Em meio a uma turnê nacional, os portugueses do The Dirty
Coal Train, bateram um papo muito massa com o pessoal do RaroZine que nós
publicamos agora no Canibal Vegetariano.
Quando surgiu o
grupo?
Os The Dirty Coal Train surgiram em meados de 2010 com
formações variáveis e nos estabilizamos no formato trio com baterista
convidado.
Quando começaram as
primeiras canções?
A primeira demo foi gravada ainda em 2010 apenas com
esqueletos de canções que oscilavam entre o pós-punk experimental e o garage-punk,
acabando a estética da banda por se aproximar desse segundo gênero.
Recentemente vocês
lançaram ‘Super Scum”. Como foi trabalhar nesse disco?
O álbum resultou do trabalho de algumas demos minhas [Ricardo]
juntamente com alguns temas novos da Beatriz. Alguns dos temas foram
trabalhados com o Carlos [dos Twist Connection e ex-Tedio Boys] outros a
instrumentação foi toda gravada por mim e pela Bea.
Existe alguma
diferença do novo álbum para os anteriores?
Muita. Para além de voltar a marcar o regresso ao estúdio
depois de alguns registos mais lo-fi marca os primeiros em estúdio gravados
completamente pelo duo.
Como surgiu a
gravação no Estúdio Caffeine?
Conhecíamos o Luís pelos Human Trash e quando o Marky
Wildstone sugeriu gravarmos no Caffeine foi com entusiasmo que aceitamos por
acreditarmos que haveria sensibilidade e pontos comuns nos gostos de todos.
Quem cria as capas
dos discos?
Até ao momento tivemos capas da autoria da Beatriz, do
Ricardo Reis, do Edgar Raposo e da Catarina Romão. Por vezes trabalhamos a
ideia base com o artista por vezes deixamos o critério em aberto, não há
formula rígida nisso.
Todos os materiais da
banda foram editados em vinil?
Sim. Tirando a primeiro demo, o resto saiu tudo em vinil.
Falem sobre os vídeos
da banda.
Fazemos vídeos do mesmo modo que fazemos música: muito amor
à estética lo-fi e ao DIY e com os meios que tivermos à mão espreitem por
exemplo os vídeos para os temas Malasuerte, Violet black, Ramblin heart, 4
Psalms e Stay hungry. Recentemente tivemos ajuda da Francisca Marvão que filmou
um concerto para o vídeo do tema Man in the black leather e da Riviera Videos
para o Banzai Karaoke Attack.
Quais os selos que lançam
o material da banda?
Até agora para além de edições de autor fomos editados pela
Garagem Records, a Groovie Records e a Wildstone. Todas editoras que vale a
pena investigar.
Qual é a relação de vocês
com a música brasileira?
Relação de consumidores. Desde Ratos de Porão, Cólera,
Mutantes, Tom Zé,… eu sei lá… sempre ouvimos bastante música brasileira.
O que motivou vocês a
voltarem ao país para outra turnê? E o que vocês esperam desta nova passagem
por aqui?
Foi criada uma parceria com a Wildstone e a proposta avançou
por aí. Hoje é mais uma amizade que uma parceria. Esperamos nesta nova tour,
acima de tudo, rever amizades e fazer algumas novas.
O que vocês planejam
para o futuro?
Depois de acabar esta tour no Brasil temos agenda com datas
em Espanha, Portugal e UK até final do ano. Depois disso vamos esperar para ver,
mas ainda temos mais uns álbuns na gaveta e energia para umas tantas tours
mais! Não nos imaginamos sem fazer isso sem dar em malucos!
Quatro veteranos do rock se reuniram para fazer um som e a
partir daí surgiu a banda Impatients. Com mistura de rock com punk, os caras
fazem um som direto, sem espaço para frivolidade. Recentemente, lançaram o
primeiro álbum e com isso aproveitamos a deixa para bater um papo com Rodrigo
Federman, o Abreu (guitarra e voz), que com Bernardo (guitarra e voz), Dumbo
(baixo) e Marcelinho (bateria), soltaram um bom disco de rock, para todos os
momentos. Abaixo, segue entrevista na íntegra.
Canibal Vegetariano: Como
foi a ideia de montar a Impatients e o nome tem alguma influência de Impatient
Youth?
Rodrigo Ferdeman:
Bicho, particularmente gosto muito de [Impatient] Youth, mas não teve qualquer
relação. Na verdade, discutíamos diariamente e nunca chegávamos em um consenso
sobre o nome da banda, saca? Até que um dia a gente levantou as principais
características de cada um... curiosamente, todos colocaram ‘impacientes,
ranzinzas, chatos e reclamões’. Aí, achamos engraçado e muito a ver com a
gente. Apenas demos umas ‘estrangeirizada’, por mais que não seja de fácil e
simples assimilação fonética hehehe.
CV: Com a citação de
Impatient Youth, quais bandas que influenciaram este novo trabalho?
RF: Legal que
todos temos gostos parecidos, mas cada um dos quatro com uma particularidade.
Uns gostam de metal, outros de pop rock, hard rock, folk, punk rock mais cru. Cito
algumas que influenciam bastante o que fazemos: Ramones [sempre], Screeching
Weasel, Masked Intruder, Teenage Bottlerocket, Green Day, Face to Face, e por
aí vai.
CV: Como foi o
processo de gravação do primeiro disco?
RF: Gravamos tudo
aqui em Vitória e a mix e master com o Gabriel Zander lá no Rio de Janeiro.
Como não estávamos com a banda completa até então, o Bernardo também gravou os
baixos do disco. Ao todo, se não fosse a nossa própria enrolação, teria saído
ainda mais rápido do que foi. Mas nada a reclamar, pois em uns sete ou oito
ensaios chegamos com nove das 11 músicas prontas. As duas que faltaram foi na
raça, no olhar e na sede de gravar logo mesmo. Tanto que foi preciso refazê-las
um dia depois (risos).
CV: As letras têm
muito conteúdo de relacionamentos entre casais. Elas são apenas ficção ou rolou
algum problema com quem escreveu?
RF: As letras são
pessoais, mas não necessariamente relacionadas a algo que aconteceu
especificamente com um de nós, saca? Na verdade, são situações que geralmente
todo mundo passa uma vez na vida. Ou seja, tem coisas que aconteceram e um
pouco de ficção sim. Até porque, hoje na banda são três casados e um
divorciado. Dois têm filhos... isso sem contar que estamos beirando lá os 40
anos [pelo menos dois de nós]... isso é experiências de vida e já foram muitas.
Algumas vão para o papel. Outras, não.
CV: Como vocês
definem a temática?
RF: A temática é
ser livre. Falamos de amor, amizades, de quando éramos mais jovens, das
diferenças daquela época para a atual, de complicações na vida e decisões que
estão relacionadas a elas e tal. Enfim, todos na banda tem liberdade para
colocar o que quiser no papel, desde que, é claro, não tenha qualquer teor
preconceituoso [credo, raça, religião, opção sexual, etc.]
CV: E quais os planos
para divulgação do disco?
RF: Então,
lançamos no início desse ano em todas as mídias e lojas virtuais, seja para
download, compras ou streaming. Tocamos duas vezes ao vivo e estamos buscando
novas praças e shows. Queremos tocar. É o que fazemos há anos [com nossas
outras bandas] e o que gostamos. Portanto, ouçam nosso som, comprem nossos
materiais e nos chamem para tocar [risos].
CV: Espaço destinado
para vocês citarem algo que consideram importante e não foi perguntado.
RF: Ivan, valeu
mesmo por toda a força que está nos dando. Muito legal e importante. Somos
gratos e esperamos que todos que leram esse nosso bate papo se interessem em
conhecer o Impatients.
Só acessar nosso FB [facebook.com/impatientsoficial] que lá
tem informações, fotos, novidades e os links para compras e downloads do nosso
disco em todas as plataformas possíveis.
Jovens sedentos de rock se preparam para turnê de lançamento do segundo álbum da banda. Fotos: Divulgação
O quarteto campineiro Don Ramón formado pelos amigos Artie
Oliveira (vocal), Lizard (guitarras), Aquaman (baixo) e Bonifácio (bateria),
lançou há uma semana seu segundo álbum 21st Century Reckoning Day. Logo que foi
lançado, o Canibal Vegetariano fez resenha do novo registro dos caras e agora
conversamos com Artie para saber mais sobre este trabalho que promete muito. Abaixo,
entrevista na íntegra.
Canibal Vegetariano: Don
Ramón está com novo baterista e novo disco. Ele tem participação nas gravações?
Como foi a escolha deste novo integrante?
Artie Oliveira: Temos um ‘novo velho’ baterista na real,
saca? O Bruno já tocava com a gente desde 2013 toda vez que o Jão se machucava.
Aquela bateria de It’s a Fracture, por sinal, foi ele quem fez. Pro Reckoning
Day, quem completou as baterias foi o Marcel Lobizomi, do Muzzarelas e
LaBataria. Quanto ao lance de escolha...
Bicho... É bem mais esquema passar a bola pra bico que já conhece o nosso som e
eventualmente tocou junto do que abrir teste e ficar mó cota pra escolher
alguém.
CV: O novo registro
está mais “sujo” e agressivo em comparação com o primeiro álbum. Essa mudança
foi proposital? O que influenciou vocês a mudar?
AO: Eu diria que foi mais natural. A gente já tem essa
parada de falar sobre frustração nas letras, daí junta que os meninos tão
tocando bem melhor e eu passei a ter controle maior sobre minha voz [mesmo sem
saber um puto de técnica vocal na teoria]. Nessa, é batata fazer uma parada
mais bem ‘trampada’.
CV: Além da música de
vocês, o que impressiona é a qualidade da gravação. Quem trabalhou com vocês
neste projeto? Ficou da maneira que vocês queriam?
AO: O grande responsável pela porra toda foi o Rogério
Guedes, mais conhecido na praça como Mad Dog. A gente rodou o disco no estúdio
dele, o Canil Pro-Áudio, que tem nada mais nada menos do que a mesa de som do
falecido Studio Arenna, de onde saíram as demotapes dos Muzzarelas, Lethal
Charge e de todas as bandas campineiras da década de noventa. Fora que, quem
masterizou o disco foi o Tarcísio Jr., chefão do Basement Studio e que gravou
pelo menos metade dos discos de bandas daqui que eu morro de amores, tá ligado?
Bicho, depois que você fica quase dois anos, entre a concepção e a
pós-produção, trampando num material, ele tem que sair foda de um jeito ou de
outro. Eu curti pra caralho o resultado final, apesar de toda a dor de cabeça
que ele deu na gente.
No segundo disco, Don Ramón mistura hardcore e trash que resulta em ótimo disco
CV: Haverá shows para
divulgação deste novo trabalho?
AO: Como você mesmo comentou lá em cima, a gente acabou de
trocar de baterista, o que significa que a gente tá ensaiando o disco com ele.
Show de lançamento vai rolar lá pra depois de 15 de Maio, já que o disco, em
formato físico, só vai ficar pronto por volta dessa data. Daí pra frente é tour
de lançamento e o cacete!
CV: O disco ainda é
recente. Mas houve manifestações da galera que ouviu?
AO: Pra quem soltou o play tem quase uma semana, Artie
respondeu às perguntas na quarta-feira (27), a recepção tá cabulosa da parte da
‘rapeize’ que acompanha o madruga e eu te digo que esse disco vai longe, ainda
mais porque a gente liberou o Reckoning Day em tudo que é plataforma de
streaming. Daí já viu, né? Eu tô acompanhando a movimentação de quem tá ouvindo
a parada e já achei origem de tráfego vinda da Rússia, Alemanha, EUA e tal. O
mais legal disso é que no Streaming, o disco foi classificado como ‘Parental
Advisory: Explicit Content! Tem como não ficar feliz?!
CV: Quais os próximos
passos da banda?
AO: Tirar atraso de palco que tá desde junho do ano passado
e fazer esse disco circular grandão, pois afinal, o Don Ramón não tá de
brincadeira por aqui. Como geral já deve ter se ligado, a gente tá puto e com
vontade de botar essa frustração toda pra fora em cima do palco!
CV: Deixo espaço para
comentário que considera importante, mas não foi questionado. Valeu pelo papo.
Há alguns meses a banda itatibense Eyes of Gaia lançou seu
primeiro álbum “The power of existence”. Disco gravado de maneira totalmente
independente, os caras botaram a “bolachinha” no mundo e por onde passam chamam
atenção dos apreciadores do estilo. Para saber mais sobre o trabalho dos caras,
conversamos com o guitarrista Bruno Tourino. A entrevista na íntegra você
confere abaixo.
Canibal Vegetariano: Como a banda foi formada, desde quando
estão na estrada? Houve alguma mudança na formação? Aproveitem e apresentem-se
com nomes e instrumentos de cada integrante.
Bruno Tourino: A banda foi formada em 2008 pelo Mário Kohn
(vocalista), Rodolfo Liberato (Baixista) e Flávio Sallin (ex-tecladista). Nessa
época a banda lançou o EP “Final Tears” e também tocou com alguns nomes
importantes como Dragonforce, Glenn Hughes e Almah. Em 2011 houve mudança na
formação com a minha entrada e a do Paulo Virtuoso nas guitarras e a entrada do
Betto Cardoso na bateria. Neste ano houve outra mudança na formação com a
entrada do André Moura na bateria, substituindo Betto. A formação atual do Eyes
Of Gaia é: Mário Kohn (vocal), Bruno Tourino (guitarra), Paulo Virtuoso
(guitarra), Rodolfo Liberato (baixo) e André Moura (bateria).
CV: Como rolou o processo de gravação do álbum? Houve alguma
ajuda financeira ou vocês bancaram tudo?
BT: Começamos a compor no início de 2012 e no meio desse
mesmo ano começamos a pré-produção do álbum. Gravamos em espaços de tempo muito
longos devido a vários contratempos. Basicamente bancamos tudo, tivemos alguns
apoios, mas essencialmente sem nenhum patrocínio maior. Por conta de ser tudo
independente acabou atrasando para ser lançado, só saiu em janeiro deste ano.
CV: A produção do álbum é de Edu Falaschi. Por que vocês
optaram por ele como responsável por este trabalho?
BT: Já conhecíamos o trabalho do Edu como produtor e achamos
que seria a melhor opção naquele momento. Ele tem bastante experiência e acabou
passando muita coisa legal para gente. Aprendemos bastante com ele e gostamos
do resultado final do trabalho.
CV: Como está a procura pelo CD e o processo de divulgação?
BT: O CD está tendo uma boa procura guardadas as devidas
proporções do mercado atual e do nicho do heavy metal. Ele [CD] está sendo
vendido diretamente com a banda e também na loja Die Hard, na Galeria do Rock,
em São Paulo. Divulgamos o CD basicamente pela Internet através das nossas
mídias sociais e sites parceiros que fazem resenhas. Os shows também tem sido uma
ótima forma de divulgação. A procura por CD e camiseta nos shows tem sido boa.
CV: Como as pessoas tem recebido o trabalho?
BT: O feedback tem sido muito positivo! Superando todas as
nossas expectativas. Tivemos uma resenha com nota 9 na revista Roadie Crew, a
maior revista especializada do Brasil. Posteriormente rolou uma entrevista bem
legal na Roadie Crew também, feita pelo Ricardo Batalha, um nome bem respeitado
no meio. Diversos sites especializados também têm feito resenhas bem legais
falando bem do álbum. Sem contar as pessoas que tem vindo elogiar o álbum diretamente
para nós através do Facebook. Outro fato muito importante na carreira da banda
foi a entrevista no programa do Andreas Kisser, na 89 A Rádio Rock. A audiência
do programa é muito grande e fez com quem pessoas de todo o Brasil conhecessem
nosso trabalho!
CV: Quais os planos da banda para o segundo semestre?
BT: No segundo semestre queremos continuar fazendo shows para
divulgar o álbum que é bem recente. Temos algumas datas marcadas em Itapetininga/SP,
com a banda King Of Bones, Pouso Alegre/MG, no festival Tonelada, Itatiba/SP
(nossa cidade) com a banda Project46. E estamos negociando shows em mais
cidades.
CV: Atualmente, quem é o público que ouve sons da banda? E
os espaços para shows, como estão?
BT: O público do Eyes Of Gaia é o público do Heavy Metal, na
sua maioria a galera entre 15 e 30 anos. É um nicho pequeno, bem segmentado
porém exigente. Existem bares e casas de shows que abrem espaço para bandas de
heavy, além de festivais e shows em eventos públicos. É importante a união das
bandas para que o público sempre se multiplique nos shows e as bandas aumentem
seus seguidores.
CV: Grato pelo papo, deixo espaço para considerações finais.
BT: Muito obrigado pelo convite, pela oportunidade para
contar sobre nosso trabalho e parabéns pelo seu excelente trabalho que é
importantíssimo para as bandas independentes e para a cultura do país de uma
maneira geral. Quem quiser conhecer mais sobre o Eyes Of Gaia acessem nossas
mídias sociais:
www.facebook.com/eyesofgaiaofficial
www.youtube.com/eyesofgaiaofficial
www.eyesofgaiaofficial.com
Muito obrigado! Paz e amor!
Impressões sobre ‘The power of existence’
O heavy metal é um dos estilos que mais exige de seus
músicos e talento é o que não falta na banda Eyes of Gaia. O primeiro registro
dos caras “The power of existence” mostra toda capacidade individual dos
músicos e também o trabalho que conseguem desenvolver em equipe.
Com dez faixas e produção de Edu e Tito Falaschi, a banda
mostra tudo aquilo que os fãs do estilo adoram. Guitarras altas, solos, bends,
vocais afinados, baixo encorpado e bateria alucinante.
Esse é um álbum que os
amantes da música “pesada” precisam ter em sua discoteca, afinal, não é sempre
que uma banda lança um disco com tanta música boa e de maneira totalmente
independente. Se você ainda não tem o seu, corra para adquiri-lo.
Há mais de dez anos na estrada, a banda paulistana de
grindcore Hutt se apresentou em Campinas no mês de fevereiro. Nós do Canibal
Vegetariano acompanhamos a apresentação que foi um “arrasa quarteirão”. Dias
após entramos em contato com o vocalista Marcelo Appezzato para fazermos a
entrevista que você lerá a seguir. Além de Apezzato, a banda ainda tem Leandro
na guitarra, André no baixo e Diego (baterista monstruoso) em sua formação.
Durante o papo, falamos da história do quarteto, política e próximos
lançamentos.
Canibal Vegetariano: Desde o início em 2002, houve alguma
mudança na formação? Em caso positivo quais foram e por quê?
Marcelo Appezzato: Começamos o Hutt como um trio, eu, o
Leandro e o Choukri (ex-Presto) na bateria. Sem baixo. Em 2006 o Choukri saiu e
a gente colocou o Diego e o André. Gravamos o Monstruário com essa formação. Em
2010 ou 2011 o Choukri voltou pra banda e o Diego saiu. Em 2013 o Choukri saiu
de novo e o Diego voltou. Ou seja, uma confusão dos infernos.
CV: Quais as principais influências de vocês?
MA: Cara, vou falar por mim, pois cada um escuta suas
coisas. Eu sempre curti punk/hardcore, crossover, death e thrash metal, pelo
menos no que diz respeito as minhas influências como vocalista. Mas como fã de
música escuto um monte de outras coisas, nem queira saber o quê (risos).
CV: Como é ter uma banda de grindcore no Brasil? Há espaços
para shows, divulgação e venda de discos?
MA: Deve ser a mesma coisa que ter uma banda grind em
qualquer lugar do mundo, cerveja morna como cachê, shows nem sempre lotados,
poucas mulheres e muita roupa preta. A cena é pequena mas forte, e é tocada por
algumas pessoas que fazem a diferença, seja tendo banda, promovendo shows ou
principalmente: comparecendo em shows e comprando o material das bandas.
CV: Vocês estão na estrada há 13 anos. O que mudou de 2002
para cá? As mudanças foram positivas?
MA: Acho que a principal mudança foi na comunicação, por
causa da internet. O público aumentou um pouco também e está mais
diversificado. De resto não vejo muita coisa diferente. Pra gente, como banda,
tá melhor.
CV: O que vocês planejam para o futuro?
MA: Tocar por aí de vez em quando, gravar mais uns
discos, conhecer um monte de lugares e pessoas legais, experimentar uns
aditivos diferentes e, principalmente, não chegar aos 3 maços de cigarro por
dia.
CV: Quem é o público que acompanha o Hutt, é possível
descrevê-lo?
MA: Como eu disse antes, o publico é mais variado
atualmente, mas no geral são pessoas de cabeça aberta, que escutam variados
estilos de música e que usam bermuda numa boa.
CV: Vocês tiveram alguns registros lançados fora do Brasil.
Como rolou esse esquema e ele contribuiu para que vocês ficassem conhecidos no
exterior?
MA: Contribui sim. Mas eu não lembro direito como foram
feitos os contatos. Acho que os caras que lançaram escutaram, curtiram e
quiseram lançar.
CV: Quem acompanha a banda saca que o som de vocês é rápido
e com muito peso. Qual o estímulo após tantos anos de banda para seguir
compondo música?
MA: Estimulantes poderosos (risos). Cara, acho que a vontade
de fazer música juntos impera.
CV: Desses 13 anos, qual a maior furada que a banda se
envolveu e também qual o ponto de maior orgulho. Tocar com algumas bandas
gringas ajudam para crescimento profissional?
MA: A única coisa que tocar com bandas gringas me ensinou é
que nem todos os seus heróis são legais. A gente já entrou em um monte de
roubada, ainda entramos, mas hoje rola menos. Impossível lembrar de uma em
especial.
CV: Qual a opinião de vocês sobre a atual situação política
no Brasil? Isso interfere na música de vocês?
MA: A situação política no Brasil é uma merda desde que eu
me lembro por gente. Tenho 35 anos mano. Duvido que algo vá mudar, pelo menos a
tempo da gente ver. Espero que eu esteja errado. Claro que isso influencia, mas
na maioria das vezes inconscientemente.
CV: Agradeço pela atenção e deixo espaço para considerações
finais e “merchan”.
MA: Valeu pelo espaço mano. Logo mais lançamos o disco novo
e um compacto Split com o Facada. Novidades na pagina do HUTT no Facebook https://www.facebook.com/huttgrind?fref=ts
A banda Garrafa Vazia é de Rio Claro, interior do Estado de São Paulo. Com muitos anos de estrada, a banda lançou recentemente o álbum "Back to Bacana". Devido a este fato, conversamos com os caras para saber mais sobre o trabalho e também como eles veem a atual cena, tanto no interior como no Brasil em geral. O papo na íntegra você confere abaixo.
Canibal Vegetariano: Vamos
começar pela apresentação da banda: nomes, instrumentos, há quanto tempo estão
juntos e houve alguma mudança na formação?
Hebert: O embrião do que viria a ser o Garrafa Vazia começou
em 98, com o Mário Mariones (baixo e voz) e uns camaradas. A banda surgiu
definitivamente em 2009, e em 2011 adotou a formação atual, comigo (Hebert) na
guitarra e vocais e o Vadio comandando o batuque dos infernos.
CV: Quais são as
principais influências da banda?
H: O punk rock 77 dá a tônica ao som da banda, mas cada um
curte uma porrada de sons distintos, de Gories a Guilherme Arantes, e essa
distinção nas influências acabam trazendo um gostinho de quero mais ao nosso
som.
CV: Como rola o
processo de composição das músicas e também das letras?
H: Rola de uma forma bem democrática. Geralmente o Mariones chega
com as letras e melodias, aí nos os ensaios colocamos a “magia” de cada um,
viradinhas malucas, solinhos propositalmente nas coxas e afins.
CV: Comentem sobre a
cena de Rio Claro e cidades da região. Como está o atual momento para shows?
Mário Mariones: A cena de Rio Claro é fértil e 100% chapação.
A cidade tem bandas fodas de punk rock, hardcore, metal, rock and roll. Posso
destacar aqui algumas como Dezakato, Mordeth, Sacristia, Hal 9000, Marsh Gas.
Do pessoal mais recente o Interceptor, Anguere, Funeral Sex, Carniceiro,
Craniana, Coaggula, Head Bones, Delunes, Reagan, Foca Alada, o pessoal que toca
em bandas de outras cercanias, como o Netão do Mullet Monster Mafia e o Matheus
Campos do Krokodil. A cena é densa e prolífica, e o maior festival de Rio Claro
é o Equinócio. Realizado anualmente, ele chega agora em sua décima quarta
edição trazendo o Olho Seco e será uma grande honra para nós mais uma vez fazer
parte do festival.
Já passaram por aqui Korzus, Ratos de Porão (em 2013,
tocamos nesse dia, foi demais), Genocídio, Krisiun, só pra citar algumas. É um
festival de caráter solidário, filantrópico que atrai uma legião de pessoas – e
neste ano a entrada novamente será um litro de leite que será encaminhado ao
Fundo Social de Solidariedade. A Antiga Estação Ferroviária vai tremer dia 9 de
maio a partir da uma da tarde. Outro festival bacana é o Rock Feminino, que em
sua última edição trouxe o Girlschool, com apresentação única e exclusiva no Brasil
por aqui.
As cidades do interior de SP estão pegando fogo. Sabe aquela
coisa de buteco, praça, farmácia e vizinhança na calçada, velhos amigos
trocando ideia, tomando uma, curtindo um som? E é foda não citar São Carlos
como um dos grandes centros catalisadores de toda essa usina - particularmente
para nós do Garrafa. Ponto de encontro de amigos e bandas fudidaças. Inclusive
é lá que estamos gravando nossos últimos trampos, com os irmãos da Pé de Macaco
S/A, uma produtora audiovisual fodida, que faz a diferença.
CV: Como vocês veem o
surgimento de várias bandas, de diversas vertentes do rock, principalmente no
interior. Isso pode contribuir para aumento do público e também de locais para
shows?
MM: Sem dúvida. Muitas bandas do barulho estão surgindo. É o
velho ciclo de gerações em contínua formação e transformação. Quase sempre de
forma solidária e criativa. Como diria o Hugo Brito, do Hippies not Dead: “o
underground é construção”.
CV: Qual a principal
“enrascada” que vocês entraram e qual o momento mais positivo de vocês como
banda?
MM: Vixi, rolaram várias. No quesito bad trip: tocamos
algumas vezes em São Paulo e no ABC nesses anos, e numa delas foi um pouco
tenso, com o pessoal falando que uma gangue ia jogar bomba no local do evento,
então o ambiente estava realmente contendo uma apreensão extra (risos). Em
outras praias já rolou de sermos boicotados em festivais, geralmente pelo
pessoal da mesa de som, que dá aquela tesourada no volume, sei lá porque, mas
tudo isso é legal, faz parte. Outra
ocasião engraçada foi de um sujeito que viu a gente tocar num festival bacana e
logo depois a todo custo insistiu que queria “empresariar” a banda e tal, cheio
de conversa que “tinha um escritório e vários contatos”, daí a gente virou e
disse “opa, firmeza”.
Momentos positivos foram alguns, bem agradáveis! Tocar com o
Cólera e o Biohazard no Araraquara Rock em 2010 (conversámos na época com o
Rédson sobre a possibilidade dele produzir um CD do Garrafa, e as conversações
estavam adiantadas), tocar no extinto Porão em São Paulo com os punks cantando
junto e pogando sem parar – ANIMAL - tocar em Santa Gertrudes no Revolution
Pub, num festival organizado pela gente com uma puta galera e o lendário
Excomungados tocando na sequência, tocar em Minas Gerais num festival muito
massa (World Trash, grande festival!) junto com o Hippies not Dead, dividir o
palco com o GBH em Americana, as sonzeras insanas em São Carlos, um bailão
alucinante em São José dos Campos, outro em Avaré (no aniversário de 20 anos
dos brothers do Ratazana) um rolê mágico em Rio Claro na casa de uns amigos, ao
lado do mestres do Retaliatory de Belém fechando a noite, tocar ao lado dos
irmãos destruidores do Shitfun de Petrolina, Pernambuco... são muitos momentos
que a gente guarda com a maior alegria e satisfação. A gente é sem frescura,
tranquilão, o que vale é a intensidade e a broderagem, o chão é nossa casa.
CV: Quem é o público
que os ouve?
MM: Do ouvinte “macro” ao “micro”, e “para todas as idades”.
Penso que é a galera que curte aquele som toscão, divertidão, mas é difícil
rotular: talvez seja o pessoal que ouça rock and roll em geral (ou não), metal,
punk rock, aquele rock cachaça torto, ou que ouve um som mais cru e sem firula.
E tem os doideira lá da gringolândia também.
CV: Quais as metas da
banda para os próximos meses?
MM: Vamos gravar um trampo novo agora em junho. E vamos
soltar mais um split de inéditas ao lado do lendário Hippies not Dead, banda fodida
de São Carlos, irmãos atuantes no underground desde 1995.
CV: Grato pelo papo e
deixo espaço para “merchan”, críticas e o que quiserem falar.
MM e H: Nós que agradecemos, brigadão pelo espaço! Sempre
escutamos o Canibal Vegetariano, queria inclusive aqui deixar um abraço ao
Vareta Baqueta do Ação Tóxica, que foi quem me apresentou (Mariones) esse
grande programa radiofônico que faz a alegria da galera nas noites de segunda. O
blog é bem bacana também, mesclando sonzera com cultura em geral, jornalismo de
prima. E no mais é isso aí capetada: valeu pela força! Ouçam nosso novo disco, “Back
to Bacana”, e aumentem o som que o pogo é o fogo, união e fuleragem sempre!
Abração!
Não é zoeira, a afirmação acima é do jovem Pirocca, de
prenome Arthur, guitarrista e vocalista da banda Bikini Hunters, de
Veranópolis, cidade que fica na serra gaúcha. Além dele, fazem parte do time o
baixista Lenon Peruzzo e o baterista Davi de Lima. Recentemente o power trio
lançou seu primeiro registro e desde então tem chamado atenção das pessoas que
gostam de ouvir bom rock e música honesta. Para saber mais sobre o trabalho
dessa gurizada, conversamos com Arthur, escrever Pirocca pegaria mal, que deu
uma geral na história da banda.
Canibal Vegetariano: Algo que chama atenção na banda é o
nome. Ele tem algum significado?
Arthur Pirocca: Acho que ele fala por si só. Bikini Hunters,
um nome descontraído e que mostra um pouco o nosso lado brega cafajeste. O nome
surgiu quando ainda nem tínhamos ensaiado juntos, veio das nossas influências
da surf music e do bubblegum, mesmo sendo bem difícil ver garotas de biquíni
aqui na serra gaúcha, devido às temperaturas negativas e tudo mais (risos).
CV: Há quanto tempo estão na estrada? Já passaram por alguma
mudança na formação?
AP: Bicho, quando fazem essa pergunta eu até fico meio
tenso, porque já estamos com nove anos de banda. Temos uma demo bem tosca (mas
que temos muito carinho por ela e a galera ainda pede para tocarmos nos shows)
gravada em 2006! Claro que paramos várias vezes, voltamos e até então nunca
tínhamos levado a sério. Posso dizer que a Bikini Hunters começou a existir de
verdade no ano passado, quando decidimos que ou fazíamos algo (um disco,
saíamos tocando por aí e tudo mais) ou nem valia mais a pena ficar tocando só
por tocar. Essa é a terceira formação. Só resta eu da primeira (devo ser chato
afú!). Todo mundo virou gente séria e eu continuo nessa maldição que é o rock. O
primeiro a sair foi o Vini (baterista) que decidiu se tornou aviador e deu
lugar ao Davi. Algum tempo depois o Lenon entrou na banda no lugar do Gordo,
que decidiu deixar a banda para casar, adotar 28 gatos e estudar engenharia.
Coisas da vida. As influências mudaram mas o baile segue.
CV: Vamos falar sobre o disco de vocês. Como rolou o
processo de gravação?
AP: A coisa foi extremamente rápida e divertida. Nosso
mestre, Davi Pacote, chegou a comentar que no ritmo que estávamos indo era um
possível recorde do estúdio. Em um sábado gravamos todas baterias e baixos. No
domingo estávamos de ressaca, chegamos tarde ao Hill Valley Studios mas
gravamos todas guitarras, com algumas participações fundamentais, como a do
próprio Pacote e do Akiro (um grande amigo nosso). No outro fim de semana
estávamos gravando as vozes e aí surgiu o Sérgio (Caldas) da Motor City
Madness. O cara toca em uma das melhores bandas do Brasil e nem por isso deixou
de ser humilde ao extremo. Chegou lá e cantou, deu pitaco, tomou umas quantas
geladas e passou o dia inteiro lá com a gente. Fizemos uma baita parceria e até
tocamos juntos no final do ano passado. Foram três dias de total diversão e que
deixou gostinho de quero mais, fazer um novo álbum para logo!
CV: Quais as influências para composição das músicas e como
surgem os temas para letras?
AP: As influências musicais são diversas. O Lenon gosta de
sujeira, Motorhead e Nirvana, por exemplo. O Davi gosta de uns hardcores
podreiras, tipo Ratos de Porão, Mukeka di Rato, mas também é bastante ligado ao
rockabilly. E eu sou bem eclético, mas sempre acabo deixando tudo soar com uma
pitadinha de Ramones. Então, a coisa é “bemmm” diversificada sonoramente. Sobre
as letras, chegamos em uma fase muito foda da banda que estamos fazendo muita
coisa juntos. Alguém lança uma ideia ou alguma coisa que aconteceu entre nós e
as coisas vão sendo escritas por nós três (sempre com algumas biritas na
cabeça, mas isso é detalhe). Ainda acontece de um ou outro levar alguma canção
quase pronta, mas no final a gente sempre conclui em conjunto as canções, sem
muito apego para xingar a música do outro ou elogiar.
CV: Como está sendo o trabalho de divulgação deste trabalho?
AP: Acho que isso foi surpreendentemente animador para nós.
Entramos em contato com alguns blogs depois que lançamos o disco e a coisa foi
se tornando uma bola de neve, um blogueiro via o disco no blog do outro e
divulgava e assim sucessivamente, tanto que o disco já saiu há algum tempo e
ainda tem gente falando dele quase toda semana. No soundcloud são
aproximadamente mil plays por mês e querendo ou não, isso anima demais banda. A
internet proporciona essas coisas, faz rádios de lugares onde nem dá para
imaginar tocarem o nosso som, faz pessoas totalmente desconhecidas virem nos
conhecer para bater um papo e dizer que gostam das músicas. Enfim, acho que só
depois do disco estar pronto conseguimos entender uma das coisas mais legais do
rock, que é conhecer muita gente bacana e que gosta de som igual nós.
CV: Aproveitem e comentem como está a atual cena rock não
somente no município de vocês, Veranópolis, mas também no Rio Grande do Sul.
AP: No nosso município o pessoal é chorão e preguiçoso. Uns
reclamam que não têm chance mas nunca gravaram nada realmente relevante, outros
vivem naquela maldita onda de fazer covers para poderem tocar por aí. Acho que
ao mesmo tempo que tem várias portas abertas e é só correr atrás, o pessoal
está um pouco acomodado; nós somos um exemplo disso! Olha quanto tempo ficamos
praticamente “parados”, mas quando começamos a nos mexer as coisas começaram a
acontecer. Bandas boas têm por todo canto aqui no RS, a citada anteriormente,
Motor City Madness, é uma pedrada e estão rolando pelo Brasil todo, a Flanders
72 voltou de turnê na Europa não faz muito tempo, algumas bandas focam mais em
tocar aqui no sul mesmo (Os Horácios, Júlio Igrejas, Os Torto), e vejo que tem várias
bandas legais pra caramba que também estão gravando e correndo atrás, a Estive
Raivoso é um exemplo delas. Enfim, acho que tem muita banda acontecendo e
fazendo um som honesto aqui no Sul (e isso é o mais importante). Mas “eu também
vou reclamar” e dizer que se o rock não rola tanto por aí, é por culpa do
público que não valoriza as bandas “desconhecidas” ou de som autoral; preferem
ver um cover, ou pagar ingressos caros para ver bandas “consagradas”
antigamente e que hoje já não lançam mais nada de legal e fazem shows bem sem
energia.
CV: Quais as próximas metas de vocês?
AP: Cara, deixa a “ceva” gelando que logo, logo estamos por
aí um barulho (risos). Esse papo de nos largarmos por aí fazendo som é uma
constante nos ensaios, deixamos o show redondinho e agora o foco é tocar. O
disco foi uma grata surpresa e nos animou muito. Aquele medinho ou comodismo de
não sair por aí para tocar por ser uma puta função (e acreditem, é!), não está
mais rolando com a gente. Só queremos tocar em todo canto, finalmente
percebemos que funcionamos assim, na pressão, marcando e fazendo as coisas e
depois pensando nas consequências. Nunca botamos muita fé no nosso próprio som
e acho que esse foi um grande erro, o que descreve bem isso, foi um dia que um
de nós da Bikini, não lembro quem, estava com um disco físico nosso (sonho
realizado) na mão e disse: “bichosss... se essa banda não fosse nossa, eu
ouviria ela com certeza!”. Gostamos realmente do que fizemos, estamos felizes
por estarmos tocando com bandas que curtimos para caramba e continuamos compondo
sem parar. Achamos que os novos sons que estão surgindo estão ainda mais
divertidos, têm um jeitão todo nosso (no disco que lançamos ainda dá pra
perceber algumas coisas bem “ramônicas”). Então, queremos tocar sem parar até o
fim do ano, para chegarmos lá e podermos gravar coisas novas e ainda mais
legais.
CV: Agradeço pela atenção e deixo espaço para “merchan” e
considerações finais.
AP: Nós é que agradecemos o apoio de sempre, é um enorme
prestígio a Bikini Hunters ser curtida por um cara que entende tanto de som
quanto tu. Então, vamoooosss ao business:
O Facebook é legal porque a galera dá umas risadas com as
nossas asneiras, anda vindo um pessoal bater papo com a gente (e isso é foda
demais!), têm bandas querendo marcar uns rolês juntos, galera comprando discos
e camisetas, enfim, dá um “like” na “page” que coisa toda acontece lá: www.facebook.com/bikinihunters
E óbvio, aumenta todo o volume do teu som e ouçam a Bikini
Hunters: soundcloud.com/bikinihunters
VAMOOOOSSSSSS NÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓSSSSSSSS!!!!
Impressões sobre o disco 'Bikini Hunters'
São nove canções em 25 minutos, uma mistura de power pop com
punk rock, assim pode ser definido o som do trio da serra gaúcha Bikini
Hunters. Em seu primeiro álbum, a banda mostra várias influências ao longo das faixas
que foram gravadas nos estúdios Hill Valley.
Das faixas que compõem o disco, o destaque vai para “Bárbara”,
que tem os elementos citados acima e a letra é muito boa, os caras falam sobre
uma garota argentina fã de Ramones. Outra que se destaca é “Hot rod king”, com
participação do vocalista e guitarrista da Motor City Madness, Sérgio Caldas.
Ele ainda participa das faixas “Não tive tempo” e “Tudo o que eu queria”. Além
do responsável pela voz do Motor City, Akirão e Pacote também participam do
disco com guitarras e teclado.
Como todo bom registro musical precisa de arte e boa
gravação. A qualidade do trabalho é muito boa assim como a arte da capa mostra
um pouco do perfil da banda, música para diversão. O encarte vem com todas
informações e as letras para que o fã acompanhe junto com a banda as belas
canções ali registradas. Para o primeiro registro feito de maneira
independente, os caras merecem todos os parabéns e nosso respeito.
Depois de um hiato de dois anos, a banda gaúcha Motor City
Madness lança seu segundo álbum, intitulado “Dead City Riot”. Lançado no início
deste mês, a banda logo na primeira semana fez shows de divulgação do novo
trabalho em shows pelo Estado de São Paulo. Acompanhamos apresentação da banda
em Campinas e antes do show conversamos com o vocalista e guitarrista Sérgio
Caldas que falou sobre o disco e outros assuntos referentes a banda.
Canibal Vegetariano: Fale sobre o lançamento do novo álbum?
Sérgio Caldas: Foi lançado em 6 de abril com 11 músicas.
Depois de dois anos sem nenhum lançamento, trocamos de formação. Com isso resolvemos
gravar o disco e “cair” na estrada, pois não há final de semana em Porto
Alegre. Gravamos tudo em 12 horas e o disco está uma “pedrada”. É Motorhead na
cabeça!
CV: Ao citar Motorhead, podemos dizer que é a principal
influência?
SC: Cara, cada um curte um lance diferente na banda, um é
metaleiro, outro curte stoner, eu curto muito punk rock, para caralho, trash
velho... Mas temos algumas coisas de MC5, vocais podres, gritos, mas neste novo
disco tem algo de Radio Birdman entre outras bandas. Ao todo o novo álbum dura
23 minutos com 11 músicas.
CV: O disco será lançado em CD?
SC: Depois do ensaio conversávamos sobre isso e fomos para minha
casa onde rolam as promoções. Durante o papo, vimos que rolava promoção de
passagem aérea e marcamos os shows no interior de são Paulo. Depois disso
gravamos e mandamos ideia para o (Daniel) ETE fazer a capa e de repente
lançamos em formato virtual e temos o físico também. Quando decidimos fazer o
disco tínhamos nove músicas prontas. E o mais louco é que marcamos o lançamento
antes de gravá-lo.
CV: Por que escolheram lançar o disco no interior do Estado
de São Paulo?
SC: Cara, temos experiências anteriores e aqui tem uma
parada legal e nos sentimos em casa. Tocamos em Sumaré e parecia que estávamos
em casa. Em Sorocaba rolou em um bar com churrasco e agora o Quintal do Gordo
(Campinas). O lance é tocar o máximo possível longe de casa pois sentimos que a
galera tá meio carente desse “rock pau duro”, em que a banda chega vomita e vai
embora, meia de show e já era. Essa é a parada e temos divulgação na internet e
deixamos claro que se alguém colocar 50 pessoas, junta os amigos, eles pagam a
viagem. Além de tocar, conseguimos divulgar o disco e mantemos a banda.
CV: Como está a cena no Rio Grande do Sul?
SC: Cara, tá uma bosta! Teve uma época bem boa de Porto
Alegre, em que foi chamada “terra do rock”. Atualmente temos umas bandas legais
como Bikini Hunters, Phanton Powers, Big Flamingos que fazem a gira direto
conosco. Mas tem muito cover, essa punheta que deixa nego acomodado e se não
for isso o cara pensa que não dá público. Tocamos direto, mas não tem tanta
gente que faz o “corre” como antes. A cada cinco anos o público muda. Temos as
mídias, temos que divulgar para a molecada, não para meus amigos bancários,
administradores. Mesmo assim levamos as bandas, tentamos o Drákula, quem sabe
eles irão.
CV: Agradecemos o papo e vida longa ao Motor City...
SC: Cara, agradeço mais uma vez o espaço no blog e no
programa, sempre é bom voltar a Campinas, onde temos muitos amigos. Aproveito a
oportunidade para dizer aos caras que continuem com o trampo... vai dar merda, vai
gastar dinheiro, vai brigar com a mulher, a mãe vai xingar, mas se a parada for
verdadeira dará certo. Tu não irás ficar milionário mas terá muita experiência
de vida. Ouça as bandas que tocam no programa e comprem nosso novo disco.
Impressões sobre ‘Dead City Riot’
Em entrevista ao blog e ao programa A Hora do Canibal,
Sérgio Caldas, vocalista e guitarrista da Motor City Madness definiu de maneira
bem interessante o som que sua banda faz: “rock pau duro”. Se isso quiser dizer
bateria sendo espancada, ótimos riffs de guitarra, baixo preciso e com “peso”,
ele tem toda razão. Afinal, em pouco mais de 20 minutos os caras botam para
quebrar em 11 faixas.
Dois anos depois do lançamento do primeiro álbum e com
Fabian Steinert como novo guitarrista, os caras apresentam maturidade e fúria
ao mesmo tempo. A maturidade pode ser explicada pois não há nada solto no novo
disco, ele é o que chamávamos há alguns anos de “disco conceitual”. Se tu
quiseres saber o que é, não vamos entregar o jogo, terás que ouvir cada faixa,
cada riff, cada passagem de baixo e virada de bateria. Entre as faixas, difícil
citar uma que seja destaque, não há, todas te deixam sem fôlego com dores no
pescoço.
Sobre a parte técnica é dizer que tudo está em seu lugar, o
álbum foi muito gravado e este disco passa sentimento, causa impressão que foi
gravado ao vivo, qualidade para ninguém reclamar e não dever nada para qualquer
banda ou gravação estrangeira. Outro ponto positivo é a arte. Outro ótimo
trabalho do “mestre das caveiras” Daniel ETE, com andarilhos, mortos-vivos e
todo belo caos que sua arte retrata. Por isso, não perca mais tempo e adquira
já o seu antes que acabe!
Fábio Mozine, baixista da banda capixaba Mukeka di Rato e dono da querida Laja Records, atendeu pedido do fanzine/blog Canibal Vegetariano e respondeu algumas perguntas sobre o novo trabalho de sua banda, "Hitler's dog Stalin rats". Ao final do papo você pode conferir resenha do novo álbum do quarteto.
Canibal Vegetariano: Moz, nos explique como surgiu este tema
para o novo álbum de vocês. Por que “Hitler’s dog Stalin rats”?
Fábio Mozine: Desde sempre, desde 1995, o crust foi um
estilo muito presente na vida dos integrantes do Mukeka di Rato, tanto que o
nome da gravadora é Laja, com trema, etc.
Sempre fizemos mais músicas nessa pegada em todos os nossos discos, mas
sempre com as outras influências do Mukeka presentes, algumas mais distante
como tipo “uns Nirvana”, que a gente escutava. Também escutava bandas como Operation
Ivy, por isso tentava fazer uns skazinhos, etc. Quando decidimos fazer um disco
focando mais no grind, no crust, eu andava lendo muito sobre segunda guerra
mundial, tava cheio de livros, aí emprestei alguns para o Sandro (vocalista),
incluindo um que faz um breve resumo da segunda guerra e um que fala
especificamente sobre a polícia secreta de Hitler e também um sobre Stalin. Depois daí apareceu a letra do Sandro, e
atualmente, nessa guerrinha nojenta de classes que temos vivido em nosso país,
acho que coube com uma luva.
CV: Das 8 faixas, a maioria é em inglês. Algum motivo
especial?
FM: Nenhum motivo. Não queremos vender mais lá fora, inclusive
penso que gravadoras lá de fora até preferem as bandas que cantam em português,
não vamos fazer tour lá fora, porque não temos tempo nem tanta disposição... ou
seja, foi apenas por vontade própria mesmo, para testar, tentar, ver como ia
soar, etc.
CV: Como rolou o processo de gravação desse disco? Em
comparação com os outros ele é mais “rápido” e “pesado”.
FM: Esse lance do rápido e do pesado não foi definido no
processo de gravaçãoo e sim no processo de criação e concepção do disco. Na gravação apenas colocamos em prática nossa
ideia, que foi extremamente bem captada e aceita pelos irmãos Fernando e Daniel
Ganjaman. Tivemos que abrir mão de
alguns avanços tecnológicos, alguns conceitos de gravação, de timbragem, usamos
alguns microfones que não são usados, tudo isso pra chegar exatamente aonde a
gente queria, inclusive, utilizando som de linha numa guitarra, e por aí vai...
CV: A versão que fizeram para “Guerra desumana” do Ratos de
Porão ficou muito boa. Como rolou essa escolha? E a participação de João Gordo
em “Full metal jacket”?
FM: O Gordo está em constante contato conosco, mas
principalmente comigo pelo fato de trabalharmos muito com o RDP (Ratos de
Porão) e Laja. Então o contato com ele para
fazer a “Full metal jacket” foi bem fácil.
Em relação ao cover caiu como uma luva também. Haviam sete músicas e eu
achava pouco, então buscamos um cover, sempre foi vontade gravar Ratos e essa
música também seria usada para tributo ao RDP volume 2, então juntou tudo.
CV: Como está sendo o trabalho de divulgação? Haverá turnês
deste novo trabalho? Viagens ao exterior?
FM: Não fazemos mais viagens ao exterior com o Mukeka di
Rato, acho muito improvável que haja novamente uma tour do Mukeka fora do Brasil. Também não fazemos mais tours no país, o que
vai acontecer são shows nas capitais, principalmente aos sábados. Já temos convite para tocar em praticamente
todos os locais e em breve vamos começar a marcar as datas.
CV: Quais os próximos projetos da Mukeka di Rato?
FM: No meio desse ano vamos gravar um split 7” com a banda
Tropiezo, de Porto Rico. Esse 7” será lançado apenas nos EUA (Estados Unidos),
mas óbvio, vai ter cópias por aqui para distro.
Já temos também parte da concepção do nosso novo disco que vai se chamar
“40 carnavais em uma noite” mas não tenho nem ideia do que pode sair daí, nem
quando. Alguns amigos que acompanham a banda há muito tempo gostaram muito
desse disco novo, afirmam ser o melhor, porém, alguns fãs do Mukeka não
gostaram muito, ou não entenderam, ou não conhecem essas referências ou
simplesmente não gostaram mesmo do “Hitlers”.
Bom, tenho medo do que essas pessoas vão achar do 40 carnavais...
Impressões sobre ‘Hitler’s dog Stálin rats’ Läjä Records
Um Mukeka di Rato mais rápido e agressivo, assim pode ser
definido o novo disco do quarteto capixaba, denominado “Hitler’s dog Stalin
Rats”. Ao todo são oito faixas em pouco mais de 14 minutos.
A faixa de abertura do disco que dá nome ao álbum é uma “porrada
na orelha”, como diz Gastão Moreira, a música é uma das mais lindas já
compostas pela banda. Peso, fúria e agressividade na medida certa que ao vivo
deve fazer com que a galera abra enormes rodas de pogo.
E assim segue o álbum, com guitarras distorcidas e com uma “sujeira”
que não é comum ouvir em gravações atuais. Os vocais de Sandro seguem a linha
mais “porradaria brutal” e apresenta uma fúria jamais imaginada. As letras, a
maioria está em inglês mas há músicas em português espanhol e italiano. Outros
pontos positivos são a participação de João Gordo, vocalista do Ratos, na faixa
“Full metal jacket” e a versão do Mukeka para “Guerra desunama”, do RDP.
Sobre a gravação e o trabalho no estúdio basta dizer que
tudo está muito nítido e um instrumento não encobre o outro como pode ocorrer.
Gravação de primeira qualidade. A arte da capa é algo obscuro e tem tudo a ver
com a proposta musical apresentada pela banda. Se você ainda não tem esse
disco, corra para loja mais próxima de sua casa ou faça o pedido direto com a
Läjä Rekords pelo e-mail: lajarex@uol.com.br
Divulgação Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles desembarcaram onde atualmente conhecemos como o estado da Bahia. E a chamada terra de todos os santos é conhecida também como berço do axé music, mas sempre tem aquelas pessoas que subvertem a ordem estabelecida. Dois roqueiros muito famosos saíram de lá, Raul Seixas e Marcelo Nova, mas os punks também têm seus representantes, Pastel de Miolos. Para conhecer mais sobre esta banda, conversamos com seus integrantes.
Canibal Vegetariano: Para começarmos, apresentem a banda, nomes, instrumentos e houve alguma troca de formação desde o início? Pastel de Miolos: Guitarra e voz: Alisson PDM, baixo e voz: André PDM e bateria: Wilson PDM. Nós tocamos durante 17 anos com Alex Costa no baixo e voz, e por dois anos (2000/2002) com Robson Peixoto na 2ª guitarra, mas em momentos diferentes eles saíram e são todos bons amigos da banda.
CV: O nome da banda é sensacional, de onde surgiu essa ideia? PM: Fizemos uma lista de nomes diferentes, mas o que mais nos agradou foi Pastel De Miolos, primeiro pela sonoridade, depois fomos descobrindo os vários sentidos que ele pode ter (a música que leva o nome da banda dá uma “deixa”).
CV: Quais as bandas que os influenciaram e quais vocês mais ouvem atualmente? PM: Sempre ouvimos muito HC/Punk, Cólera, Olho Seco, Social Distortion, Dead Kennedys, Ramones, Inocentes e continuamos ouvindo e nos influenciando. Mas depois de 19 anos fomos descobrindo outros sons e batidas. Eu hoje escuto também algumas coisas mais alternativas como Pixies e Dinosaur Jr. Enquanto os caras escutam coisas de ska (Madness, Skatallites, etc.) ou metal (Nuclear Assault, Sepultura, etc.). Por aí vai, acho que é sempre interessante conhecer sons novos e bandas novas, ou velhas que nem sempre se tem oportunidade de escutar.
CV: De Lauro de Freitas para o mundo. Como é ter uma banda punk em um estado no qual a maioria pensa que existe apenas um estilo musical que é o axé music? PM: Na agricultura existe o conceito de monocultura e já se provou que ela só faz mal pro solo a médio e longo prazo. É o que acontece aqui na Bahia. Existe essa imposição da axé music como única linguagem possível e aceitável. Mas a gente tem buscado romper essa barreira, a do impossível. Vamos fazendo não pra ser aceitos mas porque representamos, junto com outras bandas, uma resistência. E ultimamente eu tenho dito que o rock/punk também é música baiana, já que o rock brasileiro nasceu na Bahia com Raul Seixas.
CV: Como é a cena underground na Bahia? Quais os locais nos quais vocês mais tocam? PM: A cena é cíclica, passa por momentos de alta, depois de baixa, depois se recicla e fortalece de novo. Estamos ficando mais fortes e organizados aos poucos, e isso está se refletindo em bandas mais consistentes e eventos diversificados e com mais público. Tocamos bastante em Camaçari e Salvador, mas também rola uma movimentação bem legal em Feira de Santana, Barreiras, Juazeiro, Agreste baiano, Vitória da Conquista, Região Sul da Bahia, meio complicado citar, mas em cada região existem bandas e produtores interessados.
CV: Vocês já lançaram vários registros durante a carreira. Qual disco que vocês mais gostam e qual pensam que poderiam melhorar algo? Por quê? PM: Cada um representa um momento então eu não mudaria nada, porque tenho muito orgulho de nossa história. Gosto muito do mais recente Novas Ideias, Velhos Ideais (2014) e do Ciranda (2009) que foi eleito o quarto melhor álbum do rock baiano no ano em que foi lançado.
CV: Comentem sobre o rolê que fizeram recentemente pela Europa. Vocês tocaram no leste, local no qual situação anda meio tensa. Como foi a recepção dos europeus ao som do Pastel De Miolos? PM: Nós nem sentimos essa tensão, pois viajamos por países que apesar de fazer fronteira com esses que estão em conflito, nós estávamos geograficamente do lado oposto aos lugares desses acontecimentos tristes. A recepção foi muito boa, o público agitou muito, vendemos camisetas, CDs e bonés, além de termos recebidos vários convites pra retornar no ano que vem. Acho que isso é um ótimo termômetro do que rolou por lá.
Divulgação
CV: Quais os próximos passos da banda? PM: Continuar tocando e começar a pensar no ano que vem quando completaremos 20 anos de atividade, o que vamos fazer pra comemorar.
CV: Qual a principal diferença que vocês veem na cena underground nacional quando vocês começaram para agora? PM: A principal diferença é a forma de se comunicar, antes esperávamos até um mês por uma resposta que temos hoje de maneira quase imediata. Mas hoje como ontem temos pessoas comprometidas que acreditam na força do underground e continuam na batalha assim como nós.
CV: Agradecemos pela entrevista e deixamos espaço para considerações finais. Abraço. PM: Obrigado pelo espaço! Não tem segredo, é organização, ensaio e persistência. Nos encontramos na estrada!
Mais informações;
http://pasteldemiolos.wordpress.com/
Para saber mais sobre a turnê dos caras pela Europa acesse:
http://pasteldemiolos.wordpress.com/europeantour2014/
Canibal Vegetariano Os paulistanos do Gritando HC completam 20 anos de carreira neste ano e devido a importância da data e da banda para o cenário independente nacional, a equipe do Canibal Vegetariano conversou com Lee, vocalista da banda, em uma noite de outono de 2014, antes de uma apresentação da banda em Campinas. Em seu relato, a vocalista falou sobre a trajetória da banda, a perda de Donald e os caminhos que pretendem trilhar.
Balanço dos 20 anos
Agora que deu um estalo, pois vivemos e passamos por muitas etapas. Tivemos duas fases distintas, cerca de dez anos com o Donald e praticamente dez com esta formação atual. O que passou neste tempo colho agora as respostas.
Manifestações
As manifestações despertaram as pessoas, principalmente os mais jovens. E a música punk, hardcore gera protesto. Este período foi fértil, pois a cena teve uma certa quebra com a chegada do emo. Houve novamente a junção do skate com a música, assim como ocorria no final dos anos 80, então em nossa música, esses dois elementos sempre estiveram juntos, mas esse conceito havia sido perdido e houve um resgate, mesmo com a queda musical, o skate continuou forte e se manteve e a junção que houve novamente se encaixou e há cerca de dois anos vejo esse reflexo.
Canibal Vegetariano
Perda do Donald
Falando por mim, quando entramos nessa fase foi foda, o chão se abriu. Além de estarmos juntos desde o início da banda, éramos noivos, começamos a namorar e veio a banda. Houve um peso pessoal muito grande. Em relação a banda, no momento do choque, não sabia o que fazer, pois Donald era muito ativo. Logo em seguida ao que houve, Ritchie, nosso baixista, chegou um dia e disse que Donald pediu para que caso algo ocorresse com ele, não era para banda parar. Ele morreu em 21 de setembro de 2001. Em seguida, houve dois shows em Santos, quase não fui, mas compareci e tive apoio de muitos amigos.
Seguimos até 2003 e a banda cresceu, foi uma época que tivemos produtor pela primeira vez e aprendemos sobre vários assuntos relacionados ao nosso som. Em São Paulo tive alguns problemas e não consegui processar a morte dele mas continuei com o trabalho. Mas a situação chegou a um ponto que o fato me cobrou e depois de alguns shows pelo Nordeste neste mesmo ano, resolvemos dar um tempo. E o curioso é que três anos depois, voltamos a fazer show e foi no Nordeste, onde havíamos parado e onde fechamos a atual formação.
No tempo dado pela banda, fui estudar no IGT e foi algo bem legal, dois meses depois das aulas consegui tocar com o pessoal do Dead Kennedys, que é uma puta influência. Depois do retorno da banda, lançamos o álbum 'Fase Adulta', em 2011, que é o registro com um hardcore mais pesado, pois foi uma época de revolta. Agora para este ano pretendemos gravar um novo disco, vamos preparar uma demo profissional. Também pretendemos gravar um documentário, para que sirva de incentivo à galera, pois toda banda precisa de referência e podemos dizer que hoje somos. É legal o saudosismo de ouvir bandas antigas, mas o passado já foi. Tem galera que para de ir no rolê, para no tempo e não conhece mais as pessoas, é isso que queremos estimular, que as pessoas saiam.
Canibal Vegetariano FUTURO
Quero continuar a fazer meu som, fazer parcerias e batalhar pela cena que é bacana e independente, com muita coisa boa rolando. Vamos continuar com o som, produzir discos. Precisamos de uma aposta sincera mesmo com um mercado ruim. Digo isso pois tudo é muito caro em nosso país, transporte, custo para manter a banda. E além disso, em São Paulo, temos as turmas muito divididas, precisamos de um lance mais conjunto, como ocorre em outras regiões, o lance dividido não dá muita visibilidade.
MULHERES
Sempre houve algumas mulheres no rolê, mas tá melhorando, apesar de ainda ter uma participação mínima. Onde falta mulher é no lance de produção de shows, temos muitos homens nesta área, cerca de 90%. As mulheres trabalham em produção de banda, mas de shows, é muito raro. No estilo hardcore também são poucas, além de mim dá para contar nos dedos, é muito pouco. Elas estão em bandas mais calmas.
Canibal Vegetariano
MUDANÇAS
Em relação a shows considerados grandes e convites para festivais melhorou muito. Mas o mercado independente precisa de espaço para show, festivais, principalmente para apresentações menores, que o mercado ainda é ruim. Para termos força, precisamos de festivais com bandas conhecidas para levar público, mas pelo que tenho visto, acredito que teremos melhorias no futuro.
MENSAGEM
Aos leitores e também aos novos leitores do zine e de outros zines, afirmo que isto é um material funcional e essencial desde sempre, pois é a mídia que está lá. Espero que esse movimento continue e valorizem a informação e quem ainda não conhece, entre em contato, procure saber como funciona, faça parte disso e aposte nas ideias.
Divulgação Jornalista, cronista, comentarista, amante do futebol, das mulheres e de boa música. Assim pode ser definido nosso entrevistado Xico Sá, um homem que desdobra-se no rádio, TV e internet. Sempre bem humorado, Xico fala de assuntos polêmicos e triviais com genialidade e simplicidade ímpar. Ao Canibal Vegetariano ele falou sobre música, jornalismo, zines, literatura e programa de TV. Confira o papo.
Canibal Vegetariano: Você comenta futebol, comportamento e assuntos diversos. Mas qual é o seu assunto favorito? Xico Sá: Fui repórter de polícia, política, esporte, cultura... A longa experiência de redação de jornal faz da gente um especialista em generalidades, comentar qualquer e todo assunto, desde que se informe, leia muito e tenha algum humor. Tudo que falo na televisão é resultado direto do que escrevo em minhas crônicas sobre relacionamentos ou futebol – meus dois assuntos preferidos.
CV: Durante a Copa, você participou do programa “Extraordinários” que trouxe outra maneira de fazer programa de esporte. Você acredita que esse projeto terá continuidade? Como foi a receptividade por parte do público? XS: A aceitação foi muito grande, talvez por ser aquela bagunça toda – sem mediador, sem ordem, sem censura. Por isso o programa está voltando agora em setembro, no segundo turno do Brasileirão.
Divulgação
CV: Nós somos um fanzine e um blog escritos por pessoas que amam o rock’n’roll mas que não têm formação de jornalistas, mas trabalhamos com mídia. Qual importância dos blogs atualmente e como você vê esse lance de mídia ‘especializada’ independente? XS: É a coisa mais importante do momento em comunicação. Além de um ótimo contraponto à velha mídia tradicional, ajuda essa própria mídia a tentar se renovar um pouco, dá uma espécie de “se liga” na velharia estética da imprensa. Gosto dos fanzines desde a explosão do punk no Brasil, no ABC paulista, implorava para que meus amigos de São Paulo me enviassem as publicações.
CV: A tecnologia proporcionou uma certa independência na maneira de consumir e produzir informação. Para você, isso contribui ou piora na maneira como a população recebe essa informação? XS: Contribui e foi uma revolução. Sem essa de ficar dependente de quatro ou cinco grandes grupos que dominavam a informação no país. Hoje a coisa fragmentou geral e um blogueiro pode ser tão importante, em determinados momentos, do que um grande crítico “oficial” ou um colunista de uma grande revista. CV: Vamos falar de cultura, área que você conhece bem. Entre vários livros que escreveu, qual você considera melhor e consegue identificar o que menos lhe agrada? XS: O melhor é o “Tripa de Cadela & outras fábulas bêbadas”, um livrinho de contos que foi publicado pela Eloísa Cartoneira em 2009. Essa editora alternativa de São Paulo é ligada à cooperativa de catadores de papelão da cidade, os livros são confeccionados pelos próprios catadores. Esse é meu livro mais rock´n´roll, digamos assim. O que menos me agrada é o “Divina comédia da fama”, um livro mais jornalístico, escrito sob encomenda para a editora Objetiva.
Divulgação CV: Como está o mercado editorial atualmente em nosso país? XS: Para o autor está a mesma joça de sempre, afinal de contas a gente fica com apenas 10%. Em compensação, nunca foi tão fácil e barato, graças às novas tecnologias, a auto publicação, a publicação independente ou fazer o livro apenas em e-book.
CV: Quais seus escritores favoritos e que também servem de influência? XS: Henry Miller, John Fante e Bukowski seguramente estão entre os preferidos estrangeiros. Dos brasileiros fico com o velho Machadão de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Sérgio Sant´Anna...
CV: Atualmente, quais bons escritores você indica para nossos leitores? XS: Reinaldo Moraes, Joca Reiners Terron, Lourenço Mutarelli, Andrea Del Fuego, Marcelino Freire, Clara Averbuck, Marcelo Mirisola... A lista é grande.
CV: Música, o que você ouve quando está no trabalho, momentos de lazer... Gosta de rock? Cite 5 bandas favoritas ou cantores, os que mais lhe agradem independente de estilo. XS: Sem música não tomo nem banho direito. Retomei agora meus velhos vinis e tenho ouvido muito Neil Young, Leonard Cohen, Patty Smith, Captain Beefheart, Boris Vian, Serge Gainsbourg, Wander Wildner, o Robertão de 1971, românticos antigões como Nelson Gonçalves [som do meu pai], samba-de-breque do Moreira da Silva e os primeiros discos do Mundo livre S/A [banda da qual sou parceiro em algumas letras], entre outras tantas coisas. O método tem sido pegar os vinis, limpar e botar para tocar de novo.
CV: Uma pergunta que não quer calar. Além de toda competência que você tem como jornalista, algo que chama atenção são suas camisas. Onde você as compra? E desde quando você as usa? XS: A maioria compro em feiras do interior do Nordeste e em brechós de São Paulo.