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sexta-feira, 21 de julho de 2017

O som que vem do caos!

As garotas capixabas fazem um tremendo som e estão prontas
para detonar seus ouvidos, no bom sentido. Fotos: Divulgação
Quando ouvi pela primeira o som desse power trio capixaba formado por três mulheres foi um choque! Não é todo dia, infelizmente, que você sente uma banda cheia de energia, raiva ou sei lá o que, que usa a música para por tudo isso para fora. Com pouco mais de um ano, a Whatever Happened to Baby Jane, formada por Lorena Bona (guitarra), Ignez Capovilla (baixo) e Vanessa Labuto (bateria) lançou no último dia 21 o primeiro EP digital com quatro sons. Para saber mais sobre esse som muito promissor, batemos um papo com o trio.

Segundo as garotas, as principais influências do trio são “a vida e os acontecimentos que nos cercam, além das bandas de rock, punk, pós punk, e outros tantos estilos musicais. Joy Division, Ostra Brains, Dominatrix, Mukeka de Rato, Dead Fish, Mercenárias, Nirvana, Sleater kinney, Bikini Kill, Le Tigre, assim como tantas musicas que conhecemos a cada dia, que compõem a nossa vida. Abaixo você acompanha a entrevista na íntegra.

Canibal Vegetariano: Como o nome Whatever Happened to Baby Jane foi escolhido para banda e como rolou o lance de vocês a criarem?
Whatever Happened to Baby Jane : O nome da banda é inspirado no filme de 1962 ‘What Ever Happened to Baby Jane?’ de Robert Aldrich, um thriller–horror que é marcado pela força de atuação de Bette Davis e Joan Crawford. O nome da banda difere do nome original do filme de ‘O que será que aconteceu a Baby Jane?’ um entendimento de passado, de ocorrido, e passa a ser ‘O que quer que tenha acontecido a Baby Jane’, trazendo Baby Jane pra uma nova atmosfera contemporânea, desterritorializada. Imagine uma criança extraviada para a América Latina, que cresce ao som de rock no Espírito Santo, Brasil. Esta é Whtbj.

CV: A banda tem pouco mais de um ano e lança seu EP “Inferno de Vida”. Falem sobre o processo de gravação, inspiração para músicas e letras.
Whtbj: Nós escolhemos quatro músicas do nosso repertório, investimos nas que estavam mais redondas e lançamos nesta sexta-feira, 21 de julho de 2017. Gravamos no estúdio Comanche, em Vila Velha, um estúdio que respeitou a sujeira do som, e deixou a gente bem a vontade. Percebemos como é diferente de tocar ao vivo, acho que gravar fez a gente se ouvir pela primeira vez! [risos]. E gostamos muito do resultado.

CV: Vocês têm letras em português e inglês. Isso é proposital, de olho em um mercado exterior, ou é mera coincidência e surge durante a composição?
Whtbj: Isso é proposital pois percebemos o quão somos bombardeados por essa cultura ocidental que nos molda desde que nos conhecemos por gente. Temos mais influências de bandas gringas do que latinas, por exemplo. Então acaba acontecendo naturalmente.

CV: Como vocês pretendem trabalhar a divulgação desse registro? No futuro poderemos ter a música de vocês no formato físico?
Whtbj: A princípio não pensamos no álbum prensado, pois o mercado de música hoje é voltado pra mp3 e mídias online. Queremos fazer clipes e gravar mais músicas antes de um álbum físico. Mas não é impossível que isso aconteça no próximo ano.

CV: Como está a agenda de shows e quem costuma assistir as apresentações da banda? Tem muito local para rolar um som com boa qualidade?
Whtbj: Estamos fechando um show pra agosto e vamos participar de um tributo ao Bulimia até o fim do ano.  Pretendemos continuar ensaiando, que é nosso ponto forte pra produzir novas músicas.

CV: Como é ter uma banda de rock quase no final da segunda década do século 21 e em um país que vive um momento complicado?
Whtbj: Acho que a gente ter se reunido é mais uma consequência desse momento polarizado e violento, de corte nas partes mais sensíveis da sociedade, como a cultura. Fazemos tudo de maneira independente, e temos conseguido continuar ensaiando. Nosso ponto de partida é o ensaio, pois é o momento de expressão, de fazer vazar tudo o que vivemos nesses momentos de barbárie coletiva. Não podemos deixar que isso fique na gente, transformar as experiências é fundamental.

CV: Recentemente vocês se apresentaram na Laja Festival com várias bandas de grande nome no underground. Como foi essa experiência? Participar de festivais é bom e é possível aprender algo com eles?
Whtbj: Sim, esses momentos de trocas são bem interessantes. Por a Laja ser uma produtora que tem bastante contato com o movimento Underground do país, o pessoal vem bastante animado e contagia! É inspirador ver o que as bandas do Brasil andam produzindo, trocar ideias, é um momento de troca de ânimos. Precisamos disso em toda parte, não só no cenário musical.

CV: Peço que cada integrante indique uma banda que esteja ouvindo no momento.
Vanessa – Ratos de Porão, Dominatrix, Bambix, Sonic Youth
Lorena – Anticorpos, Charlotte matou um cara, 7 Yearbitch, Babes in Toyland, Belgrado
Ignez – Mercenárias, Smiths, Warpaint

Agradeço pela entrevista e deixo espaço para considerações finais e merchan.
Whtbj: Instagram: https://www.instagram.com/whateverhappenedtobabyjane/

Impressões sobre o EP ‘Inferno de Vida’

Mais um lançamento Laja Records. Saiba como ouvir.
Como escrevemos na chamada da entrevista, o som do Whatever Happened to Baby Jane deixa qualquer um embasbacado quando o ouve pela primeira vez, afinal, é muita energia concentrada, em pouco mais de seis minutos de música, isso com a soma de tempo das quatro canções.

EP muito bem gravado, todos os instrumentos estão bem audíveis e como as garotas disseram, o técnico de som respeitou a “sujeira” que elas se propõem a fazer. Com letras em português e inglês, a banda está pronta para alçar voos maiores. Das quatro ótimas canções apresentadas, sempre temos aquela que ouvimos mais, então fica a dica para “Deixa ela em paz”.

Para curtir o som do power trio, acesse: https://lajarex.bandcamp.com/album/inferno-de-vida 

domingo, 28 de junho de 2015

Luxo no heavy metal

Fotos: Divulgação
Há alguns meses a banda itatibense Eyes of Gaia lançou seu primeiro álbum “The power of existence”. Disco gravado de maneira totalmente independente, os caras botaram a “bolachinha” no mundo e por onde passam chamam atenção dos apreciadores do estilo. Para saber mais sobre o trabalho dos caras, conversamos com o guitarrista Bruno Tourino. A entrevista na íntegra você confere abaixo. 

Canibal Vegetariano: Como a banda foi formada, desde quando estão na estrada? Houve alguma mudança na formação? Aproveitem e apresentem-se com nomes e instrumentos de cada integrante.
Bruno Tourino: A banda foi formada em 2008 pelo Mário Kohn (vocalista), Rodolfo Liberato (Baixista) e Flávio Sallin (ex-tecladista). Nessa época a banda lançou o EP “Final Tears” e também tocou com alguns nomes importantes como Dragonforce, Glenn Hughes e Almah. Em 2011 houve mudança na formação com a minha entrada e a do Paulo Virtuoso nas guitarras e a entrada do Betto Cardoso na bateria. Neste ano houve outra mudança na formação com a entrada do André Moura na bateria, substituindo Betto. A formação atual do Eyes Of Gaia é: Mário Kohn (vocal), Bruno Tourino (guitarra), Paulo Virtuoso (guitarra), Rodolfo Liberato (baixo) e André Moura (bateria).

CV: Como rolou o processo de gravação do álbum? Houve alguma ajuda financeira ou vocês bancaram tudo?
BT: Começamos a compor no início de 2012 e no meio desse mesmo ano começamos a pré-produção do álbum. Gravamos em espaços de tempo muito longos devido a vários contratempos. Basicamente bancamos tudo, tivemos alguns apoios, mas essencialmente sem nenhum patrocínio maior. Por conta de ser tudo independente acabou atrasando para ser lançado, só saiu em janeiro deste ano.

CV: A produção do álbum é de Edu Falaschi. Por que vocês optaram por ele como responsável por este trabalho?
BT: Já conhecíamos o trabalho do Edu como produtor e achamos que seria a melhor opção naquele momento. Ele tem bastante experiência e acabou passando muita coisa legal para gente. Aprendemos bastante com ele e gostamos do resultado final do trabalho.

CV: Como está a procura pelo CD e o processo de divulgação?
BT: O CD está tendo uma boa procura guardadas as devidas proporções do mercado atual e do nicho do heavy metal. Ele [CD] está sendo vendido diretamente com a banda e também na loja Die Hard, na Galeria do Rock, em São Paulo. Divulgamos o CD basicamente pela Internet através das nossas mídias sociais e sites parceiros que fazem resenhas. Os shows também tem sido uma ótima forma de divulgação. A procura por CD e camiseta nos shows tem sido boa.

CV: Como as pessoas tem recebido o trabalho?
BT: O feedback tem sido muito positivo! Superando todas as nossas expectativas. Tivemos uma resenha com nota 9 na revista Roadie Crew, a maior revista especializada do Brasil. Posteriormente rolou uma entrevista bem legal na Roadie Crew também, feita pelo Ricardo Batalha, um nome bem respeitado no meio. Diversos sites especializados também têm feito resenhas bem legais falando bem do álbum. Sem contar as pessoas que tem vindo elogiar o álbum diretamente para nós através do Facebook. Outro fato muito importante na carreira da banda foi a entrevista no programa do Andreas Kisser, na 89 A Rádio Rock. A audiência do programa é muito grande e fez com quem pessoas de todo o Brasil conhecessem nosso trabalho!

CV: Quais os planos da banda para o segundo semestre?
BT: No segundo semestre queremos continuar fazendo shows para divulgar o álbum que é bem recente. Temos algumas datas marcadas em Itapetininga/SP, com a banda King Of Bones, Pouso Alegre/MG, no festival Tonelada, Itatiba/SP (nossa cidade) com a banda Project46. E estamos negociando shows em mais cidades.

CV: Atualmente, quem é o público que ouve sons da banda? E os espaços para shows, como estão?
BT: O público do Eyes Of Gaia é o público do Heavy Metal, na sua maioria a galera entre 15 e 30 anos. É um nicho pequeno, bem segmentado porém exigente. Existem bares e casas de shows que abrem espaço para bandas de heavy, além de festivais e shows em eventos públicos. É importante a união das bandas para que o público sempre se multiplique nos shows e as bandas aumentem seus seguidores.

CV: Grato pelo papo, deixo espaço para considerações finais.
BT: Muito obrigado pelo convite, pela oportunidade para contar sobre nosso trabalho e parabéns pelo seu excelente trabalho que é importantíssimo para as bandas independentes e para a cultura do país de uma maneira geral. Quem quiser conhecer mais sobre o Eyes Of Gaia acessem nossas mídias sociais:
www.facebook.com/eyesofgaiaofficial
www.youtube.com/eyesofgaiaofficial
www.eyesofgaiaofficial.com
Muito obrigado! Paz e amor!

Impressões sobre ‘The power of existence’

O heavy metal é um dos estilos que mais exige de seus músicos e talento é o que não falta na banda Eyes of Gaia. O primeiro registro dos caras “The power of existence” mostra toda capacidade individual dos músicos e também o trabalho que conseguem desenvolver em equipe.
Com dez faixas e produção de Edu e Tito Falaschi, a banda mostra tudo aquilo que os fãs do estilo adoram. Guitarras altas, solos, bends, vocais afinados, baixo encorpado e bateria alucinante. 
Esse é um álbum que os amantes da música “pesada” precisam ter em sua discoteca, afinal, não é sempre que uma banda lança um disco com tanta música boa e de maneira totalmente independente. Se você ainda não tem o seu, corra para adquiri-lo.

domingo, 3 de maio de 2015

‘Se o rock não rola tanto é por culpa do público que não valoriza as bandas desconhecidas’, critica Pirocca

Fotos: Divulgação
Não é zoeira, a afirmação acima é do jovem Pirocca, de prenome Arthur, guitarrista e vocalista da banda Bikini Hunters, de Veranópolis, cidade que fica na serra gaúcha. Além dele, fazem parte do time o baixista Lenon Peruzzo e o baterista Davi de Lima. Recentemente o power trio lançou seu primeiro registro e desde então tem chamado atenção das pessoas que gostam de ouvir bom rock e música honesta. Para saber mais sobre o trabalho dessa gurizada, conversamos com Arthur, escrever Pirocca pegaria mal, que deu uma geral na história da banda.

Canibal Vegetariano: Algo que chama atenção na banda é o nome. Ele tem algum significado?
Arthur Pirocca: Acho que ele fala por si só. Bikini Hunters, um nome descontraído e que mostra um pouco o nosso lado brega cafajeste. O nome surgiu quando ainda nem tínhamos ensaiado juntos, veio das nossas influências da surf music e do bubblegum, mesmo sendo bem difícil ver garotas de biquíni aqui na serra gaúcha, devido às temperaturas negativas e tudo mais (risos).

CV: Há quanto tempo estão na estrada? Já passaram por alguma mudança na formação?
AP: Bicho, quando fazem essa pergunta eu até fico meio tenso, porque já estamos com nove anos de banda. Temos uma demo bem tosca (mas que temos muito carinho por ela e a galera ainda pede para tocarmos nos shows) gravada em 2006! Claro que paramos várias vezes, voltamos e até então nunca tínhamos levado a sério. Posso dizer que a Bikini Hunters começou a existir de verdade no ano passado, quando decidimos que ou fazíamos algo (um disco, saíamos tocando por aí e tudo mais) ou nem valia mais a pena ficar tocando só por tocar. Essa é a terceira formação. Só resta eu da primeira (devo ser chato afú!). Todo mundo virou gente séria e eu continuo nessa maldição que é o rock. O primeiro a sair foi o Vini (baterista) que decidiu se tornou aviador e deu lugar ao Davi. Algum tempo depois o Lenon entrou na banda no lugar do Gordo, que decidiu deixar a banda para casar, adotar 28 gatos e estudar engenharia. Coisas da vida. As influências mudaram mas o baile segue.


CV: Vamos falar sobre o disco de vocês. Como rolou o processo de gravação?
AP: A coisa foi extremamente rápida e divertida. Nosso mestre, Davi Pacote, chegou a comentar que no ritmo que estávamos indo era um possível recorde do estúdio. Em um sábado gravamos todas baterias e baixos. No domingo estávamos de ressaca, chegamos tarde ao Hill Valley Studios mas gravamos todas guitarras, com algumas participações fundamentais, como a do próprio Pacote e do Akiro (um grande amigo nosso). No outro fim de semana estávamos gravando as vozes e aí surgiu o Sérgio (Caldas) da Motor City Madness. O cara toca em uma das melhores bandas do Brasil e nem por isso deixou de ser humilde ao extremo. Chegou lá e cantou, deu pitaco, tomou umas quantas geladas e passou o dia inteiro lá com a gente. Fizemos uma baita parceria e até tocamos juntos no final do ano passado. Foram três dias de total diversão e que deixou gostinho de quero mais, fazer um novo álbum para logo!

CV: Quais as influências para composição das músicas e como surgem os temas para letras?
AP: As influências musicais são diversas. O Lenon gosta de sujeira, Motorhead e Nirvana, por exemplo. O Davi gosta de uns hardcores podreiras, tipo Ratos de Porão, Mukeka di Rato, mas também é bastante ligado ao rockabilly. E eu sou bem eclético, mas sempre acabo deixando tudo soar com uma pitadinha de Ramones. Então, a coisa é “bemmm” diversificada sonoramente. Sobre as letras, chegamos em uma fase muito foda da banda que estamos fazendo muita coisa juntos. Alguém lança uma ideia ou alguma coisa que aconteceu entre nós e as coisas vão sendo escritas por nós três (sempre com algumas biritas na cabeça, mas isso é detalhe). Ainda acontece de um ou outro levar alguma canção quase pronta, mas no final a gente sempre conclui em conjunto as canções, sem muito apego para xingar a música do outro ou elogiar.

CV: Como está sendo o trabalho de divulgação deste trabalho?
AP: Acho que isso foi surpreendentemente animador para nós. Entramos em contato com alguns blogs depois que lançamos o disco e a coisa foi se tornando uma bola de neve, um blogueiro via o disco no blog do outro e divulgava e assim sucessivamente, tanto que o disco já saiu há algum tempo e ainda tem gente falando dele quase toda semana. No soundcloud são aproximadamente mil plays por mês e querendo ou não, isso anima demais banda. A internet proporciona essas coisas, faz rádios de lugares onde nem dá para imaginar tocarem o nosso som, faz pessoas totalmente desconhecidas virem nos conhecer para bater um papo e dizer que gostam das músicas. Enfim, acho que só depois do disco estar pronto conseguimos entender uma das coisas mais legais do rock, que é conhecer muita gente bacana e que gosta de som igual nós.

CV: Aproveitem e comentem como está a atual cena rock não somente no município de vocês, Veranópolis, mas também no Rio Grande do Sul.
AP: No nosso município o pessoal é chorão e preguiçoso. Uns reclamam que não têm chance mas nunca gravaram nada realmente relevante, outros vivem naquela maldita onda de fazer covers para poderem tocar por aí. Acho que ao mesmo tempo que tem várias portas abertas e é só correr atrás, o pessoal está um pouco acomodado; nós somos um exemplo disso! Olha quanto tempo ficamos praticamente “parados”, mas quando começamos a nos mexer as coisas começaram a acontecer. Bandas boas têm por todo canto aqui no RS, a citada anteriormente, Motor City Madness, é uma pedrada e estão rolando pelo Brasil todo, a Flanders 72 voltou de turnê na Europa não faz muito tempo, algumas bandas focam mais em tocar aqui no sul mesmo (Os Horácios, Júlio Igrejas, Os Torto), e vejo que tem várias bandas legais pra caramba que também estão gravando e correndo atrás, a Estive Raivoso é um exemplo delas. Enfim, acho que tem muita banda acontecendo e fazendo um som honesto aqui no Sul (e isso é o mais importante). Mas “eu também vou reclamar” e dizer que se o rock não rola tanto por aí, é por culpa do público que não valoriza as bandas “desconhecidas” ou de som autoral; preferem ver um cover, ou pagar ingressos caros para ver bandas “consagradas” antigamente e que hoje já não lançam mais nada de legal e fazem shows bem sem energia.

CV: Quais as próximas metas de vocês?
AP: Cara, deixa a “ceva” gelando que logo, logo estamos por aí um barulho (risos). Esse papo de nos largarmos por aí fazendo som é uma constante nos ensaios, deixamos o show redondinho e agora o foco é tocar. O disco foi uma grata surpresa e nos animou muito. Aquele medinho ou comodismo de não sair por aí para tocar por ser uma puta função (e acreditem, é!), não está mais rolando com a gente. Só queremos tocar em todo canto, finalmente percebemos que funcionamos assim, na pressão, marcando e fazendo as coisas e depois pensando nas consequências. Nunca botamos muita fé no nosso próprio som e acho que esse foi um grande erro, o que descreve bem isso, foi um dia que um de nós da Bikini, não lembro quem, estava com um disco físico nosso (sonho realizado) na mão e disse: “bichosss... se essa banda não fosse nossa, eu ouviria ela com certeza!”. Gostamos realmente do que fizemos, estamos felizes por estarmos tocando com bandas que curtimos para caramba e continuamos compondo sem parar. Achamos que os novos sons que estão surgindo estão ainda mais divertidos, têm um jeitão todo nosso (no disco que lançamos ainda dá pra perceber algumas coisas bem “ramônicas”). Então, queremos tocar sem parar até o fim do ano, para chegarmos lá e podermos gravar coisas novas e ainda mais legais.

CV: Agradeço pela atenção e deixo espaço para “merchan” e considerações finais.
AP: Nós é que agradecemos o apoio de sempre, é um enorme prestígio a Bikini Hunters ser curtida por um cara que entende tanto de som quanto tu. Então, vamoooosss ao business:
O Facebook é legal porque a galera dá umas risadas com as nossas asneiras, anda vindo um pessoal bater papo com a gente (e isso é foda demais!), têm bandas querendo marcar uns rolês juntos, galera comprando discos e camisetas, enfim, dá um “like” na “page” que coisa toda acontece lá: www.facebook.com/bikinihunters
E óbvio, aumenta todo o volume do teu som e ouçam a Bikini Hunters: soundcloud.com/bikinihunters
VAMOOOOSSSSSS NÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓSSSSSSSS!!!!

Impressões sobre o disco 'Bikini Hunters' 

São nove canções em 25 minutos, uma mistura de power pop com punk rock, assim pode ser definido o som do trio da serra gaúcha Bikini Hunters. Em seu primeiro álbum, a banda mostra várias influências ao longo das faixas que foram gravadas nos estúdios Hill Valley.

Das faixas que compõem o disco, o destaque vai para “Bárbara”, que tem os elementos citados acima e a letra é muito boa, os caras falam sobre uma garota argentina fã de Ramones. Outra que se destaca é “Hot rod king”, com participação do vocalista e guitarrista da Motor City Madness, Sérgio Caldas. Ele ainda participa das faixas “Não tive tempo” e “Tudo o que eu queria”. Além do responsável pela voz do Motor City, Akirão e Pacote também participam do disco com guitarras e teclado.

Como todo bom registro musical precisa de arte e boa gravação. A qualidade do trabalho é muito boa assim como a arte da capa mostra um pouco do perfil da banda, música para diversão. O encarte vem com todas informações e as letras para que o fã acompanhe junto com a banda as belas canções ali registradas. Para o primeiro registro feito de maneira independente, os caras merecem todos os parabéns e nosso respeito. 

domingo, 26 de abril de 2015

‘Presente de Natal’ aos apreciadores de rock e música instrumental

Fotos: Canibal Vegetariano
Nossa última visita ao Quintal do Gordo, em Campinas, rendeu ótimos frutos. Além de ouvirmos boa música, entrevistamos duas ótimas bandas que estavam de passagem pelo Estado de São Paulo. Além da Motor City Madness, conversamos também com Foca, guitarrista e tecladista da Camarones Orquestra Guitarrística que recentemente lançou o novo álbum “Rytmus Alucynantis”. Além do novo disco, falamos sobre turnês e divulgação do novo trabalho. Nas duas entrevistas tivemos o apoio do nosso sócio Will Edu.

Canibal Vegetariano: Cara, como rolou o processo de gravação do álbum “Rytmus alucynantis” e como está a divulgação deste trabalho?
Foca: Estamos no início da turnê, fizemos alguns shows de aquecimento em janeiro antes do lançamento do disco. Em fevereiro, no final do mês, lançamos o álbum e agora estamos em uma turnê pelo Sudeste. Além destes shows teremos mais 50 datas e vamos para o Norte, Centro Oeste e Europa. Somos uma banda de rock instrumental mas brinco que somos mais rock do que instrumental devido aos elementos que misturamos em nosso som e pelo lado festivo de nossa música.

CV: Como vocês veem a cena do interior paulista?
F: Hoje deve ser a região de mais fácil circulação durante a semana. Quando viajamos para cá tocamos todos os dias, segunda, terça quarta... tem grandes cidades próximas e isso facilita o trabalho e acredito que atualmente é um dos circuitos mais legais para tocar.

CV: Fale um pouco sobre a turnê que farão pela Europa.
F: Será nossa segunda viagem, em maio do ano passado fizemos 15 shows e este ano triplicou.  Desta vez faremos em duas etapas. Entre maio e junho vamos tocar em vários países mais dois shows, em Liverpool e Barcelona, são os que mais destacam-se. As datas estão bem legais e recebemos convites aleatórios para as apresentações. Na segunda parte, em setembro, faremos Alemanha, França, Suíça e Áustria. Para esta parte da turnê o convite partiu de nosso selo de Berlim.

CV: Há algum tempo percebemos que as bandas instrumentais estão em alta no país e vocês são uma prova. Como encara isso?
F: A vantagem de ser instrumental fora é que não teremos a barreira da língua. Quem canta em português às vezes não consegue espaço fora e quem toca aqui e canta em inglês às vezes não tem tanto espaço. Mas ser instrumental também pode ser limitado. Mas fazemos rock e nos últimos anos o Brasil apresentou inúmeras bandas instrumentais que não saíram do jazz do erudito e isso contribui com a popularização do som.


Impressões sobre “Rytmus alucynantis”

Pense em um disco que te faça rir, chorar, dançar, agitar e até mesmo filosofar. Agora, pense que você faz tudo isso sem ouvir uma palavra? Conseguiu? Se não, é porque ainda não ouviu a pérola que a banda potiguar Camarones Orquestra Guitarrística lançou em fevereiro deste ano, denominado ““Rytmus alucynantis”.
Com 11 faixas, o quarteto dá uma aula de rock’n’roll em pouco mais de meia hora de música que vai desde um rock direto e cru até mesmo a ska com leves pitadas de eletrônica tiradas de um teclado muito doido utilizado por Foca, que também é um dos guitarristas da banda. No novo álbum, os músicos mostram bom entrosamento assim como ocorre nos shows e a pegada em estúdio é muito boa e faz com que eles consigam reproduzi-la muito bem ao vivo. Dentre as canções, “Silêncio, barulho a vista”, “Apocalypso”, “Rytmus alucynantis” e “Down the ball” estão entre os destaques.
Assim como todo álbum de banda independente, na atualidade a qualidade sonora não deve em nada para bandas que sejam de gravadoras. A arte também é espetacular mas o mais importante de tudo são as canções e elas são simplesmente sensacionais. Se você ainda não tem, o que está a fazer que não adquiriu? 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O rock insano que vem dos pampas

Fotos: Canibal Vegetariano
 Depois de um hiato de dois anos, a banda gaúcha Motor City Madness lança seu segundo álbum, intitulado “Dead City Riot”. Lançado no início deste mês, a banda logo na primeira semana fez shows de divulgação do novo trabalho em shows pelo Estado de São Paulo. Acompanhamos apresentação da banda em Campinas e antes do show conversamos com o vocalista e guitarrista Sérgio Caldas que falou sobre o disco e outros assuntos referentes a banda.

Canibal Vegetariano: Fale sobre o lançamento do novo álbum?
Sérgio Caldas: Foi lançado em 6 de abril com 11 músicas. Depois de dois anos sem nenhum lançamento, trocamos de formação. Com isso resolvemos gravar o disco e “cair” na estrada, pois não há final de semana em Porto Alegre. Gravamos tudo em 12 horas e o disco está uma “pedrada”. É Motorhead na cabeça!

CV: Ao citar Motorhead, podemos dizer que é a principal influência?
SC: Cara, cada um curte um lance diferente na banda, um é metaleiro, outro curte stoner, eu curto muito punk rock, para caralho, trash velho... Mas temos algumas coisas de MC5, vocais podres, gritos, mas neste novo disco tem algo de Radio Birdman entre outras bandas. Ao todo o novo álbum dura 23 minutos com 11 músicas.

CV: O disco será lançado em CD?
SC: Depois do ensaio conversávamos sobre isso e fomos para minha casa onde rolam as promoções. Durante o papo, vimos que rolava promoção de passagem aérea e marcamos os shows no interior de são Paulo. Depois disso gravamos e mandamos ideia para o (Daniel) ETE fazer a capa e de repente lançamos em formato virtual e temos o físico também. Quando decidimos fazer o disco tínhamos nove músicas prontas. E o mais louco é que marcamos o lançamento antes de gravá-lo.

CV: Por que escolheram lançar o disco no interior do Estado de São Paulo?
SC: Cara, temos experiências anteriores e aqui tem uma parada legal e nos sentimos em casa. Tocamos em Sumaré e parecia que estávamos em casa. Em Sorocaba rolou em um bar com churrasco e agora o Quintal do Gordo (Campinas). O lance é tocar o máximo possível longe de casa pois sentimos que a galera tá meio carente desse “rock pau duro”, em que a banda chega vomita e vai embora, meia de show e já era. Essa é a parada e temos divulgação na internet e deixamos claro que se alguém colocar 50 pessoas, junta os amigos, eles pagam a viagem. Além de tocar, conseguimos divulgar o disco e mantemos a banda.

CV: Como está a cena no Rio Grande do Sul?
SC: Cara, tá uma bosta! Teve uma época bem boa de Porto Alegre, em que foi chamada “terra do rock”. Atualmente temos umas bandas legais como Bikini Hunters, Phanton Powers, Big Flamingos que fazem a gira direto conosco. Mas tem muito cover, essa punheta que deixa nego acomodado e se não for isso o cara pensa que não dá público. Tocamos direto, mas não tem tanta gente que faz o “corre” como antes. A cada cinco anos o público muda. Temos as mídias, temos que divulgar para a molecada, não para meus amigos bancários, administradores. Mesmo assim levamos as bandas, tentamos o Drákula, quem sabe eles irão.

CV: Agradecemos o papo e vida longa ao Motor City...
SC: Cara, agradeço mais uma vez o espaço no blog e no programa, sempre é bom voltar a Campinas, onde temos muitos amigos. Aproveito a oportunidade para dizer aos caras que continuem com o trampo... vai dar merda, vai gastar dinheiro, vai brigar com a mulher, a mãe vai xingar, mas se a parada for verdadeira dará certo. Tu não irás ficar milionário mas terá muita experiência de vida. Ouça as bandas que tocam no programa e comprem nosso novo disco.

Impressões sobre ‘Dead City Riot’

Em entrevista ao blog e ao programa A Hora do Canibal, Sérgio Caldas, vocalista e guitarrista da Motor City Madness definiu de maneira bem interessante o som que sua banda faz: “rock pau duro”. Se isso quiser dizer bateria sendo espancada, ótimos riffs de guitarra, baixo preciso e com “peso”, ele tem toda razão. Afinal, em pouco mais de 20 minutos os caras botam para quebrar em 11 faixas.
Dois anos depois do lançamento do primeiro álbum e com Fabian Steinert como novo guitarrista, os caras apresentam maturidade e fúria ao mesmo tempo. A maturidade pode ser explicada pois não há nada solto no novo disco, ele é o que chamávamos há alguns anos de “disco conceitual”. Se tu quiseres saber o que é, não vamos entregar o jogo, terás que ouvir cada faixa, cada riff, cada passagem de baixo e virada de bateria. Entre as faixas, difícil citar uma que seja destaque, não há, todas te deixam sem fôlego com dores no pescoço.
Sobre a parte técnica é dizer que tudo está em seu lugar, o álbum foi muito gravado e este disco passa sentimento, causa impressão que foi gravado ao vivo, qualidade para ninguém reclamar e não dever nada para qualquer banda ou gravação estrangeira. Outro ponto positivo é a arte. Outro ótimo trabalho do “mestre das caveiras” Daniel ETE, com andarilhos, mortos-vivos e todo belo caos que sua arte retrata. Por isso, não perca mais tempo e adquira já o seu antes que acabe! 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Mozine fala sobre novo disco da Mukeka di Rato

Fotos: Canibal Vegetariano
Fábio Mozine, baixista da banda capixaba Mukeka di Rato e dono da querida Laja Records, atendeu pedido do fanzine/blog Canibal Vegetariano e respondeu algumas perguntas sobre o novo trabalho de sua banda, "Hitler's dog Stalin rats". Ao final do papo você pode conferir resenha do novo álbum do quarteto.

Canibal Vegetariano: Moz, nos explique como surgiu este tema para o novo álbum de vocês. Por que “Hitler’s dog Stalin rats”?
Fábio Mozine: Desde sempre, desde 1995, o crust foi um estilo muito presente na vida dos integrantes do Mukeka di Rato, tanto que o nome da gravadora é Laja, com trema, etc.  Sempre fizemos mais músicas nessa pegada em todos os nossos discos, mas sempre com as outras influências do Mukeka presentes, algumas mais distante como tipo “uns Nirvana”, que a gente escutava. Também escutava bandas como Operation Ivy, por isso tentava fazer uns skazinhos, etc. Quando decidimos fazer um disco focando mais no grind, no crust, eu andava lendo muito sobre segunda guerra mundial, tava cheio de livros, aí emprestei alguns para o Sandro (vocalista), incluindo um que faz um breve resumo da segunda guerra e um que fala especificamente sobre a polícia secreta de Hitler e também um sobre Stalin.  Depois daí apareceu a letra do Sandro, e atualmente, nessa guerrinha nojenta de classes que temos vivido em nosso país, acho que coube com uma luva.

CV: Das 8 faixas, a maioria é em inglês. Algum motivo especial?
FM: Nenhum motivo. Não queremos vender mais lá fora, inclusive penso que gravadoras lá de fora até preferem as bandas que cantam em português, não vamos fazer tour lá fora, porque não temos tempo nem tanta disposição... ou seja, foi apenas por vontade própria mesmo, para testar, tentar, ver como ia soar, etc. 

CV: Como rolou o processo de gravação desse disco? Em comparação com os outros ele é mais “rápido” e “pesado”.
FM: Esse lance do rápido e do pesado não foi definido no processo de gravaçãoo e sim no processo de criação e concepção do disco.  Na gravação apenas colocamos em prática nossa ideia, que foi extremamente bem captada e aceita pelos irmãos Fernando e Daniel Ganjaman.  Tivemos que abrir mão de alguns avanços tecnológicos, alguns conceitos de gravação, de timbragem, usamos alguns microfones que não são usados, tudo isso pra chegar exatamente aonde a gente queria, inclusive, utilizando som de linha numa guitarra, e por aí vai...

CV: A versão que fizeram para “Guerra desumana” do Ratos de Porão ficou muito boa. Como rolou essa escolha? E a participação de João Gordo em “Full metal jacket”?
FM: O Gordo está em constante contato conosco, mas principalmente comigo pelo fato de trabalharmos muito com o RDP (Ratos de Porão) e Laja.  Então o contato com ele para fazer a “Full metal jacket” foi bem fácil.  Em relação ao cover caiu como uma luva também. Haviam sete músicas e eu achava pouco, então buscamos um cover, sempre foi vontade gravar Ratos e essa música também seria usada para tributo ao RDP volume 2, então juntou tudo.

CV: Como está sendo o trabalho de divulgação? Haverá turnês deste novo trabalho? Viagens ao exterior?
FM: Não fazemos mais viagens ao exterior com o Mukeka di Rato, acho muito improvável que haja novamente uma tour do Mukeka fora do Brasil.  Também não fazemos mais tours no país, o que vai acontecer são shows nas capitais, principalmente aos sábados.  Já temos convite para tocar em praticamente todos os locais e em breve vamos começar a marcar as datas.


CV: Quais os próximos projetos da Mukeka di Rato?
FM: No meio desse ano vamos gravar um split 7” com a banda Tropiezo, de Porto Rico.  Esse 7”  será lançado apenas nos EUA (Estados Unidos), mas óbvio, vai ter cópias por aqui para distro.  Já temos também parte da concepção do nosso novo disco que vai se chamar “40 carnavais em uma noite” mas não tenho nem ideia do que pode sair daí, nem quando. Alguns amigos que acompanham a banda há muito tempo gostaram muito desse disco novo, afirmam ser o melhor, porém, alguns fãs do Mukeka não gostaram muito, ou não entenderam, ou não conhecem essas referências ou simplesmente não gostaram mesmo do “Hitlers”.  Bom, tenho medo do que essas pessoas vão achar do 40 carnavais...



Impressões sobre ‘Hitler’s dog Stálin rats’
Läjä Records

Um Mukeka di Rato mais rápido e agressivo, assim pode ser definido o novo disco do quarteto capixaba, denominado “Hitler’s dog Stalin Rats”. Ao todo são oito faixas em pouco mais de 14 minutos.
A faixa de abertura do disco que dá nome ao álbum é uma “porrada na orelha”, como diz Gastão Moreira, a música é uma das mais lindas já compostas pela banda. Peso, fúria e agressividade na medida certa que ao vivo deve fazer com que a galera abra enormes rodas de pogo.
E assim segue o álbum, com guitarras distorcidas e com uma “sujeira” que não é comum ouvir em gravações atuais. Os vocais de Sandro seguem a linha mais “porradaria brutal” e apresenta uma fúria jamais imaginada. As letras, a maioria está em inglês mas há músicas em português espanhol e italiano. Outros pontos positivos são a participação de João Gordo, vocalista do Ratos, na faixa “Full metal jacket” e a versão do Mukeka para “Guerra desunama”, do RDP.
Sobre a gravação e o trabalho no estúdio basta dizer que tudo está muito nítido e um instrumento não encobre o outro como pode ocorrer. Gravação de primeira qualidade. A arte da capa é algo obscuro e tem tudo a ver com a proposta musical apresentada pela banda. Se você ainda não tem esse disco, corra para loja mais próxima de sua casa ou faça o pedido direto com a Läjä Rekords pelo e-mail: lajarex@uol.com.br 


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Perturba: o limite entre o rock e o punk

Divulgação
A banda Perturba lançou recentemente seu primeiro álbum, intitulado "Veja bem, caralho!". De Várzea, cidade natal do quarteto, formado por Jadilson (voz), Dulino (guitarra), Fabio (bateria) e Xuxu (baixo). Por causa deste lançamento, conversamos com Dulino Perturba, guitarrista, que falou sobre como tudo começou e as metas da banda e claro, do lançamento do primeiro registro. A entrevista na íntegra você confere abaixo.

Canibal Vegetariano: Como surgiu a banda Perturba? Há quanto tempo estão na estrada?
Dulino Perturba: A banda surgiu em 2009, de uma insistência alucinada do nosso ex-vocalista, o Wagão. Toda vez que nos via ele falava: "Cara, vamos montar uma banda, tenho umas letras e preciso tirá-las da cabeça" (risos). Nos venceu pelo cansaço, montamos a banda com o nome de Perturbadores de Silêncio, gravamos com ele a demo "Queima Ele Até Torrá" de 2009, depois  o EP "As Fumaçãs Do Wagão", demos esse nome porque o Wagão havia deixado a banda no ano passado, e as músicas desse EP eram as últimas com a voz dele, daí o nome. Já havíamos chamado o Xuxu pro baixo, então o Jadi assumiu os vocais, e estamos na luta há quase seis anos.

CV: Como vocês definem o som da banda e quais as principais influências?
DP: Não gostamos muito de definir, mas costumamos dizer que é um simples punk rock  básico, três acordes, biruta, até a última dose, com influências de bandas que crescemos ouvindo, como todo mundo, eu acho, tipo Ramones, Nofx, Bad Religion, Toy Dolls, Ratos De Porão, Mukeka Di Rato, Inezita Barroso (risos).

CV: Vocês lançaram recentemente o disco "Veja bem, caralho!". Qual o motivo deste título?
DP: Quando começamos, os primeiros ensaios foram na casa do Jadi, e o pai dele, já falecido, usava muito isso, a cada três palavras que falava tinha um "Eita, Veja Bem Caralho", e nos ensaios ele interagia conosco, dava risada junto, tomávamos umas e surgiu esse refrão nessa época. Só agora decidimos finalizar esse som que acabou dando nome ao disco.

Divulgação

CV: Como foi a produção deste álbum e como está sendo a divulgação?
DP: Nós trabalhamos nele há bastante tempo, tem músicas que tocamos desde o começo da banda, outras que fizemos há alguns meses, tem um som da minha primeira banda, o Pânkreas de 1992, tem um som do Aerolitos, extinta banda do Jadi e do Xeca, tem um som do Ratos De Porão, que gravamos pra um Tributo ao SUB, que vai sair em breve, mas decidimos incluir também, colocamos a música "Cataratas Num Barril" como bônus , que já havia saído como single e depois como clipe. E estamos na correria de sempre, agora mais do que nunca para divulgar esse trabalho.

CV: Quem é o público da banda Perturba?
DP: Acho que é o pessoal que gosta de rock em geral, punk rock, hardcore, boa parte da galera do metal aparece nos shows também. Fazemos umas misturas loucas que acaba segurando aquele cara ali na frente.

CV: Quais os planos da banda para este final de ano e também para 2015?
DP: Daqui pra frente é divulgar, tocar no maior número de lugares possível, estamos dando andamento no nosso selo, Barata Discos em parceria com o Regredidos Do Macaco e o Gus do Metal No Pombal. A festa de lançamento acontece dia 16 de novembro em Jundiaí, no Aldeia, um domingão, grátis, para todo mundo ir divulgar seu trabalho, trocar CD, fazer contato. A correria começa de verdade a partir de agora e 'tamo' aí.

CV: Qual a avaliação que vocês fazem do cenário independente na região de Várzea Paulista?
DP: Aqui na região a cena independente tá acontecendo, tem bastante gente se mexendo, tem lugares bem legais com estrutura boa, como o Aldeia em Jundiaí. Lá tem a 'Sexta Autoral', organizada pelo Metal No Pombal, e temos o Taverna Snooker Bar, na Várzea, que abre espaço pra quem quiser. As bandas que estiverem realmente afim de tocar, gravar, divulgar seu som, tá bem servido.

CV: Grato pela entrevista e deixo espaço para considerações finais. Abraço.
DP: Eu que agradeço a vocês pelo espaço e apoio, abraço.                                                                                                                                    
Impressões sobre 'Veja bem caralho!'


O primeiro registro da banda Perturba chama atenção pelo capricho que os caras tiveram em fazer um disco bem gravado e com boa arte. A qualidade da gravação é excelente e não deve nada a qualquer grupo que ainda esteja em uma gravadora.
Outro ponto positivo é o trabalho gráfico. O encarte da bolachinha vem todas as letras, informações, agradecimento e informações adicionais sobre as gravações, ou seja, tudo aquilo que um fã de rock gosta quando compra um disco original.
Sobre o som da banda, eles misturam o bom e velho punk com muitas pitadas de rock. Um ponto positivo para banda é que os caras conseguem deixar muito claro a separação destes estilos. As letras são em português e relatam assuntos sobre o cotidiano e também algumas canções de protesto.
"Veja bem caralho!", é um disco que chama atenção e um dos melhores lançamentos deste 2014. A banda Perturba promete e se você ainda não tem essa bolachinha corra para adquirir a sua, a minha está garantida!

domingo, 7 de setembro de 2014

De Itatiba para o mundo

Canibal Vegetariano
A banda itatibense Fake Vulgarys lançou recentemente seu primeiro EP "A man who says". Com cinco músicas e gravado de maneira totalmente independente, as músicas do quarteto ganhou projeção internacional e blogs especializados em músicas comentaram muito sobre o EP. Para saber mais sobre esse trabalho, o zine/blog Canibal Vegetariano bateu um papo com os caras para saber mais sobre a banda e também sobre o EP.

Canibal Vegetariano: Por favor, apresentem-se aos nossos leitores: nomes, instrumentos e etc.
Fake Vulgarys: Composto por Rafael Cataldo (Vocal e Guitarra solo), Diego Machado (Guitarra base), Caio Guttner (Baixo) e Eduardo Limas (Bateria). A banda Fake Vulgarys surgiu em meados de 2012, com diversos músicos passando pelo baixo e bateria. Em 2013, Caio assumiu o baixo e a banda começou a gravação do primeiro EP. Durante o processo o baterista Eduardo juntou-se a nós fazendo desta a formação mais longa da banda.

CV: Como surgiu o nome Fake Vulgarys? Tem algum significado ou crítica a algo?
FV: A ideia do nome surgiu a partir de um disco do Queens of The Stone Age, chamado “Era Vulgarys”. A palavra “Vulgarys” gera muita confusão por ter diferentes sentidos. Vulgar significa ordinário, comum e como não nos consideramos parte deste meio, procuramos uma palavra que viesse a contrariar esta ideia. Daí surgiu a palavra “Fake”, termo bem comum na internet nos dias de hoje. Resumindo, o significado por trás do nome “Fake Vulgarys” é o de que todo mundo deve ter senso crítico e não deve seguir cegamente pré-conceitos, que são martelados por inúmeros veículos de comunicação. Apesar de sermos obrigados a viver segundo as regras estipuladas pela sociedade, tentamos na medida do possível, fazer aquilo em que acreditamos através da música.

CV: O som de vocês remete a bandas inglesas e estadunidenses. Quais são as principais influências da banda?
FV: Os integrantes tem influências distintas e que começam lá atrás pelos Beatles & Stones passando por Led Zeppelin, Queen, Sabbath, U2, Red Hot, Nirvana, Oasis, Foo Fighters e Queens of The Stone Age. Não dá para citar todas as bandas pois cada membro tem um gosto bem distinto. O Caio curte mais metal, o Dú e o Diego curtem mais Grunge e o Rafael Brit-Rock e Stoner Rock. As composições acabam por refletir uma mistura de vários elementos dentre estes gêneros com maior influência do rock presente nos anos 90.

CV: Como vocês compõem? 
FV: O processo de composição não segue nenhuma regra. Das 5 músicas do EP, em três o Rafael e o Diego compuseram juntos seja um trazendo um riff e o outro criando as partes dos vocais, seja ajudando na harmonia, etc. Por exemplo, a música “In Any Life with Her” começou com o Diego mostrando uma melodia no teclado e daí o Rafael criou a melodia/ letra, depois o Caio ajudou a criar a parte da ponte, etc.  Como as músicas são em inglês, o Rafael é o responsável pelas letras, mas em alguns sons como Sin City, Diego o ajudou com algumas ideias. Às vezes as músicas já vem com a sua estrutura pronta como “A Man Who Says” e “Fight For Another Day”, que o Rafael trouxe prontas. Nos arranjos criados na pré-produção todos os membros tem a liberdade de opinar e assim vamos acrescentando elementos na música.

Canibal Vegetariano

CV: Falem sobre a gravação do EP. Como ele surgiu, como foi o processo no estúdio?
FV: Montamos um Home Studio e o EP foi concebido totalmente de forma independente onde somente os membros da banda participaram das etapas de produção, gravação, mixagem e masterização. Trabalhamos com muito afinco para encontrar a melhor maneira de obter um bom resultado sem grandes investimentos.  

CV: O EP de vocês têm sido muito bem comentado fora do Brasil. Como vocês avaliam essa informação?
FV: Para ser sincero, esta notícia nos pegou de surpresa. Trabalhamos muito ao longo de 2013 para gravar um EP de qualidade. Sabíamos do potencial das músicas, mas mesmo assim não esperávamos um retorno tão rápido, principalmente, de fora do país, onde conseguimos maior retorno do público. Uma matéria americana nos destacou como uma dentre 7 bandas independentes estrangeiras que você deveria ouvir. Um motivo de muito orgulho foi que éramos a única banda latino-americana a ser citada.

CV: Quais os planos de vocês para o restante deste ano?
FV: Agora estamos nos concentrando em finalizar as músicas para o nosso primeiro CD e estamos fazendo shows para divulgar o nosso EP.

CV: Uma pergunta específica ao Caio. Você sempre tocou em bandas voltadas ao metal. O que te fez mudar e tocar um som mais alternativo?
CG: Minhas principais influências são, com toda a certeza, oriundas do Metal e por um bom tempo só escutava e tocava esse tipo de som. Com o tempo fui conhecendo outros estilos e mudando um pouco minha forma de tocar. Hoje já passei por bandas de Blues, Classic Rock, Punk, Progressivo e Pop Rock. Entrei no Fake, principalmente, por acreditar nas músicas em si e também por ser um desafio a mim como músico, pois nunca havia tocado e composto para esse estilo. Além de também agregar minha experiência a banda pois, notavelmente, ela ficou um pouco mais pesada com a minha entrada.

CV: Agradeço pela entrevista e deixo espaço para considerações finais.
FV: Agradecemos a equipe do Canibal Vegetariano pelo espaço e apoio concedidos para divulgação do nosso trabalho. Para todo mundo que quiser ouvir e acompanhar o nosso trabalho é só entrar em www.fakevulgarys.com que as músicas estão disponíveis via streaming. Quem quiser um EP físico é só entrar em contato com a banda pelo site ou pelo facebook em www.facebook.com/fakevulgarys.

Impressões sobre 'A man who says'


O primeiro EP da banda itatibense Fake Vulgarys chamou muita atenção de blogs gringos devido a qualidade musical apresentada. O disco que os caras gravaram tem cinco músicas e digo que a faixa número 2, "Sin City", é a melhor da "bolachinha". Rock com melodias, boas linhas de guitarra e um baixo com marcação precisa e ainda com "enfeites" que chamam muito atenção, principalmente de quem gosta de ouvir rock executado por bons músicos.
As outras músicas seguem uma mistura do que o pessoal convencionou chamar de "rock clássico" com pegadas de bandas "indies", principalmente dos anos 90, do século passado. As letras são todas em inglês e encaixam perfeitamente às melodias. Além das boas composições, o disco destaca-se pela qualidade de gravação. O ouvinte consegue prestar atenção a cada nota e não há instrumento que encobre outro. Para um primeiro registro, a banda começou muito bem e promete voos maiores.  

domingo, 13 de julho de 2014

Meivorts: do sonho juvenil à realidade

Motim Records
A banda valinhense Meivorts está na estrada há 10 anos e para completar uma década, os amigos Vih (vocalista), GC (baixo), Diego Kirk e Gui Trento (guitarras) e Carlos (batera) lançaram o EP Autocontrole. Para saber mais sobre esta novidade, conversamos com Gui Trento e Carlos para que falassem sobre o tempo de estrada, o novo trabalho e a cena da região. Abaixo, você confere o papo na íntegra.

Canibal Vegetariano: De onde vem a inspiração para o nome da banda? Há quanto tempo estão juntos e houve alguma mudança na formação?
Carlos: O nome da banda surgiu através de um amigo do Vih, o Turíbio, que conhecia um Sr. eletricista que tinha o apelido de “meiovort”.  Achamos engraçado, acrescentamos um S no final do nome e ae ficou Meivorts, eu já pensei em mudar este nome , mas depois de tantos anos como Meivorts, se tornou inviável.

Gui Trento: A banda surgiu em 2004, foi a união de amigos que andavam de skate e curtiam um som, aquela velha história, gostávamos das mesmas bandas e tínhamos o sonho juvenil de montar uma banda, adesivar uma van e conquistar o mundo, fazendo shows em todos os lugares possíveis, bueiros sujos e becos escuros! Entre idas e vindas completamos, em Janeiro de 2014, dez anos de Meivorts. A banda já chegou ter vários guitarristas, eu mesmo sai em um período, e outras pessoas passaram pelas guitarras também. Chegamos a  encerrar nossas atividades em 2010 (após a Tour “Hora de Mudar”). Mas a vontade de dar continuidade foi maior que qualquer problema interno, e voltamos a ativa bem rápido. Após esta volta, lançamos em 2012 dois singles, “Coragem” e “Desacordos”, ainda com o Alessandro na guitarra. E agora em 2014 lançamos nosso segundo EP, “Autocontrole”, via Motim Records.

CV: Quais as influências de vocês?
GT: Temos influências variadas, mas basicamente gostamos de ouvir rock e todas as suas vertentes: do metal ao punk-hardcore. Gostamos de Metallica, Slayer, Pantera, mas também gostamos de Minor Threat, Descendents, Black Flag, Bad Brains, Stiff Little Fingers, Pennywise, Offspring, Bad Religion e Rancid, e também bandas novas como Belvedere, Rise Against, Satanic Surfers, Pulley, Millencolin, etc, no geral bandas de hardcore melódico ou punkrock da Califórnia anos 90… gosto bastante do Reffer também! E claro, as bandas da região sempre nos inspiram, seja musicalmente, ou mesmo acompanhando a dura batalha de ser independente no interior: Muzzarelas, Labataria, FISTT, etc.
C: Dead Fish, Dilema, Mutação, Fast Falling, Tolerancia 0, Cólera, Porcos Cegos,  August Burns Red, All That Remains.

Divulgação

CV: Falem sobre o novo trabalho. Como foi o sistema de gravação, composição e como avaliam o resultado final?
GT: O EP “Autocontrole” é o resultado do nosso trabalho nos últimos 2 anos. As músicas foram compostas entre 2012/2013, e finalizadas no começo deste ano. Gravamos o disco no Chapola Estúdio, em Jundiaí. Já tínhamos gravado duas outras músicas com o Alexandre Chapola, que é um produtor foda que conhece a banda e sabe o tipo de som que nos agrada, então foi bem bacana trabalhar novamente com ele.
A composição geralmente parte de uma letra do Vih e do Carlos, então tentamos fazer jam sessions nos ensaios, juntando acordes e riffs que achamos legais e tocamos no intervalo de uma música e outra. Então montamos a base da música e tocamos ela um milhão de vezes até encaixar tudo em seu lugar, depois vamos adicionando camadas de riffs e guitarras oitavadas até chegar em um resultado que agrade a todos na banda.
O resultado final é que a evolução é nítida, em relação ao nosso primeiro EP “Hora de Mudar” (lançado em 2010). Antes era mais cru, mais simples e mais direto, tanto o som quanto as letras. Agora, com a entrada de mais um guitarrista, e com as influências de Metal que o Diego trouxe pra banda, certamente as músicas ficaram mais trabalhadas, com várias passagens e viradas, riffs e solos que certamente agradam o público do metal.
Até o momento recebemos vários elogios, tanto sobre a evolução e a qualidade das músicas, quanto à qualidade da gravação. Podemos ser uma banda independente, mas precisamos ter um trabalho de qualidade para divulgar, certo?

CV: Agora que o disco foi lançado, como será o trabalho para divulgação?
GT: O disco foi lançado e está sendo distribuído via Motim Records, que é um selo independente que criamos este ano para auxiliar os artistas e bandas independentes da cidade e também da região. Existe um cronograma de divulgação online, já lançamos via iTunes [é o independente invadindo o mainstream!) e Bandcamp, que é uma excelente plataforma para artistas independentes conseguirem monetizar seu trabalho, tanto para música quanto para o merchandising (camisetas, bonés, etc].
Será distribuído também o disco físico, já estamos enviando para várias pessoas, bandas, blogs e sites conhecidos no ramo musical, selos, zines, gravadoras, etc. Além da venda nos shows da banda. Em breve confirmaremos a Tour Autocontrole 2014, com shows passando por várias cidades, com destaque para Rio de Janeiro, Santos e Curitiba.

Renata Nascimento

CV: Vocês lançaram o disco em formato digital e também em CD. Qual tem tido mais procura?
GT: Tivemos um bom número de plays na primeira semana de lançamento do disco no Bandcamp, mas a procura por CDs também é grande. Muitas pessoas mandaram mensagens pedindo para reservar o CD, com medo que acabasse.  Acho que esse revival por discos de vinil fez com que as pessoas tivessem mais carinho e dedicassem mais tempo a um encarte, a entender o conceito todo do disco, não somente escutar, mas ler a letra e cantar junto, e o CD promove esse fenômeno também.

CV: Sobre nossa região, como vocês analisam a atual cena e locais para tocar?
GT: Não acredito que exista uma cena. Acho que existe sim, principalmente em Campinas, muitas bandas e muitos organizadores comprometidos com a organização de shows. Existe um movimento, um cenário independente alternativo (tanto de artistas plásticos como bandas independentes) que agita culturamente a cidade e mantém a chama acesa. Um bom exemplo é o Hector Vega (Zazá), responsável pelo Café in Sônia, que organiza shows e exposições com frequência. O Quintal do Gordo, que é um excelente local para tocar e encontrar amigos (arrisco dizer: o melhor pico de Campinas e Região). Tem o Daniel ET (Chop Suey/Muzzarelas) e o pessoal da Disorder, que sempre apoia os eventos na cidade, mas saindo de Campinas, a coisa piora. Sabemos que o Léo Dias (Fast Falling) tá fazendo um trabalho bacana lá em Indaiatuba, e o Filipe Furlan (Inesperado) tá agitando as coisas em Jundiaí, e claro, tem vários zines e impressos de qualidade que apoiam esse movimento independente, e o Canibal Vegetariano certamente é um deles. Fora isso, sabemos da existência de alguns coletivos e grupos independentes, mas parece que são grupos e eventos isolados, nada muito homogêneo.
O problema é que as bandas ficam esperando as coisas caírem do céu, chegar o produtor milionário que vai levá-los para a Warped Tour. Isso não vai acontecer. A galera precisa se movimentar, criar eventos, fazer shows nas esquinas, se apropriar dos espaços públicos, não depender tanto do outro, mas apenas de si mesmo. Precisamos de mais pessoas como o Zazá, o Leo e o Filipe, sim, mas precisamos que as bandas se movimentem e não fiquem esperando cair do céu, mas sim fazer as coisas acontecerem.

CV: Como é a cena em Valinhos?
GT: Não existe cena. O que existe são células isoladas organizando eventos isolados. Não existe integração [ainda]. Quem faz um trabalho bacana em Valinhos é o Douglas Araújo, organizador do festival Ponta Urbana, todo ano ele faz o festival e tenta, de alguma maneira, juntar as bandas de Valinhos e região. Existia no passado um movimento bacana em Vinhedo, então as bandas e o público de Valinhos ia todo para lá. O que falta em Valinhos são lugares para tocar [casas de show, bares, etc, como o Orca's e o também falecido Altas Horas Rock Bar, em Vinhedo]. Agora em julho teremos o primeiro Valinhos Rock Festival, organizado pelo Jocimar Camargo, que nada mais é do que uma sequência do árduo trabalho do Douglas, que conseguiu abrir as portas da Prefeitura de Valinhos e da Secretaria de Cultura para o rock independente da cidade. Mas ainda estamos longe de ter uma "cena" homogênea, com artistas e bandas interagindo de uma maneira honesta e verdadeira.
Seguindo o espírito do faça você mesmo, sempre que possível, conseguimos organizar eventos em botecos pequenos e até mesmo em lava-rápido, qualquer lugar que esteja disponível para para vender cerveja e juntar uma galera afim de curtir o bom e velho rock 'n roll.

Link para ouvir o EP Autocontrole: http://motimrecords.bandcamp.com/album/autocontrole

Impressões de 'Autocontrole'

Divulgação
No início desta semana a trupe do Canibal Vegetariano recebeu um pacote com três discos da Meivorts, o novo EP Autocontrole. Ao colocar no toca CD, de cara o ouvinte percebe que a qualidade de gravação não deve em nada para qualquer banda que atualmente "sofre" em alguma gravadora.
As músicas do EP soam hardcore melódico, com muita influências de bandas estadunidenses da década de 90, do século passado. As letras retratam o dia a dia de pessoas que trabalham, estudam, argumentam e têm dúvidas. Outro ponto positivo para gravação é que o ouvinte consegue todos os instrumentos, isso ajuda para sacar e pegada dos caras.
Também precisamos destacar o ótimo trabalho artístico para apresentação do trabalho. Capa simples, mas com uma arte muito bem sacada e que dá uma ideia do que as letras apresentam. Os caras também capricharam na parte interna que vem com encarte com letras e todas as informações sobre a banda. E os caras que colecionam ou utilizam adesivos são brindados com o logo tipo da Meivorts. Trabalho muito bem feito que merece ser apreciado pelos fãs de rock.

sábado, 28 de julho de 2012

'Parabéns pra você' que já adquiriu o novo disco do Merda


Canibal Vegetariano
"Índio cocalero", novo álbum do Conjunto de Música Rock Merda, acabou de sair do "forno" e nós do Canibal Vegetariano aproveitamos a deixa e conversamos com Fábio Mozine, guitarrista e vocalista da banda, que além de falar sobre o mais recente trabalho, comentou sobre a turnê que os capixabas realizam em agosto nos Estados Unidos da América.

Canibal Vegetariano: Cara, porque "índio cocalero"?
Fábio Mozine: Bicho, para você ver como as coisas surgem aqui, foi uma bobeira.  Eu e minha mina vimos no Uruguai ou na Argentina, um boliviano, ou um latino muito doido, que riu pra gente, tipo um "indião cocalero". Aí ela ficou me chamando disso e eu falei que isso era nome de disco.  Baseado nessa doidera, começamos a inventar toda essa onda do disco.

CV: Nos créditos do CD aparece Alex Vieira como baterista. O que houve com Paulista e Nego Léo?
FM: Paulista: era e sempre foi nosso batera,  apesar de não gostar de tocar bateria, ele sempre reclamou. Teve uma tour da Europa, (do acidente) que ele não pode ir e colocamos Nego Léo para fazer essa tour, mas depois disso não queriamos tirar o Nego Léo, sacou? Ai ficou uma doidera, tipo, tem disco que sou eu na guitarra, Paulista no baixo e Nego Léo na bateria, por exemplo, ou outros shows que fizemos comigo na guitarra, Paulista na outra guita, Japa no baixo e Nego Léo na batera.
 Aí fomos fazer uma "gira" no nordeste e dessa vez Nego Léo não pode ir, nem o Paulista que trabalha no banco. Então botamos o jovem para tocar e rolou a mesma parada velho.  Maluco sangue, prestativo, queria ficar tocando, tava na disposição, aí fizemos esse disco com ele, mas se você reparar na ficha ténica, etc, Paulista e Nego Léo participaram ativamente do disco tocando, mixando, cantando, etc. Virou um circo essa porra.

CV: Em dezembro do ano passado você disse que o disco seria lançado em fevereiro. Qual o motivo do atraso? Teremos "índio cocalero" em vinil?
FM: Motivo: Laja Records. Empresa podre, toda doida, fazendo mil coisas ao mesmo tempo, vai dando tudo errado em relação a prazos, isso já é normal na Laja ser errado.  O vinil sai agora em agosto, esse não tem erro não, pois está sendo feito na gringa (risos).

Canibal Vegetariano

CV: Como é o trabalho de composição da banda? Em que ou quem vocês se inspiram para escrever as letras? No CD há músicas com ritmos inusitados. Como isso ocorre? É pensado antes ou na hora de gravar sai?
FM: Japonês veio de São Paulo para Vilha Velha e em casa fizemos juntos, numa madrugada regada a 2 garrafas de whisky, mais de 14 músicas, isso é sério.  Aqueles "hardcorezinhos" mais vagabundos.  Nós faziamos as bases, gravando no iphone, no "gravadorzinho", celular, balbuciava as letras, depois escrevia por cima, etc. Outras vieram em momentos de inspiração, sei lá (risos). Pera ai, eu não acredito que escrevi isso, momentos de insipiração.  Outras foram em parceria com o Fe Paschoal, um jovem amigo nosso aqui do Espírito Santo.  Aywaska is not lsd eu tinha o nome, a ideia central da música na cabeça. Liguei para ele e falei: "bicho ,me faz uma música falando isso, letra em português. Título é esse em inglês, bagulho, mato, forró, selva, índio"... e ele me mandou aquela pérola e por aí vai.

"Virou um circo essa porra" - Fábio Mozine, sobre o trabalho incansável na Laja Records


CV: Como surgiu o convite para os shows nos Estados Unidos? Quantas datas vocês farão por lá? 
FM: Faremos algumas datas, acho que 6. Isso surgiu de um amigo chamado Peter Azen, ele é carioca e mora nos EUA há algum tempo, esta envolvido de cabeça na cena hardcore e arrumou tudo isso para nós. E tudo isso se juntou com nosso LP saíndo na gringa, o EP "Ganguinha do Merda" saiu por lá também, ele nos descolou um tour manager que também tem um selo e vai lançar uma fita k7 nossa, ou seja, isto.

CV: Na volta para o Brasil vocês farão alguma turnê local para divulgar o novo trabalho?
FM: Não, vamos fazer shows isolados, para isso basta nos convidar. Já temos um show no Espírito Santo em agosto e em 20 de outubro no Hangar 110, em São Paulo e 21 de outubro em São José dos Campos.


CV: Deixo espaço para suas considerações finais. Valeu pela entrevista,
FM: Muito obrigado por mais uma entrevista, valeu bicho.

 'Índio cocalero' é rock sem ser levado a sério

Dizem que tudo que é levado a sério demais fica chato e perde a graça. E o Conjunto de Música Rock Merda sabe muito bem disso e faz um trabalho sério, sem demonstrar seriedade e que soa totalmente rock, pois o estilo dos capixabas é escrachar e nem ligar para o que os outros pensam. E é com essa mentalidade, que o som fica cada vez mais com cara de novidade.
No novo álbum, além do hardcore que é comum no trabalho deles, o power trio deu uma passeada por vários estilos musicais, alguns mais inusitados e lançaram um disco com muita qualidade e maturidade. A parte da gravação ficou com ótima qualidade, assim como o trabalho gráfico, idealizado pelo novo batera dos caras e editor da revista Prego, Alex  Vieira. Dois outros integrantes, Nego Léo e Paulista, assim como disse Moz na entrevista, participaram ativamente de todo trabalho de produção da nova "bolacha".
Mas é na parte musical que o "bicho pega". O novo disco começa com um petardo, a música que dá nome ao novo trabalho "ìndio cocalero", hardcore tradicional, com muita pegada, extremamente rápido e furioso. A sequência segue com músicas em inglês, japonês e em algumas vezes um idioma incompreensível. Nas letras, há como é hábito, letras nonsense e muitas delas expõe um lado crítico, pois em muitas faixas o tema "índio" é abordado e há crítica social. Mas, uma das letras mais legais é da faixa 9 do CD, "Parabéns pra você" que parabeniza pessoas que cometeram ou cometem muitas "cagadas".
Se você ainda não adquiriu seu disco prateado que tem 25 músicas executadas em pouco mais de 26 minutos, corra e garanta, pois em agosto eles prometem que o novo trabalho será lançado em vinil e a concorrência pelo novo registro será grande.


domingo, 25 de dezembro de 2011

Peso, fúria e rock'n'roll: Guachass

Canibal Vegetariano
Guachass em Bragança Paulista
Há sete anos na estrada, a banda uruguaia Guachass fez uma passagem pelo Brasil entre outubro e novembro deste ano, por vários estados brasileiros, com parte deles em nosso estado, com shows em Campinas, Bragança Paulista, Valinhos e São Paulo. Nós aproveitamos a oportunidade e conversamos com a guitarrista Mariana Gascue para saber um pouco mais da história da banda

Canibal Vegetariano: Fale sobre a história da banda. Como e onde começou? Vocês estão juntos desde o início? Quais são as influências?
Mariana Gascue: Então, Guachass começou em 2004,  com Camila (vocal) e Florencia (baixo). Elas já tocavam juntas e queriam formar outra banda. Fui convidada para entrar,  e nós chamamos Martin (ex-baterista). Após a saída Martin, entrou Fede na bateria e logo Florencia se foi e convocamos Nico para tocar o baixo. Isso é bem resumido, pois a história é muito longa! E nossas influências são rock clássico como Black Sabbath, Pappo, The Rolling Stones, Motorhead, Blue Cheer, entre outras.

CV: Como que vocês vieram para o Brasil. De quem partiu o convite?
MG: Há alguns anos conhecemos Quique Brown (guitarrista e vocalista da banda Leptospirose) que tornou-se um grande amigo das Guachass; Tocamos com eles aqui em Montevideo e depois disso mantivemos contato. E devido ao fato dele curtir nosso som, acertou algumas datas para que nos apresentassemos no Brasil. Foi muito legal Quique!

Canibal Vegetariano
Galera curtiu muito com os uruguaios em Bragança
CV: O que vocês acharam de tocar no Brasil? Teve algum show especial? E as bandas locais com as quais tocaram, alguma marcou vocês?
MG: Os shows no Brasil foram muito bons, as pessoas são amorosas, gostamos muito de tocar com todas as bandas como Hellsakura, Leptospirose, Camarones Orquesta Guitarristica, Hellbenders. Há bandas incríveis no Brasil.

CV: Vocês já tocaram em outro país? 
MG: Sim, em 2010 viajamos por alguns países europeus. Fizemos uma tour de cerca de um mês e meio e tocamos na França, Austria, Alemanha, Suíça e Bélgica. Foi uma experiência única, muito legal, gostamos muito dessa viagem e pretendemos voltar em 2012.

Canibal Vegetariano
O mais novo integrante
CV: Como é o processo de composição da banda?
MG: Geralmente a partir de um riff. Depois do riff todos trabalham nas canções.

CV: Quantos álbuns vocês lançaram?
MG: Até o momento apenas o Guachass, mas estamos para gravar o segundo muito em breve.

CV: Quais os planos para 2012?
MG: Como disse anteriormente, gravar o segundo álbum, com canções em espanhol. Quem sabe mais uma tour pela Europa. Temos muitas expectativas e muitas ganas!






'It's only rock'n'roll'

Essa frase dos Rolling Stones define muito bem o som feito por duas moças e dois rapazes uruguaios que tocam na Guachass. O primeiro e, até o momento, único álbum dessa banda é difícil para comentar sem parecer puxação de saco, pois o disco é rock do início ao fim e ouço praticamente todos os dias desde que adquiri meu CD.
Logo na abertura, o riff de guitarra de Mariana mostra toda a influência do Motorhead, assim como em outras músicas, espetacular. Às vezes, você pode pensar que a banda é apenas uma cópia, mas muito longe disso, elas misturam tudo no liquidificador e aproveitam o que suas bandas preferidas fazem e criam um som poderoso, autoral e característico que bota a galera para abrir rodas, pogar e balançar a cabeleira do início ao fim.
Além das boas canções do álbum, ele tem um trabalho gráfico muito bem elaborado e a gravação foi muito bem feita, o ouvinte consegue sentir a emoção de cada nota executada, nenhum instrumento "atropela" o outro. Para resumir, discaço de rock, altamente recomendável aos apreciadores do estilo.