sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Matheus Canteri, sua gangue e um country rock visceral


Eles se apresentam amanhã, dia 29, na 8ª edição do Cardápio Underground que está sendo realizada em Bragança Paulista. O power trio formado por Matheus Canteri, guitarra, Johnny Junior,baixo, e Giovani Bruno, bateria, promete sacudir a noite do instrumental no Espaço SanSo. Aproveitando, você acompanha a entrevista que realizamos com Matheus Canteri, que recentemente foi entrevistado pela Guitar Player Brasil. Hoje você confere o papo, amanhã o som.



CV: Desde quando vocês estão juntos? Houve alguma mudança na formação?
MC: Estamos juntos desde 2009, sem mudanças na formação.

Canibal Vegetariano
CV: Achei o nome de vocês fantástico: “Matheus Canteri e a Gangue do Frango”. De onde vem esse nome?
MC: Pois é, quando eu era pequeno, fizeram um vídeo de um natal em casa em que eu pedia ao meu pai que “desse uma filmada no frango”, que era na verdade o peru da ceia... Daí meu primo achou divertido me chamar de frango, e, a banda seria a minha gangue (risos).

CV: Quais as influências de vocês e o motivo de ser uma banda instrumental?
MC: Cada um na banda tem suas influências, Johnny gosta muito de metal, Giovani escuta de tudo, gosta muito de coisas com ritmo complexo como Rush, Soundgarden e ao mesmo tempo ama a simplicidade dos Ramones. Eu também ouço muita coisa, mas gosto muito de country e todas as vertentes, gosto também de coisas dissonantes como Arrigo Barnabé, Frank Zappa e Hermeto Paschoal. Somos uma banda instrumental por ser essa uma proposta diferente, sem o vocal tentamos compor as músicas de uma forma que mantenha a atenção das pessoas durante o show, sem ficar aquela coisa meio “trilha sonora”, isso é um desafio, mas é muito bacana quando num show nosso as pessoas dançam e se divertem.


CV: Bragança é uma cidade que rola muito som, tem muita banda. Vocês fazendo som instrumental, têm as mesmas oportunidades como as outras bandas?
MC: Acredito que dentro do espaço que há para a música alternativa temos as mesmas oportunidades, mas é claro que é bem difícil a gente tocar em lugares em que a proposta é ouvir música comercial, mas nesse caso nem é pelo fato de ser instrumental e sim por ser algo que não toca todo dia na rádio ou na TV.

Canibal Vegetariano

CV: Como foi o processo de gravação dos álbuns de vocês?
MC: Captamos a bateria numa sala alugada, depois trouxemos tudo para meu pequeno estúdio em casa, lá gravamos todo o resto, inclusive a mixagem e masterização. Gosto do processo de produção da música, então foi muito favorável poder ter o controle sobre como soaria o álbum e gostei muito do resultado.


CV: Vi um show de vocês, em que abriram para o Leptospirose. Como é tocar com uma banda de estilo totalmente distinto?
MC: O público alternativo, assim como nós da banda, tem a cabeça aberta sem preconceitos musicais, então é bem tranquilo, fazemos nosso show e depois ficamos curtindo o som da outra banda. Foi assim com várias outras como Almight Devildogs, Dizzaster, Black Drawing Chalks.

CV: Vocês sempre procuram tocar com bandas diferentes, ou isso é algo que ocorre ao acaso?
MC: É algo que acontece ao acaso, com bandas que estejam em turnê ou na mesma cidade na data do show, mas é bacana quando rola um show de bandas instrumentais ou de country, como foi com o Fabulous Bandits.

Canibal Vegetariano

CV: Como está a cena para música instrumental, não apenas em nossa região, mas no Brasil todo?
MC: Temos alguns exemplos de bandas que estão conseguindo seu espaço com muito esforço, como é o caso do Macaco Bong. O espaço para música alternativa em geral ainda não é algo grande, mas o que podemos observar é um aumento no número de bandas instrumentais surgindo com propostas de som muito boas.

CV: Quais serão os próximos passos da banda?
MC: Nós gostamos de nos divertir tocando, sempre procurando novos espaços e oportunidades, uma das coisas que mais gostamos de fazer é compor e gravar, então acredito que caminhamos para mais shows e mais discos, e, se tudo der certo, mais gente ouvindo nosso som.




CV: Agradeço pela atenção e deixo espaço para as considerações finais. Abraço a todos.
MC: Agradecemos as nossas famílias que nos apóiam, às guitarras HC, a escola de música Jardim Elétrico, aos amigos, as pessoas que escutam os CDs e ao amigo Ivan Gomes.

domingo, 23 de outubro de 2011

De volta as origens


Canibal Vegetariano
Gabriel falou com exclusividade sobre o novo álbum que chega
no final do mês às lojas de todo país
 A banda Autoramas lança o novo disco "Música Crocante" no dia 29 deste mês pelo selo Coqueiro Verde. Nós do zine/blog Canibal Vegetariano aproveitamos a deixa e conversamos em uma dessas noites de primavera com o guitarrista e vocalista da banda, Gabriel Thomaz, para saber sobre o processo de gravação, turnês, mudanças de formação entre outros assuntos. Abaixo, você confere a entrevista exclusiva que ele concedeu.



Canibal Vegetariano: Por que "Música Crocante"?
Gabriel Thomaz: "Música Crocante" é o que define nosso som nesse momento, onde há uma evolução natural na melhora da qualidade de gravação, nas letras, na música e esse novo álbum reafirma o que é o Autoramas.

CV: Haverá lançamentos de singles, vinis? Por que vocês continuam lançando música em vinil?
GT: Quero lançar vinil, quero lançar singles, haverá música do Autoramas em todos os formatos e para todos os públicos. E nós lançamos em vinil pois é algo muito legal, que gosto bastante e esse lance de vinil ficou esquecido no Brasil, mas no resto do mundo sempre existiu e muitas bandas continuam lançado música nesse formato no exterior. E atualmente o vinil está em crescimento em nosso país com muitas bandas independentes lançando material neste formato.

CV: Como surgiu o novo álbum? E como foi o processo de composição?
GT: Nós nunca paramos de compor e fazer shows, com isso as músicas vão surgindo naturalmente. O processo foi rápido, fizemos uma captação de recursos com nossos fãs e com ajuda deles, que receberão brindes especiais, conseguimos gravar e produzir o álbum de maneira rápida e sincera. E também com esse lançamento mantivemos nosso padrão que é a cada um ano e meio ter material inédito.


CV: E os shows para divulgação desse novo álbum, como serão? Haverá algo de acústico neles, devido ao álbum anterior?
GT: Não, nós encerramos nossa oitava turnê pela Europa recentemente e aproveitamos para testar o novo repertório nos shows. A nova turnê estará bem legal e redonda e não tocaremos mais no formato acústico na turnê do novo disco. Até gravamos uma música no formato acústico neste novo álbum, que na verdade é um bonus track, mas ao vivo teremos apenas guitarras, pois é mais tranquilo viajar levando somente guitarras.

Canibal Vegetariano
Autoramas ao vivo em Mogi das Cruzes em 2010
CV: Como é a receptividade do público europeu com a banda? Quais os locais que vocês costumam se apresentar? 


GT: Sempre fomos muito bem recebidos por lá e a internet ajuda bastante nos contatos com produtores e promotores de shows. Muita gente tem medo de ir para Europa e cantar em português pois pensa que o público não compreende. Mas a galera curte bastante o som. Em relação aos locais, tocamos em lugares pequenos, médios e grandes, inclusive em grandes festivais. Na Europa tivemos o privilégio de tocar com bandas incríveis como Pixies, Pavement, Mudhoney, inclusive no Brasil, The Muffs, entre outras.

CV: Por que o Autoramas gravou um álbum acústico ou desplugado como foi chamado?
GT: Cara, foi um projeto maravilhoso e o aceitamos para experimentar uma sonoridade diferente e sair da zona do conforto. Foi algo muito bom e os últimos shows desta fase foram realizados na Europa.

CV: E o rock no Brasil, como está a cena atual? Você concorda com as pessoas que afirmam que não temos mais rock no país?
GT: De jeito nenhum, o rock está muito vivo e para mim a cena nunca esteve tão legal e democrática. Diminuiu um pouco a quantidade de lançamentos de discos, mas tem muita banda boa e lugares legais para rolar um som. Quanto a esta afirmação, acredito que parte do público que curtia rock e sempre acompanhava em rádio envelheceu, trabalha, estuda, tem esposa e filhos. Isso dificulta para ir aos shows e locais em que está o rock está rolando.

CV: Voltando ao Autoramas, porque houve mudança de baixista e porque vocês sempre escolhem uma mulher para assumir o baixo? E a Flavinha teve participação ativa na composição do novo álbum?
GT: Ela participou ativamente e compôs algumas canções também, foi muito legal. O lance de sempre ter mulher na banda é pelo fato do vocal feminino. e mudanças de formação é algo natural e rola em toda banda.

Canibal Vegetariano
Flavinha compôs músicas para o novo álbum da banda
CV: Estamos no final de 2011. Quais os projetos para o próximo ano?
GT: Cara, nossa vida é tocar, vivemos disso e para isso, então faremos muitos shows pelo Brasil e se rolar, faremos alguns países da América do Sul, afinal já tocamos em vários deles. O que posso dizer é isso. Tocaremos muito em 2012.

CV: E os projetos paralelos?
GT: Toco em um projeto muito bacana que é o Lafayette e os Tremendões e temos alguns shows neste mês de novembro no Rio de Janeiro e Bahia. Estamos por aí, sempre fazendo um som.


CV: Gabriel, agradeço pela entrevista e deixo espaço para suas considerações finais.
GT: Cara, só posso dizer que estamos muito orgulhosos do "Música Crocante" e que pretendemos apresentá-lo para muita gente, valeu.

Canibal Vegetariano
Sob as luzes, Flavinha, nova baixista da banda


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

‘De volta para o futuro’

Edson Spitaletti
A banda paulistana The Concept retoma as atividades após alguns anos de inativa e prepara vários lançamentos para os próximos meses, com novos álbuns, singles, entre outros projetos. Para conhecer esses paulistanos que estão a quase 20 anos na independência, você confere o bate papo que tivemos com o baixista Vagner Sousa. Boa leitura.

Canibal Vegetariano: Por favor, apresente os músicos e seus respectivos instrumentos.
Vagner Sousa: Rob Son (guitarras e vocais), Vagner Sousa (baixo), Augusto Vitorino (bateria), Henrique Almeida (guitarras e backing).

CV: Quais as influências da banda e de cada músico?
VS: As influências são muitas, porém algumas habitam nosso sub-consciente tais como Beatles, Stones, Mc5, Velvet Underground, The Stooges, The Jesus and Mary Chain, Nirvana, Teenage Fanclub, Ride, My Bloody Valentine, entre outros. Acho que esta lista serve de influência para cada um de nós, mas também posso dizer que ouvimos muitas outras bandas e artistas...

CV: A The Concept volta depois de quase dez anos inativa. O que houve para vocês ficarem tanto tempo parados?
VS: Na verdade ficamos sem tocar juntos por 5 anos, nesse longo período cada um esteve envolvido em muitos projetos e outras bandas. Eu toquei no Supersad com o Henrique e montei o NoctVillains. O Bob montou algumas bandas e projetos, excursionou como músico convidado com várias bandas de reggae pela América do Sul, e o Augusto tocou no Fino Tino. Quero dizer que não ficamos parados. Já o Concept precisava desse afastamento. Nós somos muito amigos e às vezes isso pode explodir.

CV: De quem foi a ideia de reunir novamente a banda? Qual o principal motivo do retorno?
VS: A ideia surgiu entre conversas nas baladas entre eu e o Rob Son, ficamos uns três anos sem nos falar, uma fatalidade nos uniu e novamente o caminho para a volta estava aberto e iluminado.

CV: Qual a principal diferença que vocês notaram quando começaram com a banda, há quase 20 anos, e hoje?
TC: Cara são muitos anos de "mudanças" e poucas diferenças, continua a mesma coisa, a estrutura de bares e casas noturnas é fraca, os organizadores em uma grande parte só se preocupam com djs e seus pen drivers, os djs não tocam bandas brasileiras nas pistas ( Second Come, Pin Ups, Plazma, Brincando de Deus, Cigarrets, Pelvs entre muitas outras). Nos festivais de "médio" porte você tem que ser muito amigo dos organizadores, tem que dar muitos tapinhas na costas e ainda pagar todo o transporte até outros estados e por aí vai. Claro que tem promoters profissionais que realmente se preocupam com os shows, mas ainda é muito pouco. De bom mesmo temos a internet, a maior revolução musical depois das cordas. Você grava e mostra para quem quiser ouvir em qualquer parte do planeta, pena que tem muito lixo digital, lixo que não acaba mais. 

CV: O público que acompanhava a banda no começo da carreira também está voltando a acompanhá-los, ou vocês têm novos admiradores?
VS: Em seis shows percebemos que a maioria são fãs das antigas, e está rolando de alguns fãs assistirem o show pela primeira vez, acredito que estamos conquistando novos admiradores.

CV: Além da The Concept, vocês têm outras bandas? Quais os estilos?
VS: Como disse, eu e o Rob Son junto com a minha namorada/esposa estamos produzindo o 1º álbum do NoctVillains, o Henrique toca no Elevadores e o Rob também esta gravando um disco, e acredito que o estilo estará sempre ligado ao The Concept e nossas influências.

CV: Vocês estão para lançar um CD este ano, como será o disco?
VS: Olha, os discos vão ficar para o segundo semestre, temos uma coletânea indo para prensagem, com tudo que gravamos de 2000 a 2005. E um álbum de inéditas sendo gravado para lançar ainda este ano.

CV: Vocês pretendem viajar para divulgar o novo álbum? Como será feito o trabalho de divulgação?
VS: Sim, queremos tocar em todas as cidades possíveis e divulgar os trabalhos com todos os recursos possíveis também.

CV: Além deste trabalho previsto, o que mais podemos aguardar?
VS: Um álbum de inéditas, alguns singles com vídeos, mais um álbum de inéditas para 2012, mais vídeos, um documentário, um pirata ao vivo de 2003 e um show só com músicas das bandas chamadas shoegazer.

CV: Agradeço pela entrevista e deixo espaço para os comentários finais. Abraço a todos. 
VS: Agradecemos a você e ao programa A Hora do Canibal por estar sempre tocando nossas músicas e agradecer também, a todos que acreditam na boa música.

domingo, 2 de outubro de 2011

Leptospirose: Aqua Mad Max


Laja Records - Criminal Attack Records - Pisces Records - Balboa - Zuada Rec - Cauterized Productions - Caveira da Força Discos - Xaninho Discos Falidos

O novo disco da Leptospirose "Aqua Mad Max" é um daqueles registros que tiram o fôlego de qualquer fã de rock pauleira, não dá para afirmar se é hardcore, grindcore ou qualquer outro rótulo. Leptospirose é rock!!! Aqua Mad Max é rock!!!
E é muito rock que o ouvinte irá encontrar nas 19 faixas tocadas em pouco mais de 16 minutos. Se você tem ouvido frágil, mantenha certa distância desse novo disco dos caras, pois ele é agressivo, rude, mas muito, muito bem tocado, produzido e executado.
As faixas são explosões de som e fúria com destaque para toda versatilidade de Serginho, bateria, o Keith Moon brasileiro. O cara que arrebentou nos discos anteriores, neste novo trabalho bate ainda com mais vontade em seus pratos e tambores em velocidades alucinantes, mas sem perder o tempo e tudo isso acompanhado por passagens de baixo arrasadoras de Velhote, o baixista fenomenal, que parece ter motores em suas mãos devido a velocidade que executa as notas em seu instrumento.
E com dois instrumentistas desses, Quique Brown fica à vontade para criar riffs em sua guitarra que a cada disco fica mais "pesada e suja". As letras, bom, as letras continuam um nonsense total, mas essa é a marca da Leptos, pois às vezes, realidade demais enche o saco e ouvir os bragantinos faz bem é uma viagem sensacional, a um mundo de rock, puro e simples, feito por pessoas que tem uma imensa necessidade de fazer música a velocidade da luz, afinal, o tempo parece passar cada vez mais rápido. Retornando a Aqua Mad Max, simples, discasso de rock, nota 10 e com um dos trabalhos gráficos mais bonitos feitos para uma banda. Toda a arte do disco é do grande artista campineiro Daniel ETE. Se você ainda não ouviu, não perca tempo e ouça, de preferência no volume máximo.

A HORA DO CANIBAL E THE CONCEPT


É isso mesmo galera, o programa A HORA DO CANIBAL e a banda paulistana, de rock, punk, psicodelia, The Concept, presentearão cinco ouvintes com belas camisetas.
Belas camisetas que você pode levar para casa e curti-las durante o verão
Para participar é muito fácil, basta enviar e-mail para nkrock@hotmail.com dizendo "camiseta para que te quero". Os vencedores serão conhecidos no segunda quinzena de outubro. Vale participação de todos ouvintes e leitores do blog CANIBAL VEGETARIANO. Ouvintes e leitores de Itatiba receberão o prêmio pessoalmente, enquanto o pessoal de outras cidades receberão em suas casas, sem nenhum custo.
Então pessoal, pensem, reflitam e escrevam frases bonitas e toscas, você pode ser um feliz ganhador. Lembrando que mulheres tem vantagem, pois a banda disponibilizou três camisetas às damas e duas para cavalheiros. Ouçam o programa, leiam as matérias e não deixe de enviar e-mail, quantidade ilimitada.

domingo, 25 de setembro de 2011

20 anos de 'Nevermind': parece que foi ontem


No último dia 24 de setembro, parte dos roqueiros de todo o mundo comemoraram 20 anos do lançamento de um dos discos mais importantes da história da música mundial e do rock'n'roll. Vinte anos de um disco que, com certeza, mudou a vida de muitos adolescentes, ou pré adolescentes, que ouviram seus primeiros acordes em um distante final de setembro de 1991, tão distante, mas tão vivo em nossa memória que às vezes dá a impressão que foi ontem.
Em 1991 o Brasil era governado pelo presidente, caçador de marajás, Fernando Collor de Mello. Nossa moeda era o cruzeiro, conviviamos com a inflação. Para os poucos adolescentes que se interessavam em música, restava comprar alguns discos de bandas que saim no país, ou gravar fitas com discos de amigos ou ficar "caçando" alguma FM que rolasse algo interessante. A MTV no país ainda engatinhava e poucas pessoas tinham acesso. Outra maneira de informação musical era ler as revistas especializadas da época, uma das mais famosas era a BIZZ. No início de 1991 havia rolado o segundo "Rock in Rio" e como o Guns era a bola da vez, e por ter emplacado uma música na trilha do Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento final -, era a banda mais executada nas rádios que conseguiamos sintonizar em Itatiba. Sendo assim, muitos jovens da época eram fãs dos Guns'n'Roses.
Mas, não me lembro da data, na primavera de 1991 ouvi em alguma dessas rádios, um som que ao mesmo tempo que era pesado, era sutil, ao mesmo tempo que era sujo, era melódico, furioso e com uma pegada pop, uma voz que urrava, depois sussurava. Aquilo causou espanto em muita gente e depois de alguns dias fui descobrir que aquela música chamava-se "Smells like teen spirit", de uma banda que eu nunca havia ouvido falar, Nirvana.
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Este é o bebê, da capa de Nevermind
Depois daquilo, ouvia sempre as músicas do Nirvana nas rádios, bons tempos aqueles, em que acabava um Nirvana, rolava um Guns, rolava Metallica, em 1991 e 1992, era possível ouvir até Sepultura nas rádios, principalmente com a versão que eles haviam acabado de lançar, 'Orgasmatron' do Motorhead. E o Nirvana continuou tocando, tocando até a morte de seu vocalista e guitarrista, Kurt Cobain em 1994. Mas, o que parecia ser o fim, foi apenas o inicio. A "nirvanamania" só aumentou com a morte de Kurt, náo só no Brasil mas em vários lugares do mundo.

Hoje, 20 anos após o lançamento de Nevermind, nós estamos aqui, escrevendo em blogs, fanzines e em outros meios de comunicação de maneira totalmente independente, pois a sociedade e o mundo passaram por profundas mudanças nessas duas décadas, inclusive a maneira domo ouvimos e consumimos música. O que não muda são as obras de arte, que sobrevivem as mudanças, pois elas são eternas. Nevermind é tão atual hoje, como era há 20 anos, e será daqui 30, 50, 100 anos. E assim como influenciou vários garotos e garotas daquela época, ele influencia e inflenciará, pois enquanto houver pessoas interessadas em boa música, alguém sempre indicará "ouça nevermind".
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Butch Vig, produtor de um discos mais importantes de toda a história do rock'n'roll

Senhor punk


Canibal Vegetariano
A história dele confunde-se com a história do punk brasileiro. Há 30 anos ele toca guitarra e canta na banda Inocentes. Antes, fez parte das lendárias bandas Restos de Nada e Condutores de Cadáver. Atualmente, é pai de família, produtor, apresentador, agitador cultural, entre outras funções. Conheça mais sobre esta lenda do punk nacional em uma entrevista exclusiva.

Canibal Vegetariano: Cara, para começar, qual a principal diferença entre o Clemente de 1978, quando começava o punk no Brasil, e o Clemente da atualidade, no início da segunda década do século XXI?
Clemente: Todas as possíveis, em 1978 eu tinha 15 anos, o país estava sob ditadura militar, o inimigo era claro, era esse tal de “sistema capitalista”, o punk era uma novidade e havia espaço para se experimentar e criar, não era nada de protesto pelo protesto, havia a arte de confronto e a quebra de tabus.
Hoje o punk não é nenhuma novidade, há anos as bandas novas repetem fórmulas já batidas, é apenas o protesto pelo protesto, ninguém experimenta mais, ficou muito chato, eu tenho 48 anos, o inimigo não é mais tão claro, é uma tal de “globalização” e vivemos sob uma democracia que vem dando certo apesar de não ser perfeita, pois essa perfeição é uma ilusão.



CV: "Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer." Esta frase ainda é válida ou foi mais um desabafo de momento? Qual frase você usaria hoje?
C: Era ela válida para o punk paulistano naquele momento, daquele contexto, hoje ela faz parte da história, não tenho nenhuma frase tão boa para hoje em dia, o mundo e o país mudaram muito, até o punk mudou.

CV: Você atualmente toca com a Plebe Rude, é líder dos Inocentes e tem vários trabalhos na Internet, é casado e pai. Como você consegue lidar com tudo isso? 
C: Não consigo, hahahahaha! É muita coisa, toco na Plebe, Inocentes, Jack & Fancy (minha banda com a Sandra das Mercenárias), tem o Combat Rock, com o Redson do Cólera, Ari do 365, Mingau do Ultraje, sou apresentador no Showlivre.com, DJ e produtor. Isso que dá ter 3 filhos, tem que trabalhar hahahaha!

Canibal Vegetariano

"Somos mal informados, existe um controle da mídia sobre nós, acontecem coisas que não sabemos direito o que são de verdade" Clemente ao Fanzine Canibal Vegetariano

CV: O João Gordo do Ratos de Porão foi chamado de traídor do movimento em determinada época do século passado por causa de mudança de estilo. Você também foi chamado de traídor alguma vez? Como rolou o lance dos Inocentes, em meados dos anos 80, do século XX, gravar por uma gravadora multinacional?
C: Estávamos de saco cheio da cena, que se preocupava mais com as brigas do que com a música, ninguém chamava os briguentos de traidores, e eram eles que impossibilitavam o movimento,  eles fecharam todas as portas que se abriam para nós, encheu o saco tudo isso. Normal sem problemas, se ser punk era ser conivente com aquela idiotice, sou traídor com muito orgulho.
Fomos para a Warner, tocar para quem estava interessado em música e foi ótimo, ficamos conhecidos no Brasil inteiro e os considerados nossos melhores discos foram lançados pela Warner, foi bem positivo.


CV: Cara, vi o documentário "Botinada" várias vezes e a pergunta que não quer calar. Onde começou o movimento punk no Brasil. São Paulo ou Brasília? E comente sobre suas bandas no início de carreira, Restos de Nada, Condutores de Cadáver.
C: Ora, começou em todos os lugares ao mesmo tempo, é claro que aqui ganhou características de movimento muito antes pois, era tudo maior, eu comecei a tocar em 1978 com o Restos de Nada e ouvia punk e pré-punk desde 1976, acho que fomos bem precoces, saí do Restos para tocar no Condutores de Cadáver que foi a base do movimento punk, organizamos um festival em pleno Carnaval de 1980, havia punks pela cidade toda, diferente de Brasília que era uma turma só, mas acho que tudo começou junto, na Bahia tinha o Marcelo Nova e sua turma e por aí vai, é que falamos que o movimento começou aqui por que nos outros lugares não tinha as condições que caracterizam um movimento, mas sim o contato com a música punk.


Canibal Vegetariano

CV: Cara, no começo do movimento, podemos chamar assim?, Havia muitas gangues e brigas. Como é atualmente o comportamento do pessoal, principalmente os mais jovens, que frequenta shows punks, principalmente da galera pioneira, no caso, Inocentes, Cólera, Olho Seco entre outras.
C: Costumo dizer que nos shows do Inocentes vão até punks hahahaha! Vem de tudo, gente jovem, mais velha, o legal que o clima é sempre tranquilo, embora a música não seja hahahahaha!
Quando tocamos junto com Cólera, Garotos e coisa e tal, vai um pessoal mais punk mesmo, metal, skatista, mas é sempre legal.
É engraçado notar que sempre existe essa preocupação com as brigas e as gangues, parecem que eles marcam mais que a música, ganham mais destaque na mídia que a música, isso cansa, mas o povo gosta de consumir esse tipo de coisa.





CV: Qual sua opinião sobre as bandas que surgem atualmente, exemplos como Restart, Cine, entre outras? E aproveitando, o que você pensa sobre as bandas que insistem em manter-se no underground?
C: Que tipo de opinião sobre o Restart? Sempre existiram banda assim, não sei o que incomoda tanto, ou eu teria que me preocupar em fazer música para adolescente deslumbrado? Já as bandas que insistem em se manter no underground,  se elas estão felizes está tudo bem, cada banda tem seus objetivos e propostas é assim que tem que ser, nós continuamos no underground, o ruim é a falta de estrutura, isso é ruim, para todo mundo.

CV: Você acredita que atualmente a Internet é a melhor ferramenta para conhecer novas bandas e promovê-las?
C: Atualmente sim, é uma ferramenta maravilhosa, possibilitou que uma cena alternativa se estabelece, possibilitou a não dependência da grande mídia, isso é ótimo. Mas fazer boa música ainda é importante, não tem Internet que salve uma música ruim.

CV: Fale sobre seus trabalhos atuais, eles são voltados para um público segmentado?
C: Nunca se pensa nisso quando se faz um trabalho, sempre se espera atingir o número maior de pessoas possível, não dá para achar que um determinado tipo de público merece seu trabalho e outro não. A segmentação pode acontecer naturalmente, determinadas pessoas curtem um determinado tipo de música, como diria o Cramps, “Música ruim para pessoas ruins”.

CV: Cara, o "Musikaos" era um programa sensacional, que abria espaço para várias formas de arte, principalmente o pessoal do underground. Como rolou o convite para você ser produtor do programa e qual o motivo para o fim da apresentação?
C: O Musikaos foi uma das melhores coisas que fiz na vida, éramos felizes e sabíamos, hahaha! O convite rolou porque eu fazia um projeto de oficinas com bandas de garagem pela periferia de São Paulo, organizava shows, mostras em parceria com as Secretarias de Cultura da Prefeitura e do Estado, além do SESC, sem falar que era produtor artístico da gravadora Paradoxx e era responsável pelos álbuns dos Garotos Podres, Pavilhão 9, Ratos de Porão, Skamoondongos, Skuba e etc. Quando o Gastão me ligou, eu estava ensaiando com o Inocentes, ele me falou por cima e eu topei na hora, nem sabia o que fazia um produtor musical em um programa de TV, fui aprender fazendo e as reuniões de pauta eram divertidíssimas, o diretor Pedro Vieira era ótimo. Mas a TV Cultura sofreu um corte de verba e como o Gastão havia decidido morar em Florianópolis resolveram acabar com o programa.
Canibal Vegetariano

CV: Agora vamos falar um pouco dos Inocentes. O que te motiva, depois de mais de 20 anos, tocar na mesma banda? Quais os planos para o futuro?
C: Na verdade são 30 anos de Inocentes este ano, as vezes me faço essa pergunta, o que me motiva? São canções poderosas que funcionam com aqueles caras, mas já sinto sinais de cansaço, realmente tocar “Pânico em SP” o resto da vida enche o saco, o público não presta muita atenção nas músicas novas e tem muita coisa boa, vamos lançar um disco comemorando esses 30 anos e vão ter algumas inéditas e várias versões diferentes de músicas antigas.

CV: Cara, como surgiu a letra "Pânico em SP"? Em 2006, quando houve ataques do PCC, vários jornais citaram trechos da letra. Seria algo profético?
C: Não era nada profético era só uma constatação, somos mal informados, existe um controle da mídia sobre nós, acontecem coisas que não sabemos direito o que são de verdade, porque será que o PCC parou de atacar? Parece um acordo de cavalheiros. A letra é atual porque, simplesmente, a situação não mudou, por isso parecia profecia, muita gente sabia que isso aconteceria uma hora.

CV: Qual o momento de maior alegria em sua carreira musical e qual a pior época?
C: A maior alegria foi gravar o “Grito Suburbano”, foi algo mágico, não fazia ideia que era possível gravar um disco de verdade. Já a pior época foi logo que saímos da Warner, sem shows, sem grana e nem os punks apareciam para falar mal de nós hahahahahaha! Foi uma fase difícil.

CV: Clemente, qual dica você dá para aquele guri, ou guria, que está pensando em comprar guitarra, uma bateria ou um baixo e formar uma banda?
C: DESISTA! Não faça uma besteira dessas hahahahahahaha!
Ah! Sei lá, se vire, ninguém me deu dica nenhuma, faça o que seus instintos mandam é isso.


CV: Cara, quem são seus amigos na atualidade? Existe amizade com membros de outras bandas que começaram a carreira junto com você? E como é o relacionamento dos pioneiros com os novatos?
C: Adoro conversar com o Wander Wildner, com o pessoal do Garotos Podres, principalmente o Sukata, o Redson do Cólera, o Ari do 365, o Mingau, a Sandra das Mercenárias, sei lá todos meus parceiros do Inocentes e Plebe Rude, Rodrigo Cerqueira do Firebug, Wellington do Skamoondongos. Sei lá, conheço e convivo com muita gente, o Tibira do Vegas, o Porkão do CB, todo mundo no Showlivre, os roadies das bandas são meus amigos. Muita gente.

Canibal Vegetariano

"Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer." Clemente, nos primórdios do punk, no Brasil, na década de 70



CV: Qual sua opinião sobre Dilma Roussef presidente? É muito cedo para analisar?
C: Nenhuma né, é cedo ainda. Já o Lula foi muito acima das expectativas, é que tem gente que projeta todos os seus problemas em cima da figura do presidente, se tem um buraco na rua dele a culpa é do presidente, ele esquece que existe o sub-prefeito, o prefeito, o governador, o deputado, o senador e coisa e tal, a culpa é sempre do presidente e não é assim, mas se ele age dessa maneira esquece de cobrar quem ele devia cobrar de verdade e fica tudo na mesma. Sou pragmático e não acho que um presidente vai mudar o país sozinho, todo mundo tem que participar, fazer sua parte e cobrar das autoridades certas ajuda muito. O país será melhor, quando formos melhores.

CV: Cara, agradeço demais pela entrevista e peço que faça seus comentários finais. Um abraço.
C: Essa foi a segunda entrevista mais longa da minha vida hahahahahahaha! Mas foi bem legal, é isso. Valeu por me convidar.













terça-feira, 6 de setembro de 2011

Noite de gala do hardcore nacional


A noite de 27 de agosto de 2011 com certeza foi uma noite de gala no hardcore nacional, no palco do Bar do Zé, em Barão Geraldo - Campinas - onde duas das melhores bandas nacionais se apresentariam no local, Leptospirose, de Bragança Paulista e Os Estudantes, Rio de Janeiro.
Apesar do calendário apontar que ainda estamos no inverno, a noite parecia de verão e mesmo assim nós do Canibal Vegetariano encaramos os 40 quilômetros que separam Itatiba e Campinas e fomos para o BDZ conferir um som e rever amigos. Quando chegamos ao bar, o recindo ainda estava com pouco movimento e as bandas ainda passavam o som, com isso, só nos restava tomar uma cerveja, trocar ideia e partir para disputa de bilhar.


O tempo passou, a galera foi chegando e a primeira banda a subir ao palco foi Os Estaudantes, banda que em 2010 concedeu entrevista ao Canibal Vegetariano que acabou virando matéria de capa da revista estadunidense Maximum Rock and Roll, que é distribuída em vários países pelo mundo afora.
Os Estudantes subiram ao palco e mostraram canções que estão em três registros lançados pela banda até o momento, e também rolou três músicas inéditas que estarão em lançamento próximo, que segundo o guitarrista Manfrini disse ao final da apresentação deve ocorrer até o final deste ano.

No palco, a banda continua mais entrosada, último show que havia vista foi em outubro de 2009, e esses quase dois últimos anos serviu para os caras deixar o som ainda mais redondo e agressivo e o vocalista Victor continua com o mesmo pique agitando em todos os sons e interagindo com o público. Ao final do show dos cariocas, só nos resta pedir: não demorem para voltar a São Paulo.






LEPTOSPIROSE/ Com a galera mais do que aquecida, o power trio bragantino Leptospirose subiiu ao palco fazendo o primeiro show em terra campineira após o lançamento do terceiro disco, Aqua Mad Max, e nem é necessário dizer que este lançamento agradou o público.



Quique Brown, guitarrista e vocalista como sempre demonstrou muito carisma e agressividade a frente da banda, enquanto Serginho, batera, socava seus tambores e pratos sem dó, no melhor estilo Keith Moon, acompanhado pela precisão de Velhote no baixo, monstrando que a banda é como vinho, quanto mais o tempo passa, mais furiosos e preciso eles ficam.
Ao final das apresentações, só nos restou "ancorar" na banca onde as bandas comercializavam CDs, fitas K7, camisetas entre outros produtos e bater um papo rápido com a galera do Leptos e d'Os Estudantes. Como sempre, trouxemos material para casa e em rápido papo com Manfrini, d'Os Estudantes, soubemos que eles curtiram demais os shows que realizaram na Argentina e que foram muito bem recepcionados pelos hermanos. Após tudo isso, só nos restou uma parada em uma dessas lanchonetes que trabalham 24 horas, comer , jogar conversa fora e seguir por mais 40 quilômetros até nossas casas. Com tudo isso, só nos resta plagiar uma frase de Daniel ETE, baixista das bandas Muzzarelas e Drákula: "...o mundo do rock é lindo...".

Todas as fotos por Fabinho Boss

PS: Este texto está sendo postado em nosso blog por sérios problemas com vírus em nosso site. Em breve voltaremos ao nosso endereço normal.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ajudem um artista

Galera, a exposição "Visão Avessa", no Museu Municipal em Itatiba está chegando ao fim e quem ainda não visitou, por favor comparecer. A cidade não apresenta nada de interessante, por isso quando tem temos que prestigiar. Lembrando que nosso amigo e colaborador Lucas Selvati está com duas fotos nesta exposição.
O museu em Itatiba fica na Praça da Bandeira, Centro da cidade e fica aberto até 15h nos finais de semana.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Quique Brown

Ele foi para Minas Gerais em uma mini turnê com sua banda, a Leptospirose, onde toca guitarra e também faz o vocal. E parte das aventuras, em suas idas e vindas, ele relatou em sua coluna para o site Canibal Vegetariano, para conferir:  http://www.canibalvegetariano.com.br/


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Novidades no Canibal Vegetariano

E aí galera, beleza?

Pessoal, já está rolando o programa A HORA DO CANIBAL 108 no portal do Fanzine Canibal Vegetariano, programa inédito. E fiquem atentos, daqui alguns dias terá início uma nova promoção no programa que será extendida aosite.
Também esta semana você pode acompanhar o texto de nosso colunista Carlos Ferrari, que após muita repercussão sobre seu texto do U2, ele voltou ainda mais ácido e disparando contra a acomodação da galera mais velha, para conferir este texto e ouvir o programa acesse: http://www.canibalvegetariano.com.br/

É isso pessoal, acompanhem as novidades no site que serão quase diárias, até a próxima.

sábado, 23 de abril de 2011

As atualizações de Canibal

E aí galera, vocês que estavam acostumados a acompanhar o que rolava no cenário independente através deste blog, agora podem acompanhar o Fanzine Canibal Vegetariano em sua nova "casa", através do site http://www.canibalvegetariano.com.br/
Nesta semana você acompanha como foram as apresentações da banda U2, na coluna da jornalista Mari Carla e também a apresentação do programa 107 d'A HORA DO CANIBAL que rolou som das bandas Bad Cookies, Kães Vadius, Leptospirose, Teenage FanClub, Pixies entre outras.
Então é isso, acessem o site e acompanhem as novidades quase diárias que rolam.Lembrando que o Canibal Vegetariano continua independente e ainda mais abrangente, levando o melhor da cultura independente que rola no underground.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Kães que agitam e vociferam


A banda Kães Vadius está há mais de 25 anos na ativa fazendo psychobilly, com influências de vários estilos que integram o rock, a banda não quer descanso e prepara vários lançamentos para este ano. Abaixo você confere uma entrevista exclusiva com o vocalista da banda, Hulkabilly, que além da música da Kães, falou do atual momento do rock no Brasil, entre outros assuntos.

Para ler a entrevista acesse nosso site: http://www.canibalvegetariano.com.br/

terça-feira, 5 de abril de 2011

Novos horizontes


É galera, depois de 2 anos e meio, nós do zine/blog Canibal Vegetariano estamos alçando novos vôos e desde o último dia 31 estamos em novo endereço: http://www.canibalvegetariano.com.br/
O site do Canibal está mais abrangente, afinal, temos cinco colunistas, Carlos Ferrari (ex-Lacrimosa, banda dos anos 80), André Fujiwara (ex-Authópsia, Raindrops e Les Fleurs du Mal), Kid Vinil (ex-Magazine e atual Kid Vinil Experience), Quique Brown (vocalista e guitarrista da Leptospirose) e o time é completado por uma mulher, pela jornalista Mari Carla (que está sempre de rolê pelos grandes shows).
Com esta galera sem contar a retaguarda, que é composta por Alan e Reginaldo Silva, caras que dominam toda a parafernália tecnológica, o Canibal Vegetariano entra contudo na era digital para levar cada vez mais informação de uma arte que é feita à margem do que a grande mídia divulga e recebe, em muitos casos, pela divulgação.
Através do site, o Canibal irá aprofundar ainda mais na cultura pop, apresentando fotógrafos, artistas plásticos, música rock, comportamento, grafite, quadrinhos e tudo que engloba arte. Afinal, para que possamos idealizar um país e um futuro melhor, se é que isso é possível, as pessoas precisam de mais educação e cultura. E quem está acostumado com o Canibal Vegetariano, pode ficar tranquilo, estaremos ainda mais ácido, mais incisivos em nossos ideais. O programa A HORA DO CANIBAL continua tocando as canções das bandas independentes junto com bandas consagradas, tudo no mesmo caldeirão, além das várias promoções que realizamos. Além d'A HORA DO CANIBAL, há também o Canibal Cast, programa sempre apresentará um bate papo sobre assuntos diversos e em breve, Canibalismo, programa em vídeo que terá vários assuntos insanos, principalmente envolvidos com rock. Então galera, acesse o site http://www.canibalvegetariano.com.br/ e confira as novidades, pois muitas ainda estão por vir.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Um devoto do Rock'n'Roll


Ele ficou conhecido nos anos 90, século passado, como VJ da MTV. Toca baixo e faz vocais em uma banda chamada Devotos de Nossa Senhora Aparecida, há 25 anos. É fã de jazz, blues, rock e admira cinema e literatura. A partir de agora, você irá saber mais sobre Thunderbird.

Divulgação
Thunder e sua banda Devotos de Nossa Senhora Aparecida. Nome surgiu em uma sexta-feira santa

Canibal Vegetariano: A primeira pergunta tem que ser: Como você começou a carreira de músico? Quais são suas influências musicais?
Thunderbird: Desde criança me interesso por música. Meu pai tinha uma banda de jazz e eu ia aos ensaios e adorava tudo aquilo. Na faculdade, sempre me reunia com os amigos para fazer um som. Participei de festivais universitários. Mas minha primeira banda foi o Aerozow, em 85. Depois disso veio a banda experimental Neocínicos e, em 86, os Devotos de Nossa Senhora Aparecida.
As influências são muitas. Sempre ouvi jazz, blues, muito rock e mpb.

CV: Você tem influências de outras vertentes da chamada "cultura pop", como escritores, cineastas...?
T: Sim, os beatnicks me fascinaram. Willian Burroughs sempre foi meu preferido. Mas os poetas concretistas tomaram bastante do meu tempo. Os irmãos Campos, Decio Pignatari… Li muitos livros de Jorge Mautner (meu preferido é Vigarista Jorge).
Os cineastas que fizeram minha cabeça foram Rogério Sganzerla, Woody Allen, Stanley Kubrick, Tim Burton, Quentin Tarantino, Federico Fellini, Roman Polanski, são tantos, todos incríveis!

CV: Como você se tornou apresentador da MTV e qual o motivo da troca pela Globo? Fale um pouco também de sua passagem pela extinta TV Manchete e o retorno para a MTV.
T: Os Devotos DNSA me levaram até a MTV. Apresentações da banda chamaram a atenção dos criadores da MTV Brasil. Minha ida para Globo foi uma aventura interessantíssima. Isso durou um ano, quando retornei a MTV para apresentar "Contos de Thunder". Fui para Manchete para apresentar um programa dominical para família brasileira. Tão família, que havia luta de garotas de biquini no gel, entre outras bizarrices. Uma terceira passagem pela MTV era inevitável e retornei para o Tempo MTV, que festejava os 10 anos da emissora. Fiquei por ali até 2003.
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CV: Como surgiu seu programa na Internet? Você consegue definir quem é o público que acompanha seu trabalho atualmente?
T: Estava cuidando dos meus projetos musicais, quando surgiu a ideia de fazer um programa na rede. Desenvolvi o embrião junto a uma produtora independente e o site Showlivre fez uma proposta para melhorar a produção do programa. O Thunderview teve inúmeras edições, todas muito divertidas e ligadas à música. O projeto teve 2 anos de produção semanal. Pude entrevistar alguns gênios como Arrigo Barnabé, Lanny Gordin, Helena Ignez…
O público que me acompanha, no momento, me segue na Internet (Facebook, Twitter) e nos shows. Projetos novos estão em produção. Aguardem!

CV: Cara, vamos falar de rock'n'roll. Qual o motivo da parada de sua banda Devotos de Nossa Senhora Aparecida? E algo que você deve estar cansado de responder, qual o motivo do nome?
T: O nome vem do dia da fundação da banda, sexta-feira santa de 86. Os Devotos nunca pararam. Outros projetos nos quais me envolvo, chamam atenção da mídia. Com isso, as pessoas imaginam que eu parei com os Devotos. Mas isso nunca aconteceu. Apesar do sucesso atual da banda Tarantulas & Tarantinos, os Devotos tem shows marcados (Virada Cultural de São Paulo e interior paulista) e prepara novo disco para esse ano. Temos novo clipe ( http://www.youtube.com/watch?v=GSes_VdWrrw ) da música "Eu não gosto mais de você" do disco Bombardino. Temos 8 músicas do disco no My Space (www.myspace.com/devotosdnsa ).

CV: Atualmente você toca em quais bandas? 
T: Toco com os Devotos de Nossa Senhora Aparecida, Tarântulas & Tarantinos, Fuck Berry e Flaming Birds.

CV: Você acredita que o público jovem atualmente tem o mesmo interesse pelo rock como as gerações anteriores?
T: Sim, eles vão aos shows, compram os discos, me procuram no Twitter, querem saber das novidades, são bem informados, inquietos.

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CV: O que você pensa sobre a pseudo volta do vinil, o fim dos CDs, a música livre pela Internet. Como isso contribui ou afeta o gosto musical das pessoas? Você é um comprador ávido de discos?
T: Temos uma fábrica de vinil no Brasil. Acho pouco. Acho caro. Ainda compro vinil, CD, baixo música. Não me prendo numa coisa ou outra. Adoro discotecar e, nessa hora, uso até notebook, se for preciso.

CV: Thunder, você pensa que o poder público pode, ou deve, contribuir com os coletivos e com as bandas independentes? Digo isso nem pensando em dinheiro, mas viabilizando locais para shows, compra de equipamentos para esses locais, entre outras medidas.
T: Tem que ser um político muito burro para não entender que se ele investir em cultura, ele vai ganhar prestígio e, consequentemente, votos. Já temos as Viradas Culturais, mas acho pouco. Dá pra melhorar, sem dúvida.

CV: Não sei se posso revelar sua idade, mas como é ser roqueiro aos 50 anos e batalhar para que o rock aconteça atualmente?
T: Hahahaha… ainda tenho 49 anos. E não mudou nada. Se não gostasse de ser músico, teria desistido há muito tempo.
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CV: Há algo que você fez do qual se arrependa? Qual a maior alegria que a música lhe proporcionou e qual a maior tristeza?
T: A música só me traz alegrias.

CV: Quais suas bandas favoritas na atualidade?
T: As minhas, claro!

CV: Você consegue imaginar como será a "cena" rock no final desta década que estamos começando?
T: Não. E quem acha que sabe, está precisando de ajuda. Leva para o psiquiatra.




Galera, depois do Carnaval, muitas novidades sobre o fanzine Canibal Vegetariano. Por isso encerramos essa fase de nosso blog, que esta sendo ampliado, com esta entrevista muita massa cedida por Thunderbird. Aguardem as novidades.


quarta-feira, 2 de março de 2011

Tudo é feito a partir de um traço

Convidamos a todos para a abertura da exposiçõa "Traço", que ocorre nesta sexta feira, 4 de março, a partir das 19h, na Galeria Mutante, em Atibaia

"O traço está em tudo, mas como o traçamos é que nos diferencia. Em Março apresentamos na Mutante três artistas cujos desenhos possuem um traço livre e espontâneo, saindo do acadêmico e trazendo para nossas mentes mundos caoticamente belos e concisos, preparando nossos sentidos para entrar em experiências novas de percepção. Serão expostos trabalhos de: Yan M. Artista natural do Rio de Janeiro radicado em Atibaia. Trabalha com desenhos autorais em papel e paredes. Com um traço original e um mix de técnicas, Yan conduz ao espectador por campos da imaginação às vezes desconhecidos.Conrado Zanotto, natural de Ourinhos - SP, vive e mora em São Paulo desde 2001. Artista multimídia, produz desenhos e pinturas em diversos suportes, é artista de rua da nova geração de São Paulo e já expôs em mostras na capital paulistana e no exterior. Maffei, natural de São Carlos e atualmente cursando artes visuais pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, Maffei faz uma pesquisa onde explora a condição de abandono dos moradores de rua, retratando através de pinturas em grande escala, esses indivíduos em paredes de casas abandonadas."
                                                                                                                                                                       Matias Picón - Curador.

Links dos artistas:

Conrado Zanotto

Maffei

Yan M.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Scliar Eterno


É com muita tristeza que encerramos os posts do blog Canibal Vegetariano em fevereiro de 2011. Estamos tristes, pois, na madrugada de 27 de fevereiro, o Brasil perdeu um grande escritor, um de seus melhores "contistas", como dizem alguns escritores. Foi nesse dia que Moacyr Scliar, médico e escritor, nos deixou aos 73 anos. Scliar deixa saudades e uma vasta coleção de livros, foram 74 obras publicadas no Brasil e vários deles foram publicados em 40 países do mundo. O escritor de descendência judeu-polonesa, nascido em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, era mestre em "casar" ficção e realidade, assim como ninguém lidava muito bem com todo o drama enfrentado pela comunidade judaica ao longo dos anos.
No final de 2009, nós do blog/zine Canibal Vegetariano entrevistamos Scliar que falou sobre literatura, música, educação, futuro do país entre outros assuntos. Postamos a entrevista no dia 25 de dezembro daquele ano, como presente de Natal aos nossos leitores. Agora, com muita saudade, estamos postando novamente esta entrevista, que com certeza, foi uma das melhores já realizadas pelo zine. A entrevista esta sendo novamente veículada como forma de agradecimento a este escritor que levou muito conhecimento e fez com que muitos leitores refletissem sobre suas vidas e sobre o mundo no qual vivem. A única mensagem que podemos deixar é: Valeu Scliar, obrigado por tudo!!!! Abaixo vocês ficam com a entevista na íntegra.  

Fanzine Canibal Vegetariano

O escritor gaúcho Moacyr Scliar e o editor do blog/zine Canibal Vegetariano na Bienal do Livro em São Paulo, 20 de agosto de 2010. Scliar era um mestre com a escrita e uma pessoa extremamente simples 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009


Nas trincheiras da cultura, Moacyr Scliar fala sobre sua vida e obras

Para encerrarmos muito bem 2009, nós do blog/zine Canibal Vegetariano, entrevistamos um dos escritores mais famosos e reconhecidos do Brasil. Autor de livros como o "Exército de Um Homem Só", Mês de Cães Danados", "Max e os Felinos" e "Centauro no Jardim", o escritor, médico e professor Moacyr Scliar, falou sobre seus vários trabalhos e contou um pouco sobre seu ponto de vista político.

Canibal Vegetariano: Faça uma apresentação de sua pessoa para nosso leitores.
Moacyr Scliar: Sou porto-alegrense, filho de imigrantes pobres, médico, escritor e uma pessoa extremamente simples.

CV: Com quantos anos o senhor escreveu sua primeira obra? E desde qual idade o senhor é escritor e o motivo que o levou a escrever? 
MS: Escrevo desde a infância, estimulado por uma mãe professora que era grande leitora. Minhas primeiras histórias eram narrativas de criança, mas quando entrei na Faculdade de Medicina surgiu uma nova temática na qual se baseou "Histórias de médico em formação", meu primeiro livro de 1962.

Arquivo Pessoal


Moacyr Scliar (ao lado) já conquistou vários prêmios de literatura e tem várias de suas obras publicadas em vários países

CV: Como é a vida de escritor no Brasil, um País em que as pessoas não tem o hábito da leitura? E de onde vem a inspiração para suas estórias?
MS: É certo que no Brasil ainda se lê pouco, mas tenho muitos leitores, sobretudo entre o público juvenil. E baseio minha ficção numa variedade de fontes: episódios históricos, notícias de jornal, pessoas que conheci, a Bíblia...

CV: Além de escritor, o senhor é médico e professor universitário. Qual a opinião do senhor, sobre a educação e saúde no Brasil? E o nível cultural das pessoas, o senhor acredita que atualmente é muito diferente de quando começou a publicar seus livros? Melhorou ou piorou?
MS: O Brasil tem muitas deficiências, tanto na área da saúde como na da educação, mas melhorou muito. Os dados mostram que os brasileiros vivem mais, se alimentam mais, lêem mais.

CV: Qual sua opinião sobre o governo Lula? E o que o senhor pensa desses presidentes, como Chaves e Evo Moralez e outros da América do Sul, que defendem a censura, a orgãos de imprensa, entre outras arbitrariedades? 
MS: No presidente Lula admiro sua empatia para com a população, mas acho que às vezes fala de forma precipitada. E como alguém que viveu sob a ditadura, não posso concordar com atitudes anti-liberdade de imprensa, como as de Chavez.

A obra "Mês de Cães Danados", como em muitos textos do escritor, mistura realidade e ficção

CV: Com a cena política atual da América do Sul, o senhor acredita que nós possamos viver novamente um período de autoritarismo como a Europa viveu entre as décadas de 20 e 40 do século passado, com tiranos como Hitler e Mussolini?
MS: Não, não acredito. Acho que aprendemos nossa lição.

CV: Mudando de assunto, o senhor é membro da Academia Brasileira de Letras há quase 10 anos, tem vários livros publicados no Brasil, em vários estilos, tem obras publicadas em mais de 12 linguas diferentes. O senhor acredita que seu trabalho tem o devido reconhecimento em nosso País? E como suas obras foram recebidas pelo público do exterior?
MS: Sou daqueles escritores que não têm do que se queixar: fui, sim, reconhecido em meu País e no exterior. E é muito gratificante viajar para um País como os Estados Unidos e discutir com leitores, sobretudo jovens, literatura brasileira, o que é um aprendizado para eles.

CV: Alguns de seus livros são citados em algumas músicas, principalmente dos Engenheiros do Hawaii, casos como "O Exército de Um Homem Só", que inclusive é o título da canção e tem a música "Descendo a Serra", em que Humberto Gessinger cita "Mês de Cães Danados". Como o senhor se sentiu quando ficou sabendo e ouviu essas citações? E o senhor acredita que música e literatura podem "caminhar" juntas?
MS: Não tenho dúvidas de que literatura e música podem se associar, e no Brasil isto é muito comum. Para mim é motivo de orgulho; acho que um bom compositor é tão importante quanto um bom escritor.


O título do livro (na foto ao lado) é citado pela banda gaúcha Engenheiros do Hawaii, em uma de suas canções e dá nome a ela. A música é uma das mais populares da banda

CV: Exército de Um Homem Só é um de seus livros que foi escrito há quase 40 anos e continua atual até hoje. Como o senhor explica esse fenômeno? E ele é um de seus preferidos, pois o senhor cita-o bastante na obra "Enigmas da Culpa".
MS: Sim, "O Exército" é muito lido, e acho que é por causa do tema: ele fala da revolta contra a injustiça, do desejo de mudar o mundo, coisas que para minha geração eram tremendamente importantes. O nosso sonho desmoronou, mas acho que os ideais atrás dele permanecem válidos.

CV: Falamos sobre música e literatura. Além dos Engenheiros, há várias bandas que gravam discos e músicas baseados em obras literárias, além de músicos que escrevem livros e se manifestam através de outros tipos de arte, um exemplo é o Arnaldo Antunes. Com tudo isso, na sua opinião, qual seria o motivo para termos poucos leitores e novos escritores com obras interessantes? 
MS: O Brasil tem um longo passado de analfabetismo, do qual apenas agora estamos saindo. Mas o número de leitores vem crescendo, e entre os jovens escritores há gente com muito talento.

CV: Uma de suas obras, Sonhos Tropicais, foi adaptada para o cinema. Como o senhor vê essas adaptações que são muito comuns no exterior, aqui ainda não, e qual sua opinião sobre o filme. Para o senhor que escreveu, o filme é fiel a suas ideias?
MS: Gostei muito dessa adaptação, como gostei da peça baseada em "A mulher que escreveu a Bíblia", mas nem sempre a transposição para a tela ou para o palco dá certo. De qualquer modo, parto do princípio que o escritor não deve interferir na adaptação.

CV: Além de sua vasta obra, ser membro da academia, o senhor ganhou vários prêmios de literatura. Qual a importância desses troféus para um escritor?
MS: Prêmios são importantes: representam reconhecimento (especialmente no caso do importante Jabuti) e às vezes uma grana não desprezível... Mas o melhor juri é aquele que cada escritor tem dentro de si.

Arquivo Pessoal

Mesmo após várias obras publicadas e ser reconhecido no Brasil e no exterior, Moacyr afirma ser uma pessoa simples

CV: Fora os livros, o senhor escreve para vários jornais. Desde que a Internet se popularizou, várias pessoas acreditam que os exemplares impressos de livros e jornais serão extintos. O senhor acredita que isso possa acontecer. Várias editoras já começaram a comercilizar os "e-books". O que o senhor pensa a esse respeito?
MS: A mídia eletrônica veio para ficar, mas o livro ainda tem uma longa sobrevivência. A mim não importa como serei lido; o que importa é que meus textos sejam, literariarmente, os melhores possíveis.

CV: Se possível, cite os seus cinco autores favoritos e as cinco melhores obras que o senhor já leu. E quais são suas principais influências?
MS: Influências: Érico Veríssimo, Franz Kafka, Guimarães Rosa. Cinco grandes obras: Dom Quixote, de Cervantes, A metamorfose de Franz Kafka, O alienista, de Machado de Assis, A hora da estrela, de Clarice Lispector, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Belle and Sebastian - Write About Love


Neste novo disco a banda escocesa Belle and Sebastian, que está há mais de 15 anos na estrada, busca mesclar a melancolia dos primeiros álbuns, com a sonoridade mais "alegre" e oitentista dos últimos dois lançamentos, principalmente em "The Life Pursuit", penúltimo disco lançado bela banda.

E a mistura acaba resultando em um disco com uma roupagem diferente apresentada pela banda em todos esses anos abrindo, com isso, novos horizontes para o grupo, que está em uma fase bem madura. Com a saída de Isobel Campbell, quem assume parte dos vocais é Sarah, uma das multi-instrumentistas da banda. E a voz dela combina muito bem com a do vocalista Stuart Murdoch.

Algumas bandas mudam o estilo de som com o passar do tempo, seja por dinheiro, para renovar o público ou algum outro motivo, mas a Belle and Sebastian mostra que não apenas mudou e sim amadureceu, chegando com um disco com novidades, mas deixando no ar um cheiro nostálgico. Destaques para este novo trabalho, vão para as faixas em que convidados especiais participam, casos como Norah Jones em "Little Lou, Ugly Jack, Prophet John" e a participação da atriz e cantora Carey Mulligan em "Write About Love", faixa que da o título ao disco.

Alguns "velhos" fãs podem torcer o nariz para este disco, outros com certeza aprovarão e ele está pronto para angariar novos fãs para esta banda que honra o cenário alternativo, não abrindo mão de seus conceitos para produzir a música que estão a fim de tocar.