quinta-feira, 25 de junho de 2009

A música e a política do ponto de vista de um dos pioneiros do Punk no Brasil

Como diz o título acima, nós do zine/blog Canibal Vegetariano entrevistamos desta vez um dos principais nomes do movimento Punk no Brasil, um dos pioneiros, estamos falando em Ariel, o cara que montou uma das primeiras bandas do estilo no País. Se você ainda não sabe, Ariel já tocou no Restos de Nada, Inocentes e há mais de 20 anos lidera a banda Invasores de Cérebros. Abaixo, você confere a visão musical e política do eterno punk.

Ariel em uma das apresentações da banda Invasores de Cérebro Foto: Revista Comando Rock

Canibal Vegetariano: Por favor, primeiro vamos a apresentação de sua pessoa (caso ainda exista alguém que não te conheça).
Ariel: Meu nome é Ariel e sou um Punk Libertário. Gosto de Punk Rock, principalmente para tocar e dançar e acredito que uma nova forma de sociedade é possível.

CV: Você é um dos pioneiros do movimento Punk no Brasil, tocou em bandas importantíssimas como Restos de Nada, Desequílibrio e Inocentes, e há mais de 20 anos está no Invasores de Cérebros. Fale um pouco de seus mais de 30 anos de punk-rock, lembranças, alegrias, tristezas...
A: Comparo todos esses anos a uma imensa Montanha Russa, com tudo o que de prazeroso e perigoso existe nela. Foram anos intensos de muita agitação, descobrimentos e desilusões, onde pessoas muito jovens tiveram que aprender na raça o que é curtir Rock’n’Roll numa cidade que devora seus fracos. Tínhamos de estar sempre ligeiros e atentos e essa adrenalina era o que nos movia, dando o combustível para as noites quentes da cidade. Acredito que tive mais alegrias do que tristezas, conheci uma companheira que está comigo até hoje, tive filhos que cresceram dentro desse ambiente e são pessoas super conscientes em todos os sentidos, além de gostarem muito de Rock’n’Roll. Para colocar tudo isso no papel, só escrevendo um livro.

CV: A que você atribui o sucesso que as bandas, que começaram no final dos anos 70, início dos 80, como Ratos, Garotos, Cólera e etc. conseguem até hoje?
A: Acho que pelo conteúdo de cada uma existe um público específico, que aumenta a cada dia pois hoje em dia possuem estruturas que os colocam em maior visibilidade.

CV: Como é a cena atual do punk, é muito diferente do início? Quem são os punks de hoje? E como vocês, os pioneiros do movimento, veem o punk atualmente?
A: Acredito que o Movimento Punk existe há mais de 30 anos por continuar tentando mostrar uma nova forma de sociedade baseada na autogestão. Praticamos isso em todos os nossos atos, seja na música, na literatura, nas artes plásticas, nas manifestações, no nosso dia a dia, etc. E como até hoje pouca coisa mudou em termos de liberdades, indivíduais ou coletivas, com toda certeza o Punk contínua necessário para uma mudança radical da socidade.

"Onde existe democracia quando até professores são agredidos?" Ariel
foto: Portal do Rock

CV: Na sua opinião, o que melhorou e o que piorou no mundo nesses 30 anos. Sua visão de mundo nos anos 70, é muito diferente de hoje?
A: Sou completamente pessimista quanto a isso e minha visão não é muito diferente dos anos 70, onde continuo com a convicção de que tudo tem que ser mudado e como já disseram, a miséria gera monstros e eu acrescento que não é só a miséria monetária, mas a falta de cultura, o fanatismo religioso, a falta de escrúpulos e o excesso de moral, que estão entranhados na sociedade, que podem e vão realmente piorar tudo. Por isso lutamos.

CV: Quando o punk começou no Brasil, nós vivíamos a era da ditadura militar, generais no poder, exército nas ruas, censura. Atualmente nós temos um "metalúrgico" como presidente, vivemos em uma "democracia". Qual sua opinião sobre o governo Lula, e o que você pensa sobre política? É muito diferente o estilo de governo do final dos anos 70, para o final desta primeira década do século 21?
A: Como está diferente??? As bombas de gás ainda explodem em Universidades, lançadas por uma Tropa de Choque, que é especializada em conter conflitos urbanos. Qualquer manifestação sindical ou de classe é acompanhada por força policial e pronta para meter porrada a qualquer momento. Onde existe democracia quando até professores são agredidos? Eles tentam, pela força de seu cargo, colocar a população cada dia mais em casa, fazendo proibições ao direito de ir e vir, além de fecharem as casas de diversões mais cedo. O tal “metalúrgico” evoluiu e hoje diz que fala até francês e viaja pelo mundo servindo de bobo da corte de burguesias internacionais. Toda a lama do alto escalão está escorrendo pelos ralo do Congresso Nacional, mostrando mais uma vez que temos que assumir o controle.

CV: No documentário Botinada, você cita uma frase, se não me engano dos índios zapatistas, "para mim nada, para nós tudo". Você é anarquista, comunista ou nenhuma das opções?
A: Sou libertário e como dizia o Sub-Comandante Marcos, Intergalático na minha luta. Já fui Trotskista no final dos anos 70 e depois que conheci toda a ideologia Anarquista me tornei militante dessa luta. Coloco isso no meu dia a dia e apoio todas as lutas em todos os sentidos.

CV: Você acompanha a política mundial? Qual sua opinião sobre Barack Obama?
A: Não tenho boas expectativas, pois conheço a história e sei que ninguém muda nada se não houver algum tipo de interesse. O capitalismo está ruindo e como não conseguem mais dar soluções para seus problemas, colocou uma figura simpática para acalmar os ânimos, criando uma falsa ilusão de mudanças, mas a crise está aí e cada dia mais feroz, tornando homens em monstros.

CV: Voltando a falar em música, como está indo o trabalho dos Invasores. Você atualmente está apenas com eles, ou tem outros projetos?
A: Minha vida é movida a projetos ligados ao Punk e sempre estou agitando de uma forma ou de outra e o trampo com o Invasores tem uma prioridade nesse contexto todo, pois com ele junto tudo e cuspo. Com o Invasores estamos tocando bastante e conseguindo invadir alguns cérebros. Lançamos recentemente um CD com músicas inéditas chamado: “O cérebro é uma bomba relógio, o cérebro é o apocalipse.”. Está tendo uma boa repercussão no meio. Estamos finalizando 2 clipes e compondo alguma coisa.

CV: Como é tocar em uma banda por mais de 20 anos? Como você vê esse provável fim da música física (CD, LP...) e ficar somente pela Internet? Você acredita que isso é melhor, pior ou não faz diferença? Pelo tempo de estrada que vocês tem, a banda consegue viver somente de música?
A: Como disse, minha vida está entranhada nesse movimento que teima em continuar radical e estar numa banda para mim significa muito, pois consigo despejar toda minha raiva de uma forma forte e autêntica e por que não poética, sugerindo que pessoas parem para pensar sobre decidir por si mesmas suas próprias vidas. Acho impossível acontecer isso, pois de uma forma ou de outra, desde que começou a indústria fonográfica, foram lançados milhões e milhões de exemplares dos mais diversos tipos de formatos e hoje em dia o vinil está voltando com força, principalmente na Europa, e existe um público enorme para isso. Se depender de mim prefiro o vinil ao CD e outras mídias.

Ariel está há mais de 30 anos batalhando na cena Punk-Rock e é um dos caras mais respeitados e admirados do meio
foto: Cristina Sá

CV: Cara, valeu pela entrevista, deixo o espaço para você. Aproveitando, só te peço mais um favor. Deixe dicas de bandas para nosso leitores e dica de leitura, principalmente para os mais jovens que agora estão descobrindo, não só o Punk, mas todo o Rock'n'Roll.
A: Valeu a vocês que propagam informação independente. Bem, minha escola musical foi completamente fora do Rock’n’Roll que tocava nas rádios e buscava sempre um conteúdo que fizesse a diferença. Bandas como Pink Fairies, Cactus, Dust, Stooges, MC5 e uma leva de tantas outras desde os 50 até hoje com algumas que me surpreenderam recentemente como The Datsuns e The Lords of Altamont, na linha do Rock . Do lado Punk, minhas influências vêm de bandas como Speed Twins, The Suicide Commandos, The Dickies, The Weirdos, Radio Birdman, além das “clássicas”, Ramones e Sex Pistols. Na literatura me identifico com os marginais que viviam o que escreviam, seja na loucura do Teatro da Crueldade de Antonin Artaud, na filosofia além do bem e do mal de Nietzsche ou mesmo na solidão do Lobo da Estepe de Hermann Hesse. Tenho lido recentemente a Trilogia Suja de Havana de Pedro Juan Gutierrez, um escritor cubano que não deixa nada a desejar ao velho Bukowski, de quem também gosto muito.

Gostaria de deixar alguns contatos: invasoresdecerebros@ig.com.br
Myspace.com/invasoresdecerebros
ORKUT – comunidade invasores de cérebros

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Bandas plugadas em mais de 220 Volts


Acima os uruguaios do Motosierra e abaixo os campineiros do Drakula. As bandas aqueceram a noite fria do dia 13

A banda uruguaia Motosierra esteve se apresentando no último dia 13 no Bar do Zé em Campinas, em uma grande noite do Rock'n'Roll. Pois além da apresentanção incendiária que os uruguaios realizaram, de quebra rolou um showzaço da banda campineira Drakula, que estava lançando seu primeiro álbum, Comando Fantasma.

O Drakula é uma banda que mistura surf-music com punk-rock e outras vertentes do rock de uma maneira muito criativa, além de misturar "lucha libre", pois os caras se apresentam com máscaras de lutador. E o show de lançamento foi um dos mais legais que presenciei dos caras. A banda estava inspiradíssima e além de mandar muito bem nas músicas "antigas", os caras mandaram várias canções do novo disco.
O show foi incendiário e agitou a galera que estava presente, ajudando a esquentar uma noite que pode ser considerada fria, isso somente do lado de fora, pois na pista o clima estava quente, muito quente. Um show de muito rock, ótimas performances indivíduais e um ponto positivo para a banda, suas apresentações são rápidas, objetivas e quando termina você fica pensando, quero mais.

Após o excelente show do Drakula, era aguardada a apresentação da banda uruguaia que está há dez anos na estrada, tocando muito punk-rock, rock pesado, e misturando com influências distintas, de outras vertentes do rock. A mistura produzida pelo Motosierra, faz dela uma das bandas mais legais de ser assistida e ouvida.
Marcos, além de um grande cantor tem uma presença de palco impressionante e desde o início, agitou sem parar e provocou a galera. Em duas partes distintas, o cara deu um mosh na galera, desceu do palco e se misturou com o público, mesmo com o microfone na mão. No final da apresentação Marcos mais uma vez desceu do palco e jorrou cerveja na galera. A reação do público foi de acordo com a apresentação, muita gente agitando, pogando e cantando junto várias canções. E em entrevista à Nova Rádio Web, Marcos afirmou que adora tocar em Campinas e prometeu que voltarão em breve. Quando isto acontecer, espero estar vivo para mais uma vez curtir.
Sem dúvida alguma, quem esteve presente a esses shows, não esquecerá tão cedo, ou nunca mais vai esquecer, pois essa foi uma daquelas noites que tudo poderia acontecer e aconteceu. Dois grandes shows, uma festa de lançamento de um ótimo disco e boas companhias. Rock'n'roll é isso!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Promoções Nova Rádio Web

Participem das promoções da Nova Rádio Web.
Mandem e-mails para contato@novaradioweb.com.br, respondendo: Por que o disco da banda Monaural se chama Expurgo?
A melhor resposta ganha um CD e adesivos da banda. A escolha da frase será anunciada no programa A HORA DO CANIBAL no dia 29 de junho. Lembrando que o programa vai ao ar toda segunda-feira a partir das 22h30 ao vivo.

Capa do CD da banda Monaural. Quem responder de maneira mais criativa porque o disco se chama Expurgo leva a bolachinha e adesivos

O Programa Questão de Direito, apresentado pelas advogadas Andréa Lima e Cinthia Cunha, também está com promoção. É só mandar e-mail para contato@novaradioweb.com.br, até 12 de junho de 2009, e responder: Por que você ouve o programa Questão de Direito? A melhor resposta leva a camiseta com logotipo da rádio e do programa. A escolha da frase será no próximo dia 18.
O QDD, vai ao ar toda quinta-feira às 14h, ao vivo pela Nova Rádio Web. Para ouvir o programa acesse: http://www.novaradioweb.com.br/

Camiseta do programa QDD que será entregue ao ouvinte que responder de forma mais original porque é ouvinte do programa

Show de Rock


MOVEDIÇA ( HEAVY METAL/HARDROCK) - 6 DE JUNHO AS 19:00 - LIVE IN CHUP´S BAR - $ 5,00 CHUP´S BAR - AVENIDA JOSÉ GOMES DA ROCHA LEAL Nº 1451, CENTRO DE BRAGANÇA PTA.

domingo, 24 de maio de 2009

Vocais calmos e instrumentos em fúria. Conheça a banda FireFriend

A banda FireFriend está preparando o 5º disco em quatro anos de banda

A banda paulistana FireFriend foi formada em 2006 e o nome foi retirado de um estranho livro de Willian Burroughs. Desde então, os amigos têm se apresentado em várias cidades pelo País afora e já estão preprando mais um disco que será lançado em breve. Para você que está sempre a procura de uma nova banda, com uma postura diferente do que é encontrada por aí, nós do blog/zine Canibal Vegetariano, conversamos com a baixista e vocalista Julia Grassetti, para que ela falasse tudo sobre a banda. Leia a entrevista e ouça o som.

Canibal Vegetariano: Quando teve início a Fire Friend? Por que Fire Friend? Até hoje os integrantes são os mesmos da primeira formação? Quando se conheceram?
Julia Grassetti: Começamos em 2006 e o nome da banda é FireFriend – veio de um livro estranho do W.Burroughs. Nosso primeiro baterista, Woodsky, saiu da banda porque sabia que aqui não teria condições de comprar todo o whisky necessário para uma vida razoável. Yuri e eu nos conhecemos em 2006, o Pablo procurou a gente depois de ver um poster da banda no mesmo estúdio onde ensaiávamos. E agora temos um novo guitarrista, Judaz.

CV: O som de vocês é uma mistura de vários elementos do rock. Como vocês chegaram nessa sonoridade e quais são as influências?
JG: Vivemos cercados de fanstasmas – são eles que decidem a bagunça dos ensaios. Cada um de nós tem seus próprios fantasmas e cada vez mais fazemos as músicas juntos, nos ensaios.

CV: Como vocês dividem o trabalho das composições? Pois você em algumas músicas toca baixo, canta, às vezes vai para o teclado. O Yuri faz vários efeitos na guitarra e canta. Vocês compõem juntos ou separados?
JG: Juntos e separados. Quem tem uma idéia leva para o ensaio e, juntos, vamos moldando as músicas. Dubster (do Safari), por exemplo, veio de uma idéia de bateria do Pablo. Já a Anti-Heróis e Aspirinas veio do Yury, pronta para tocar.

CV: Vocês estão juntos desde 2006 e já lançaram alguns CD's. E os shows? Quais são os locais que vocês já se apresentaram e marcaram a banda?
JG: Nós estamos juntos há 3 anos, ainda estamos moldando o nosso som – fizemos uns 30 shows bem barulhentos desde o final de 2006, em umas 12 cidades diferentes. Um dos shows que mais gostamos de fazer foi justamente o que você viu, em Campinas.

CV: E o novo trabalho será lançado em vinil? Vocês acreditam que esse formato tem um apelo comercial? O movimento em sebos está aumentando, o que você pensa sobre a grande procura de discos em uma época em que o MP3 é tão popular e em muitos casos não é preciso pagar.
JG: Naturalmente não nos interessa o apelo comercial e também não gostamos de ouvir MP3. Temos muitos CD's e LP's em casa e sabemos que quem ouve apenas MP3 não faz idéia do que está perdendo. Não tem a menor graça você abrir uma pasta no computador e ter a discografia completa dos Beatles, ou do Hendrix. Gosto de pegar o disco na mão, ver a capa, ouvir do início ao fim. Odeio essa coisa shuffle. Gosto mesmo é de lado A e lado B.

Arte da capa do disco Safari da banda FireFriend

CV: Vocês fazem um som parecido com o estilo Shoegaze. No Brasil, há mais bandas parecidas com a FireFriend? E vocês já tentaram ou pretendem tentar uma carreira internacional?
JG: Nosso som é uma mistura de vários elementos do rock. Não considero a FireFriend Shoegaze. De fato, tocamos insuportavelmente alto, os vocais são enterrador e não fazemos o estilo banda líder de torcida.., mas misturamos muitas influências, de Led Zeppelin a My Bloody Valentine. Não sei se existem muitas bandas que fazem essa mistura aqui no Brasil. Conheci uma banda outro dia na Internet que gostei muito. Chama-se Loomer, do Sul. Estão para lançar um EP, vale a pena conferir.
Quanto a 2º pergunta, qualquer lugar longe de nossas casas e do estúdio onde ensaiamos é outro país falando outra língua – então, nós começamos nossa carreira internacional num show na Funhouse, perto da av. Paulista, em 2006.

CV: Muitas bandas independentes reclamam que atualmente não dá para se viver somente do trabalho de banda. E vocês estão conseguindo? E antes da banda o que cada um fazia?
JG: Nem estamos tentando – do contrário, estaríamos produzindo alguma picaretagem infantilizada com violãozinho, música sertaneja com guitarras, bondes, melancias, releituras de clássicos da MPB, fusões regionalistas, etc – qualquer um sabe a lista.

CV: Julia, como é ser uma mulher tocando em uma banda de rock? Desde que existe o rock há mulheres cantando e tocando, mas atualmente está aumentando a presença feminina. A que você credita este aumento? E como é o tratamento dos homens que estão na platéia?
JG: Não vejo muito mistério nisso. Acho até curioso quando alguém comenta, com notória surpresa, que eu toco bem, como se fosse raro mulher tocar bem em banda de rock. Talvez até seja, mas porque em alguns casos a presença feminina é usada apenas para chamar atenção do público, algo meio sexual mesmo. Como não me coloco dessa maneira, nunca tive problema algum com a platéia. Pelo contrário, muitos vem conversar sobre música depois, e é sempre um barato.

"Acho até curioso quando alguém comenta, com notória surpresa, que eu toco bem, como se fosse raro mulher tocar bem em banda de rock"

CV: Julia, valeu pela entrevista, deixo o espaço para suas considerações finais, e deixe os contatos para shows, venda de material da banda e as próximas datas das apresentações.

JG: Obrigada pelo espaço e pela força, e parabéns pelo seu trabalho! Espero que a FireFriend volte logo a Campinas para um show ultrabarulhento.
Estamos produzindo um EP novo, será nosso 5º disco. Acompanhem as novidades no www.firefriend.com.
Rock and Roll a todos!

PS: Todas as fotos foram retiradas do perfil de Julia Grassetti

quinta-feira, 7 de maio de 2009

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Na quadra de samba, o rock desfilou

Em uma noite de quinta-feira, véspera de feriado, o rock tomou conta da quadra da Escola de Samba 9 de Julho em Bragança Paulista. As atrações? Simplesmente quatro bandas, duas de Bragança e duas de Campinas. Teve o punk-rock do Vítimas do Sistema, que abriu a noite, e o Leptospirose, que fechou a festa, ambas são bandas bragantinas. Representando os campineiros, nós conferimos o punk-rock-surf-music do Drákula e o pop-rock-alternativo da Lunettes. Agora você acompanha um resumo do que foi essa noite memorável de rock.
Para começar, o irresponsável por este blog chegou atrasado no envento e deu apenas para sacar duas músicas do Vítimas do Sistema, uma ouvi do lado de fora, então, não posso comentar nada sobre os caras, fica para uma próxima. Mas de acordo com algumas pessoas que acompanharam a apresentação da banda, o show foi muito bom.

A banda Drákula detonando no palco da Escola de Samba 9 de Julho em Bragança Paulista

Enquanto o Vítimas do Sistema deixava o palco e o Drákula se preparava para sua vez, fomos até uma banca dar uma sacada nas novidades, muitos discos e CD's de bandas independentes, camisetas e outros souvenir's. Para variar saí com dois CD's e um DVD. Após as compras e um bate papo com os colegas de outras cidades, assisti ao show do Drákula, que para variar, foi muito bom. O som do local estava de primeira, e os caras mandaram ver, e na minha opinião a música Trash Can, essa é de arrebentar, foi a melhor do show, só acho que eles ficaram devendo a Zombie Birdman, que é a música que abre o Programa A Hora do Canibal, com a devida autorização de Daniel ETE, vocalista e baixista da banda, mas foi muito massa, e estou na expectativa de ouvir o CD da banda.

ENTRE GAROTAS E GAROTOS

Assim que o Drákula terminou sua apresentação, as garotas e os garotos da Lunettes arrumaram rapidamente o palco e sem deixar cair o pique da última banda, continuaram mandando ver no som para a galera agitar.

Lunettes, a banda campineira fez mais um bom show e mostrou que está pronta para alçar voos cada vez mais altos

A banda como sempre muito coesa e cada vez mais segura em palco, mandou ver nas canções do primeiro disco e ainda tocaram uma versão muito foda de Jumpin Jack Flash dos Rolling Stones, mas com o estilo Lunettes, a versão ficou muito massa. Apontar um destaque individual fica complicado, pois no palco todos os integrantes fazem muito bem sua parte e mostram que a banda está entrosadíssima e merece um destaque ainda maior na cena independente.
Para fechar a noite, nada mais que Leptospirose, a banda que lançou dois álbuns, um split CD junto com o Merda, turnês pelo Nordeste brasileiro, Argentina, Uruguai e Europa. E no final de abril, início de maio, eles voltam para mais apresentações no Uruguai e Argentina.
Assim que subiu ao palco, o trio tocou uma "cacetada" atrás da outra, e foi assim até o final da apresentação, desta vez, a mais longa que eu acompanhei. O som estava ótimo, todos os instrumentos estavam audíveis, voz, perfeito. Foi uma grande noite de rock, boa música, boa diversão, bons papos. Antes da apresentação do "Leptos", Quique, vocalista e guitarrista da banda, disse que está muito feliz com o atual momento do grupo, e que as vendas do novo CD "Mula Poney" estão ótimas. Além das músicas das três bolachinhas, o "Leptos" aproveitou o show, e apresentou três novas canções. Será que temos disco novo pintando por aí? Segundo Quique, em 2009 não. Vamos aguardar.

O power trio Leptospirose encerrou a grande noite de rock em Bragança. A banda está prestes para embarcar em mais uma turnê internacional

E assim terminou uma grande noite de música e diversão. O único problema foi na volta, a neblina que cobria a estrada fez com que este xarope que vos escreve, dirigisse como o Rubinho, bem devagar. Mas foi legal, pelo menos consegui ouvir o ótimo CD da banda Merda "Curtição dos Jovens".

Todas as fotos são de Fabinho da Rádio (Boss)

terça-feira, 31 de março de 2009

De Caruaru para o mundo: Alkymenia

Formada em 2003 pelos irmãos Lalo, baixo e vocal e Sandro Silva, guitarra, junto com o baterista Dennis Kreimer, a banda pernambucana de thrash/death metal, Alkymenia, que batalha seu espaço no cenário independente há alguns anos, está lançando o primeiro EP "They Don´t Deserve Respect". Com este lançamento, a banda pretende crescer cada vez mais e partir para turnê nacional e internacional. Com influências de bandas como Pantera, Death, Motorhead, Morbid Angel, Slayer, além do EP, eles tem duas músicas inéditas na coletânea "Terra Batida" . A seguir, você confere uma entrevista exclusiva que o guitarrista Sandro Silva, cedeu para o Zine/Blog Canibal Vegetariano.

Canibal Vegetariano: Como vocês chegaram a sonoridade do thrash/death metal e como é o público na cidade de vocês? Existem espaços para apresentações de bandas com material próprio?
Sandro Silva: Desde o início da banda que curtimos bandas clássicas de thrash e death metal e fomos moldando aos poucos nosso som e descobrindo uma sonoridade própria e única para o Alkymenia. O público aqui em Caruaru não é muito grande, mas sempre comparece aos shows e apóia a cena, mas ainda tem muito o que melhorar, dá mais valor as bandas de Caruaru e região, comprar material e etc. Aqui o espaço para as bandas com material próprio não existe! A cidade é conhecida como a "Capital do Forró", e nós temos que organizar nossos próprios eventos para tocar na cidade e vender nossos CD´s.

CV: Quais as metas para o futuro? Vocês pretendem continuar independentes, ou há uma esperança de assinar com alguma gravadora?
SS: Então.. temos em mente lançar nosso debut álbum por algum selo/gravadora para ser bem distribuído e em seguida colocar o pé na estrada e sair em tour pelo Brasil.

CV: Como foi o processo de gravação do EP? Houve patrocínio, incentivo público? Ou foi tudo na raça mesmo?
SS: Tínhamos algumas músicas compostas e precisávamos gravar algum registro para divulgar nosso som e fazer shows. Daí juntamos uma grana e mandamos ver! Tudo com a cara e a coragem, sem incentivo algum, nem patrocínios.

CV: Como é a cena metal no Nordeste do País, mais especificamente em Pernambuco?
SS: A cena metal no Nordeste é muito forte e cada ano tem crescido mais! Com várias bandas nacionais fazendo tour por todo o Nordeste e shows internacionais de bandas como: Scorpions, Deep Purple, Symphone X, Morbid Angel, Motorhead, Iron Maiden e etc..

Divulgação
Da esquerda para a direita, o batera Dennis Kreimer, o baixista e vocalista Lalo e o guitarrista Sandro Silva. O power trio faz um thrash/death metal que não deve nada para as bandas mais consagradas do estilo

CV: Vocês já tocaram em festivais? E com outras bandas do estilo?
SS: Sim! Já tocamos em festivais como “PE no Rock” que teve seletivas em Garanhuns, Recife e Petrolina e já dividimos o palco com bandas do cenário nacional como: Tumulto, Malefactor, Suprema, Predator, Nervochaos, Torture Squad, Scud e etc.

CV: Quais são as dificuldades de uma banda de metal, principalmente com material próprio?
SS: Uma das maiores dificuldades é a divulgação e distribuição dos CD´s... claro que hoje em dia tem vários meios de divulgação: Orkut, Blogs, Sites e etc..

CV: Deixamos o espaço aberto para vocês, onde o pessoal pode adquirir o CD, datas de shows e etc.
SS: Quero primeiramente agradecer ao Zine/Blog "Canibal Vegetariano" pela força ao Alkymenia e ao metal pernambucano! Nosso EP "They Don´t Deserve Respect" pode ser adquirido via correio. Interessados em conhecer o trabalho do Alkymenia entrem em contato comigo pelo e-mail: sandro.silva0@hotmail.com , www.myspace.com/alkymenia ou pelo fone: (81) 9175-7065. Abração a todos os Camisas Pretas!

terça-feira, 17 de março de 2009

Um rock ácido e emergente...

O power trio faz um rock simples e direto com grande influência do grunge

O power trio Monaural foi formado em 2003 em São Paulo, e desde então a banda não para, sempre fazendo shows, gravando singles, EP's e álbuns. O último, Expurgo, foi lançado em 2008. Com seis anos na estrada, atualmente o grupo está conseguindo bancar suas despesas, e nunca desistindo, ou abrindo mão, do controle e criação de sua obra. Abaixo você confere uma entrevista exclusiva que o vocalista e guitarrista Ayuso, concedeu ao blog do zine Canibal Vegetariano.

Canibal Vegetariano: Quando, e como foi formada a banda, qual o significado de Monaural e quem são os integrantes?
Ayuso: Tudo começou em meados de 2003 quando Herik e eu resolvemos montar uma banda para tocar algumas músicas de dois projetos que tive na década de 90, Bionic Shoes e Estéreo.
Monaural significa um só canal de áudio, ou seja a mesma coisa que mono, a gente costuma usar o termo “tudo por um só canal”.
Os integrantes são eu(Ayuso): Vocal e Guitarra, Herik Soares: Bateria e Guilherme Maia novo integrante: Baixo e Vocal.


CV: Com tantas formas e estilos diversos de rock atualmente, tem como rotular o som da banda? Eu ouvi as músicas e percebi um lance do grunge. Quais são as principais influências da banda?
A: Se tem como rotular eu não sei, mas certamente alguém irá fazer isso facilmente num futuro não muito distante, acredito eu, mas isso não chega ser uma preocupação. Nossas principais influências estão enraizadas no rock da década de 90 e também em quase tudo que veio a ter uma ligação com o movimento .Nossas principais influências são Black Sabbath, Beatles, Nirvana, TAD, Melvins, Mudhoney, Helmet, Faith no More, Sonic Youth, Fugazi, Jawbox, Foo Fighters, Queens of the Stone Age, Killing Chainsaw, Patif Band e por ae vai.

CV: Como você vê atualmente o cenário rock no Brasil, e como está a divulgação das bandas independentes. Qual a importância da internet, dos zines e rádios web para o futuro do rock?
A: Vejo o cenário rock brasileiro crescendo cada vez mais em “quantidade”, chegando até ser moda hoje em dia você ter sua banda e produzir sua própria música! Isso resulta no que a gente vem ouvindo e vendo por ae, um monte de banda pré-fabricada fazendo um som vazio, sem mensagem nenhuma para passar.
A internet é a ferramenta fundamental para divulgação hoje em dia, não tem como você nega-la, ela já faz parte da nossa cultura e a importância desses novos meios de comunicação ao meu ver são essenciais, vejo todo dia novas webrádios e programas surgindo, E-zines, blogs, etc...sempre divulgando novas bandas, abrindo espaço para novos artistas e passando informação.
Você não precisa mais esperar um zine chegar na sua casa por correio, você apenas liga seu computador na sua casa e digita sobre o que você quer ler no Google, é comodo, é prático e o custo-benefício para a produção dessas novas mídias são praticamente Zero.

CV: São Paulo é considerada uma das capitais do rock brasileiro. Como é a cena atual da cidade? Há espaço suficiente para as bandas que estão começando?
A: Não sei bem se existe uma cena pois as bandas daqui não são 100% unidas de verdade, a coisa aqui parte muito mais do individual e isso para mim é um dos grandes males da cena paulistana.
Hoje existe diversos bares e casas de shows espalhados em todos os cantos da capital, existe bastante espaço comparado a uma década atrás, mas também existe uma desvalorização das bandas perante aos donos das tais casas, talvez por existir banda demais surgindo e se sujeitando a tocar de graça ou até mesmo a vender ingressos para participar de certos eventos.
Falta um pouco de clareza e respeito com as bandas e certamente também falta postura e atitude das bandas ao se colocar com as casas.

CV: Voltando ao Monaural, a banda está no segundo disco. Quais são os planos para o futuro, e como está a agenda de shows?
A: Só corrigindo estamos no terceiro disco, sendo esse ultimo (expurgo) nosso primeiro long play. Os planos para o futuro é continuar gravando e tocando sempre que possível! Estamos no meio de uma tour de divulgação de expurgo que tem como previsão de término o mês de maio. Depois disso pretendemos entrar em estúdio e registrar alguns sons novos, estamos vendo um possível Split com a banda Megadrivers de Porto Alegre e até o final do ano queremos lançar um EP com 8 faixas inédita.

CV: Como funciona o lado criativo da banda? De onde vem as idéias para as letras da banda. É inspirada em outros grupos? Ou tem influências de livros, filmes e etc...?
A: A parte criativa do Monaural é bem simples, eu escrevo as letras e componho a maioria dos riffs, chego nos ensaios com alguns esboços e deixo que o resto da banda faça sua parte. O Herik é um baterista bastante criativo e eu já conheço o estilo dele e vice-e-versa, sei como funciona seu raciocínio musical, então as vezes eu nem preciso comentar a minha idéia, ele simplesmente entende o que eu faço e mata de primeira, temos um ótimo entrosamento. O Guilherme entrou a pouco tempo, mas tem demonstrado ser um cara criativo também, estamos nos dando bem nessa parte.. As letras em si, é uma parte bem pessoal minha. Escrevo sobre mim, sobre minha vida, minhas experiências ou sobre alguma visão que tive de algo. Hoje em dia eu tento transcender mais, liricamente falando, minha intenção é conseguir escrever algo que as pessoas possam sentir ou irão sentir uma vez em determinado momento de sua vida. Minhas influências estão em algumas bandas e escritores, mas posso destacar três deles que gosto bastante: Augusto dos Anjos, Bukowski e Kurt Cobain.

CV: Existe ainda bandas com o desejo de assinar com alguma grande gravadora? O que você pensa sobre isso?
A: Bem hoje em dia isso já virou meio que lenda, mas no fundo acredito que ainda exista alguns artistas que tenham esse sonho, mas eu sou muito mais a favor de ter a liberdade e o controle em cima da minha arte acima de qualquer coisa. Ser independente não é tão cool como dizem por ae, mas mesmo com as dificuldades que enfrentamos, me sinto orgulhoso de fazer por mim próprio e do meu jeito tudo o que tenho feito. O que vier depois disso é apenas mera conseqüência.

CV: Vocês vivem da banda atualmente, ou tem outras ocupações. Caso tenha, vocês podem citá-las?
A: Viver da banda eu não posso dizer, mas vivemos para a banda. Depois de quase 6 anos de estrada, estamos começando a nos custear, a banda hoje paga seus ensaios, paga camisetas e adesivos com grana de shows e isso já um grande começo para gente. Eu to desempregado mas trampo como designer, o Herik trabalha numa corretora de seguros e o Guilherme está começando um trampo em um estúdio.

CV: Deixo o espaço para as considerações finais, e agradeço pela entrevista.
A: Eu que agradeço ao Canibal pelo convite e todo seu empenho em incentivar o que a gente chama de cena underground aqui no Brasil. Que nós possamos continuar fazendo o que a gente acredita, hoje em dia o que eu mais tenho buscado é dignidade, coisa que nossa sociedade não nos dá em nenhum momento e na música eu me sinto útil e digno do que faço.
Deixo um grande abraço para todos, questionem tudo o que a TV e as rádios te empurram, procure algo novo e sincero para fazer, sejam felizes.

Todas as fotos são de arquivo pessoal.

domingo, 1 de março de 2009

Entrevista HELL BULLET

O quarteto lançou no final de 2008 o primeiro EP demo "Kill for Beer"

Há pouco mais de dois anos na estrada, os paranaenses do Hell Bullet, lançaram no final de 2008 o primeiro EP demo intitulado "Kill for Beer", com quatro músicas próprias, e que na opinião do Canibal Vegetariano, é um EP muito bom. Agora você acompanha a entrevista exclusiva que eles concederam ao blog do zine.


Canibal Vegetariano: Para começar se apresentem. Quem são os integrantes, ano de fundação da banda, principais influências, quantos cd's lançados e etc.
Hell Bullet: Bom, o Hell Bullet já está na ativa há dois anos, desde o seu início com a mesma formação, Jeca (vocal e baixo), Chuck (guitarra), Tonho (guitarra) e Rodrigo (batera). Nossa proposta foi sempre tocar Thrash Metal, que é o que sempre gostamos. As influências são inúmeras, não só dentro do Thrash, mas os principais são Sepultura, Kreator, Exodus, Slayer, Vio-Lence etc...Em setembro de 2008 lançamos nossa primeira demo, intitulada de "Kill For Beer" com quatro sons próprios.

CV: Como vocês chegaram na sonoridade do trash metal e como é o público na cidade de vocês? Existem espaços para apresentações de bandas com material próprio?
HB: A decisão do que iríamos tocar, e como iríamos tocar tal estilo não foi nada "armado" ou planejado. Esse som é o que os quatro membros curtem e então foi natural. Quando marcamos o primeiro ensaio parecia que já estava tudo decidio, mas rolou tudo naturalmente. Sempre foi nossa proposta tocar thrash, e logo nos focar em composições próprias. Aqui na nossa região o público de tal estilo cresceu muito nos últimos tempos. Surgiram mais bandas, mais shows, etc...A gente tem um espaço sim. E não rola preconceito em tocar som próprio não. Conseguimos fazer uma boa média de shows por aqui.

CV: Quais são as metas para o futuro? Vocês pentrendem continuar independentes, ou há uma esperança de assinar com alguma gravadora?
HB: Este ano estamos marcando vários shows pelo Brasil. Nossa intenção é ir tocando pra divulgar o material, e ir compondo material novo. Já estamos com algumas músicas novas, e esperamos que até dezembro a gente entre em estúdio novamente para o ano que vem lançar o EP oficial. A princípio não temos nada fechado com gravadora alguma. Já temos sim contatos com selos aqui do Brasil e de fora, para o lançamento do EP.

CV: Como foi o processo de gravação do EP? Houve patrocínio? Incentivo público? Ou foi tudo na raça mesmo?
HB: Gravamos na cidade de Cascavel, que fica aqui pertinho, no estúdio MegaVoice. Foi um lance bem profissional mesmo. Levamos em torno de estúdio contando gravações, mixagem e masterização. Não contamos com nenhum patrocínio não. Foi tudo conseguido por nosso esforço e também de nossos amigos que também tiveram uma participação significativa.

CV: Como é a cena metal no sul do País, não somente no Paraná.
HB: Temos uma ótima cena com bandas de destaque nacional. A cena de death metal é bem grande aqui. Não só no metal, mas também no rock 'n roll, punk...ótimas bandas estão surgindo!

Os caras do Hell Bullet detonando ao vivo

CV: Vocês já tocaram em festivais ou com outras bandas do estilo?
HB: Isso é o que mais rola. Tem as bandas de nossos camaradas aqui da região, O Hate Your Fate, Alcoholic Mosh, Headthrashers, Opressor, Carnivore Mind que sempre estamos tocando juntos, e se vamos pra fora sempre, damos um jeito de levar uma banda junto! Também tocamos com bandas de fora, Violator, Guillotine, Sentencial, Atomic Curse...

CV: Quais são as dificuldades de uma banda de metal, principalmente com material próprio.
HB: Dificuldades são quase a mesma para uma banda de metal, rock 'n roll, hard ou punk...É a falta de grana, um apoio maior de pessoas que poderiam ajudar, até um certo preconceito. Sobre ter rmaterial próprio não vejo tanta dificuldade. Hoje em dia até vejo muito lugares com preferência de bandas com material próprio, pelo menos no meio do metal. Dificuldade todo mundo tem, o negócio é não desistir!

CV: Deixamos o espaço aberto para vocês, onde o pessoal pode adquirir o cd, datas de shows e etc.
HB: Bom, queria agradecer ao pessoal do Canibal por esse apoio que estão dando pra gente, agora no blog e também na rádio. Agradecer você que leu tudo isso até o final. As pessoas que vem nos apoiando e ajudando a divulgar o material. Keep fast..and Kill For Beer!

myspace.com/hellbullethrash
hell_bullet@hotmail.com

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Lunettes - Le Diaboliche, uma falsa santa, uma pazza e um attore porno (2008)




Gravadora: Golden Shower Records / Scatter Records


O fato da Lunettes ser de Campinas é mero acidente, um feliz erro de cálculo. Digo feliz, pois sempre há oportunidade de conferir a banda de perto. Mas voltando ao erro, não é difícil imaginar a banda tocando, ao lado de nomes como Blondie, Ramones, Television, etc. na longínqua CBGB de finais da década de 70. Porém - por mais estranho que pareça – as letras em inglês sobre relacionamentos amorosos, sacanagem, ciúmes, independência e tudo mais que compõe o universo feminino, têm uma esperteza tipicamente brasileira. Isso dá um estranho sotaque nacional ao grupo. Além disso, vale ressaltar, que as letras afirmam a independência feminina sem cair nos fáceis chavões de discursos feministas.

Isso tudo, aliado à mistura de punk, new wave e rock garageiro do grupo (temperada pelo teclado à la década de 80) cria um disco explosivo e surpreendente. É difícil apontar destaques em meio a tanta música boa. Mas, mesmo assim, se você quer comprovar o que estou falando, ouça: “It’s Just fun”, “Give it up”, “Norma Desmond”, “9171”, “Sad Love and Dying”, “Cherry” e “Golden Shower”. Essa última, com sua letra bem sacada e sacana, já é uma espécie de hit nos shows. Bem, resumindo: se você quer um disco que seja dançante, sem deixar de ser torto; pop, sem deixar de ser sujo; romântico, sem deixar de ser sacana; ouça Lunettes e fim de papo! (VFS)


Sem medo de ser pop - entrevista com a banda Superdrive

A banda campineira Superdrive foi formada em 2003 e no início teve algumas mudanças de formação. Mas desde 2006 se mantém estável. Na entrevista a seguir, você confere mais sobre a banda e a história de André Biaggio, guitarrista e vocalista. Com influências de Big Star, Replacements e uma leve pitada de punk rock, o grupo está lançando uma música em uma coletânea americana.

A banda (André à direita)


CV: Como rolou o convite para gravar a coletânea do selo Stereorrific de New Jersey? E como foi o processo de gravação? Vocês gravaram as músicas aqui e enviaram para o selo?

AB: Conheço os donos Jeff e Joel Mellin desde 1999 quando fiz contato através do extinto mp3.com, que era bem parecido com o myspace de hoje. A coletânea comemora dez anos do selo e eles convidaram diversas bandas para participar fazendo versões de músicas dos seus artistas . Nós escolhemos You Sweet You uma música originalmente acústica do Jeff Mellin, dai fizemos uma versão com bastante guitarra e feedback, gravamos no estúdio de Mário Porto que já trabalhou com o Ira!. Envíamos pra eles masterizarem por lá.


CV: Além da música na coletânea, vocês planejam lançar algum disco novo? Se sim, como ocorrerá esse lançamento (através de algum selo, na internet, de maneira independente, etc.)?

AB: Na verdade já lançamos, que foi o single com duas inéditas mais três do CD anterior. Não temos vínculo com nenhum selo, é tudo independente.


CV: A banda já contou com vários integrantes, passando por diversas formações. Como está a formação atual? Vimos que cada integrante dessa nova formação tem influências distintas. Como vocês chegaram a essa sonoridade? As mudanças alteraram de alguma forma o som da banda?

AB: Sim. Formei a banda ao lado do guitarrista Armando Turtelli(Astromato) na época éramos muito ligados no som do Jesus & Mary Chain, mas com o tempo nos afastamos um pouco das guitarreiras e microfonias típicas do estilo.Hoje o som tá mais ROCKÃO. O Japa (baixo) e o Mantovani (batera) são mais ligados em Heavy Metal e Hard Rock. Enquanto eu e o Fernando (Guitarras) gostamos mais de indie rock . O Fernando toca no No Class, por isso, acaba tendo uma pegada mais punk nos riffs.


CV: Antes do Superdrive, quais foram os outros projetos que você teve? E atualmente, você tem outros projetos além da banda?

AB: Já toquei no Lethal Charge durante um ano, logo no início da banda, depois formei o Slowdown em 1996, saí e formei o Raindrops. Hoje toco apenas com o Superdrive que já completou cinco anos.


CV: Há dez anos você tocava no Raindrops com dois integrantes de Itatiba (André e Anderson), chegando inclusive a gravar o ep “Sweet Girl”. Por que a banda se separou após o lançamento?

AB: Na verdade eu continuei por mais algum tempo, gravei o SoundTracks com nove músicas ao lado do Armando e do baixista Reginaldo, que tocava guitarra no Orestes Prezza. O André Fujiwara foi o primeiro a sair, nem lembro direito o motivo, depois me desentendi com o Anderson que irônicamente estava morando aqui em Campinas na época.



CV: O que mudou no cenário musical de Campinas e região desde o lançamento do EP do Raindrops? Está mais fácil ou mais difícil para divulgar o trabalho?

AB: Bem mais fácil, porém tirando o Bar do Zé que fica em Barão Geraldo não tem muito espaço, de vez em quando rolam uns festivais na antiga estação FEPASA que se transformou num espaço cultural gratuito. Mas a internet é a grande revolução!Longa vida ao myspace.


CV: Estamos acompanhando o cenário musical de Campinas e observamos que existem muitas bandas de vários estilos. Pode-se dizer que existe uma cena na cidade?

AB: De certa forma existe, e ela se concentra no já citado Bar do Zé. Algumas bandas vêm se destacando mais, recentemente o Del O Max lançou um vinil, o Muzzarellas que é um veterano, também lançou. Acho isso um puta lance bacana. Acaba por criar uma identidade.


CV: Como foi fazer a abertura do show do Placebo em Campinas? Quais foram os critérios para o processo de seleção para ser a banda de abertura desse show? Qual sua opinião sobre tais critérios, eles foram justos ou não?

AB: Ser escolhido foi ótimo entre tantos candidatos, porém o show foi um tanto sufocante com tanta gente esperando ansiosa pra ver o Placebo. Eu particularmente não consegui curtir estava muito preocupado com o horário (20 minutos) e tudo mais. Você tá acostumado a tocar em bares pequenos , de repente pega uma RED lotada com quase 3.000 pessoas, uma aparelhagem absurda e acaba por se perder no meio de tanto retorno. Não sei quais foram os critérios, mas sabia que não tínhamos chance de vencer a eliminatória pois cantamos em inglês.



CV: Agradecemos pela entrevista, deixamos aqui o espaço para você divulgar a banda, os próximos shows, o lançamento da coletânea, etc.

AB: Eu que agradeço! Adorei o Zine de vocês. O próximo show será dia 13 de dezembro no recém inaugurado Mãe de Pantanha: Av. Francisco José de Camargo Andrade 473(próximo ao bairro Castelo) em Campinas. Esse show comemora o lançamento da coletânea e vai contar com participação de uma banda que faz covers do Pixies. Quem quiser conferir o som do SUPERDRIVE:

www.myspace.com/superdriveband

www.bandasdegaregem.com.br/superdrive

Botinada



Gravadora: ST2 Music

Um DVD idealizado e produzido por Gastão Moreira, ex-VJ da MTV, ex-apresentador do Musikaos, contando toda a história do punk em terra tupiniquim, só poderia resultar em um dos melhores documentários já produzidos por aqui. O vídeo apresenta a história contada pelas pessoas que fizeram parte dela.
Neste DVD é possível conhecer como e onde começou o movimento punk no Brasil. Todos os principais nomes do estilo estão dando opiniões, contando histórias, aparecendo em fotos, trechos de shows. Ele mostra como a juventude dos anos 70 era foda, em plena ditatura militar eles ousaram no visual, na atitude e principalmente na música. Do início do movimento punk até hoje, se vão 30 anos, ou um pouco mais, e muitas das bandas que começaram o movimento, estão na ativa até hoje, casos de Cólera, Inocentes, que antes disso o Clemente tocou no NAI (Nós Acorrentados no Inferno) e Condutores de Cádaver, Ratos de Porão, Restos de Nada, Olho Seco entre outras.
Independente de seu estilo preferido, um relato desse merece ser apreciado, pois além de contar a história do punk, ele conta sem nenhuma censura, como funcionava a mídia brasileira nos duros tempos militares, como eles viam os jovens punk's, as brigas entre as gangues. Algo que é muito legal, é que além do DVD, junto vem uma coletânea em CD com várias músicas que rolaram durante o filme. (IG)

Leptospirose - Mula Poney


Gravadora: Laja Records- - Caveira da Força discos - Projeto Enéas Bomba Records

A banda Leptospirose está freqüentando as páginas do zine desde a época do "Atitude Underground", devido a série de lançamentos que os bragantinos realizam. Desta vez, além da entrevista com Quique, vamos escrever sobre o novo disco deles que acabou de sair do "forno": o Mula Poney. É uma tarefa difícil (por mais estranho que pareça) falar sobre um disco que ouvi mais de dez vezes em questão de dois dias. Mas vou tentar.

Para começar, a produção foi feita pelo Rafael Ramos, que se não me falha a memória, já produziu Matanza, Pitty e uma série de novas bandas que apareceram. A gravação está com uma qualidade impressionante, a "bolacha" foi gravada no estúdio do Rafael no Rio de Janeiro. É possível ouvir tudo nitidamente, com exceção das letras do Quique que precisam ser acompanhadas pelo encarte devido à velocidade. O disco tem 18 faixas com duração de 19 minutos e alguns segundos. É uma cacetada atrás da outra, parafraseando Gastão (ex-MTV e ex-apresentador do Musikaos), é uma "porrada na orelha". Mas uma porrada muito boa de se receber. As músicas quase não têm separação. Nem bem acaba uma pauleira e já entra outra, não dando nem tempo para o fã respirar.

Com este lançamento, o Leptospirose desponta como uma das principais bandas na cena independente nacional. Além da evolução ao vivo, eles evoluíram em estúdio e gravaram um puta disco. Parabéns ao caras. Os fãs de um bom rock agradecem este lançamento. Quer alguns destaques, ouça as faixas "Sebo", "My name is..." e "Prometo não parir pôneis". Mas vai ser difícil ouvir apenas essas, pois o disco tem um enorme poder conquistador e, com certeza, vai cativar cada ouvinte. Ficou interessado em ouvi-lo? Entre imediatamente nos endereços virtuais que o Quique deixou na entrevista. Se fosse para eu dar uma nota para o disco, sem sombra de dúvidas seria 10.

(IG)