A separação de um casal sempre vem acompanhada de muitos
aborrecimentos. Um deles éa divisão dos discos. Aqueles CDs que vocês compraram
juntos, ouviram juntos e que agora se tornam motivo de discórdia.
Na música “Trocando em miúdos”, Chico Buarque diz para a ex:
- eu fico com o disco do Pixinguinha, o resto é seu. Na música “A Rita”, ele
reclama que a mulher foi embora e além de seu coração, levou também o disco que
mais gostava.
Não há uma receita infalível para uma partilha de CDs. Você
com certeza terá que comprar vários deles novamente. Em compensação, dá para
passar para frente os que ela (e) te deu e você não gostava, mas ficava sem
jeito de falar.
A pessoa também pode sentir vontade de vender todos os
discos que a fazem lembrar da (o) ex, mas aqui vai uma sugestão: espere um
pouco. Depois que a raiva passar, você pode se arrepender. Terminou um namoro?
Brigaram feio? E aqueles CDs que ficaram na casa dela (e)?
Namorados, namorados, negócios à parte. Esqueça os pudores e
vá até lá buscar, mesmo que você tenha sido canalha. Afinal, buscar os discos
na casa do (a) ex pode ser um ótimo motivo para quem quer reconciliação.
André Fiori é dono da maravilhosa loja Velvet CDs, na rua 24
de Maio, Centro de São Paulo. Há pouco mais de 10 anos, Fiori escrevia coluna
que denominada "Atrás do Balcão", na revista Zero, uma das melhores a
aparecer no mercado editorial nacional.
Marcos José Ferraz, mais conhecido como Zé, e Alê Castro,
foram os vencedores da promoção “Em maio todo janta pipoca na minha cidade”,
realizada pelo programa A HORA DO CANIBAL em parceria com o zine/blog Canibal
Vegetariano e Rádio Click Web.
Para vencer a promoção, os jovens enviaram frases toscas. Zé
escreveu: "Escravos
Anões! Porque o trabalho engrandece”, e "Comi pipoca alucinógena, e vi o
Picolo, no pico do Macaco Nikito", por Alex Leco, foram as duas mais
toscas e escolhidas por nosso camarada Délcio Padovani Junior, como as piores e
em nosso programa, as piores são as que vencem.
No
primeiro dia de junho, Alê Castro recebeu seus prêmios das mãos do camarada
César Bernucci, dono da Papelaria 29, parceiro da Rádio Click Web. No sábado
(6) foi a vez de Zé receber os brindes. Cada jovem levou para casa CDs das
bandas: Regredidos do Macaco, Perturba, Eyes of Gaya, Labataria e Bikini
Hunters, esta última banda ainda concedeu duas camisetas para sorteio.
É ruim quando você está atrás de alguma música ou disco que
não sabe qual é. Aquela canção que ouvimos tocar em algum lugar e não sabemos o
nome e nem quem canta. Pode ser um filme, em uma casa noturna, na rua ou no rádio,
sei lá. Aqui na loja, inúmeras vezes nos deparamos com essa situação. Às vezes
é preciso partir do nada. A pessoa começa cantarolar um trecho: “Olha, a música
é assim: lá-ra-lá-lá-ri-lá...”. Nem sempre é possível acertar. Um procedimento
muito comum é o cliente trazer uma fita K7 com a música em questão. Acho muito
legal isso. Dá para sentir como no antigo programa do Silvio Santos: “Maestro
Zezinho, duas notas, qual é a música?”. Na maioria das vezes consegue-se
descobrir.
Uma vez uma moça com uma criança de colo vibrou ao saber que
o que ela procurava era Pixies, “Here comes your man”. Levou dois segundos. Ela
quis saber: “nossa, o cara nem cantou ainda, como adivinhou?”. Bom, essa foi
fácil. O frustrante é quando, apesar dos esforços, não conseguimos descobrir o
que é. Uma vez contei seis pessoas ouvindo uma fita (outros clientes também
ajudaram) e não chegamos a conclusão alguma. Cada um falava uma coisa:
- Ah, isso aí é anos 80.
- Só pode ser banda inglesa e etc.
A cada pessoa que entrava na loja, eu perguntava: “Ei,
amigo, por acaso você sabe o que é isso aqui?”. E rolava a fita novamente.
Mesmo assim nada. Quando o cliente foi embora, ainda pedi: “Olha, quando você
conseguir descobrir o que é, liga para gente e diz, ok?”.
E quando sei o que é, mas não consigo lembrar? Teve uma vez
em que achei que não conseguiria dormir naquela noite caso não lembrasse o nome
da bendita música. O clipe também ajuda bastante: “Olha, estou atrás de uma
música. No clipe, o cara está andando na rua e esbarra em todo mundo”. Essa é
moleza: “Bittersweet symphony”, do The Verve. Um comercial de TV também, às
vezes, pode esclarecer o mistério. Lembra-se de quando “Fake plastic trees”, do
Radiohead, tocava num comercial, onde aparecia um menino deficiente chamado
Carlinhos? No começo, muita gente achava que era U2, outros, Suede. O Radiohead
aumentou bastante sua popularidade devido àquela propaganda. Uma vez uma
senhora entrou na loja e disparou: “Moço, o senhor tem a música do Carlinhos:”.
E eu, distraído: “Que Carlinhos, Carlinhos Brown?”.
André Fiori é dono da maravilhosa loja Velvet CDs, na rua 24 de Maio, Centro de São Paulo. Há pouco mais de 10 anos, Fiori escrevia coluna que denominada "Atrás do Balcão", na revista Zero, uma das melhores a aparecer no mercado editorial nacional.
Há mais de dez anos na estrada, a banda paulistana de
grindcore Hutt se apresentou em Campinas no mês de fevereiro. Nós do Canibal
Vegetariano acompanhamos a apresentação que foi um “arrasa quarteirão”. Dias
após entramos em contato com o vocalista Marcelo Appezzato para fazermos a
entrevista que você lerá a seguir. Além de Apezzato, a banda ainda tem Leandro
na guitarra, André no baixo e Diego (baterista monstruoso) em sua formação.
Durante o papo, falamos da história do quarteto, política e próximos
lançamentos.
Canibal Vegetariano: Desde o início em 2002, houve alguma
mudança na formação? Em caso positivo quais foram e por quê?
Marcelo Appezzato: Começamos o Hutt como um trio, eu, o
Leandro e o Choukri (ex-Presto) na bateria. Sem baixo. Em 2006 o Choukri saiu e
a gente colocou o Diego e o André. Gravamos o Monstruário com essa formação. Em
2010 ou 2011 o Choukri voltou pra banda e o Diego saiu. Em 2013 o Choukri saiu
de novo e o Diego voltou. Ou seja, uma confusão dos infernos.
CV: Quais as principais influências de vocês?
MA: Cara, vou falar por mim, pois cada um escuta suas
coisas. Eu sempre curti punk/hardcore, crossover, death e thrash metal, pelo
menos no que diz respeito as minhas influências como vocalista. Mas como fã de
música escuto um monte de outras coisas, nem queira saber o quê (risos).
CV: Como é ter uma banda de grindcore no Brasil? Há espaços
para shows, divulgação e venda de discos?
MA: Deve ser a mesma coisa que ter uma banda grind em
qualquer lugar do mundo, cerveja morna como cachê, shows nem sempre lotados,
poucas mulheres e muita roupa preta. A cena é pequena mas forte, e é tocada por
algumas pessoas que fazem a diferença, seja tendo banda, promovendo shows ou
principalmente: comparecendo em shows e comprando o material das bandas.
CV: Vocês estão na estrada há 13 anos. O que mudou de 2002
para cá? As mudanças foram positivas?
MA: Acho que a principal mudança foi na comunicação, por
causa da internet. O público aumentou um pouco também e está mais
diversificado. De resto não vejo muita coisa diferente. Pra gente, como banda,
tá melhor.
CV: O que vocês planejam para o futuro?
MA: Tocar por aí de vez em quando, gravar mais uns
discos, conhecer um monte de lugares e pessoas legais, experimentar uns
aditivos diferentes e, principalmente, não chegar aos 3 maços de cigarro por
dia.
CV: Quem é o público que acompanha o Hutt, é possível
descrevê-lo?
MA: Como eu disse antes, o publico é mais variado
atualmente, mas no geral são pessoas de cabeça aberta, que escutam variados
estilos de música e que usam bermuda numa boa.
CV: Vocês tiveram alguns registros lançados fora do Brasil.
Como rolou esse esquema e ele contribuiu para que vocês ficassem conhecidos no
exterior?
MA: Contribui sim. Mas eu não lembro direito como foram
feitos os contatos. Acho que os caras que lançaram escutaram, curtiram e
quiseram lançar.
CV: Quem acompanha a banda saca que o som de vocês é rápido
e com muito peso. Qual o estímulo após tantos anos de banda para seguir
compondo música?
MA: Estimulantes poderosos (risos). Cara, acho que a vontade
de fazer música juntos impera.
CV: Desses 13 anos, qual a maior furada que a banda se
envolveu e também qual o ponto de maior orgulho. Tocar com algumas bandas
gringas ajudam para crescimento profissional?
MA: A única coisa que tocar com bandas gringas me ensinou é
que nem todos os seus heróis são legais. A gente já entrou em um monte de
roubada, ainda entramos, mas hoje rola menos. Impossível lembrar de uma em
especial.
CV: Qual a opinião de vocês sobre a atual situação política
no Brasil? Isso interfere na música de vocês?
MA: A situação política no Brasil é uma merda desde que eu
me lembro por gente. Tenho 35 anos mano. Duvido que algo vá mudar, pelo menos a
tempo da gente ver. Espero que eu esteja errado. Claro que isso influencia, mas
na maioria das vezes inconscientemente.
CV: Agradeço pela atenção e deixo espaço para considerações
finais e “merchan”.
MA: Valeu pelo espaço mano. Logo mais lançamos o disco novo
e um compacto Split com o Facada. Novidades na pagina do HUTT no Facebook https://www.facebook.com/huttgrind?fref=ts
A banda Garrafa Vazia é de Rio Claro, interior do Estado de São Paulo. Com muitos anos de estrada, a banda lançou recentemente o álbum "Back to Bacana". Devido a este fato, conversamos com os caras para saber mais sobre o trabalho e também como eles veem a atual cena, tanto no interior como no Brasil em geral. O papo na íntegra você confere abaixo.
Canibal Vegetariano: Vamos
começar pela apresentação da banda: nomes, instrumentos, há quanto tempo estão
juntos e houve alguma mudança na formação?
Hebert: O embrião do que viria a ser o Garrafa Vazia começou
em 98, com o Mário Mariones (baixo e voz) e uns camaradas. A banda surgiu
definitivamente em 2009, e em 2011 adotou a formação atual, comigo (Hebert) na
guitarra e vocais e o Vadio comandando o batuque dos infernos.
CV: Quais são as
principais influências da banda?
H: O punk rock 77 dá a tônica ao som da banda, mas cada um
curte uma porrada de sons distintos, de Gories a Guilherme Arantes, e essa
distinção nas influências acabam trazendo um gostinho de quero mais ao nosso
som.
CV: Como rola o
processo de composição das músicas e também das letras?
H: Rola de uma forma bem democrática. Geralmente o Mariones chega
com as letras e melodias, aí nos os ensaios colocamos a “magia” de cada um,
viradinhas malucas, solinhos propositalmente nas coxas e afins.
CV: Comentem sobre a
cena de Rio Claro e cidades da região. Como está o atual momento para shows?
Mário Mariones: A cena de Rio Claro é fértil e 100% chapação.
A cidade tem bandas fodas de punk rock, hardcore, metal, rock and roll. Posso
destacar aqui algumas como Dezakato, Mordeth, Sacristia, Hal 9000, Marsh Gas.
Do pessoal mais recente o Interceptor, Anguere, Funeral Sex, Carniceiro,
Craniana, Coaggula, Head Bones, Delunes, Reagan, Foca Alada, o pessoal que toca
em bandas de outras cercanias, como o Netão do Mullet Monster Mafia e o Matheus
Campos do Krokodil. A cena é densa e prolífica, e o maior festival de Rio Claro
é o Equinócio. Realizado anualmente, ele chega agora em sua décima quarta
edição trazendo o Olho Seco e será uma grande honra para nós mais uma vez fazer
parte do festival.
Já passaram por aqui Korzus, Ratos de Porão (em 2013,
tocamos nesse dia, foi demais), Genocídio, Krisiun, só pra citar algumas. É um
festival de caráter solidário, filantrópico que atrai uma legião de pessoas – e
neste ano a entrada novamente será um litro de leite que será encaminhado ao
Fundo Social de Solidariedade. A Antiga Estação Ferroviária vai tremer dia 9 de
maio a partir da uma da tarde. Outro festival bacana é o Rock Feminino, que em
sua última edição trouxe o Girlschool, com apresentação única e exclusiva no Brasil
por aqui.
As cidades do interior de SP estão pegando fogo. Sabe aquela
coisa de buteco, praça, farmácia e vizinhança na calçada, velhos amigos
trocando ideia, tomando uma, curtindo um som? E é foda não citar São Carlos
como um dos grandes centros catalisadores de toda essa usina - particularmente
para nós do Garrafa. Ponto de encontro de amigos e bandas fudidaças. Inclusive
é lá que estamos gravando nossos últimos trampos, com os irmãos da Pé de Macaco
S/A, uma produtora audiovisual fodida, que faz a diferença.
CV: Como vocês veem o
surgimento de várias bandas, de diversas vertentes do rock, principalmente no
interior. Isso pode contribuir para aumento do público e também de locais para
shows?
MM: Sem dúvida. Muitas bandas do barulho estão surgindo. É o
velho ciclo de gerações em contínua formação e transformação. Quase sempre de
forma solidária e criativa. Como diria o Hugo Brito, do Hippies not Dead: “o
underground é construção”.
CV: Qual a principal
“enrascada” que vocês entraram e qual o momento mais positivo de vocês como
banda?
MM: Vixi, rolaram várias. No quesito bad trip: tocamos
algumas vezes em São Paulo e no ABC nesses anos, e numa delas foi um pouco
tenso, com o pessoal falando que uma gangue ia jogar bomba no local do evento,
então o ambiente estava realmente contendo uma apreensão extra (risos). Em
outras praias já rolou de sermos boicotados em festivais, geralmente pelo
pessoal da mesa de som, que dá aquela tesourada no volume, sei lá porque, mas
tudo isso é legal, faz parte. Outra
ocasião engraçada foi de um sujeito que viu a gente tocar num festival bacana e
logo depois a todo custo insistiu que queria “empresariar” a banda e tal, cheio
de conversa que “tinha um escritório e vários contatos”, daí a gente virou e
disse “opa, firmeza”.
Momentos positivos foram alguns, bem agradáveis! Tocar com o
Cólera e o Biohazard no Araraquara Rock em 2010 (conversámos na época com o
Rédson sobre a possibilidade dele produzir um CD do Garrafa, e as conversações
estavam adiantadas), tocar no extinto Porão em São Paulo com os punks cantando
junto e pogando sem parar – ANIMAL - tocar em Santa Gertrudes no Revolution
Pub, num festival organizado pela gente com uma puta galera e o lendário
Excomungados tocando na sequência, tocar em Minas Gerais num festival muito
massa (World Trash, grande festival!) junto com o Hippies not Dead, dividir o
palco com o GBH em Americana, as sonzeras insanas em São Carlos, um bailão
alucinante em São José dos Campos, outro em Avaré (no aniversário de 20 anos
dos brothers do Ratazana) um rolê mágico em Rio Claro na casa de uns amigos, ao
lado do mestres do Retaliatory de Belém fechando a noite, tocar ao lado dos
irmãos destruidores do Shitfun de Petrolina, Pernambuco... são muitos momentos
que a gente guarda com a maior alegria e satisfação. A gente é sem frescura,
tranquilão, o que vale é a intensidade e a broderagem, o chão é nossa casa.
CV: Quem é o público
que os ouve?
MM: Do ouvinte “macro” ao “micro”, e “para todas as idades”.
Penso que é a galera que curte aquele som toscão, divertidão, mas é difícil
rotular: talvez seja o pessoal que ouça rock and roll em geral (ou não), metal,
punk rock, aquele rock cachaça torto, ou que ouve um som mais cru e sem firula.
E tem os doideira lá da gringolândia também.
CV: Quais as metas da
banda para os próximos meses?
MM: Vamos gravar um trampo novo agora em junho. E vamos
soltar mais um split de inéditas ao lado do lendário Hippies not Dead, banda fodida
de São Carlos, irmãos atuantes no underground desde 1995.
CV: Grato pelo papo e
deixo espaço para “merchan”, críticas e o que quiserem falar.
MM e H: Nós que agradecemos, brigadão pelo espaço! Sempre
escutamos o Canibal Vegetariano, queria inclusive aqui deixar um abraço ao
Vareta Baqueta do Ação Tóxica, que foi quem me apresentou (Mariones) esse
grande programa radiofônico que faz a alegria da galera nas noites de segunda. O
blog é bem bacana também, mesclando sonzera com cultura em geral, jornalismo de
prima. E no mais é isso aí capetada: valeu pela força! Ouçam nosso novo disco, “Back
to Bacana”, e aumentem o som que o pogo é o fogo, união e fuleragem sempre!
Abração!
Não é zoeira, a afirmação acima é do jovem Pirocca, de
prenome Arthur, guitarrista e vocalista da banda Bikini Hunters, de
Veranópolis, cidade que fica na serra gaúcha. Além dele, fazem parte do time o
baixista Lenon Peruzzo e o baterista Davi de Lima. Recentemente o power trio
lançou seu primeiro registro e desde então tem chamado atenção das pessoas que
gostam de ouvir bom rock e música honesta. Para saber mais sobre o trabalho
dessa gurizada, conversamos com Arthur, escrever Pirocca pegaria mal, que deu
uma geral na história da banda.
Canibal Vegetariano: Algo que chama atenção na banda é o
nome. Ele tem algum significado?
Arthur Pirocca: Acho que ele fala por si só. Bikini Hunters,
um nome descontraído e que mostra um pouco o nosso lado brega cafajeste. O nome
surgiu quando ainda nem tínhamos ensaiado juntos, veio das nossas influências
da surf music e do bubblegum, mesmo sendo bem difícil ver garotas de biquíni
aqui na serra gaúcha, devido às temperaturas negativas e tudo mais (risos).
CV: Há quanto tempo estão na estrada? Já passaram por alguma
mudança na formação?
AP: Bicho, quando fazem essa pergunta eu até fico meio
tenso, porque já estamos com nove anos de banda. Temos uma demo bem tosca (mas
que temos muito carinho por ela e a galera ainda pede para tocarmos nos shows)
gravada em 2006! Claro que paramos várias vezes, voltamos e até então nunca
tínhamos levado a sério. Posso dizer que a Bikini Hunters começou a existir de
verdade no ano passado, quando decidimos que ou fazíamos algo (um disco,
saíamos tocando por aí e tudo mais) ou nem valia mais a pena ficar tocando só
por tocar. Essa é a terceira formação. Só resta eu da primeira (devo ser chato
afú!). Todo mundo virou gente séria e eu continuo nessa maldição que é o rock. O
primeiro a sair foi o Vini (baterista) que decidiu se tornou aviador e deu
lugar ao Davi. Algum tempo depois o Lenon entrou na banda no lugar do Gordo,
que decidiu deixar a banda para casar, adotar 28 gatos e estudar engenharia.
Coisas da vida. As influências mudaram mas o baile segue.
CV: Vamos falar sobre o disco de vocês. Como rolou o
processo de gravação?
AP: A coisa foi extremamente rápida e divertida. Nosso
mestre, Davi Pacote, chegou a comentar que no ritmo que estávamos indo era um
possível recorde do estúdio. Em um sábado gravamos todas baterias e baixos. No
domingo estávamos de ressaca, chegamos tarde ao Hill Valley Studios mas
gravamos todas guitarras, com algumas participações fundamentais, como a do
próprio Pacote e do Akiro (um grande amigo nosso). No outro fim de semana
estávamos gravando as vozes e aí surgiu o Sérgio (Caldas) da Motor City
Madness. O cara toca em uma das melhores bandas do Brasil e nem por isso deixou
de ser humilde ao extremo. Chegou lá e cantou, deu pitaco, tomou umas quantas
geladas e passou o dia inteiro lá com a gente. Fizemos uma baita parceria e até
tocamos juntos no final do ano passado. Foram três dias de total diversão e que
deixou gostinho de quero mais, fazer um novo álbum para logo!
CV: Quais as influências para composição das músicas e como
surgem os temas para letras?
AP: As influências musicais são diversas. O Lenon gosta de
sujeira, Motorhead e Nirvana, por exemplo. O Davi gosta de uns hardcores
podreiras, tipo Ratos de Porão, Mukeka di Rato, mas também é bastante ligado ao
rockabilly. E eu sou bem eclético, mas sempre acabo deixando tudo soar com uma
pitadinha de Ramones. Então, a coisa é “bemmm” diversificada sonoramente. Sobre
as letras, chegamos em uma fase muito foda da banda que estamos fazendo muita
coisa juntos. Alguém lança uma ideia ou alguma coisa que aconteceu entre nós e
as coisas vão sendo escritas por nós três (sempre com algumas biritas na
cabeça, mas isso é detalhe). Ainda acontece de um ou outro levar alguma canção
quase pronta, mas no final a gente sempre conclui em conjunto as canções, sem
muito apego para xingar a música do outro ou elogiar.
CV: Como está sendo o trabalho de divulgação deste trabalho?
AP: Acho que isso foi surpreendentemente animador para nós.
Entramos em contato com alguns blogs depois que lançamos o disco e a coisa foi
se tornando uma bola de neve, um blogueiro via o disco no blog do outro e
divulgava e assim sucessivamente, tanto que o disco já saiu há algum tempo e
ainda tem gente falando dele quase toda semana. No soundcloud são
aproximadamente mil plays por mês e querendo ou não, isso anima demais banda. A
internet proporciona essas coisas, faz rádios de lugares onde nem dá para
imaginar tocarem o nosso som, faz pessoas totalmente desconhecidas virem nos
conhecer para bater um papo e dizer que gostam das músicas. Enfim, acho que só
depois do disco estar pronto conseguimos entender uma das coisas mais legais do
rock, que é conhecer muita gente bacana e que gosta de som igual nós.
CV: Aproveitem e comentem como está a atual cena rock não
somente no município de vocês, Veranópolis, mas também no Rio Grande do Sul.
AP: No nosso município o pessoal é chorão e preguiçoso. Uns
reclamam que não têm chance mas nunca gravaram nada realmente relevante, outros
vivem naquela maldita onda de fazer covers para poderem tocar por aí. Acho que
ao mesmo tempo que tem várias portas abertas e é só correr atrás, o pessoal
está um pouco acomodado; nós somos um exemplo disso! Olha quanto tempo ficamos
praticamente “parados”, mas quando começamos a nos mexer as coisas começaram a
acontecer. Bandas boas têm por todo canto aqui no RS, a citada anteriormente,
Motor City Madness, é uma pedrada e estão rolando pelo Brasil todo, a Flanders
72 voltou de turnê na Europa não faz muito tempo, algumas bandas focam mais em
tocar aqui no sul mesmo (Os Horácios, Júlio Igrejas, Os Torto), e vejo que tem várias
bandas legais pra caramba que também estão gravando e correndo atrás, a Estive
Raivoso é um exemplo delas. Enfim, acho que tem muita banda acontecendo e
fazendo um som honesto aqui no Sul (e isso é o mais importante). Mas “eu também
vou reclamar” e dizer que se o rock não rola tanto por aí, é por culpa do
público que não valoriza as bandas “desconhecidas” ou de som autoral; preferem
ver um cover, ou pagar ingressos caros para ver bandas “consagradas”
antigamente e que hoje já não lançam mais nada de legal e fazem shows bem sem
energia.
CV: Quais as próximas metas de vocês?
AP: Cara, deixa a “ceva” gelando que logo, logo estamos por
aí um barulho (risos). Esse papo de nos largarmos por aí fazendo som é uma
constante nos ensaios, deixamos o show redondinho e agora o foco é tocar. O
disco foi uma grata surpresa e nos animou muito. Aquele medinho ou comodismo de
não sair por aí para tocar por ser uma puta função (e acreditem, é!), não está
mais rolando com a gente. Só queremos tocar em todo canto, finalmente
percebemos que funcionamos assim, na pressão, marcando e fazendo as coisas e
depois pensando nas consequências. Nunca botamos muita fé no nosso próprio som
e acho que esse foi um grande erro, o que descreve bem isso, foi um dia que um
de nós da Bikini, não lembro quem, estava com um disco físico nosso (sonho
realizado) na mão e disse: “bichosss... se essa banda não fosse nossa, eu
ouviria ela com certeza!”. Gostamos realmente do que fizemos, estamos felizes
por estarmos tocando com bandas que curtimos para caramba e continuamos compondo
sem parar. Achamos que os novos sons que estão surgindo estão ainda mais
divertidos, têm um jeitão todo nosso (no disco que lançamos ainda dá pra
perceber algumas coisas bem “ramônicas”). Então, queremos tocar sem parar até o
fim do ano, para chegarmos lá e podermos gravar coisas novas e ainda mais
legais.
CV: Agradeço pela atenção e deixo espaço para “merchan” e
considerações finais.
AP: Nós é que agradecemos o apoio de sempre, é um enorme
prestígio a Bikini Hunters ser curtida por um cara que entende tanto de som
quanto tu. Então, vamoooosss ao business:
O Facebook é legal porque a galera dá umas risadas com as
nossas asneiras, anda vindo um pessoal bater papo com a gente (e isso é foda
demais!), têm bandas querendo marcar uns rolês juntos, galera comprando discos
e camisetas, enfim, dá um “like” na “page” que coisa toda acontece lá: www.facebook.com/bikinihunters
E óbvio, aumenta todo o volume do teu som e ouçam a Bikini
Hunters: soundcloud.com/bikinihunters
VAMOOOOSSSSSS NÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓSSSSSSSS!!!!
Impressões sobre o disco 'Bikini Hunters'
São nove canções em 25 minutos, uma mistura de power pop com
punk rock, assim pode ser definido o som do trio da serra gaúcha Bikini
Hunters. Em seu primeiro álbum, a banda mostra várias influências ao longo das faixas
que foram gravadas nos estúdios Hill Valley.
Das faixas que compõem o disco, o destaque vai para “Bárbara”,
que tem os elementos citados acima e a letra é muito boa, os caras falam sobre
uma garota argentina fã de Ramones. Outra que se destaca é “Hot rod king”, com
participação do vocalista e guitarrista da Motor City Madness, Sérgio Caldas.
Ele ainda participa das faixas “Não tive tempo” e “Tudo o que eu queria”. Além
do responsável pela voz do Motor City, Akirão e Pacote também participam do
disco com guitarras e teclado.
Como todo bom registro musical precisa de arte e boa
gravação. A qualidade do trabalho é muito boa assim como a arte da capa mostra
um pouco do perfil da banda, música para diversão. O encarte vem com todas
informações e as letras para que o fã acompanhe junto com a banda as belas
canções ali registradas. Para o primeiro registro feito de maneira
independente, os caras merecem todos os parabéns e nosso respeito.
O 1º de Maio, quando se comemora o ‘Dia do Trabalho’, foi de
descanso e festa para muitos trabalhadores, menos para algumas pessoas que
trabalharam na abertura do “Maio Cultural” em Bragança Paulista ou que foram ao
local para fazer a cobertura do evento, como os casos de nosso camarada Will
Edu e deste que escreve estas mal traçadas linhas.
Final de tarde de outono, temperatura amena e nós na estrada
prontos para ouvir muito rock. Quando chegamos, a primeira banda escalada para
tocar, Lesão Corporal, estava no final de sua apresentação e com isso não
podemos tecer qualquer comentário a respeito da apresentação dos garotos.
E em eventos deste tipo sempre encontramos os camaradas de
show e estrada. Enquanto os jovens bragantinos da banda “Ranho” se
apresentavam, aproveitamos para pôr o papo em dia com German Martinez, do Raro
Zine, e Diego do DuoFox, além dos camaradas do Merda e do Leptospirose. Com o
som dos garotos ao fundo, notamos que a banda é boa e os guris têm jeito para o
lance do “rock pesado”. Rodas e pogos foram vistos durante quase toda
apresentação. Essa é uma banda que precisamos “ficar de olho”, pois promete.
Após apresentações de bandas locais, chegou a vez dos
brasilienses da Galinha Preta. A banda que atualmente é um quinteto subiu e fez
valer a espera de muitos por sua apresentação. Riffs de guitarra, bateria sendo
espancada na medida certa e Frango, o vocalista, mostrou ótima performance como
“band leader”.
Enquanto estiveram no palco os brasilienses fizeram a
alegria de muita gente no Ciles dos Lavapés. Do repertório da banda os caras
mandaram quase todos os sons e não faltaram as clássicas como “Padre baloeiro”,
“Ninguém nesse mundo é porra nenhuma”, “Roubaram meu rim” e “Música de trabalho”,
uma singela homenagem à maioria dos “engravatados” de Brasília que finge que
trabalha. Show nota 10 e como tudo que é bom dura pouco, ficamos insatisfeitos,
no bom sentido, pois queríamos mais sons da Galinha.
Mesmo com o final do show do quinteto, a quase fria noite de
outono ainda prometia mais, afinal, uma das bandas mais clássicas do Brasil e
da história do punk se apresentaria pela primeira vez em terras bragantinas, Olho
Seco, com seus 35 anos de história.
No palco, o quarteto paulistano liderado por Fabião, como é
mais conhecido, matou a sede de punk rock de garotos e pessoas de meia idade
que cresceram ao som da banda. Com o público ensandecido, Fabião deu uma aula
de carisma e a todo momento abaixava-se para deixar as pessoas participarem do
show e cantarem com ele grandes clássicos como “Botas, fuzis, capacetes”, “Nada”,
“Sinto”, “Olho de gato”, “Que vergonha” e o som que todos pediam a todo
momento: “Isto é Olho Seco”.
Após uma avalanche de clássicos, restou-nos apenas pegar um
registro com Frango, vocalista da banda Galinha Preta, que além de entrevista
para o programa A Hora do Canibal, doou três CDs para a galera do Canibal
Vegetariano. Ao final de tudo, estrada e um longo caminho até Itatiba, que cada
dia mais parece uma ilha, pois em nossa cidade não temos eventos como este “Maio
Cultural” que teve apenas seu primeiro dia. Até dia 31, Bragança Paulista terá
shows, oficinas, workshops, debates, palestras, tudo em busca de fortalecimento
de parcerias para que cada vez mais sejam valorizados os coletivos e grupos
culturais daquele município.
Ainda sobre o primeiro dia de evento, é importante frisar
que em um show como este é a qualidade de som, luzes e estrutura para realização
dos shows foram impecáveis. O público compareceu em bom número e o evento foi
muito organizado, tudo estava encerrado antes das 22h e não houve atrasos para
apresentações. E o mais importante, todos se divertiram e não houve qualquer
incidente. Que este festival sirva de exemplo para outros municípios.
Nossa última visita ao Quintal do Gordo, em Campinas, rendeu
ótimos frutos. Além de ouvirmos boa música, entrevistamos duas ótimas bandas
que estavam de passagem pelo Estado de São Paulo. Além da Motor City Madness,
conversamos também com Foca, guitarrista e tecladista da Camarones Orquestra
Guitarrística que recentemente lançou o novo álbum “Rytmus Alucynantis”. Além do
novo disco, falamos sobre turnês e divulgação do novo trabalho. Nas duas
entrevistas tivemos o apoio do nosso sócio Will Edu.
Canibal Vegetariano: Cara, como rolou o processo de gravação
do álbum “Rytmus alucynantis” e como está a divulgação deste trabalho?
Foca: Estamos no início da turnê, fizemos alguns shows de
aquecimento em janeiro antes do lançamento do disco. Em fevereiro, no final do
mês, lançamos o álbum e agora estamos em uma turnê pelo Sudeste. Além destes
shows teremos mais 50 datas e vamos para o Norte, Centro Oeste e Europa. Somos
uma banda de rock instrumental mas brinco que somos mais rock do que
instrumental devido aos elementos que misturamos em nosso som e pelo lado
festivo de nossa música.
CV: Como vocês veem a cena do interior paulista?
F: Hoje deve ser a região de mais fácil circulação durante a
semana. Quando viajamos para cá tocamos todos os dias, segunda, terça quarta...
tem grandes cidades próximas e isso facilita o trabalho e acredito que
atualmente é um dos circuitos mais legais para tocar.
CV: Fale um pouco sobre a turnê que farão pela Europa.
F: Será nossa segunda viagem, em maio do ano passado fizemos
15 shows e este ano triplicou. Desta vez
faremos em duas etapas. Entre maio e junho vamos tocar em vários países mais
dois shows, em Liverpool e Barcelona, são os que mais destacam-se. As datas
estão bem legais e recebemos convites aleatórios para as apresentações. Na
segunda parte, em setembro, faremos Alemanha, França, Suíça e Áustria. Para
esta parte da turnê o convite partiu de nosso selo de Berlim.
CV: Há algum tempo percebemos que as bandas instrumentais
estão em alta no país e vocês são uma prova. Como encara isso?
F: A vantagem de ser instrumental fora é que não teremos a
barreira da língua. Quem canta em português às vezes não consegue espaço fora e
quem toca aqui e canta em inglês às vezes não tem tanto espaço. Mas ser
instrumental também pode ser limitado. Mas fazemos rock e nos últimos anos o
Brasil apresentou inúmeras bandas instrumentais que não saíram do jazz do
erudito e isso contribui com a popularização do som.
Impressões sobre “Rytmus alucynantis”
Pense em um disco que te faça rir, chorar, dançar, agitar e
até mesmo filosofar. Agora, pense que você faz tudo isso sem ouvir uma palavra?
Conseguiu? Se não, é porque ainda não ouviu a pérola que a banda potiguar
Camarones Orquestra Guitarrística lançou em fevereiro deste ano, denominado
““Rytmus alucynantis”.
Com 11 faixas, o quarteto dá uma aula de rock’n’roll em
pouco mais de meia hora de música que vai desde um rock direto e cru até mesmo
a ska com leves pitadas de eletrônica tiradas de um teclado muito doido
utilizado por Foca, que também é um dos guitarristas da banda. No novo álbum,
os músicos mostram bom entrosamento assim como ocorre nos shows e a pegada em
estúdio é muito boa e faz com que eles consigam reproduzi-la muito bem ao vivo.
Dentre as canções, “Silêncio, barulho a vista”, “Apocalypso”, “Rytmus
alucynantis” e “Down the ball” estão entre os destaques.
Assim como todo álbum de banda independente, na atualidade a
qualidade sonora não deve em nada para bandas que sejam de gravadoras. A arte
também é espetacular mas o mais importante de tudo são as canções e elas são
simplesmente sensacionais. Se você ainda não tem, o que está a fazer que não
adquiriu?
Depois de um hiato de dois anos, a banda gaúcha Motor City
Madness lança seu segundo álbum, intitulado “Dead City Riot”. Lançado no início
deste mês, a banda logo na primeira semana fez shows de divulgação do novo
trabalho em shows pelo Estado de São Paulo. Acompanhamos apresentação da banda
em Campinas e antes do show conversamos com o vocalista e guitarrista Sérgio
Caldas que falou sobre o disco e outros assuntos referentes a banda.
Canibal Vegetariano: Fale sobre o lançamento do novo álbum?
Sérgio Caldas: Foi lançado em 6 de abril com 11 músicas.
Depois de dois anos sem nenhum lançamento, trocamos de formação. Com isso resolvemos
gravar o disco e “cair” na estrada, pois não há final de semana em Porto
Alegre. Gravamos tudo em 12 horas e o disco está uma “pedrada”. É Motorhead na
cabeça!
CV: Ao citar Motorhead, podemos dizer que é a principal
influência?
SC: Cara, cada um curte um lance diferente na banda, um é
metaleiro, outro curte stoner, eu curto muito punk rock, para caralho, trash
velho... Mas temos algumas coisas de MC5, vocais podres, gritos, mas neste novo
disco tem algo de Radio Birdman entre outras bandas. Ao todo o novo álbum dura
23 minutos com 11 músicas.
CV: O disco será lançado em CD?
SC: Depois do ensaio conversávamos sobre isso e fomos para minha
casa onde rolam as promoções. Durante o papo, vimos que rolava promoção de
passagem aérea e marcamos os shows no interior de são Paulo. Depois disso
gravamos e mandamos ideia para o (Daniel) ETE fazer a capa e de repente
lançamos em formato virtual e temos o físico também. Quando decidimos fazer o
disco tínhamos nove músicas prontas. E o mais louco é que marcamos o lançamento
antes de gravá-lo.
CV: Por que escolheram lançar o disco no interior do Estado
de São Paulo?
SC: Cara, temos experiências anteriores e aqui tem uma
parada legal e nos sentimos em casa. Tocamos em Sumaré e parecia que estávamos
em casa. Em Sorocaba rolou em um bar com churrasco e agora o Quintal do Gordo
(Campinas). O lance é tocar o máximo possível longe de casa pois sentimos que a
galera tá meio carente desse “rock pau duro”, em que a banda chega vomita e vai
embora, meia de show e já era. Essa é a parada e temos divulgação na internet e
deixamos claro que se alguém colocar 50 pessoas, junta os amigos, eles pagam a
viagem. Além de tocar, conseguimos divulgar o disco e mantemos a banda.
CV: Como está a cena no Rio Grande do Sul?
SC: Cara, tá uma bosta! Teve uma época bem boa de Porto
Alegre, em que foi chamada “terra do rock”. Atualmente temos umas bandas legais
como Bikini Hunters, Phanton Powers, Big Flamingos que fazem a gira direto
conosco. Mas tem muito cover, essa punheta que deixa nego acomodado e se não
for isso o cara pensa que não dá público. Tocamos direto, mas não tem tanta
gente que faz o “corre” como antes. A cada cinco anos o público muda. Temos as
mídias, temos que divulgar para a molecada, não para meus amigos bancários,
administradores. Mesmo assim levamos as bandas, tentamos o Drákula, quem sabe
eles irão.
CV: Agradecemos o papo e vida longa ao Motor City...
SC: Cara, agradeço mais uma vez o espaço no blog e no
programa, sempre é bom voltar a Campinas, onde temos muitos amigos. Aproveito a
oportunidade para dizer aos caras que continuem com o trampo... vai dar merda, vai
gastar dinheiro, vai brigar com a mulher, a mãe vai xingar, mas se a parada for
verdadeira dará certo. Tu não irás ficar milionário mas terá muita experiência
de vida. Ouça as bandas que tocam no programa e comprem nosso novo disco.
Impressões sobre ‘Dead City Riot’
Em entrevista ao blog e ao programa A Hora do Canibal,
Sérgio Caldas, vocalista e guitarrista da Motor City Madness definiu de maneira
bem interessante o som que sua banda faz: “rock pau duro”. Se isso quiser dizer
bateria sendo espancada, ótimos riffs de guitarra, baixo preciso e com “peso”,
ele tem toda razão. Afinal, em pouco mais de 20 minutos os caras botam para
quebrar em 11 faixas.
Dois anos depois do lançamento do primeiro álbum e com
Fabian Steinert como novo guitarrista, os caras apresentam maturidade e fúria
ao mesmo tempo. A maturidade pode ser explicada pois não há nada solto no novo
disco, ele é o que chamávamos há alguns anos de “disco conceitual”. Se tu
quiseres saber o que é, não vamos entregar o jogo, terás que ouvir cada faixa,
cada riff, cada passagem de baixo e virada de bateria. Entre as faixas, difícil
citar uma que seja destaque, não há, todas te deixam sem fôlego com dores no
pescoço.
Sobre a parte técnica é dizer que tudo está em seu lugar, o
álbum foi muito gravado e este disco passa sentimento, causa impressão que foi
gravado ao vivo, qualidade para ninguém reclamar e não dever nada para qualquer
banda ou gravação estrangeira. Outro ponto positivo é a arte. Outro ótimo
trabalho do “mestre das caveiras” Daniel ETE, com andarilhos, mortos-vivos e
todo belo caos que sua arte retrata. Por isso, não perca mais tempo e adquira
já o seu antes que acabe!
Galero, em maio o programa A HORA DO CANIBAL, em parceria
com o blog Canibal Vegetariano e Rádio Click Web, entregará prêmios aos
ouvintes e leitores.
Duas pessoas com sorte serão presenteadas por meio da
promoção “Em maio todo mundo janta pipoca na minha cidade”. Para participar
basta enviar e-mail para zinecanibal@hotmail.com
com uma frase bem tosca, foto, vídeo, montagem ou qualquer outra parada. Para
receber o prêmio a pessoa terá que ser criativa em relação ao quesito pipoca.
Envie quantos e-mails quiser, não há limite para o absurdo.
Na última segunda-feira de maio, 25, serão conhecidos os
vencedores. Ressaltamos que para ganhar em nossa promoção vale originalidade e
tosqueira. Veja o que poderá receber: 1 camiseta e 1 CD da banda Bikini Hunters
de Veranópolis/RS; 1 CD da banda Regredidos do Macaco, 1 da banda Perturba,
ambas de Várzea Paulista/SP, 1 CD da Labataria de Campinas/SP e 1 da banda Eyes
of Gaya, Itatiba/SP.
Caso você não more em Itatiba, receberá os brindes sensacionais
no conforto de seu lar totalmente grátis. Envie já seus e-mails amiguinhos.
Fábio Mozine, baixista da banda capixaba Mukeka di Rato e dono da querida Laja Records, atendeu pedido do fanzine/blog Canibal Vegetariano e respondeu algumas perguntas sobre o novo trabalho de sua banda, "Hitler's dog Stalin rats". Ao final do papo você pode conferir resenha do novo álbum do quarteto.
Canibal Vegetariano: Moz, nos explique como surgiu este tema
para o novo álbum de vocês. Por que “Hitler’s dog Stalin rats”?
Fábio Mozine: Desde sempre, desde 1995, o crust foi um
estilo muito presente na vida dos integrantes do Mukeka di Rato, tanto que o
nome da gravadora é Laja, com trema, etc.
Sempre fizemos mais músicas nessa pegada em todos os nossos discos, mas
sempre com as outras influências do Mukeka presentes, algumas mais distante
como tipo “uns Nirvana”, que a gente escutava. Também escutava bandas como Operation
Ivy, por isso tentava fazer uns skazinhos, etc. Quando decidimos fazer um disco
focando mais no grind, no crust, eu andava lendo muito sobre segunda guerra
mundial, tava cheio de livros, aí emprestei alguns para o Sandro (vocalista),
incluindo um que faz um breve resumo da segunda guerra e um que fala
especificamente sobre a polícia secreta de Hitler e também um sobre Stalin. Depois daí apareceu a letra do Sandro, e
atualmente, nessa guerrinha nojenta de classes que temos vivido em nosso país,
acho que coube com uma luva.
CV: Das 8 faixas, a maioria é em inglês. Algum motivo
especial?
FM: Nenhum motivo. Não queremos vender mais lá fora, inclusive
penso que gravadoras lá de fora até preferem as bandas que cantam em português,
não vamos fazer tour lá fora, porque não temos tempo nem tanta disposição... ou
seja, foi apenas por vontade própria mesmo, para testar, tentar, ver como ia
soar, etc.
CV: Como rolou o processo de gravação desse disco? Em
comparação com os outros ele é mais “rápido” e “pesado”.
FM: Esse lance do rápido e do pesado não foi definido no
processo de gravaçãoo e sim no processo de criação e concepção do disco. Na gravação apenas colocamos em prática nossa
ideia, que foi extremamente bem captada e aceita pelos irmãos Fernando e Daniel
Ganjaman. Tivemos que abrir mão de
alguns avanços tecnológicos, alguns conceitos de gravação, de timbragem, usamos
alguns microfones que não são usados, tudo isso pra chegar exatamente aonde a
gente queria, inclusive, utilizando som de linha numa guitarra, e por aí vai...
CV: A versão que fizeram para “Guerra desumana” do Ratos de
Porão ficou muito boa. Como rolou essa escolha? E a participação de João Gordo
em “Full metal jacket”?
FM: O Gordo está em constante contato conosco, mas
principalmente comigo pelo fato de trabalharmos muito com o RDP (Ratos de
Porão) e Laja. Então o contato com ele para
fazer a “Full metal jacket” foi bem fácil.
Em relação ao cover caiu como uma luva também. Haviam sete músicas e eu
achava pouco, então buscamos um cover, sempre foi vontade gravar Ratos e essa
música também seria usada para tributo ao RDP volume 2, então juntou tudo.
CV: Como está sendo o trabalho de divulgação? Haverá turnês
deste novo trabalho? Viagens ao exterior?
FM: Não fazemos mais viagens ao exterior com o Mukeka di
Rato, acho muito improvável que haja novamente uma tour do Mukeka fora do Brasil. Também não fazemos mais tours no país, o que
vai acontecer são shows nas capitais, principalmente aos sábados. Já temos convite para tocar em praticamente
todos os locais e em breve vamos começar a marcar as datas.
CV: Quais os próximos projetos da Mukeka di Rato?
FM: No meio desse ano vamos gravar um split 7” com a banda
Tropiezo, de Porto Rico. Esse 7” será lançado apenas nos EUA (Estados Unidos),
mas óbvio, vai ter cópias por aqui para distro.
Já temos também parte da concepção do nosso novo disco que vai se chamar
“40 carnavais em uma noite” mas não tenho nem ideia do que pode sair daí, nem
quando. Alguns amigos que acompanham a banda há muito tempo gostaram muito
desse disco novo, afirmam ser o melhor, porém, alguns fãs do Mukeka não
gostaram muito, ou não entenderam, ou não conhecem essas referências ou
simplesmente não gostaram mesmo do “Hitlers”.
Bom, tenho medo do que essas pessoas vão achar do 40 carnavais...
Impressões sobre ‘Hitler’s dog Stálin rats’ Läjä Records
Um Mukeka di Rato mais rápido e agressivo, assim pode ser
definido o novo disco do quarteto capixaba, denominado “Hitler’s dog Stalin
Rats”. Ao todo são oito faixas em pouco mais de 14 minutos.
A faixa de abertura do disco que dá nome ao álbum é uma “porrada
na orelha”, como diz Gastão Moreira, a música é uma das mais lindas já
compostas pela banda. Peso, fúria e agressividade na medida certa que ao vivo
deve fazer com que a galera abra enormes rodas de pogo.
E assim segue o álbum, com guitarras distorcidas e com uma “sujeira”
que não é comum ouvir em gravações atuais. Os vocais de Sandro seguem a linha
mais “porradaria brutal” e apresenta uma fúria jamais imaginada. As letras, a
maioria está em inglês mas há músicas em português espanhol e italiano. Outros
pontos positivos são a participação de João Gordo, vocalista do Ratos, na faixa
“Full metal jacket” e a versão do Mukeka para “Guerra desunama”, do RDP.
Sobre a gravação e o trabalho no estúdio basta dizer que
tudo está muito nítido e um instrumento não encobre o outro como pode ocorrer.
Gravação de primeira qualidade. A arte da capa é algo obscuro e tem tudo a ver
com a proposta musical apresentada pela banda. Se você ainda não tem esse
disco, corra para loja mais próxima de sua casa ou faça o pedido direto com a
Läjä Rekords pelo e-mail: lajarex@uol.com.br
Enquanto muita gente saiu às ruas no domingo (12) para pedir
a saída de Dilma Rousseff (PT) do governo, nós do Canibal Vegetariano deixamos
essa pseudomanifestação de lado e fomos ao Quintal do Gordo, em Campinas, onde
haveria apresentação de três ótimas bandas do cenário independente nacional:
Drákula (Campinas), Camarones Orquestra Guitarrística (Natal) e Motor City
Madness (Porto Alegre).
Antes que alguém escreva bobagens ou ofensas contra nós,
deixaremos bem claro que não aprovamos o governo de Dilma mas acreditamos que a
saída dela ao invés de melhorar pode piorar ainda mais pois não sabemos as reais
intenções de quem está por trás desse manifesto.
Deixemos isso de lado e vamos ao que interessa. Noite de
outono muito agradável em Campinas e antes das apresentações da banda, falamos
com Sérgio Caldas, vocalista e guitarrista da Motor City Madness, Foca,
guitarrista e tecladista da Camarones e com o anfitrião Felipe Gonzales, dono
do Quintal do Gordo.
Após entrevistas marotas que rolarão no programa A HORA DO CANIBAL
e também neste blog, fomos conferir o rock’n’roll. A primeira banda a se
apresentar foi a gaúcha Motor City Madness. Há uma semana os caras lançaram o
segundo álbum denominado “Dead city riot”. E o que esperávamos ocorreu. Os
caras mandaram em pouco mais de meia hora uma seleção absurda de rocks do novo
disco e também da “bolachinha” de estreia. Com muitos riffs, baixo preciso e
bateria sendo espancada, os gaúchos foram ainda melhores do que a primeira vez
que se apresentaram em Campinas há dois anos.
Depois de uma aula de rock, a segunda banda foi a Camarones.
Vimos a apresentação dos potiguares em setembro do ano passado em Bragança, durante
o Cardápio Underground, e no domingo o que havia nos surpreendido de maneira
positiva desta vez foi ainda mais. O clima no Quintal estava muito quente e o
quarteto com seu rock instrumental não deixou a galera parada e mostrou porque
os gringos estão de olho neles e passarão muito tempo em turnês pela Europa
ainda este ano. Rock com alma e competência, esta é a marca da banda que fez
uma apresentação ainda melhor do que vimos há alguns meses.
Após dois shows que nos deixaram de “queixos caídos”, a
banda encarregada de encerrar a excelente noite de rock foi a campineira
Drákula. Em casa e com torcida/plateia a favor, os campineiros fizeram um show
certeiro, com pegada mais punk do que o normal e desfilaram vários sons
conhecidos e a música “Massacre a meia noite” que estará no novo álbum que está
prestes a ser lançado. Com o flerte entre punk, surf e garage rock, o Drákula é
uma das melhores bandas nacionais em ação com a volta de “Lobisomem” atrás dos
tambores, o quarteto mascarado, no bom sentido, ficou com um tom nostálgico e
ao mesmo tempo um frescor de que o rock dos campineiros tem muitos frutos para
dar.
Com três ótimos shows, nosso camarada Eduardo Wish, da banda
Regredidos do Macaco, fez um comentário muito feliz ao final das apresentações:
“com tanta banda boa que temos, ainda somos obrigados a ouvir que o rock
morreu”. Ele tem razão, uma declaração como esta só pode vir de pessoas não
acompanham as bandas independentes, pois música boa temos, basta a pessoa ter
um pouco de vontade e ir atrás de informações. Ao final, só nos restou voltar
para casa e pensar nos próximos shows que virão.
Diego Marcel Unidos pelo rock, três bandas de diferentes regiões do país se apresentam neste domingo (12) em Campinas. Os anfitriões da cidade, Drakula, recebem o Camarones Orquestra Guitarrística de Natal/RN e Motor City Madness de Porto Alegre/RS. Os visitantes voltam a Campinas para o lançamento de seus novos discos, os potiguares seguem em turnê do trabalho “Rytmus Alucynantis” lançado fisicamente na América Latina e Europa, já os gaúchos do Motor City Madness promovem o álbum “Dead City Riot” lançado virtualmente esta semana na internet.
Além da apresentação das três bandas haverá discotecagem com discos de vinil e venda de material independente.
Serviço: Data: 12/04/2015(domingo) Horário: a partir das 16h Ingressos: R$ 13 (somente no local) Local: Quintal do Gordo Endereço: Rua 7 de setembro,553 Vila Industrial, Campinas/SP Evento no Facebook: http://goo.gl/ZsX42B
Marino Pietro Doni Maciel
Caso ainda não conheça o som das bandas, acesse o link para ouvir o programa 227 d'A HORA DO CANIBAL onde rolou músicas e comentários sobre este evento. http://ahoradocanibal.podomatic.com/entry/2015-04-06T20_48_19-07_00
Galero que acompanha o zine/blog Canibal Vegetariano, atenção. Em algumas publicações, vamos relembrar textos de André Fiori, dono da maravilhosa loja Velvet CDs, na 24 de Maio, em São Paulo. Há pouco mais de 10 anos, Fiori escrevia uma coluna que chamava-se "Atrás do Balcão", na revista Zero, uma das melhores a aparecer no mercado editorial nacional.
A ideia de publicar esses textos surgiu como uma homenagem a essas pessoas valentes que seguem com suas lojas. Para quem não sabe, a pessoa que escreve essas mal traçadas linhas já foi gerente de loja de discos e dono de uma, mas ambas faliram, vejam quanta competência deste cidadão. Mas a Velvet segue firme e vamos trazer a vocês ótimas histórias de pessoas que frequentam lojas de discos.
Comprando na surdina
Por André Fiori
O músico Jools Holland, que apresenta um dos programas mais legais da TV inglesa, disse uma frase curiosa: "pessoas em uma loja de discos são como 'junkies' atrás de uma picada". Exagerou, mas não esté de todo errado. Quantas vezes você já se deparou olhando para sua pilha (geralmente enorme) de CDs e LPs e disse para si mesmo: "putz, não tenho nada para ouvir".
Só que o assunto que trataremos aqui é outro: o drama das pessoas que precisam comprar CDs escondido. Sim, isso existe. Muitas vezes, na hora de fazer uma encomenda, quanto anoto o telefone, a pessoa avisa: "olha, quando você ligar, para avisar que chegou, não diga que é da loja de CDs, inventa qualquer outra coisa."
Os motivos são vários. A esposa que não pode saber que o sujeito está gastando. A mãe que não quer que o filho "gaste dinheiro com besteiras". A namorada que pensa que o cara economiza para casar. Gente insensível, que nem desconfia que música é gênero de primeira necessidade. As desculpas são muitas. Na maioria das vezes, na hora de ligar, digo que "sou amigo da faculdade", ou do colégio. Neste aspecto, o advento e-mail veio bem a calhar.
É mais comum do que você imagina o cliente que, após voltar da loja para casa, precisa criar os mais intrincados esquemas para não dar bandeira. O procedimento mais comum é o do "cd emprestado: "esses CDs aqui? Ah, são emprestados." Depois é só esperar um tempo, jogar na estante, que passa batido.
Em casos de exagero, periga não dar certo. A mãe de um conhecido nosso acabou percebendo: "mas filho, se você não compra mais discos, como é que essa pilha não para da crescer?" Houve o caso daquele que criou um zine e começou a enviar CDs para ele mesmo pelo correio. "é o pessoal mandando CDs para eu resenhar no zine". A criatividade não tem limites.
Tem aquele caso de um cara que chegava em casa sempre com um amigo, que levava a sacolinha. Ele entrava sozinho, sem nada em mãos, ia até o quarto e abria a janela. O amigo dava volta escondido pelo quintal, chegava embaixo do quarto e passava os preciosos disquinhos pela janela, que ginástica.
Outro cliente na hora de marcar o valor no canhoto do cheque, ficou pensativo: "humm, deixa eu ver o que vou marcar aqui. Minha mãe fiscaliza meu talão, não posso escrever cd, se não vou ouvir pra caramba. Já sei: 'calça, 30 reais'." Aí tive que intervir para ajudar: "não acho boa ideia, sua mãe vai perceber que você não comprou uma calça." A solução mais comumente usada nesses casos é riscar um X no canhoto e escrever "cheque preenchido errado."
O caso mais triste que temos notícia é de um cliente, em fase de marcação cerradíssima da esposa, que comprou o box de 4 CDs do Crosby, Stills e Nash. Como era ítem grande e chamativo, ele não teve dúvidas: jogou fora a caixa e ficou só com os CDs separados, que não ocupariam espaço e passariam desapercebidos. Nosso amigo preferiu essa opção a criar uma crise em seu casamento. Um verdadeiro mártir.
Bem, imagino que com esta coluna tenha estragado os principais esquemas de camuflagem das aquisições. Peço desculpas, juro que não foi minha intenção. Tenho certeza que vocês conseguem imaginar novas e criativas formas de não "dar bandeira."
André Fiori é dono da loja Velvet CDs. Texto originalmente publicado na edição 4 da Revista Zero
O Brasil, assim como outros países, vive um momento que
podemos chamar de crise. Com o descontentamento imediato da população, algumas pessoas
pensam que a solução de todas nossas mazelas está em pedir a cabeça de alguém e
rapidamente a presidente Dilma Rousseff foi eleita para ter seu cargo na alça
de mira. A palavra mais ouvida nos últimos dias é que a presidente tem que
passar pelo impeachment.
Dilma talvez não seja a presidente dos sonhos de muitos
brasileiros, a eleição do ano passado deixou isso muito claro, mas o que será
que motiva muitas pessoas a pedirem sua saída após dois meses de seu segundo
mandato? Quais as reais intenções para ver a presidente fora? Claro que o
governo erra, não há pessoa que não cometa erros, mas será que os erros dela
são maiores do que outros que passaram pelo cargo? Isso também não justifica,
sabemos que é tão criminoso aquele que rouba um milhão quanto aquele que rouba
um real, mas porque diferenciamos tanto a maneira como lidamos com isso?
Outro ponto que é preciso destacar é que atualmente não
vivemos em um regime ditatorial e sim democrático. Dilma não governa sozinha,
temos ministros, existe o Senado, a Câmara dos Deputados, temos governadores,
prefeitos e vereadores. E o atual momento de crise que vivemos, com tantos para
mandar, a culpa é somente da presidente? Será que a população ao tirá-la de seu
cargo, todos nossos problemas serão resolvidos da noite para o dia? E qual
parcela de culpa de cada cidadão nesta atual crise que vivenciamos?
Apontar para alguém e afirmar que ela está errada é uma
atitude simplista e fácil demais, mas será que enxergamos a situação por todos
os ângulos possíveis para tentarmos realmente detectar o que ocorre? Quando temos
tantos problemas é preciso analisar a situação por seus vários pontos de vista
e também olharmos para o passado.
É inevitável as comparações com outros governantes e
períodos, é através da análise da história que podemos evitar erros cometidos
em outrora. Dilma inicia seu segundo mandato com muitos problemas e muitos
reclamam que ela enganou a população durante sua propaganda eleitoral. Mas quem
viveu em 1999 lembra-se que o início do segundo mandato de Fernando Henrique
Cardoso (FHC) também foi muito conturbado. A crise pela qual passamos àquela
época foi parecida com a atual ou até pior, mas ninguém falou em impeachment.
O argumento de que a corrupção nunca foi tão grande como o momento
atual também é infundado. Talvez nunca tenha sido tão divulgado os casos
ocorridos como neste período e também talvez nunca houve tanta apuração. Como
vamos acreditar que os governos militares não foram tão corruptos quanto o
atual se no auge da ditadura, jornais eram impressos com receita de bolo pois
nada podia ser publicado?
Dizer que existe somente um culpado pode ser um grande erro
que cometemos pois já paramos para pensar, caso a presidente deixe seu cargo,
em quem irá substitui-la? Muitos dizem em uma nova eleição, mas quem seriam os
candidatos? Será que não há pessoas interessadas em ‘golpismo’ por trás de tudo
isso? A quem interessaria um novo pleito eleitoral? O que teríamos de novo?
Como poderemos deixar o país nas mãos de um congresso tão
ruim quanto o atual? E por que não se discute as situações dos estados? A atual
situação do Estado de São Paulo, considerado o mais desenvolvido da nação,
também é muito ruim. Estamos a poucos meses de um colapso no abastecimento de
água, denúncias de corrupção também são realizadas e escândalos tão ignóbeis
quanto os casos da Petrobras e do BNDES. Por que ninguém mais comentou sobre o
desvio na construção do metrô? E os envolvidos no caso Alstom? Havia até
secretário do governador sendo investigado. E a situação do povo do Paraná, a
greve dos professores, os cortes em benefícios aos trabalhadores e nos
investimentos nas instituições públicas de ensino?
Será que somente a Dilma é culpada por tudo isso? Será que
este momento de crise não servirá para o povo ir às ruas para cobrar melhorias
e dar apoio a todas as investigações em casos de corrupção? Por que não cobrar
a própria mídia, todos têm um lado, mas a maioria teme em assumir posição, ao
invés de simplesmente pedir a cabeça de alguém? Por que não acompanharmos mais
próximos os trabalhos dos deputados e senadores? Por que não sermos mais ativos
em participações populares?
Em nossa vã filosofia, esquecemos que quando apontamos um
dedo para alguém, há quatro apontados para nós. O atual governo errou, erra e
ainda errará mais vezes, mas todos nós erramos. E que nosso erro que está
prestes a vir não nos tire de nosso caminho e vale lembrar: se queremos
mudanças e reformas, é preciso bagunçar tudo antes. O Brasil vive um momento em
que podemos passá-lo a limpo. Chega de sermos “massa de manobra” vamos pensar
por nós mesmos. Nenhuma construção inicia-se pelo telhado e sim por uma base
sólida. Só teremos um país melhor quando nossas cidades forem melhores. E para
que isso ocorra, cada um precisa fazer sua parte, chega de deixar as decisões
somente nas mãos de políticos, pois há muitos “politiqueiros” que estão apenas preocupados
com seu próprio benefício. Não há nada tão ruim hoje que não possa piorar, nem toda
evolução é positiva, pense nisso.