domingo, 22 de junho de 2014

Peso, distorção e melodias em noite de muito rock

Canibal Vegetariano
 Guitarras suingadas, com peso, distorção e riffs cortantes marcaram a última noite de outono durante apresentação das bandas Doctor Mars, de Indaiatuba, e Topsyturvy, Mogi das Cruzes, no Bar do Zé, em Campinas.
Era a última noite de outono mas o vento costumeiro das noites de inverno deixou a noite convidativa para que a equipe do Canibal Vegetariano fosse até Campinas para curtir muito rock'n'roll, fazer contatos e claro, fotografar e escrever sobre uma das bandas mais incríveis do underground nacional, a Topsyturvy.
Em nossa chegada, fomos bem recebidos com o som de Fugazi que exalava das caixas de som, a noite seria especial, pois toda a discotecagem seria somente com esta banda incrível, do genial Ian MacKaey. Enquanto ouvíamos a seleção de muito gosto, aproveitamos para por o papo em dia e até fazer alguns acertos para próxima edição do Fanzine Canibal Vegetariano.

Canibal Vegetariano

Depois de tudo que rola antes de um show fomos para pista e a primeira a se apresentar foi Doctor Mars. Power trio insano de Indaiatuba que fez o bom público presente agitar, dançar pela pista do BDZ. Com guitarra distorcida, mas com peso e suingue não muito comum, a banda mostrou orignilidade no som que deixou os presentes felizes. A banda fez uma apresentação impecável e rápida, foi um verdadeiro "arrasa quarteirão".
A apresentação da galera de Indaiatuba deixaria qualquer banda preocupada em se apresentar depois, mas a Topsyturvy é uma das bandas mais interessantes e competentes do cenário independente nacional. Quando os caras subiram ao palco mostraram todo o poder de sua música e em segundos conquistou o público. Foi uma apresentação rápida, mas muito técnica e a banda está cada vez mais introsada. Eles fizeram o final perfeito de uma noite perfeita. Após as apresentações, só nos restou comer o lanche da madrugada e "cair" na estrada, com a certeza de que o rock tem um vindouro futuro.

domingo, 8 de junho de 2014

Barco Bêbado retorna em show psicodélico no Bar do Celso

Canibal Vegetariano
A banda Barco Bêbado fez retorno em grande estilo em show apresentado no Bar do Celso, no sábado, 6 de junho. A banda que estava inativa há algum tempo, voltou com força máxima e fez muito marmanjo ficar com os pelos arrepiados devido a sonoridade apresentada e a força das canções.
Sempre é bom tocar em qualquer local, mas o Bar do Celso tem algo diferente, não há uma explicação lógica, é diferente, apenas isso. E os caras da Barco Bêbado mostraram isso. Com suas canções que mesclam o rock'n'roll sessentista com psicodelia e outras influências, os caras quase botaram o bar abaixo. Matheus Machado, o vocalista, além de uma performance extremamente inspirada, tocou seu violino e em algumas músicas agregou cítara na sonoridade do grupo, que deixou o clima ainda mais fantástico.

Canibal Vegetariano

Felizmente uma das bandas mais legais a surgirem em Itatiba retornou e eles ainda conseguiram que André Fujiwara, outro nome importante do rock da cidade, registrasse toda a performance em vídeo, quem sabe em breve a banda lança um DVD "Psicodelias no Bar do Celso", com certeza seria muito bem vindo e serviria como uma aula de rock'n'roll.
Outra banda a se apresentar neste dia foi a Fake Vuklgarys, também de Itatiba, e que tem chamado atenção principalmente de blogs do exterior, devido ao lançamento do EP "A man who says". Neste show os caras apresentaram algumas das músicas do EP. Elas funcionam muito bem ao vivo, principalmente minha favorita "Sin City". O som dos caras é padrão de banda gringa.

Sandra Hungaro

O quarteto fez uma apresentação muito competente, talvez tenham exagerado um pouco nas versões de outras bandas, mas o importante é que eles estão entrosados como músicos e isso na hora de compor facilita muito e em breve, com mais canções próprias no set list, com certeza farão muitos shows Brasil afora e também exterior.
Quem também fez apresentação foi a banda KiBosta, que depois de dois ensaios apresentou o que os caras chamam de "podreragem". Apresentação curta, mas como quem escreve estava na banda, é melhor não tecer comentários. Para isso uso o que Caio Guttnerr, baixista da Fake Vulgarys, declarou: "a banda [KiBosta] chamou atenção de maneira positiva". Matheus Machado, vocalista da banda Barco Bêbado também opinou sobre a "podreragem". "Ficou muito massa, bem louco, uma mistura interessante de hardcore com rock'n'roll". E assim foi mais uma tarde de rock'n'roll no Bar do Celso.

domingo, 1 de junho de 2014

Garrafa Vazia: alto teor de punk rock

Divulgação
Formada por três caras, Mariones (baixo e vocal), Hebert (guitarra e vocal) e Vadio Bateria, a banda Garrafa Vazia, de Rio Claro, está há 16 anos na estrada e desde 2011 com formação estável e com vários lançamentos. Para saber mais sobre a história da banda e a cena na região central do Estado de São Paulo, falamos com o baixista Mariones, que passou a limpo a história do trio. Abaixo você confere entrevista na íntegra.

Canibal Vegetariano: Como a banda foi formada e qual origem do nome? Houve troca de formação?
Mariones: Formada em Rio Claro no interior de São Paulo, esquemão de brodagem, interiorzão, Horto Florestal, ruas planas e bebida barata. Começou em 98, quando eu e o Danilo Lebre começamos a compor umas podreiras no quarto dele. Mas muita coisa rolou, Danilão mudou para Santos e só em 2009 o negócio ficou mais sérião. Aí surgiu o nome Garrafa Vazia. A história do nome vem de uma velha fita vhs: em 1990, na Copa da Itália, o Osmar Santos preparava-se para narrar o jogo eliminatório das oitavas-de-final entre Colômbia e  Camarões .
Apresentando as seleções, ele soltou a "crássica" frase que ficou cravada na memória: “agora é que eu quero ver quem tem Garrafa Vazia pra vender!”. O nome vem daí, tom de deboche. Quanto às mudanças de formação, passamos por algumas, até  estabelecer a definitiva em 2011, acima citada Mariones [voz e baixo],  Hebert [guitarra e vocais] e Vadio [bateria].
Daí surgiram os registros: Os Garrafa [2011]; Pedrerage Sessions #01 [2012]; Greatest Shits [2012]; split Hippies not Dead & Garrafa Vazia [2013].

CV: A pegada punk rock é muito presente no som de vocês. Quais são as principais influências da banda?
M: É um lance bacana. Cada um escuta uma coisa e toca outra. O Hebert curte Smiths e Olho Seco. O Vadio vem de uma escola mais ‘american punk’ , mas também ouve muito blues, enquanto sou chegado num punk 77, num sonzão quente dos 60/70 e numas podreiras variadas, do sonzão mais extremo ao pop mais cafonão.



CV: Como rola o processo de composição?
M: É bem sossegado, descontraído. Às vezes eu arranho algo no violão, mostro para rapaziada, aí o Hebert já coloca a guitarrinha marota dele e o Vadio põe a baqueta pra dançar. Às vezes o Hebert aparece com um riff malandro e logo tudo vira um enorme bolinho de arroz, uma folia noise. Às vezes o Vadio acelera ou diminui a marcha, sugere o let’s brenfs, sabe? Ou vice-versa, versa-vice. Não que essa seja a tônica, cada som tem uma história, ou também não, mas o primeiro movimento é sossegadão. Composição no Garrafa é prazer podrão, um processo bem tranquilo, sempre num  cooperativismo supimpa, alegre, divertido, reunião e comunhão, esquemão família pedrerage, sempre!

CV: Ao ouvir as músicas de vocês, é possível sacar ironias e humor. Como surgiu esse lance no som de vocês e na apresentação do trabalho?
M: Como o Hebert diz ,as coisas acontecem num “climão de churras”. A gente gosta de tocar e se divertir, mandar um som num esquemão descontraídão, não se levando tanto a sério. E você comentou da ironia, gosto bastante da frase do escritor francês Victor Hugo: “é pela ironia que começa a liberdade”.

CV: Como é a cena musical em Rio Claro?
M: Rio Claro é muito rica musicalmente e, mais especificamente no “róque”, por aqui há referências muito fodidas, como o Dezakato e o Mordeth, bandas históricas, com mais de vinte e tantos anos de história, muita estrada e registros de ouro no underground. Atualmente rolam também bandas muito responsa, como o Carniceiro, Funeral  Sex, Anguere, Sinaya. E anualmente acontece o Equinócio, festival referência aqui na cidade, geralmente realizado na Antiga Estação Ferroviária, onde muitas bandas fodidas já se apresentaram.

CV: Qual análise que vocês fazem sobre os locais para shows das bandas independentes na região?
M: Existem os bares “rock” , com conceito “alternativo”, mas a gente não fica muito esperando as coisas caírem do céu. A gente se reúne com o pessoal das outras cidades e costuma fazer a nossa correria, organizar o som, faz os intercâmbios, seja na praça, em um butecão, o esquema é a ideia de movimentação, interação, amizade.  “Cavamos” nosso espaço, sem chororô. E ah: estão acontecendo muitos bailes elegantes aqui no interior! E se for para citar as bandas que estão quebrando tudo por aí, vixi, tem muita banda fodida aqui no interiorzão!!

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CV: Qual o pior momento que tiveram? E o melhor?
M: Sinceramente, acho que não houve pior momento. E o melhor é o fato de estarmos vivos, reunidos, podendo rolar uma podreira, sem neurose – aliás, muito pelo contrário: é muito 'bão' a gente viver num puta climão massa, divertido, seja ensaiando, compondo, organizando os bailes com os irmãos, viajando, gravando, escutando novas bandas, trocando altas ideias com o pessoal, vivendo e se divertindo, curtindo os dias.

CV: Quais os planos para o restante deste ano?
M: A gravação do disco de inéditas “Back to Bacana”, mais o segundo disco da série Pedrerage Sessions, além da participação em algumas coletâneas e em um tributo. E ah: uma “surpresa” especial vem aí para o final de ano também!

CV: Grato pela entrevista, deixo espaço para considerações finais.
M: Nós que agradecemos Ivan, e os amigos que acompanham o ótimo trampo de vocês! Muito obrigado pelo espaço! Vida longa ao Canibal Vegetariano, ao underground e ao rock do capeta! Abração!

terça-feira, 27 de maio de 2014

Mistura de ritmos e insanidade sonora são as marcas da Topsyturvy

Divulgação
Atualmente são poucas as bandas que a pessoa ao ouvir o som não consegue rotular. E a Topsyturvy, de Mogi das Cruzes, é um exemplo. Power trio insano, com músicos com "M" maiúsculo, formado por Alexandre Lima (guitarra e vocais), Gustavo "Gummer" Rocdrigues e Athos Araujo (baixo), os caras fazem um som que deixa qualquer um alucinado, no mais que bom sentido da palavra. Nós do Canibal vimos a banda ao vivo duas vezes e em 20 de junho os veremos novamente. Antes de se apresentarem em Campinas, os caras falaram sobre o trabalho.

Canibal Vegetariano: Assim como a sonoridade de vocês, o nome também é diferente. Como ele surgiu?
Topsyturvy: Muitas ideias foram cogitadas no início, Topsyturvy pode ser traduzido como todo ao contrário ou de pernas pro ar, julgamos que o nome reflete bem a sonoridade da banda e acabamos nos acostumando.

CV: Quais as influências da banda? 
T: Viemos de escolas do rock diferentes, e gostamos muito de música brasileira, por isso julgo que é mais fácil falar de ritmos que nos influenciaram (e influenciam) do que propriamente de bandas ou artistas. Desde a inegável influência do metal, passando pelo hardcore e o punk, mesclando com jazz, um toque de experimentalismo da mpb, um toque de frevo, de maxixe e de samba. No final das contas juntamos tudo numa panela e temperamos (risos). Tentamos fazer o nosso som.

CV: Como rola o trabalho de composição: tanto de letra quanto de melodia?
T: Acho que podemos definir nossa composição como uma grande jam. Claro que às vezes vamos com algo mais "pronto" para o estúdio, mas é quando os três estão juntos que a coisa vai tomando forma e vai sendo lapidada. Deste jeito, geralmente o som sai primeiro, de riffs e pequenos trechos, oriundos às vezes de "bolhas" de improviso. Depois corta daqui, corta de lá, gruda uma parte na outra, inverte, volta....vai encaixando a melodia, a letra, e a música vai surgindo. Isso faz com que elas continuem num processo de "mutação" mesmo após gravadas, tomando um norte diferente de acordo com o tempo que as tocamos ou com o humor do dia, sendo que ao vivo sempre surge algo de uma maneira diferente. isso é muito importante para nós, pois mantém a música viva e não engessada.



CV: Muitas pessoas do meio musical gostam de rótulos. Como vocês veem isso e como rotulariam o som de vocês?
T: Tentamos, como uma brincadeira, nos auto-rotular de Rock-abrasileirado frenético, até tem sentido com relação ao som , mas não da pra falar de um estilo assim tão específico. No "frigir dos ovos", somos uma banda de rock.

CV: Qual foi o local mais interessante que tocaram e qual o pior?
T: Difícil falar de um lugar apenas (até porque e ainda bem que temos conseguido mostrar o nosso trabalho em uma boa quantidade de lugares). Sempre fomos muito bem recebidos em Minas Gerais (inicialmente graças aos camaradas do Curved) o que faz com que toda volta a este estado das noites estreladas seja ótima. Gostamos (é claro) de festivais, mas nos sentimos muito bem na zona leste de São Paulo (vide "Formigueiro" que é um ótimo bar). Afinal de contas gostamos de tocar, de mostrar nosso trabalho, de nos divertir no palco (ou no canto do boteco)  e acho que os piores lugares que tocamos foi quando não estavamos bem para tocar.

CV: Quem é o público da Topsyturvy?
T: Além dos nossos familiares? (risos)... Acho que é tão variado quanto a mistura de som que nos propusemos a fazer. Neste aspecto é interessante ver pessoas que não são tão simpáticas ao rock, escutando "Topsy". Público é uma ideia estranha e acho que estamos começando a agradar a alguns bons amigos.

CV: Como é a cena em Mogi das Cruzes?
T: Em geral estamos "na cena" há dez anos cara, e Mogi ainda nos surpreende. Notamos que muitas bandas acabaram e se reformularam em novas estruturas ao longo deste tempo. Nós somos o resultado disso e sazonalmente a "cena" se fortifica, o que parece estar intrínsecamente atrelado aos bares e casas que abram espaço para o som alternativo. Em resumo, mais espaço gera mais bandas. Atualmente vemos uma cena mais calma, mais branda, mas é cíclico, daqui a pouco nos surpreendemos novamente.

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CV: Quais os planos para o restante do ano?
T: Estamos mixando, então no segundo semestre estaremos com o cd em mãos. Esta sendo um doloroso parto, mas estamos felizes com o que esta saindo. Para divulgação pretendemos lançar uns dois vídeos, camisetas,  canecas (risos) e tentar salvar algum áudio ao vivo digno de divulgação. Fora isso, trabalho , trabalho e trabalho, divulgar o cd, ligar para todo mundo acertando apresentações e caindo na estrada.

CV: Agradeço pela entrevista e deixo espaço às considerações finais.
T: Nós é que agradecemos o espaço e o carinho que o Canibal tem conosco, lançando o "play" mandamos um para vocês verem se gostam. Valeu.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Monaural: o rock sujo e visceral está de volta

André Astro
Depois de cerca de quatro anos parados, Ayuso reuni novamente a Monaural, com o baterista Herik, mais conhecido como "toca de véia" e um novo membro e traz novamente o rock sujo e visceral à luz do cenário underground. Para saber mais sobre esse retorno, nós do Canibal Vegetariano conversamos com o vocalista e guitarrista. Abaixo, você confere o papo na íntegra.

Canibal Vegetariano: Ayuso, depois de um bom tempo em hibernação, a Monaural está de volta. Como rolou esse processo?
Ayuso: Estávamos dormindo e de repente passaram-se quatro anos..., acordamos do nada, com muita fome e vontade de tocar, tocar, comer e tocar! (risos). Estou com trinta e dois anos, o Herik tem seus vinte e oito e Fedo, o nosso novo baixista, trinta e três, três trintões entediados, sem perspectivas, sem ter nada de divertido para se fazer nos finais de semana, por que não se divertir novamente, resgatando um pouco daquilo que ficou em nosso tempo de colegial? Nos conhecemos na escola em que estudávamos, se não tivesse conhecido o Fedo, não teria tocado com ele no Estéreo, nem teria conhecido o Herik, ou seja, o Monaural nunca teria existido, tudo culpa desse lazarento e hoje, nada mais justo, antes de encerrarmos as chuteiras para valer, fazer essa “volta” com o figura que indiretamente mudou todo o paradeiro da minha medíocre vida...

CV: E as composições, seguiram aquela linha voltada para o som de Seattle do início dos anos 90?
A: Temos um novo baixista, como disse anteriormente; um irmão, vizinho, amigo de longa data, Fedo on bass, um cara divertido, engraçado, está sendo maneiro tocar com ele de novo. Estamos resgatando músicas antigas, três quatro acordes, riffs de metal abafado, coisas simples, com uma identidade nossa, tentando soar mais pesado e lento do que antes...



CV: Atualmente, tudo passa e muda rapidamente, como você vê o cenário underground hoje. Ele mudou em relação a época que vocês pararam?
A: Continua a mesma merda cara, segregado, glamorificado no talo, bandinhas pseudo-braZileiras tendo mais espaço e público, aquela coisa, o povo brasileiro é tudo paga pau de gringo, não tem jeito, mas aí, gosto pacas do que foi feito dentro do rótulo rock em nossa língua e somos mais uma dos remanescentes, teimosos e persistentes, mesmo que isso nos custe a vida, vamos continuar cantando em nossa língua mãe, nasci aqui, não quero ter uma vida que não tenho, cantar sobre coisas importantes numa língua que não é minha para pagar de gatinho playboyzinho, para pegar menininha, sempre achei isso um lixo e por outro lado, fica a cada dia mais evidente a dominação e o aniquilamento da nossa cultura..., sei que pode soar meio contraditório eu citar essas coisas, ainda mais falando sobre “roque”, mas foda-se, é minha forma de ver e pensar, prefiro ser fiel aos meus princípios. Embora, talvez nós iremos gravar um só em “ingreis”, só para mostrar como é mais fácil, muito mais fácil, escrever qualquer coisa e cantarolar no "embromation" para ninguém te entender (risos). A desculpa dessas bandas é, queremos ir para gringa..., que americanos vão se interessar por brasileiros sem personalidade querendo copiar o som deles e ainda na língua deles...tirando o Sepultura, e o Cansei de ser Sexy que não deu em quase nada..., não vejo mais futuro para isso, mas, posso estar equivocado, veremos.

CV: Ayuso, com a volta da Monaural, como ficam seus outros projetos musicais?
A: Não tenho mais projetos, nem vontade de retomá-los, tô ficando velho e com as bola cheia dessa cidade infernal...só queria ter grana para reformar meu violão e ficar tocando um som de fronte algum pé de morro, vendo o verde e ouvindo o cantarolar dos pássaros a me acompanhar.

CV: Vocês já fizeram algum show após o retorno? O que a galera pode esperar dessa volta da banda? 
A: Sim, nos apresentamos no Cidadão do Mundo, no ABC paulista. Lançamos um registro, espécie de bootleg, com o áudio do show, que foi filmado pelo Clóvis, Stage Struck, ficou bom até, para quem interessar, tem lá no nosso bandcamp.
monaural.bandcamp.com. Continuando, acho que não podem e nem devem esperar nada... [risos], acredito que estamos melhores ao vivo, mais experientes, e o que possa vir, e em breve virá, é no máximo um bom registro de estúdio para ficar aí para uma posterioridade do esquecimento digital.

André Astro

CV: Quais as bandas que você mais tem ouvido neste momento?
A: METZ... hummm...quem mais? A faixa nova do Sunny Day!

CV: Agradeço pela entrevista e deixo espaço para as considerações finais.
A: Nós quem agradecemos, por teu apoio e amizade verdadeira, desde muito tempo, sempre firme na luta ae, ajudando a divulgar a música independente. O mérito é todo seu cara. Até breve e esperamos ter a chance de tocar novamente em Itatiba antes que eu me mude definitivamente para o sul e o Monaural faleça permanentemente.

domingo, 11 de maio de 2014

'Os punks também amam'

Canibal Vegetariano 

No sábado 10 de maio, o Motim Records, de Valinhos, organizou festival com quatro bandas. O evento foi realizado em um lava rápido. Duas bandas eram valinhenses e outras duas de fora, sendo a Dirijo de Campinas, e Fast Falling, de Indaiatuba.
Como há tempos trocávamos ideia com o "Tuco", da banda Dirijo, a galera do Canibal Vegetariano seguiu sentido Valinhos para acompanhar o som que prometia aquecer a noite de outono, com vento frio. Para variar, como sempre ocorre, nos perdemos no caminho, tanto na ida, como na volta, mas cumprimos nossa meta.
Depois de vários pedidos de informações, conseguimos chegar ao local e a primeira banda a se apresentar foi a Meivorts, de Valinhos. Nos primeiros acordes os caras tiveram problemas com o baixo e o início foi adiado. Minutos depois, o som rolou de boa e a banda apresentou seu som, com influências do hardcore melódico do início dos anos 90. Antes do final, outro problema, desta vez com uma das guitarras, mas eles também superaram e encerraram bem a apresentação.

Canibal Vegetariano 

Após apresentação de uma das bandas "da casa", foi a vez do pessoal de Indaiatuba, Fast Falling. Também com influnências de punk rock e hardcore melódico, os caras apresentaram bom repertório de canções próprias que falam sobre a vida dos jovens brasileiros e também tecem algumas críticas sociais. Boa apresentação dos caras que formam um bom power trio.
Em seguida foi a vez dos campineiros da Dirijo. Nas gravações que ouvimos da banda o som também tem muita influência de bandas de punk rock e hardcore melódicos dos anos 90, mas ao vivo, a pegada é outra. Além de mandar muito bem nos sons, a banda tem boa presença e as músicas ganham mais peso e os caras misturam outros ritmos que tornam o show ainda mais instigante.

Canibal Vegetariano 

Passava-se muito das 22h e o vento aumentou a sensação de frio. O encerramento ficou a cargo da banda Falling Jimmy. A banda é formada por jovens e eles ainda não tem vasto repertório próprio e executaram muitas canções de bandas conhecidas. Aí, foi a deixa para voltarmos para casa e nos perdemos no caminho, novamente, mas achamos o caminho de casa. Rock'n'roll é isso!!!
    

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Rock no Dia dos Namorados

Arte: David W. Bueno 
O blog/zine Canibal Vegetariano em parceria com o programa A Hora do Canibal e apoio da rádio Click Web, traz para o leitor/leitora, uma promoção MONSTRO para o Dia dos Namorados, comemorado, no Brasil, em 12 de junho.
Nesta promoção, o vencedor ou vencedora receberá três CDs: Conquest for Death (Estados Unidos), Motor City Madness (Porto Alegre/RS) e a coletânea Rock São Paulo vol.4, com músicas de várias bandas independentes da capital paulista.

Arte: David W. Bueno

Para participar, basta os ouvintes e leitores encaminharem e-mail para zinecanibal@hotmail.com, vale quantas frases a pessoa tiver capacidade de inventar. A tosqueira também pode ser feita por vídeo, foto, colagem. O lance mais tosco leva o prêmio e quem ganhar, economizará uma grana com o presente em junho. Não fique aí parado e bota o "cabeção" para trabalhar.


A promoção é válida para todas as pessoas do planeta Terra. Caso o vencedor (a) seja de outra cidade, estado, país, receberá os prêmios no conforto de seu lar, com tudo pago pelo Canibal Vegetariano. Também podem participar pessoas casadas, amasiadas, que tenha amante, funcionários da rádio, quem escreve para o blog e tudo mais.   

domingo, 4 de maio de 2014

A noite em que Bragança Paulista tremeu

Canibal Vegetariano
A terra da nossa querida Bragança Paulista, conhecida como a terra da linguiça, não sofreu nenhum abalo sísmico mas o chão tremeu por mais de meia hora enquanto a banda Conquest for Death, formada por estadunidenses e um japonês, esteve no palco do Ciles do Lavapés.

Com energia mais do que contagiante, presença de palco insana e músicas com pouco mais de um minuto, a Conquest for Death agitou todos que foram ao local para ouvir o hardcore feito pelo quinteto. Assim que subiram ao palco, os cinco passaram a pular e soltar riffs precisos, rápidos, acompanhados de fortes "pancadas" na bateria.

Canibal Vegetariano

Rapidamente rodas de pogo foram abertas e outra parte do público, a galera do cabelo comprido, ficou em frente ao palco e soltou a cabeleira ao léu. O vocalista Dev não parava um minuto no palco, com pulos e exposição do microfone para galera cantar junto. Em alguns momentos, ele deixava o palco e saia para agitar com a galera e mesmo assim mandava muito bem nos vocais. Dev ainda deixou o palco para subir em uma mureta às margens de um rio para cantar para galera que acompanhava a apresentação da rua.

Enquanto Dev corria para todos os lados, os outros integrantes detonavam seus instrumentos no palco. No final da apresentação, parte do público não resistiu e muitos subiram para compartilhar o momento contagiante com a banda e seus integrantes. Alguns moshs foram vistos em meio à galera. Ao final do show, agradecimentos, compra de discos e afins e os comentários que não poderiam faltar: "que show foda, destruidor, coisa linda", eram as palavras mais ouvidas entre o público.

Canibal Vegetariano

Antes da apresentação da Conquest, houve o show da banda Kollision, banda com muita influência de thrash metal que agitou e esquentou o público antes do show da banda principal. Os moleques mostraram som competente e prometeram que em breve terão disco apenas com músicas próprias. Que esta gravação seja bem vinda, a galera das camisetas pretas agradece.

  

domingo, 27 de abril de 2014

O hardcore que aquece a alma

Canibal Vegetariano
  Após pouco mais de um mês que teve início o outono brasileiro 2014, pela primeira vez no Estado de São Paulo tivemos uma noite agradável desta estação. Com um clima para lá de convidativo para um rolê noturno, a equipe do Canibal Vegetariano deslocou-se até Campinas, mais especificamente para o Bar do Zé, onde rolaria a apresentação da banda paulistana Gritando HC, que há 20 anos está no mercado independente.
Com um pacote de zines impressos em baixo dos braços fomos alimentar e aquecer nossas almas com o bom hardcore produzido pela banda. Devido a um erro de comunicação, chegamos mais cedo do que o costumeiro e o que nos restou foi organizar uma disputa de bilhar. Enquanto o jogo rolava, aproveitamos para alimentar o esqueleto também, afinal, como dizia minha avó: "saco vazio não para em pé". O bom de ir a um bar como este, é que o rango tem trilha sonora com muito punk e hardcore que vibrava nas caixas de som.

Canibal Vegetariano

Devidamente alimentados, antes da apresentação, nós conversamos com a vocalista da banda, Lee, que muito gentilmente concedeu uma entrevista muito sincera sobre a banda e todo este tempo que estão na estrada, em breve o papo estará disponível aos leitores. Podemos adiantar que a conversa foi franca e durou um tempo considerável, afinal, a banda tem duas décadas de discos, shows e outros rolês.


Com a conversa em dia, Lee foi para o palco, pois estava na hora da banda mostrar o que é hardcore. Com muita competência e experiência, a banda fez a galera agitar e rapidamente as rodas de "pogo" foram abertas. No palco, os músicos apresentaram um entrosamento fantástico e as "cavalgadas" de baixo de Ritchie casou bem com a batera de Tony, que não economizou pancadas em seu kit.

Canibal Vegetariano

Em relação ao set list, a banda apresentou vários clássicos de duas décadas de carreira e o coro do público ecoou forte pela madrugada. Antes de apresentar as duas últimas músicas, Lee agradeceu a todos os presentes e também a galera do Canibal Vegetariano. E a noite foi encerrada com "Dinheiro sujo" e o classicaço "Velho punk". Com a alma devidamente aquecida, só nos restou voltar para casa pois o esqueleto sentiu um pouco o vento da madrugada.



  

domingo, 20 de abril de 2014

Rock 'garageiro' que vem dos Pampas

Arquivo pessoal
A banda Motor City Madness é uma daquelas que faz um som que não deixa o ouvinte respirar. Com riffs marcantes e rock’n’roll na medida certa, o quarteto gaúcho formado por Sergio Caldas (voz e guitarra), Rodrigo Fernandes (bateria), Cassio Konzen (guitarra) e Rene Mendes (baixo) é uma das boas revelações que vem de Porto Alegre. Para saber mais sobre o trabalho deles, conversamos com o guitarrista e vocalista Sergio Caldas.

Canibal Vegetariano: Quais as influências da banda? Há quanto tempo estão juntos? Houve mudança de formação?
Sergio Caldas:
Cada um curte muitas coisas diferentes, acho que isso dá uma 'vibe' legal na hora de juntar  tudo. É uma mistura de tudo, Motörhead, Zeke, Suécia, Tarantino, cerveja, Misfits, churrasco, Radio Birdman, MC5, a gente é meio adolescente velho. E foi nessa pilha que a banda começou, pela metade de 2012, tomando uma no bar. Tivemos duas trocas na formação logo nos primeiros meses.

CV: Antes de ouvir o disco de vocês, acompanhei uma apresentação em Campinas. Vocês conseguem levar a energia do palco para o álbum, como rolou o processo de gravação?
SC:
Foi ao vivo no estúdio, todo mundo junto, para ter esse ‘feeling’ de show. Na época gravamos todas as músicas que a gente tinha, para mostrar bem como era a banda nesse tempo. Foram duas sessões de gravação, da primeira [2012] surgiu um EP que foi lançado só digital e completamos com mais seis faixas que, juntas, são o disco que saiu.

CV: Como o público recebeu o disco de vocês e quem ouve a banda?
SC: Cara, a galera tem recebido bem, pelo fato da gente ter feito bastante show ano passado, viajado bastante e conhecido uma galera diferente, conseguimos espalhar o material em vários lugares do país e a resposta é bem positiva. Já disseram que a gente se daria bem tocando em Goiânia, pessoal lá gosta dessas barulheiras como a nossa. ‘Tô’ esperando o telefone tocar [risos].
Arquivo pessoal
CV: Como está a cena portoalegrense atualmente? Porto Alegre é considerada um celeiro de bandas, tem bons locais para apresentações?
SC: Atualmente é um celeiro de bandas covers. Aqui os covers são artistas, dão entrevistas, sub celebridades, ‘Sofá da Hebe’. Mas já teve um monte de artista legal, até hoje tem na verdade. Essas entressafras vem e vão, isso serve pra renovar a parada, aparecer gente nova, é legal. Tem várias bandas recentes daqui de Porto Alegre que são boas e estão tentando fazer alguma coisa para melhorar a situação. Som e equipamento decente sempre são importantes, mas para nós, os melhores lugares para tocar mesmo são os que têm mais gente a fim de curtir o som e os que a gente se divirta mais.

CV: Qual a vantagem de ser uma banda independente e qual a principal desvantagem?
SC:
Acho que a vantagem é poder tomar as decisões sem ter que pedir aprovação de alguém, a gente faz o que quer e o que acha que é legal. Mas também não sei ao certo porque nunca estive do outro lado. Hoje todo mundo gosta de dar discurso panfletário quando só conhece a teoria, mas nunca experimentou na prática. Essa questão de ser independente [e autoral] é bem subjetiva porque no Brasil é muito difícil fazer com que a banda se sustente por si só. Então temos que ter outros trabalhos e conciliar datas de viagem com o trampo, mentir que tem parente doente para viajar no meio da semana, atrasar a conta da luz para poder inteirar no ‘preju’ de show que deu errado, essas coisas.

CV: Há planos de excursões para outros países?
SC: Ano passado fizemos uma gira pelo Uruguai e Argentina, que a gente pretende repetir e tentar ir cada vez mais longe. A pilha é sempre essa, tocar o máximo possível e cada vez mais longe de casa. Hoje tá bem mais fácil trocar contatos, marcar shows à distância, as passagens tão mais acessíveis para quem produz os shows, então tudo é possível.

Arquivo pessoal
CV: Qual o melhor momento na estrada e qual o pior?
SC: Estar na estrada sempre é muito legal. Conhecer gente nova, lugares diferentes, mesmo quando tem roubada de show falido, som ruim, pouca gente, alguma coisa sempre dá certo. São experiências de vida que, na hora, parecem uma merda, mas depois é história para contar. Hoje praticamente todos os meus amigos e conhecidos ‘existem’ por causa de banda, turnê, essas paradas. O pior momento é ter que voltar à realidade e ter que bater cartão na segunda de manhã.

CV: Quais os planos da banda para este ano?
SC: Olha, para esse ano devemos filmar mais uns clipes, temos músicas novas para gravar também, estamos armando mais uns shows por outros estados [em 2013 além do Rio Grande do Sul, rodamos por São Paulo e Minas Gerais], isso deve rolar depois do meio do ano, se sobrar alguma coisa inteira depois da maravilhosa Copa do Mundo.


CV: Agradeço pela entrevista e deixo espaço para considerações finais.
SC: Obrigado a todos que vão aos nossos shows, aos que compram nossos discos, camisetas, que ouvem pela internet e espalham a palavra por aí. Essas coisas são simples mas nos faz continuar. Procurem bandas novas, tem muita coisa legal aparecendo e acessível em tudo que é ‘streaming’ por aí. Parem de achar que R$ 10 num ingresso é caro. É muito melhor do que ficar em casa vendo novela e postando selfie no instagram. Valeu pela força, estamos sempre a disposíção. Abraço! RAWK!

domingo, 6 de abril de 2014

Kurt Cobain: a construção do mito

Charles R. Cross - 172 páginas - Editora Agir

No ano em que a morte de Kurt Cobain completa 20 anos, o jornalista Charles R. Cross, autor da biografia do vocalista e guitarrista do Nirvana, "Mais pesado que o céu", escreve "A construção de um mito", texto que aborda o que levou Cobain a ser o maior nome do rock'n'roll nos últimos 20 anos.
Sobre vários aspectos, o autor aborda os fatos que levaram Cobain, um rapaz do interior, ser líder de uma das bandas mais influentes de todos os tempos. No decorrer das páginas, Cross relata influências que o guitarrista e vocalista teve em sua carreira, a influência que ele exerceu não apenas na música, mas na moda, no comportamento e como foi apontado como o líder de uma geração, rótulo que Cobain sempre rejeitou.
Na segunda parte do livro, Cross escreve sobre o momento de Seattle, a "explosão" de bandas, ocorrida em curto espaço de tempo. Outro tema abordado é o vício em drogas e o que teria levado o Cobain ao consumo excessivo de heroína e cometido o suicídio. No encerramento, há alguns depoimentos de músicos sobre a música do Nirvana e a pessoa de Kurt Cobain. Leitura totalmente indicada aos fãs da banda.

sábado, 5 de abril de 2014

‘Um disparo... um estouro’: 20 anos sem Kurt Cobain

Há 20 anos a voz de Kurt Cobain era calada por ele mesmo, há quem diga que não, que ele teria sido assassinado, mas duas décadas depois, ainda dizem que Kurt tirou a vida com um disparo. Mesmo tanto tempo passado, as dúvidas pairam no ar e o caso foi reaberto, devido ao avanço da tecnologia, a Polícia de Seattle crê que algo ainda exista para ser esclarecido.
Independente do que tenha ocorrido, dizem que há exatos 20 anos, 5 de abril de 1994, Kurt partiu deste mundo e deixou em poucos anos obras que muitos não conseguiram realizar em décadas. O legado deixado por Kurt e o Nirvana foram três álbuns de estúdio, Bleach (1989), Nevermind (1991) e In Utero (1993), sendo o segundo, considerado um dos melhores e mais vendidos discos da história da música e um dos que mais influenciou pessoas.
No final dos anos 80, do século passado, sentia-se que algo estaria por vir, Bleach trazia aos holofotes um som diferente, um respiro em meio a tanta música pré fabricada de qualidade duvidosa. Mas foi em 1991 que o Nirvana, com Dave Ghrol na batera, fez o disco que mudaria tudo de lugar. O sucesso que seria a salvação de um rapaz pobre e que morava em pequenas cidades, foi a janela para que ele, que usava drogas e tinha problemas de saúde, se afundasse ainda mais.


Mesmo com tantos problemas, Kurt mostrou sua capacidade de criar músicas, de escrever letras que falavam tanto dele e de seus fantasmas, mas que tantas pessoas se identificavam e se identificam, pois somos humanos, somos falhos e cheios de dúvidas. Mas Kurt teve a sensibilidade de expor suas angústias e revolta em seus riffs de guitarra, em seu vocal cheio de desespero e na urgência de seus shows.
Nós que gostamos de rock temos várias pessoas que admiramos, mas são poucos os “ídolos” que tem coragem de expor suas preferências, suas opiniões. Além de levar músicas que falavam direto a um grande grupo, Kurt ainda apresentou bandas desconhecidas de grande parte do público e hoje, junto com o Nirvana, tem seus discos nas prateleiras. Talvez, a diferença de Kurt não seja apenas sua capacidade de fazer música, mas sim de ouvi-la e senti-la. Ele era o cara que buscava sempre algo novo e quando encontrava fazia questão de mostrá-lo.


Kurt para muitos atualmente é tratado como se fosse um deus, mas para nós ele era o cara que fazia o que muitos ainda fazem, ouvia música, buscava novidades, tocava seu instrumento, não ficava preso a um passado que não volta e tinha paixões, basta ver e ouvir a maneira como Kurt encerra o álbum “Unplugged MTV”, cheio de dor, paixão, um ser humano entregue ao poder de uma canção. Talvez seja por isso que ele nos faz tanta falta!

 Fotos: Reprodução Internet

domingo, 16 de março de 2014

O punk rock das Gerais

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Formada há 8 anos em Uberaba, a banda mineira Bernes faz punk rock de primeira qualidade que faz o ouvinte sair com vontade de pogar em qualquer local em que rola o som. Em entrevista ao Canibal Vegetariano, eles falaram um pouco sobre a história e o trabalho que realizam.

Canibal Vegetariano: Por favor, apresentem-se aos nossos leitores.
Bernes: Salve, prazer...Berne's, punk rock do Triângulo Mineiro, simples e direto, sem frescura...

CV: Há quanto tempo vocês estão juntos e como surgiu a banda? Houve alguma mudança de formação?
B: Estamos vivos nessa merda de underground brasileiro desde 2006, de forma ininterrupta e sem mudanças na formação...o nosso maior trunfo além da amizade que em breve completa 10 anos! Tudo começou por causa da banda, a vontade de fazer um som próprio nervoso e a falta de pessoas pra abraçar a ideia nos uniu...e também o fato de morarmos no mesmo bairro em Uberaba/MG.

CV: O nome da banda é muito curioso, como rolou a escolha?
B: O nome soa como uma crítica à nossa querida cidade natal, Uberaba, capital mundial do gado Zebu, onde praticamente tudo gira em torno desse rico mercado e onde produtores, criadores e demais coronéis fazem a festa...enfim, juntamente com um acontecimento inusitado de um rolê nosso, batizaram a banda...não teve como fugir desse nome (risos). Quando a banda estava para iniciar suas atividades, presenciamos um maluco retirando um berne ao vivo em um programa de tv...daí não teve como pensar em outra coisa... Para quem não sabe, berne é a larva transmitida por moscas, muito comum em bovinos, e também cães e humanos.

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CV: Quais são as influências da banda?
B: Primariamente as mais variadas bandas de punk rock e hardcore...e demais bandas que cada um tem o costume de ouvir em particular, que com certeza acabam influenciando nos detalhes de cada composição pessoal!

CV: Como é o cenário underground em Minas Gerais, principalmente para quem faz punk rock/hardcore como vocês?
B: O cenário por aqui já foi maravilhoso e tinha tudo para ser foda, mas infelizmente não sei o que acontece...a cena independente brasileira como um todo é bem desorganizada e aqui não tem como ser diferente...o melhor de tudo é que para nós pouco importa, se tem show a gente vai e faz, se não tem a gente ensaia, faz música e foda-se o resto...tamo aí firme e forte sempre! Não é uma cena tosca cheia de pau no cu que vai nos desanimar...

CV: Ouvindo o disco de vocês, ele tem letras bastante críticas. Como vocês viram todas as manifestações que ocorreram no país este ano?
B: Nossas letras abordam sobre o triste cotidiano empurrado para debaixo do tapete...as manifestações foram lindas...algo maravilhoso de se ver para quem vive num país de ladrão e calado até então..não deveria parar por aí até que providências seríssimas fossem tomadas em relação a educação, saúde e transporte...é uma vergonha um país com tanto recurso ser do jeito que é...vamo acordar mais uma vez galera!

CV: Com todos protestos, avenidas fechadas, gastos exorbitantes com a Copa do Mundo, o que vocês esperam de 2014 e o ano pode ser bom para o punk, devido a todas as contestações?
B: 2014 provavelmente vai ser um caos nesse país...com certeza novas manifestações vão rolar nos jogos da Copa, e o bacana é que vai dar para captar bastante imagem caótica para clipes, e altas bandas punks se formando igual foi ano passado.



CV: Voltando para o disco de vocês, quanto tempo ele levou para ficar pronto? Em algumas faixas há boas melodias e alguns lances que fogem um pouco do espírito punk, com levadas de baixo estilo, diria Chilli Peppers, isso foi proposital?
B: Infectodemia foi uma verdadeira novela...cerca de 2 anos para ficar pronto, porém tudo feito com muito carinho! Como foi nossa primeira experiência na gravação de um full length, então fomos com cuidado...rolou muita expectativa e cobrança em fazer algo decente por ser o primeiro filho...fizemos vários testes com diferentes timbres possíveis, e demorou um pouco para chegar em um acordo...sem contar que aquele jeitinho mineiro de fazer as coisas também constou! É muito bom ouvir elogios sobre as melodias e levadas do disco, e não é a primeira vez...não é nada premeditado, apenas reflexo de tudo que ouvimos.

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CV: Como vocês estão divulgando o novo trabalho?
B: A divulgação atual ainda é a do nosso primeiro disco, o querido Infectodemia, que tem 16 faixas autorais e você pode adquirir diretamente conosco! Queremos passar por vários estados brasileiros divulgando esse trabalho antes de entrarmos em estúdio novamente, e enquanto isso reunindo material pra gravação... temos idéias para alguns videoclipes e propostas para algumas turnês malucas que esperamos dar certo neste ano.

CV: Deixo espaço para considerações finais.
B: Primeiramente agradecer a vocês do Canibal Vegetariano pele espaço e carinho, e que continuem firmes com esse zine, as bandas e leitores agradecem! A quem interessar possa, deixo o endereço do nosso humilde site, onde você encontra todas as infos...espalhem para os seus amiguinhos! http://www.bernesoficial.com.br/.  Beijos, abraços e feliz 2014 pra vocês.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Promoção ‘Capetinha da Páscoa’


O programa A HORA DO CANIBAL, em parceria com o zine/blog Canibal Vegetariano e com a rádio ClickWeb, lança para você a promoção: “Capetinha da Páscoa, o que trazes para mim?”.
O vencedor desta promoção, para lá de tosca, levará (ou receberá) para casa quatro lindos CDs de bandas independentes que já rolamos no programa. As bandas participantes são: Motor City Madness (Porto Alegre), banda de rock’n’roll insana do Rio Grande do Sul. Na edição 5 do zine tem resenha dos caras. Também temos cds da banda A Phoyce (Guarujá), que faz hardcore brutal; Bad Cookies (Guarujá), com influência de grunge, punk e rock’n’roll. Como representantes de Itatiba, temos a Fake Vulgarys e seu indie rock.
Para participar é fácil, basta enviar quantas frases quiser para zinecanibal@hotmail.com. Como sempre rola em nossas promoções, a mais tosca será vencedora. Para tentar vencer o “Capetinha da Páscoa” não há limite de idade, sexo, nem porra nenhuma. Você que já ganhou pode participar e faturar novamente. Se você não tem internet, peça para sua avó, vô, tia, todos podem enviar. Não perca a chance de faturar estes lindos prêmios!!!!
  

domingo, 2 de março de 2014

Uma vida dedicada ao punk/hardcore

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Jão, guitarrista da banda Ratos de Porão há 32 anos, membro fundador do grupo, falou ao fanzine Canibal Vegetariano sobre suas três décadas de carreira em uma das bandas mais bem sucedidas do Brasil. Além do RDP, ele lembrou o começo da Periferia S/A e também do trabalho que tem com banda de sua mulher.

Canibal Vegetariano: Jão, por favor, apresente-se para os jovens leitores que ainda não te conhecem.
Jão: Meu nome é Jão, sou guitarrista e fundador do grupo Ratos de Porão [RDP] banda à qual toco há 32 anos. Toco também no Periferia S/A, banda onde além da guitarra, faço vocal e no Trassas!

CV: Com quantos anos você começou a tocar guitarra e quais foram suas influências. Elas ainda persistem? Quais outras influências você adquiriu ao longo dos anos?
J: Comecei a tocar violão com 11 anos. Com 13 ganhei minha primeira guitarra, com 14 fundei o RDP. Quando começei como guitarrista, minhas influências eram o punk e o hardcore que rolavam na época. E essas influências permanecem até hoje. Ao longo dos anos tive outras influências, como o thrash metal, que ajudaram a moldar meu som de guitarra.

CV: Como foi formada a Ratos de Porão? Em algum momento no início da carreira, algum dos fundadores imaginou que a banda seria tão reconhecida após três décadas?
J: O RDP foi formada por três punks que não tinham nada pra fazer e é obvio que naquele tempo não tinhamos noção nem se a banda iria durar um ano, quanto mais três décadas.

CV: Você começou a carreira como vocalista e depois ficou apenas com a guitarra e quem assumiu o vocal foi o Gordo. Como rolou essa mudança?
J: Cara, quando fundei o RDP já tocava guitarra e todas a músicas ali compostas eram minhas. Resolvi assumir o vocal, mas era tímido e isso me atrapalhava, não conseguia ficar sem um intrumento na mão. Aí vi o Gordo cantando numa banda, achei que seria interessante um cara extrovertido como ele assumir os vocais.

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CV: Você chegou a pensar em desistir da carreira de músico em algum momento, principalmente no início, devido as dificuldades impostas pelo mercado?
J: Para mim sempre foi dificil ser músico. Venho de familia operária, onde muitas vezes qualquer manifestação artística era vista como sinônimo de vagabundagem, fora as inúmeras dificuldades como ter um bom instrumento etc... por isso muitas vezes pensei em desistir.

CV: Como você definia o som da banda há três décadas? E hoje? Quais foram as principais mudanças?
J: O RDP há 30 anos era hardcore/punk, mas devido as muitas influências que tivemos ao longo dos anos pode-se dizer que o RDP, atualmente, é um Punk /Hardcore crossover.

CV: E o mercado musical, mudou algo nesse tempo? Se houve mudança, foi positiva ou negativa?
J: O mercado musical é um assunto muito complexo, existe a música da mídia e a música independente que é onde me situo mais. Acho que dentro do underground brasileiro muita coisa mudou, temos mais lugares para tocar do que na época, mais bandas, etc...

CV: Apesar de não aparecer na grande mídia, o Ratos tem grande público que acompanha as apresentações da banda. Quem é o público de vocês atualmente?
J: Cara, o público do RDP sempre  foi se reciclando, mas muita gente é fiel e continuou acompanhando a trajetória da banda, nosso público é punk, banger e hardcore em geral.

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CV: A banda ainda tem aquele estigma de ser mais conhecida no exterior do que no próprio país?
J: Acho que não, até porque no Brasil temos um grande público.

CV: Qual seu disco favorito? 
J: Brasil.

CV: Nessas três décadas de banda, qual música você não aguenta mais tocar e qual você gostaria de tocar, mas o público ou galera da banda diz que não rola ao vivo?
J: Não aguento mais tocar "Pobreza" e gostaria de tocar a "Onisciente Coletivo", mas não sei se o Gordo consegue cantá-la ao vivo.

CV: Qual o melhor momento que você viveu com a banda? E o pior?
J: Não tem um melhor e um pior. A vida é cheia de altos e baixos, então nós pegamos os bons momentos e curtimos e tentamos esquecer os maus momentos!

CV: Vamos falar um pouco da Periferia S/A, outra banda da qual você faz parte. Como rolou o disco que vocês gravaram em meados da década passada? Além do processo de gravação, como foi reunir a galera? Qual o projeto da banda para o futuro?
J: O Periferia começou tocando músicas do começo da carreira do Ratos, isso foi em 2003 e na época o Gordo havia feito a cirurgia de redução de estômago, o Ratos tinha ficado quase um ano parado e o projeto seria apenas para tocar durante o tempo em que o Ratos estava parado. Mas aí foi tão legal tocar com o Jabá e o Betinho que fundaram o RDP comigo, que decidimos montar outra banda e aí surgiu o Periferia S/A. O Periferia está com CD na fábrica para sair, isso já deveria ter ocorrido há um certo tempo.

CV: Quando vocês lançaram o disco, como foi a recepção dos fãs do Ratos de Porão?
J: Acho que os fãs da facção punk e hardcore gostaram mais do que os fãs bangers.

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CV: Como é trabalhar com a esposa? O que vocês ouvem quando estão em casa?
J: Não encaro como trabalho e sim como comprometimento por uma banda que hoje eu admiro! O que ouvimos em casa é bem complexo né meu, quem imagina que a gente só escuta crust, punk e hardcore está enganado. Escutamos muito Jazz, músicas dos anos 60,70, às vezes um sambas antigos e etc...

CV: Planos do Jão para 2014?
J: Em 2014 quero lançar um DVD de 30 anos do Ratos que eu produzi. Vai sair o novo CD da banda. Também será lançado o novo Periferia e pretendo gravar o CD do Trassas, além de comprar um sofá novo!

CV: Cara, agradeço pela entrevista e deixo espaço para seus comentários finais. Abraço.
J: Quero agradecê-lo pela entrevista e a todos os fãs que acompanham meu trabalho ao longo desse anos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Rock’n’roll e surf music na ‘selva de pedra’

Canibal Vegetariano
O rock’n’roll e a surf music “tomaram” de assalto o Quintal do Gordo, em Campinas, no dia 23 de fevereiro. Três bandas estavam programadas para se apresentarem e nós do Canibal Vegetariano não poderíamos ficar de fora. Mesmo com ameaça de chuva, algo raríssimo neste verão paulista, encaramos os pouco mais de 80 quilômetros, ida e volta, para acompanhar as apresentações.
A primeira banda programada era a Máquina Voadora. Com ex-integrantes de bandas como Astromato, Radiare e Muzzarelas, a banda apresentou um power pop da melhor qualidade onde era nítida a influência de bandas como Teenage FanClub, Ride e até My Bloodie Valentine. O quarteto fez uma apresentação impecável e mostrou que quando a banda é boa, sempre tem local para se apresentar.

Canibal Vegetariano

Depois da Máquina, foi a vez da F.U.B.E. [Flávio Urbano e os Brasílios do Espaço] se apresentar. Com Flávio, guitarrista da lendária Muzzarelas, o power trio mandou uma sequência de músicas com o mais puro rock’n’roll. Riffs, baixo marcante e bateria no tempo certo, eles tiraram muitos aplausos do público presente.
A tarde de rock seria encerrada pela banda FootStep Surfers. Mesmo não tendo praia, os campineiros agitaram muito ao som da banda que mesclou canções próprias com várias versões, não apenas da surf music mas como de outros estilos, como grunge, punk, e até thrash metal. Além do trio, vários amigos que estavam no público participaram do show.

Canibal Vegetariano

O sucesso entre o público foi tanto que Carlão, baixista da The Violentures, e Artie Oliveira, vocalista da banda Don Ramón, deram suas palhinhas na apresentação que deixou o show ainda mais quente. Após encerramento, restou a galera do Canibal “cair” na estrada, mas antes deixamos um camarada próximo à sua casa, pois afinal, ele precisou carregar alguns equipamentos.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Uma hora a mais de rock’n’roll

Canibal Vegetariano

O sábado 15 de fevereiro será uma daquelas datas que vamos demorar muito a esquecer, se é que vamos conseguir, pois não é todo dia que chega ao fim o deprimente horário de verão e três bandas de rock independente com muita qualidade dividem o mesmo palco.
E a divisão ocorreu no Woodstock Bar em Campinas, onde Desenmascarado, projeto do mestre das caveiras Daniel ETE, Simon Chaisaw, australiano que há alguns anos mora no Brasil e Leptospirose, apresentariam muitos watts de rock’n’roll. E com uma programação desta, coube a equipe do Canibal Vegetariano acompanhar.
A ida foi tranquila, depois de muito tempo com temperaturas acima do normal, a noite estava agradável e com uma garoa espetacular. Em nossa chegada ao bar, parada no balcão para comer amendoim e tomar aquela gelada. Enquanto colocávamos o papo em dia e apreciávamos a comida e bebida, encontramos Daniel ETE que disse que seu novo projeto fazia um som “de tiozinho”. Conhecíamos apenas uma música da nova banda, mas não tinha na a ver com som “calminho”.

Canibal Vegetariano

E a primeira banda a subir ao palco foi a Desenmascarado. E assim que o som começou sentimos que ETE havia brincado conosco, pois as músicas não tem nada de “tiozinho”. E para quem não conhece, ETE é o cara responsável pelo baixo da banda Muzzarelas há mais de 20 anos e também toca instrumento na banda Drákula. Neste novo projeto, as canções têm aquela mistura que adoramos, punk rock e garage rock, preciso escrever algo mais? Com duas guitarras, baixo e Lobisomem na bateria, o quarteto abriu muito bem a noite e animou a galera que ocupou quase toda dependência do bar e deixou o povo quente para as próximas atrações.


Em seguida veio o australiano Simon Chaisaw que tinha como guitarrista em sua banda, Joe Klener, da argentina Corazones Muertos. Com uma mistura dessa era óbvio que rolaria muito som de boa qualidade e isso foi realmente o que ocorreu. Com pegada punk e do bom e velho rock’n’roll, o australiano mostrou que melhorou sua performance de quando o vimos há alguns anos e fez a galera agitar, com show de muita competência.

Canibal Vegetariano

Assim que o australiano deixou o palco, os bragantinos da Leptospirose assumiram o palco e aí o lance ficou mais agressivo, pois Leptos é hardcore e os caras fariam seu primeiro show em Campinas após o lançamento de “Tatuagem de Coqueiro”, quarto álbum do power trio. E assim que “invadiram” o palco, Serginho [bateria], Velhote [baixo] e Quique Brown [guitarra e vocal], mandaram todo o peso e fúria que se pode esperar de uma banda como essa e a galera, óbvio, abriu rodas em frente ao palco e a diversão invadiu de vez o local. O show em Campinas foi menor em comparação ao qual acompanhamos em janeiro, em Bragança Paulista, mas foi intenso em termos de rock. Os caras ainda fizeram uma versão hardcore de “Communication Breakdown”, dos ingleses do Led Zeppelin. Para fechar, rolou canja com membros da Desenmascarado e também do Simon Chaisaw, para encerrar com “chave de ouro”.

Canibal Vegetariano

Após algumas horas de muito rock, restou a nossa trupe passar na barraquinha de “merchan”, para adquirir o vinil de Tatuagem de Coqueiro. Ainda sobrou tempo para pararmos em uma rede de fast food e comer algo para repor as energias ou apenas aquele sorvete para amenizar o calor. Mas resquícios do show ainda são sentidos, pois escrevo este texto na parte da tarde e meus ouvidos ainda estão zumbindo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Uma noite de muito rock’n’roll

Canibal Vegetariano

Nem o forte calor feito em excesso nas últimas semanas ou a falta de chuva fazem a equipe do Canibal Vegetariano ficar parada quando tem rock’n’roll de boa qualidade para rolar na região. E a noite de sábado, 8 de fevereiro prometia. Dois shows programados em duas cidades, Bragança Paulista e Campinas.
Como os eventos seriam realizados em horários distintos, conseguimos ir para as duas cidades. Nossa primeira parada foi em Bragança, onde na Casa das Mangueiras, rolaria a apresentação em comemoração de um ano da banda formada apenas por garotas, Framboesas Radioativas.
Por incrível que pareça desta vez chegamos antes do início do show w conseguimos nos alimentar e ingerir bebidas, devido ao calor, para tentar amenizar os efeitos do clima extravagante que tem rolado ultimamente.

Canibal Vegetariano

Após algum tempo de espera o power trio feminino ocupou o palco do local e passaram a tocar bom rock’n’roll. As gurias mostraram que, mesmo sendo bem jovens e apenas um ano com banda, quem conhece rock e tem vontade faz a “parada” acontecer. Com bons riffs e uma mistura de pop, rock e punk, elas fizeram uma apresentação simples e direta como tem que ser o rock, sem frescuras!!! O show, além da comemoração, foi realizado para angariar fundos para gravação do primeiro álbum do trio.

CAMPINAS

 Canibal Vegetariano
 Assim que a apresentação das Framboesas terminou nos encaminhamos para Campinas, onde acompanharíamos o show de uma das bandas mais interessantes do cenário independente nacional, Macaco Bong.
Ao chegarmos no tradicional Bar do Zé foi inevitável tomar uma gelada devido ao imenso calor que fazia, mesmo sendo quase meia noite. Depois de nos hidratarmos e fazer uma leve alimentação, fomos para a pista, para se posicionar para fotos.
Canibal Vegetariano
A apresentação começou como era esperada e o rock’n’roll foi a  tônica do início da madrugada. Com um som muito peculiar, os matogrossenses mostraram como se faz rock instrumental. Com som alto, bateria precisa, baixo marcantes e a guitarra com estilo que lembra o psicodélico, o show dos caras mostrou que a banda chegou onde está por muito mérito, pois não é todo dia que se vê músicos com tanta técnica que fazem rock de primeira qualidade, com alma!
Depois de uma apresentação que nos deixou com sorriso de orelha a orelha, só nos restou quitar a conta e voltar para casa com bela brisa da madrugada que ajudou a relaxar e nos preparar para próxima semana, pois o rock’n’roll não para.