domingo, 1 de fevereiro de 2015

Gritando HC: duas décadas de hardcore

Canibal Vegetariano
Os paulistanos do Gritando HC completam 20 anos de carreira neste ano e devido a importância da data e da banda para o cenário independente nacional, a equipe do Canibal Vegetariano conversou com Lee, vocalista da banda, em uma noite de outono de 2014, antes de uma apresentação da banda em Campinas. Em seu relato, a vocalista falou sobre a trajetória da banda, a perda de Donald e os caminhos que pretendem trilhar.

Balanço dos 20 anos
Agora que deu um estalo, pois vivemos e passamos por muitas etapas. Tivemos duas fases distintas, cerca de dez anos com o Donald e praticamente dez com esta formação atual. O que passou neste tempo colho agora as respostas.

Manifestações
As manifestações despertaram as pessoas, principalmente os mais jovens. E a música punk, hardcore gera protesto. Este período foi fértil, pois a cena teve uma certa quebra com a chegada do emo. Houve novamente a junção do skate com a música, assim como ocorria no final dos anos 80, então em nossa música, esses dois elementos sempre estiveram juntos, mas esse conceito havia sido perdido e houve um resgate, mesmo com a queda musical, o skate continuou forte e se manteve e a junção que houve novamente se encaixou e há cerca de dois anos vejo esse reflexo.

Canibal Vegetariano

Perda do Donald
Falando por mim, quando entramos nessa fase foi foda, o chão se abriu. Além de estarmos juntos desde o início da banda, éramos noivos, começamos a namorar e veio a banda. Houve um peso pessoal muito grande. Em relação a banda, no momento do choque, não sabia o que fazer, pois Donald era muito ativo. Logo em seguida ao que houve, Ritchie, nosso baixista, chegou um dia e disse que Donald pediu para que caso algo ocorresse com ele, não era para banda parar. Ele morreu em 21 de setembro de 2001. Em seguida, houve dois shows em Santos, quase não fui, mas compareci e tive apoio de muitos amigos.
Seguimos até 2003 e a banda cresceu, foi uma época que tivemos produtor pela primeira vez e aprendemos sobre vários assuntos relacionados ao nosso som. Em São Paulo tive alguns problemas e não consegui processar a morte dele mas continuei com o trabalho. Mas a situação chegou a um ponto que o fato me cobrou e depois de alguns shows pelo Nordeste neste mesmo ano, resolvemos dar um tempo. E o curioso é que três anos depois, voltamos a fazer show e foi no Nordeste, onde havíamos parado e onde fechamos a atual formação.
No tempo dado pela banda, fui estudar no IGT e foi algo bem legal, dois meses depois das aulas consegui tocar com o pessoal do Dead Kennedys, que é uma puta influência. Depois do retorno da banda, lançamos o álbum 'Fase Adulta', em 2011, que é o registro com um hardcore mais pesado, pois foi uma época de revolta. Agora para este ano pretendemos gravar um novo disco, vamos preparar uma demo profissional. Também pretendemos gravar um documentário, para que sirva de incentivo à galera, pois toda banda precisa de referência e podemos dizer que hoje somos. É legal o saudosismo de ouvir bandas antigas, mas o passado já foi. Tem galera que para de ir no rolê, para no tempo e não conhece mais as pessoas, é isso que queremos estimular, que as pessoas saiam.

Canibal Vegetariano
FUTURO
Quero continuar a fazer meu som, fazer parcerias e batalhar pela cena que é bacana e independente, com muita coisa boa rolando. Vamos continuar com o som, produzir discos. Precisamos de uma aposta sincera mesmo com um mercado ruim. Digo isso pois tudo é muito caro em nosso país, transporte, custo para manter a banda. E além disso, em São Paulo, temos as turmas muito divididas, precisamos de um lance mais conjunto, como ocorre em outras regiões, o lance dividido não dá muita visibilidade.

MULHERES
Sempre houve algumas mulheres no rolê, mas tá melhorando, apesar de ainda ter uma participação mínima. Onde falta mulher é no lance de produção de shows, temos muitos homens nesta área, cerca de 90%. As mulheres trabalham em produção de banda, mas de shows, é muito raro. No estilo hardcore também são poucas, além de mim dá para contar nos dedos, é muito pouco. Elas estão em bandas mais calmas.

Canibal Vegetariano

MUDANÇAS
Em relação a shows considerados grandes e convites para festivais melhorou muito. Mas o mercado independente precisa de espaço para show, festivais, principalmente para apresentações menores, que o mercado ainda é ruim. Para termos força, precisamos de festivais com bandas conhecidas para levar público, mas pelo que tenho visto, acredito que teremos melhorias no futuro.

MENSAGEM
Aos leitores e também aos novos leitores do zine e de outros zines, afirmo que isto é um material funcional e essencial desde sempre, pois é a mídia que está lá. Espero que esse movimento continue e valorizem a informação e quem ainda não conhece, entre em contato, procure saber como funciona, faça parte disso e aposte nas ideias.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Ex-vocalista do Iron Maiden se apresenta no 'Grito Rock Bragança'


No sábado 31 de janeiro, o ex-vocalista do Iron Maiden, Blaze Bayley, se apresentará em Bragança Paulista, na sexta edição que o município recebe do Grito Rock. Na "terra da linguiça", o evento será realizado pelo Edith Cultura em parceria com o coletivo Fora do Eixo. O evento está marcado para 17h no Ciles dos Lavapés com entrada gratuita. Além do ex-Iron Maiden, haverá apresentações das bandas Holder of Souls, Clan of Madness e Nuclear.

Produzido de forma colaborativa desde 2007, o formato permite que a cada edição mais produtores compartilhem experiências e fortaleçam a cadeia produtiva da música local. Nos últimos dois anos (2013 e 2014) o Grito Rock envolveu produtores de mais de 40 países, tendo edições em toda a América Latina, Europa e África. Além disso, mais de 300 cidades brasileiras receberam o Festival.

Bayley é vocalista desde o início da década de 80, do século passado, com a sua banda Wolfsbane, mas é bem mais conhecido como frontman do Iron Maiden nos cinco anos de ausência de Bruce Dickinson. Nos anos 90, Bayley gravou dois álbuns com a banda: "The X Factor" e "Virtual XI". Contestado por muitos fãs, mas com bastante presença, Bayley deixou o Iron Maiden em 1999, quando Dickinson retornou, seguiu carreira solo com bandas próprias (BLAZE, Blaze Bayley Band e diversas parcerias). Após sua fase no Maiden, o cantor lançou seis álbuns de estúdio.

Divulgação

Serviço:Grito Rock Bragança Paulista 2015
31 de janeiro - 17h - Ciles do Lavapés - Grátis
Blaze Bayley
Holder of Souls
Clan of Madness
Nuclear

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Quintal do Gordo a ‘mil graus’

Canibal Vegetariano
O Quintal do Gordo e o selo Equivokke Records realizaram o 3º Ato do “Equivokke Fest” em Campinas, no domingo 18 de janeiro. Para este festival, quatro bandas estavam programadas: Bad Taste (Campinas), Crânula (São Paulo), Hutt (São Paulo) e Periferia S/A (São Paulo). O “quintal” que fervilha a cada dia de evento, na data citada chegou a “mil graus”, além do clima seco e quente, as bandas fizeram com que o público agitasse e curtisse um excelente final de tarde e noite de domingo.
Mesmo com todo calor, 35º C mas com sensação de ao menos 40º C, saímos de Itatiba e chegamos ao Quintal no horário previsto para início das apresentações, 17h. Logo na chegada, reencontro de parceiros de estrada e amigos de bandas que estão sempre no trabalho de um novo álbum, EP e tudo mais. Final de tarde mesmo com calor sempre dá fome e como houve um pouco de atraso, conseguimos nos alimentar e hidratarmo-nos antes do rock!

Canibal Vegetariano
A primeira banda a tocar foi a Bad Taste. Com seu hardcore furioso, a banda foi responsável por elevar ainda mais a temperatura do quintal e rodas de pogo foram abertas. Entre músicas antigas e do novo álbum, os caras ganharam o público que ainda cantou várias canções. Artie Oliveira, vocalista da Don Rámon estava presente e deu uma canja com o pessoal da Bad Taste.
Com o público bem empolgado, os paulistanos do Crânula foram a segunda atração da noite. A banda é um power trio com algo demasiadamente curioso, mesmo sendo três na formação, eles não têm baixista. O som fica a cargo de guitarra e bateria e um vocalista que interage com o público e faz com que a maioria entre na roda. Com seu grindcore, a banda fez uma apresentação rápida, mas muito eficiente e “caiu” no gosto da galera.

Canibal Vegetariano
A terceira seria a Hutt. Problemas com o equipamento de baixo fez com que a apresentação tivesse início com mais de meia hora de atraso. O calor seguia e isso não foi motivo para esfriar o público que aproveitou para deixar o papo em dia. Com tudo resolvido, o massacre aos ouvidos mais sensíveis teve início mas como no local muitos estão acostumados, a alegria retornou e as rodas foram abertas com mais pessoas. O destaque da banda, que tem muita competência, fica para o baterista que exibiu técnica invejável, principalmente em relação a velocidade como executa as canções.

Canibal Vegetariano
Passava-se das 22h e o clima estava mais quente do que o normal para o verão brasileiro e a banda Periferia S/A assumiu o palco para sua apresentação. Jovens, crianças, adultos e pessoas de meia idade estavam presentes para conferir a formação original da banda Ratos de Porão. O show foi um “arrasa quarteirão”, no bom sentido da palavra, e o público ensandecido curtiu até o final e cantou junto durante todo show.
A apresentação deu uma passada geral na carreira do grupo com músicas do início do Ratos, canções dos discos da Periferia S/A, do primeiro e também do mais recente “Fé + Fé = fezes”. O encerramento foi realizado com o clássico “Periferia” que fez pessoas que acompanhavam a apresentação assumir os microfones e cantarem a plenos pulmões. Após uma aula de “punk rock”, só nos restava a estrada e o desejo de um banho.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

100 álbuns de 2014 que você precisa conhecer


Galero, ao olhar para trás fica muito claro que 2014 foi um bom ano para a produção independente nacional. Mesmo sem holofotes as bandas fazem um belíssimo trabalho tanto no que se refere à gravações, quanto na hora de botar o pé na estrada e mostrar o que sabem ao vivo.

Para celebrar e destacar quem produziu música de alma e qualidade, alguns blogs se juntaram na tarefa desafiadora de listar 100 trabalhos de 2014 que achamos que vocês deveriam conhecer. Não se trata de um ranking. Não houve um júri elencando os álbuns por nenhum critério técnico de seleção. 

Aqui no Canibal colocamos somente as capas, endereços eletrônicos e um simples resumo para que você busque informações sobre estas bandas e digam se podem ou não estarem nesta lista.

Além do Canibal, essa empreitada teve parceria dos sites/blogs, Nada Pop, Papo Alternativo, Subverter,  Licor de Chorume, O Despertar da Revolta, Musicombo e Rock Ex Machina. A lista completa poderá conhecer nos links no final desse post.

100 álbuns de 2014 que você precisa conhecer

90.
Pastel de Miolos
Álbum: Novas Ideias, Velhos Ideais
Para ser sincero, se o leitor busca algo novo, fique longe deste novo trabalho dos caras, mas se você gosta do bom e velho punk, que rejuvenesce a cada novo registro feito com dignidade e sinceridade, você não conseguirá ouvir o "play" somente uma vez, ele dificilmente sairá de seu toca CD. Mais sobre este álbum AQUI.

91.
Harry
Álbum: Eletric Fairy Tales
Facebook | Não disponível
Destaques para faixas como "Sky Will Be Grey", "Lycanthropia", "Death" e "Shes Mad". Mais sobre este álbum AQUI.

92.
Pop Punk Academy
Álbum: Pop Punk Academy Vol. 2
"Uma excelente iniciativa do blog Pop Punk Academy, de Lupa Charleaux, chegou recentemente aos nossos ouvidos. Estamos falando da segunda coletânea organizada pelo blog e que reúne 30 bandas punks nacionais" - Nada Pop.

93.
Ralo
Álbum: Horse Music
Banda de rock Instrumental formada em 2009 que flerta elementos do Grunge e do alternativo dos anos 90.

94.
Nardones
Álbum: Vol.1: O Horror Supremo Despertou
Contos de horror, clássicos B do cinema internacional, histórias macabras e hipotéticas embalam baladas aceleradas.

95.
Leave Me Out
Álbum: Endless Maze
Banda de Minas Gerais, com peso, fúria e uma certa melancolia estão nas letras e nas melodias da Leave Me Out.

96.
Labirinto
Álbum: Massao
Um resumo bem simples: instrumental, experimental e post rock.

97.
Reduto
Álbum: O Convite
Banda carioca, nascida em 2012. Mistura rock, stoner hardcore.

98.
Plebe Rude
Álbum: Nação Daltônica
Podemos considerar a Plebe Rude independente? Talvez não, ou sim. Mas o nome do álbum já diz muita coisa sobre esse lançamento. 

99.
Titãs
Álbum: Nheengatu
Com certeza não podem ser considerados independentes, mas o novo álbum é uma volta ao velho (no bom sentido) Titãs. Cabeça Dinossauro na veia.

100.
Malvina
Álbum: Nankeen
Banda de hardcore com elementos progressivos.

O restante dessa lista você poderá conferir nos seguintes endereços:

Nada Pop (01 ao 17)
Subverter (18 ao 34)
Rock Ex Machina (35 ao 45)
Licor de Chorume (46 ao 56)
Papo Alternativo (68 ao 78)
Músicombo (79 ao 89)

domingo, 11 de janeiro de 2015

O multi-homem Xico Sá

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Jornalista, cronista, comentarista, amante do futebol, das mulheres e de boa música. Assim pode ser definido nosso entrevistado Xico Sá, um homem que desdobra-se no rádio, TV e internet. Sempre bem humorado, Xico fala de assuntos polêmicos e triviais com genialidade e simplicidade ímpar. Ao Canibal Vegetariano ele falou sobre música, jornalismo, zines, literatura e programa de TV. Confira o papo.

Canibal Vegetariano: Você comenta futebol, comportamento e assuntos diversos. Mas qual é o seu assunto favorito?
Xico Sá: Fui repórter de polícia, política, esporte, cultura... A longa experiência de redação de jornal faz da gente um especialista em generalidades, comentar qualquer e todo assunto, desde que se informe, leia muito e tenha algum humor. Tudo que falo na televisão é resultado direto do que escrevo em minhas crônicas sobre relacionamentos ou futebol – meus dois assuntos preferidos.

CV: Durante a Copa, você participou do programa “Extraordinários” que trouxe outra maneira de fazer programa de esporte. Você acredita que esse projeto terá continuidade? Como foi a receptividade por parte do público?
XS: A aceitação foi muito grande, talvez por ser aquela bagunça toda – sem mediador, sem ordem, sem censura. Por isso o programa está voltando agora em setembro, no segundo turno do Brasileirão.

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CV: Nós somos um fanzine e um blog escritos por pessoas que amam o rock’n’roll mas que não têm formação de jornalistas, mas trabalhamos com mídia. Qual importância dos blogs atualmente e como você vê esse lance de mídia ‘especializada’ independente?
XS: É a coisa mais importante do momento em comunicação. Além de um ótimo contraponto à velha mídia tradicional, ajuda essa própria mídia a tentar se renovar um pouco, dá uma espécie de “se liga” na velharia estética da imprensa. Gosto dos fanzines desde a explosão do punk no Brasil, no ABC paulista, implorava para que meus amigos de São Paulo me enviassem as publicações.

CV: A tecnologia proporcionou uma certa independência na maneira de consumir e produzir informação. Para você, isso contribui ou piora na maneira como a população recebe essa informação?
XS: Contribui e foi uma revolução. Sem essa de ficar dependente de quatro ou cinco grandes grupos que dominavam a informação no país. Hoje a coisa fragmentou geral e um blogueiro pode ser tão importante, em determinados momentos, do que um grande crítico “oficial” ou um colunista de uma grande revista.

CV: Vamos falar de cultura, área que você conhece bem. Entre vários livros que escreveu, qual você considera melhor e consegue identificar o que menos lhe agrada?
XS: O melhor é o “Tripa de Cadela & outras fábulas bêbadas”, um livrinho de contos que foi publicado pela Eloísa Cartoneira em 2009. Essa editora alternativa de São Paulo é ligada à cooperativa de catadores de papelão da cidade, os livros são confeccionados pelos próprios catadores. Esse é meu livro mais rock´n´roll, digamos assim. O que menos me agrada é o “Divina comédia da fama”, um livro mais jornalístico, escrito sob encomenda para a editora Objetiva.

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CV: Como está o mercado editorial atualmente em nosso país?
XS: Para o autor está a mesma joça de sempre, afinal de contas a gente fica com apenas 10%. Em compensação, nunca foi tão fácil e barato, graças às novas tecnologias, a auto publicação, a publicação independente ou fazer o livro apenas em e-book.

CV: Quais seus escritores favoritos e que também servem de influência? 
XS: Henry Miller, John Fante e Bukowski seguramente estão entre os preferidos estrangeiros. Dos brasileiros fico com o velho Machadão de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Sérgio Sant´Anna...

CV: Atualmente, quais bons escritores você indica para nossos leitores?
XS: Reinaldo Moraes, Joca Reiners Terron, Lourenço Mutarelli, Andrea Del Fuego, Marcelino Freire, Clara Averbuck, Marcelo Mirisola... A lista é grande.

CV: Música, o que você ouve quando está no trabalho, momentos de lazer... Gosta de rock? Cite 5 bandas favoritas ou cantores, os que mais lhe agradem independente de estilo.
XS: Sem música não tomo nem banho direito. Retomei agora meus velhos vinis e tenho ouvido muito Neil Young, Leonard Cohen, Patty Smith, Captain Beefheart, Boris Vian, Serge Gainsbourg, Wander Wildner, o Robertão de 1971, românticos antigões como Nelson Gonçalves [som do meu pai], samba-de-breque do Moreira da Silva e os primeiros discos do Mundo livre S/A [banda da qual sou parceiro em algumas letras], entre outras tantas coisas. O método tem sido pegar os vinis, limpar e botar para tocar de novo.

CV: Uma pergunta que não quer calar. Além de toda competência que você tem como jornalista, algo que chama atenção são suas camisas. Onde você as compra? E desde quando você as usa?
XS: A maioria compro em feiras do interior do Nordeste e em brechós de São Paulo.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Motim Records lança coletânea com bandas da região de Campinas


O guitarrista Gui Trento da banda Meivorts, também é o homem que comanda o selo Motim Records, na cidade de Valinhos. No final de 2014, o guitarrista lançou a primeira coletânea do selo, denominada "Motim Records Vol. 1". Com várias bandas da região campineira, o lançamento visa mostrar ao mundo bandas da região e o fanzine/blog Canibal Vegetariano bateu um papo com Gui que falou sobre o trabalho atual e outras novidades. A entrevista, na íntegra, você confere abaixo.

Canibal Vegetariano: Cara, como surgiu a ideia de criar a coletânea Motim Records? Teve alguma influência da compilação do Raro Zine somente com bandas bragantinas?
Gui Trento: A ideia surgiu ainda em fevereiro, quando o selo foi criado. Pensei em lançar ou apoiar de alguma maneira as bandas aqui da região: Valinhos, Campinas, Piracicaba, Jundiaí, Indaiatuba... tem muitas bandas de qualidade por aqui, e a maioria da galera ainda não conhece. Certamente escutei a compilação do Raro Zine, mas não teve influência direta, acho apenas que tivemos a mesma ideia de apoiar e divulgar as bandas de uma determinada região.

CV: Como foi realizada a escolha das bandas que estão neste primeiro volume?
GT: Foi uma escolha pessoal. Devo admitir que acabei escolhendo as bandas que tive mais contato neste ano de 2014, ou que mais se destacaram, dando preferência, claro, as que tem o som autoral, que estão começando e tem pouco tempo de estrada. Fiquei antenado no que tava rolando na região e tenho a consciência de que muita banda bacana ficou de fora, tive que limitar o número de participantes em 20 bandas, senão ia ficar uma coletânea muito extensa e acho que o ouvinte perde o interesse.
Evidente que as bandas que ficaram de fora estarão na próxima coletânea. Aos poucos vamos juntando e catalogando todas as bandas da região, é um trabalho árduo, como falei antes, tem muita banda legal, e todas merecem seu devido valor.
Fora as bandas aqui do interior, resolvi chamar alguns convidados especiais: F.Nick, que é um cara bem conhecido em todo o Brasil, pelo seu trabalho no FISTT e ObaShop/ObaRecords; o Horace Green, banda do Shamil, que também fez um trabalho bacana em 2014, criando o selo O Homem Coletivo. Tem também a banda Mar Morto, punk rock do litoral, vocal feminino gritado e rasgado, uma das bandas que mais gostei de ter conhecido esse ano, achei interessante ter eles nesta primeira coletânea. E a banda Angry Beavis, lá de Curitiba, que conheci no fim do ano passado, pegada melódica, vocal feminino também (sim, tenho uma quedinha por bandas com mulheres no vocal!).

CV: As bandas gravaram músicas especialmente para compilação?
GT: Não especialmente para a compilação, mas tive o prazer de pegar aquela fase mágica: a maioria das bandas estava em estúdio em processo de composição ou gravação, então tivemos a sorte de ter alguns lançamentos já nesta coletânea. Foi assim com o Inesperado, que lançamos o som "Cotidiano", o Don Ramón, com a bela canção "Pancada Violenta" e os caras do Box47, que acabaram de entrar em um processo de gravação em home studio, nos presentearam com a música "A Terceira Lei". São músicas que ainda não foram lançadas, mas eles cederam o lançamento para coletânea.


CV: Como tem sido o retorno do público e das bandas em relação a esta compilação? E como tem ocorrido a divulgação?
GT: Posso afirmar que fiquei surpreso com o sucesso da coletânea, muita gente compartilhando, e o mais interessante: pessoas que não tem banda ou não estão ligadas diretamente às bandas ou à coletânea em si, estão compartilhando o link.
Fora que recebi algumas mensagens das bandas, agradecendo por participar do projeto e por terem a chance de conhecer outras bandas da região. Tenho certeza que muitas novas amizades surgirão, partindo desse projeto.
A divulgação tá acontecendo principalmente via facebook, com as bandas e os interessados fazendo a divulgação. Temos o apoio também da Sailor Skateboard, Quintal do Gordo, Ponta Urbana e o Café in Sônia, além de vários blogs e coletivos que estão ajudando na divulgação.
Para 2015, estamos organizando alguns shows com os participantes da coletânea, uma maneira simples de integrar e divulgar ainda mais o trabalho dessas bandas.


CV: Haverá lançamento em CD ou vinil?
GT: Para este primeiro projeto, será apenas digital. Tenho planos de lançar a Motim Records Volume 2 em um formato físico, em breve iniciarei o planejamento e a seleção das bandas.

CV: E a trabalho gráfico feito pelo mestre Daniel ETE. Como foi a escolha dele?
GT: Desnecessário falar do trabalho do cara, né? É bater o olho e falar 'esse trampo é do ETE'. Sempre quis ter um trabalho da minha banda ou mesmo projeto pessoal com uma ilustração dele. Preferi não fazer a arte desta vez [como fiz com os outros lançamentos da Motim Records: o EP "Autocontrole" do Meivorts, e o EP "O quarto onde não se perdem as canções", do Melancolia Lettícia], então já tinha definido desde o início que queria um outro artista fazendo a arte da capa.
Pensei em uma imagem que retratasse bem o interior: um caipira roqueiro todo fodido. E quando conversamos, ele adorou a ideia e veio com algo ainda melhor: um caipira-zumbi! Sucesso na certa, né?

CV: Quais as novidades que a Motim Records trará para o público roqueiro em 2015?
GT: O que posso falar no momento é: no começo de janeiro lançaremos a re-impressão do "Pedaços de Carne", EP da banda Labataria [com cinco músicas bonus, que não saíram na primeira impressão], em parceria com a Putrefa Records e a Sailor Skateboard; teremos também a Motim Records Volume 2. Além disso, vamos organizar alguns shows e festivais aqui na região e, claro, selecionar mais bandas autorais que achamos interessante ter em nosso catálogo.
Fora isso, estou finalizando um projeto que estava engavetado há tempos: inspirado pelo Canibal Vegetariano, estou terminando a diagramação do meu fanzine que se chamará ". erro404", mais voltado para crônicas e textos pessoais, mas claro, terá um espaço especial para resenhas de discos e filmes que eu acho interessante.


CV: Grato pela entrevista e deixo espaço para suas considerações finais.
GT: Obrigado pelo espaço cedido Ivan, parabéns pelo programa, pelo blog e pelo zine, puta material de qualidade, sempre apoio projetos como este, feitos com o coração e a dedicação de quem ama o que faz.
Espero que a ideia da coletânea contagie os coletivos/selos/blogs da região e em breve tenhamos mais coletâneas lançadas, acho que é o formato ideal para conhecer o trabalho das bandas. Quem curtiu o som, pode procurar no facebook ou mesmo no google e se inteirar mais sobre o trabalho de cada banda.
Obrigado à todos pela confiança, parabéns às bandas pelo material de qualidade.
Baixem o disco, compartilhem, pirateie! E não esqueça de curtir nossa página no Facebook (www.facebook.com/motimrecords).
Para ouvir a coletânea acesse: https://motimrecords.bandcamp.com/album/motim-records-vol-i

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Veranópolis Rock City

Prude Fabrício
A noite de 20 de dezembro marcou dois grandes momentos para Veranópolis/RS: o primeiro show da Bikini Hunters pós gravação de seu primeiro disco que será lançado em janeiro e a primeira passagem da Motor City Madness com seu punk’n’roll sujo e psicopata pela cidade.
Após vários anos de existência, a Bikini Hunters subiu ao palco da Jailhouse para mostrar os sons do seu primeiro, e ótimo, álbum e sua já conhecida competência ao vivo abrindo com Prazer e Mais Nada e Voando Alto. Na sequência um belo cover de Tush (ZZ Top) versão bublegum mongoloide seguida pela já clássica "Hey Ho Let’s
 Go"  dos Ramones.
Agora com o disco gravado, eles limaram quase todos os covers e se focaram mais nos sons próprios, adicionando um cover do Nirvana, pois é a principal influência do Leno (baixista).
Vale notar que essa formação (apenas o vocalista Pirocca está desde o início da banda) está cada vez mais coesa. Aproveitando a presença do batera original eles tocaram "Eu não quero mais estudar" e "Eu te odeio" que fazem parte de uma demo dos primórdios da banda e que hoje destoam totalmente do restante do repertório.
No geral o show foi excelente e com o decorrer das apresentações, com certeza o entrosamento aumentara e eles vão dar muito oque falar no próximo ano.

Divulgação
MOTOR

Uma breve pausa e sobe ao tradicional palco pela primeira vez a Motor City Madness. Com um disco muito bem comentado no underground nacional eles iniciaram o atropelamento com a grande "Ms Dynamite" seguida de "Broke Again" e para mim o melhor som deles na sequência "Rope A Dope". Aí foi jogo ganho e dai em diante a banda estava tocando com uma energia e empolgação que poucas vezes vi em uma banda e prontamente correspondida pelo público presente.
Com certeza eles saíram com uma grande impressão de Veranópolis. Quem conhecia  a banda ficou ainda mais fã, mas o maior mérito deles foi com quem não conhecia os conhecia, pois foi impossível ficar indiferente a tanta energia e presença de palco da banda.  O baterista Rodrigo Fernandes estava possuído pelo "Capiroto" e espancava sem dó o kit de bateria. Uma noite inesquecível e pode-se dizer que pode marcar uma retomada no público roqueiro da cidade que foi maioria na década de 90.

Por Prude Fabrício, correspondente em Veranópolis/RS

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Música é paixão em ‘Mesmo se nada der certo’

A música e a paixão são os temas principais deste novo filme dirigido por John Carney, que também foi responsável pela direção da ótima película “Apenas uma vez”. Em “Mesmo se nada der certo”, o diretor vai mais a fundo nos temas citados e quando tudo está prestes a desmoronar, a música assume a direção da vida das pessoas e as levam para caminhos jamais imaginados.
O novo longa de Carney mostra a vida de um produtor, sócio em uma gravadora, que está em “queda livre”. O excesso de álcool, a separação da mulher e filha pesam, seu sócio o põe para correr e quando a impressão de que ele vai suicidar-se, uma música, em um bar noturno faz com que o caminho do produtor, muito bem interpretado por Mark Ruffalo, encontre Gretta, interpretada por Keira Knightley.
Enquanto a “cantora” exibia-se no melhor estilo folk, somente voz e violão, a personagem de Ruffalo ouvia bateria, violinos, guitarra, entre outros instrumentos e sentiu o cheiro do sucesso. Mas o longa não mostra somente o lado bom, exibe também os conflitos humanos, demasiado humano, entre outras questões. A convivência da filha com o pai que é um fracasso, um casamento desmoronado, uma namorada que é trocada por outra mulher entre outras obras do acaso.



A relação de pessoas ditas “perdedoras” se entrelaça pelo amor e dedicação a música. Quando tudo parece que dará errado, o inexplicável ocorre e a música salva as pessoas e dão a elas mais uma oportunidade para tentarem dias melhores. “Mesmo se nada der certo” tem músicas que vão do folk ao pop sem ser clichê e está muito longe de um longa banal.
Com ótimas canções, o filme nos faz refletir sobre nós mesmos e a maneira como lidamos com os problemas, mas o mais importante, segundo a mensagem do filme é: “Mesmo se nada der certo”, há sempre uma nova chance. Filme altamente recomendável, principalmente para quem ama boas canções.  

domingo, 7 de dezembro de 2014

Discos que você precisa ouvir antes do ano morrer

Uma vez garoto, sempre garoto!

O Satânico dr. Mao e os Espiões Secretos - Contra os coxinhas renegados inmigos do povo - Independente

O primeiro registro de Mao, após sua saída da lendária banda punk Garotos Podres, mostra que o vocalista continuará sempre sendo um "garoto podre", independente do nome da banda na qual esteja.
O primeiro registro após saída de sua banda, Mao ressurge com o quarteto "O Satânico dr. Mao e os Espiões Secretos", com 11 faixas que lembram muito os Garotos Podres, e ainda há uma faixa multimídia que pode ser vista no computador, com clipe da música "Repressão policial", que é a faixa de abertura do novo disco.
A sonoridade é a mesma que estávamos acostumados a ouvir com o Mao e as letras também mantém o padrão de críticas sociais e nonsense. Entre os destaques estão a faixa que abre a "bolachinha", "Repressão policial", "Avante camarada", "Guantanamera" e a versão de "Hospícios", da clássica banda Excomungados.
Disco gravado sem pressa, com ótima qualidade sonora, boas músicas, críticas, gozações e participações especiais de João Gordo (Ratos de Porão), Zé Márcio (Filhos do Zé) e  as digníssimas, como cita Mao nos créditos do disco, autoridades eclesiásticas da Igreja Punk do Fim de Semana (Excomungados).
Se você estava sem opção de presente para seu filho (a) ou sobrinhos (as), o novo trabalho de Mao é mais do que recomendado, com certeza fará as pessoas pensarem em muitas questões que passam desapercebidas na histeria do dia a dia.

Harry - Eletric Fairy Tales - Independente

A banda Harry comemora 30 anos de carreira no vindouro ano de 2015 e às vésperas de soprar 30 velinhas, referentes a três décadas de rock, a banda regravou as faixas de seu primeiro álbum "Fairy Tales".
A banda que antes tinha grande influência do punk e de seu eterno lema "faça você mesmo", lançou o primeiro registro em meados da décado de 80 do século 20 e na segunda década deste século (21), os caras regravaram seu primeiro disco e resolveram deixar a eletrônica de lado e mostraram as faixas com todo seu potencial rock'n'roll.
O resultado deste trabalho pode ser conferido na bolacha lançada recentemente e que além das faixas do primeiro álbum, traz músicas de outros regitros lançados na década de 80, além de uma faixa de 1979, "Lucky Guys" e "Shes Mad" (2011).
A banda oriunda de Santos mostra os passos de uma carreira construída no underground nacional, que àquela época, era muito mais difícil do que os tempos atuais. Mesmo assim, os caras subiram a serra e destacaram-se na cena paulistana e se apresentaram nas principais casas de shows. Além de conquistas sampa e o Brasil, os caras ficaram conhecidos na Europa e Estados Unidos.
Harry pode ser considerada uma banda veterana, mas a sonoridade é muito atemporal e o álbum elétrico mostra toda munição que seus músicos têm para criar boas canções de rock que agradaram muito as pessoas que gostam de garimpar novidades. Destaques para faixas como "Sky Will Be Grey", "Lycanthropia", "Death" e "Shes Mad".


Pastel de Miolos - Novas ideias, velhos ideais - Brecho Discos, Big Bross, Panela Rock

Pastel de Miolos é uma banda que em 2015 completa 20 anos de carreira mas neste ano os caras lançaram novo álbum intitulado "Novas ideias, velhos ideais". O disco dos baianos é puro punk rock, como eles gostam de dizer "punk rock como antigamente".
Para ser sincero, se o leitor busca algo novo, fique longe deste novo trabalho dos caras, mas se você gosta do bom e velho punk, que rejuvenesce a cada novo registro feito com dignidade e sinceridade, você não conseguirá ouvir o "play" somente uma vez, ele dificilmente sairá de seu toca CD.
Disco com músicas simples, diretas, sinceras, daquele jeito que gostamos, sem frescuras, sem rodeios, com bons riffs de guitarra, baixo preciso e bateria sendo "socada" sem piedade, como sempre deve ser.
Mesmo com praticamente 20 anos de carreira, a banda mostra que para música, o tempo não é importante e sim a maneira como você o sente e o encara. Os caras do Pastel souberam envelhecer, mas não perderam a "pegada" punk rock e isso você sente em todo o trabalho. Apontar alguns destaques é complicado, mas se ainda não conhece e está em dúvida em adquirir este álbum espetacular, dê uma conferida em "NIVI", "Desobediência civil" e "É essa porcaria que me faz feliz". Será o suficiente para você se arrepender em não ter adquirido este disco antes.


Tributo a Pastel de Miolos - Eu não quero ser o que você quer - Brechó Discos

Ao citar o novo trabalho da Pastel de Miolos não poderíamos deixar de ladoo ótimo tributo lançado em homenagem ao power trio. "Eu não quero ser o que você quer" tem participação de várias bandas, entre ´clássicas do punk rock como Lotomia a bandas ainda desconhecidas do grande público.
Um álbum com 34 faixas fica difícil citar algumas, mas há bandas conhecidas como Vivendo do Ócio que fez ótima versão para "Tapa na Cara". Os classudos do Lobotomia regravaram "Sete Sete". Tem também a ótima junção entre Musa Junkie e Zefirina Bomba, com "Vivendo na Cidade" e não poderia falta uma das bandas mais fodas do nosso hardcore, Leptospirose. Os bragantinos fizeram versão para "Ted, Sk8, hardcore", do jeito que eles são mestres, muito barulho e hardcore insano no talo. Corra pedir essas pérolas para seu "Papai Noel".

domingo, 23 de novembro de 2014

A 'independência' da literatura

Arquivo Pessoal
Assim como as bandas de rock, os escritores também podem trilhar o caminho da independência e com ajuda de pessoas que "respiram" literatura e porquê não dizer toda a cultura pop. Geralmente os amantes da música trilham os caminhos dos livros, cinema e moda. Para saber mais sobre uma nova maneira de fazer e consumir cultura, conversamos com o jornalista Thiago Blumenthal, que junto com os amigos João Varella e Cecilia Arbolave, abriu a banca/editora Lote 42. Para saber mais sobre o trabalho do trio, confira entrevista abaixo:

Canibal Vegetariano: Como surgiu a ideia de criar a editora Lote 42? Qual o motivo deste nome?
Thiago Blumenthal: A Lote 42 surgiu a partir de conversas sobre mercado editorial, futuro dos livros e, de como poderíamos nos inserir aí com uma proposta nova, de maneira independente e enfrentando a lógica já um pouco paralisada [e anacrônica] da produção de livros no Brasil. O nome vem, em especial, da mística do número 42: é a grande resposta para todos os segredos do universo, de acordo com o Guia dos Mochileiros das Galáxias.

CV: Como vocês escolhem as pessoas que terão obras lançadas pela editora?
TB: Uma das principais bases de trabalho da Lote 42 é a de lançar obras que tenham bom diálogo com a internet, com artistas que já estão presentes na rede, cujas obras merecem o devido tratamento no livro impresso. Hoje em dia, com a autopublicação, blogs, sites, tumblrs e afins, o artista/autor já sabe se lançar sozinho na internet. Depois é com a gente.

CV: É possível afirmar que existe perfil de consumidor da editora?
TB: Na medida em que estamos ligados em tudo o que acontece na internet e em trabalhos de qualidade ali veiculados, este é um dos pontos que mais se destacam em termos de perfil. No entanto a Lote 42 também publica obras que não saíram da internet, mas que nasceram já como formato livro. Temos um trânsito de via de mão dupla, tentando buscar esse equilíbro entre o livro impresso e a realidade virtual.

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CV: Como vocês avaliam o atual momento da literatura nacional? Tanto qualidade de obras como o mercado.
TB: Em termos de qualidade, há, como para tudo, desníveis entre obras grandiosas e outras de menos qualidade. Quase tudo se publica hoje, por diversas razões, que se explicam tanto por queda de qualidade do público-leitor como por motivos de mercado. Em 2013 o Brasil teve um boom de publicações que atingiram reconhecimento internacional, graças a um bom incentivo; em 2014 isso caiu consideravelmente. Na literatura, e na publicação da mesma, é preciso lidar com essas montanhas-russas repentinas.

CV: Comente sobre a banca que abriram recentemente na área central da cidade de São Paulo.
TB: A banca Tatuí [rua Barão de Tatuí, 275] é uma iniciativa que se propõe a reunir publicações independentes que tem pouco espaço em livrarias tradicionais. Nos últimos, nas feiras de editoras independentes em diferentes cidades brasileiras [como a Feira Plana, Tijuana, Parada Gráfica e Pão de Forma] ficou evidente como existe uma produção enorme e muito rica de novos autores, artistas e editoras. Na Tatuí, esses trabalhos encontram um espaço permanente. E também é uma forma de facilitar o acesso do público para esse tipo de publicação.

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CV: Em recente matéria  publicada na Folha de São Paulo, vocês afirmaram que ofereceriam música ao vivo. Isso já rola? Como é feita a escolha dos artistas?
TB: A banca Tatuí ainda é um projeto recém-concebido. Estamos já abertos e funcionando mas todas esses “extras” virão gradualmente, muito em breve. Daremos sempre updates de como isso funcionará em nossas fanpages no Facebook: facebook.com/lote42 e facebook.com/bancatatui

CV: Vocês são conhecidos por promoções inusitadas que fazem. Quais os próximos passos que pretendem dar com a editora e também com a banca?
TB: Manter o nível das publicações com mais espaço para a veiculação dos mesmos, não só em ambientes tradicionais como os das grandes livrarias. Recentemente a Lote 42 encabeçou a Feira Miolo(s) na Biblioteca Mário de Andrade, no Centro [São Paulo]. Foi um sucesso, com um encontro com grandes editoras independentes de livros, zines e afins. Foi também um marco histórico pois pela primeira vez na história a biblioteca terá em seu acervo obras independentes para retiradas dos cidadãos paulistanos.

CV: Grato pela entrevista, deixo espaço para considerações finais. 
TB: Obrigado a vocês pelo espaço! Thiago Blumenthal, João Varella e Cecilia Arbolave

domingo, 16 de novembro de 2014

Promoção 'Natal de saco cheio II: a missão!'


O programa A HORA DO CANIBAL completou seis anos em novembro e durante as comemorações desta importante data e com a proximidade do Natal, quem ganha brindes são os ouvintes e também leitores do fanzine/blog Canibal Vegetariano.
Para participar de nossas promoções, os interessados devem enviar frases toscas para o e-mail: zinecanibal@hotmail.com. Também valem vídeos, fotos, montagens e o que o ouvinte/leitor considerar absurdo, pois os mais criativos e toscos serão os vencedores. A quantidade de e-mail é conforme a capacidade do candidato em produzir besteiras.
Ao enviar o e-mail, o interessado em ganhar os brindes deve escrever nome completo, endereço e o combo pelo qual quer concorrer. Caso algum vencedor não seja de Itatiba, receberá o prêmio no conforto de seu lar, com tudo pago. Serão 4 combos aos interessados. Os vencedores serão conhecidos no programa de 29 de dezembro. Até o início do programa, às 22h30, é permitido o envio de e-mail para participação.
Pedimos que deixem de lado ofensas. Outras duas promoções foram canceladas devido ao forte teor de ofensas contra a presidente e outros vencedores das eleições. Críticas são bem aceitas, ofensas não!

Combo 1: 1 CD da banda Meivorts (hardcore de Valinhos) e 1 CD da banda Luta Civil (punk rock de São Paulo), 1 CD da banda Perturba (punk rock de Várzea Paulista) e 1 DVD da banda Lomba Raivosa (hardcore do ABC Paulista), 1 CD da banda Dirijo (punk hardcore Campinas),1 CD da banda Bad Taste (hardcore Campinas) e 1 CD da banda Regredidos do Macaco (rock psicodélico, setentista de Várzea Paulista)











Combo 3: 2 CDs da banda Rosa de Saron (Horizonte Azul ao vivo - O agora e o eterno), 1 CD da banda Teatro Mágico (demo), 1 DVD Teatro Mágico (Segundo ato) e 1 DVD da banda Lomba Raivosa (hardcore do ABC Paulista).







Combo 4: 2 CDs da banda Rosa de Saron (Horizonte Azul ao vivo - O agora e o eterno), 3 CDs da banda Teatro Mágico (Demo, Sociedade do Espetáculo e Segundo ato) e 1 DVD da banda Lomba Raivosa (hardcore do ABC Paulista).

A acidez viajante dos Regredidos do Macaco

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A banda de Várzea Paulista Regredidos do Macaco faz uma mistura de rock brasileiro dos anos 70 com pitadas de psicodelia. E desta fusão, sai um som original que chama atenção nas quatro músicas que os caras lançaram recentemente em um EP. Para saber mais falamos com o quinteto. O papo você confere abaixo.

Canibal Vegetariano: Por que Regredidos do Macaco e quem são os integrantes?
Regredidos do Macaco: O porquê do nome Regredidos do Macaco é uma alusão aos seres humanos que acham que estão evoluindo enquanto na nossa visão eles estão apenas regredindo, por isso somos todos regredidos do macaco e não o contrário. E também porque sabemos que se um daqueles chimpanzés ou macacos pregos empunharem instrumentos musicais, com toda certeza sairá um som melhor do que o nosso. Atualmente somos em cinco integrantes, Bitchô no contra-baixo e béck, Çimido na guitarra, Sidão nos teclados e guitarra, Overlost nos vocais e nosso novo baterista Jamil Pocastrancas.

CV: Como, quando e onde a banda foi formada? Vocês já mudaram de formação alguma vez, por quê?
RM: A banda começou da ideia de dois birutas [Bitchô e Belote] no eucalipal da Promeca, um bairro daqui de Várzea Paulista, enquanto faziam uso da terapia intensiva de canabismo. Logo acharam o terceiro bêbado [Çimido] e mergulharam na Caverna do Bin com a mais linda das intenções, ser a pior banda do mundo, fato alcançado por um tempo até que o Sidão entrou na banda e começou a adestrar os outros três macacos ensinando eles a usarem com destreza seus instrumentos. Não podemos dizer que ele obteve sucesso nessa empreitada, mas melhorou um pouquinho. Quando a banda começou ao certo não lembramos, mas deve ter sido por volta de 2011.
Conforme o jogo vai seguindo sempre mudamos a formação de acordo com o ponto fraco dos nossos adversário, já usamos o 4-4-2, o 5-3-2, o 1-6-9 e até a fatídica 1-7-1. Mas o fato é que durante esse tempo já tivemos algumas mudanças drásticas, a primeira foi quando o Sidão saiu da banda, fazendo com que voltássemos a ser a pior banda do mundo novamente por um tempo. Depois trocamos de baterista, saiu o Belote e entrou o Léli para dar um gás na banda. Nesse meio tempo a saudade falou mais alto e o Sidão retornou para nossos braços, continuamos um bom tempo nessa formação até decidirmos que teríamos que ter um vocalista, pois o Çimido já não estava conseguindo dar conta do recado, foi então que entrou nosso grande amigo [que infelizmente faleceu no início desse ano!] Kunhaque, ele ficou menos de um mês na banda, porém nesse meio tempo fizemos uma mini-tour em São Tomé das Letras, em Minas Gerais. Logo no começo do ano o Overlost assumiu os vocais e agora, logo depois de finalizarmos nosso EP que foi gravado com essa formação, tivemos uma baixa com o Léli saindo e dando lugar ao nosso novo baterista Jamil Pocastrancas.



CV: Vocês lançaram recentemente um EP com quatro músicas. Como foi a produção deste disco?
RM: Estávamos empenhados em fazer a coisa no velho esquema 'faça você mesmo', mas percebemos que não éramos muito bons nesse negócio de gravar e tal, então fomos fazendo uma pré-produção entre a gente, a produção foi sendo produzida, ou seja, produzimos mesmo. Enquanto produzíamos, o Chapola apareceu por indicação dos caras do Perturba e rolou, pois fica fácil uma combinação dessas: Ótimo estúdio, ótimo produtor e tudo bem regado a gorós não podia dar errado. Há quem diga que gravamos todas as ideias e depois pagamos para uma banda profissional tocar de um jeito que os ruídos virassem música, mas isso é uma tremenda inverdade, visto que quase não tínhamos dinheiro nem para pagar o trampo do Chapola.

CV: Como vocês escolheram as músicas para serem registradas?
RM: Foi no jogo da garrafa.

CV: Com o lançamento deste EP, como está a agenda da banda?
RM: A agenda da banda está cheia de datas a serem preenchidas. A princípios temos um show marcado no dia 16 de novembro de 2014 no Aldeia em Jundiaí, esse show será o lançamento do nosso EP e o lançamento do CD do Perturba, além de ser também o lançamento oficial do nosso selo, o Barata Discos, que estamos fazendo em parceria com o Gustavo do Metalnopombal Produções Espetaculares e os caras do Perturba.
Portanto, para quem quiser animar desde velório até espantar almas penadas de casas mal assombradas, estamos aí, é só entrar em contato conosco pelos canais disponibilizados no fim da entrevista.


CV: Onde vocês tem se apresentado e como avaliam a cena independente nacional?
RM: O Bitchô completou 18 anos e se apresentou a junta militar, o Overlost bateu a nave e teve que se apresentar ao décimo DP, enquanto a gente espera no bar do outro lado da rua. A banda tem a fama (magia?) de fechar bares por aí, onde a gente se apresenta, fecha. Os únicos lugares que estão sobrevivendo a essa sina são os que a gente tem se apresentado mais frequentemente, ou seja, Taverna Snookerbar em Várzea Paulista e no Aldeia em Jundiaí. E temos nos apresentado onde falam que a gente vai tocar, um desses lugares foi no Tendal da Lapa, projeto bacana do Rodrigo Romani e foi onde conhecemos O Livro Ata, uma puta banda de psicodelia total. Para levar a gente para tocar temos uma regra, chamou nós vamos.
A cena independente nacional está nota 7.75, logo atrás da Estação Primeira de Mangueira que está com nota 9.5 no quesito organização. Está tendo oportunidade para todos, desde que a banda corra atrás e faça sua parte, não adianta falar que a cena está ruim se quando a banda do amiguinho toca você não dá as caras, daí quando sua banda estiver tocando não adianta reclamar que ninguém aparece nos teus shows. Temos que nos fortalecer, na nossa parte como banda fornecendo músicas de qualidade para o público e o público ajudando no que der, comparecendo a shows, comprando merchs, compartilhando e chamando os amigos para os eventos, é um trabalho de formiguinha, mas é assim que estamos ajudando a cena se manter viva.

CV: Quais os planos da Regredidos para o final deste ano e para o início de 2015?
RM: Fumar muito, foder muito, beber muita 'vódega' barata, fazer um som de qualidade, divulgar nosso EP, encontrar o tesouro escondido do Pirata Barba Negra, conseguir mais de 5 fãs e já dissemos fumar? Estamos planejando fazer um intercâmbio com bandas de fora para podermos organizar algumas mini-turnês por aí novamente, provavelmente terá mais uma passando por São Tomé das Letras na virada do ano. Com o miojo de cogumelos, lógico.

CV: Agradeço pela entrevista e deixo espaço para considerações finais.
Pocastrancas: Um beijo pro meu Pai, pra minha Mãe e um especialmente pra você.
Sidão: Considero vocês pacas!
Overlost: Valeu macaquito!
Çimido: Valeu por ter aberto seu espaço para nós e sempre que quiser estaremos por aí enchendo seus sacos!
Bitchô: Um salve para Deus por ter feito a erva!

sábado, 8 de novembro de 2014

O ‘Príncipe da Maçonaria’ será encenado no teatro Ralino Zambotto

Depois do sucesso da peça “A Noiva do Defunto”, o grupo de teatro Mensageiros da Arte criou nova história com o título “O Príncipe da Maçonaria” e apresentará aos itatibenses neste fim de semana, sábado (8) e domingo (9), no teatro Ralino Zambotto. “Esta é nossa segunda montagem de circo teatro, desta vez com o título ‘O Príncipe da Maçonaria’. Nossa peça anterior fez muito sucesso em Itatiba com mais de oito sessões lotadas”, disse Ciça Cyrino, diretora da peça.
Ela também falou sobre o título e o tempo de ensaio para a apresentação. “O nome é de tradição circense, já vinha do circo. Quanto ao tempo, nos preparamos desde janeiro. E logo após a estreia em Itatiba, queremos nos apresentar pela região e Bragança deve rolar em dezembro e outras datas devem ser agendadas para 2015”, declarou.
Ciça falou ainda sobre a expectativa para estreia. “Estamos ansiosos e esperamos que o trabalho agrade o público. Mas esta é uma comédia bem diferente da primeira. A expectativa é boa e acredito que vamos estrear com casa cheia no sábado. Penso que precisamos divulgar mais esse tipo de arte também”, afirmou.
A primeira peça do grupo foi “A Noiva do Defunto”. Assim como na montagem anterior, esta nova peça também terá participação de músicos no palco. “Teremos músicos ao vivo com participação do sanfoneiro Adolf e do João La Fúria que faz sua estreia, com seu violão, no teatro”, declarou.
A peça será encenada no teatro Ralino Zambotto. Os ingressos custam R$ 20, sendo R$ 10 para crianças até 12 anos, estudante com carteirinha e idoso. Eles podem ser adquiridos na escola Instituto Cultural IberoAmericano. Mais informações pelos telefones: 4534-2518 ou 98964-3792.

Serviço
“O Príncipe da Maçonaria”
Apresentação: hoje e amanhã, às 20h
Local: teatro Ralino Zambotto
Direção: Ciça Cyrino
Assistente de direação: Rogério Lopes Rodrigues
Produção: Ciça e Rogério
Preço: R$ 20; R$10 crianças de 12 anos, meia estudante com carteirinha e idosos também
Ponto de Venda: Instituto Cultural Iberoamericano; rua Benjamin Constant, 974 – Centro


domingo, 2 de novembro de 2014

Mao retorna ao punk rock com nova banda

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Dois anos após o “racha” da banda Garotos Podres, Mao, vocalista e compositor das principais letras, retorna ao punk rock com novo projeto “O Satânico dr. Mao e os Espiões Secretos”. Em entrevista ao zine/blog Canibal Vegetariano, o eterno “garota podre” falou sobre a separação da banda e do novo projeto que tem disco no mercado.
Para Mao, o novo projeto é decorrente da separação de sua antiga banda. “Houve o racha em 2012 mas não lançávamos nada desde 2003. Nosso último registro havia sido o Garotozil de Podrezepam. Isso demonstrava que as coisas não iam bem com a banda. Houve o lançamento de um Split com Albert Fish, mas sem nada inédito”, comentou Mao.
Sobre a separação, Mao não entrou em detalhes mas disse que ainda rola alguns processos na Justiça. “Houve ameaça e ao invés de seguir com o nome antigo, preferi entrar com pedido de registro, sou o fundador da banda. Mas para evitar mais problemas criei o dr. Mao como se fosse um projeto paralelo enquanto o processo referente ao Garotos está na Justiça”, destacou o vocalista. “Por enquanto seguiremos com este nome mas poderemos voltar a usar o anterior”.

SOM



Em relação ao novo projeto, Mao afirma que ele é praticamente a continuação dos Garotos Podres. “Faço o mesmo tipo de som com as mesmas temáticas nas letras. Nessa oportunidade não fizemos shows. Após início do projeto apenas ensaiamos as músicas novas. Com tudo bem ensaiado, fomos para o estúdio e gravamos tudo com muita calma. Não podemos ter pressa, temos que fazer tudo passo a passo”, explicou.
O primeiro álbum da banda O Satânico dr. Mao foi lançado em 1º de outubro e de acordo com o vocalista, tem sido muito bem recebido pelo público. “Lançamos na data de comemoração da Revolução Chinesa. São dez músicas inéditas e um vídeo para computador. O vídeo teve repercussão muito bacana nas redes. Sobre o CD, acredito que ficou muito bom, tem tido muita procura e isso é animador, afinal, muitos jovens não sabem o que é comprar CD, eles nasceram com tudo para baixar e mesmo assim pedem o disco”, revelou Mao.

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Os shows da banda devem ocorrer somente em dezembro. “Devemos fazer os primeiros shows onde tocaremos todas as novas músicas e vamos misturar clássicos dos Garotos. Há um ano e meio o público vem sendo esclarecido sobre o que houve com a separação da banda e a maioria entendeu que somos a continuação enquanto escorraça o outro grupo que usa o nome antigo”, finalizou o vocalista.