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terça-feira, 23 de abril de 2013

Arte feita com bom humor


Rodrigo Birai
 Hoje nós deixamos um pouco a música de lado para falar com um rapaz que há anos se dedica a arte dos quadrinhos, charge, caricaturas, entre outras expressões artísticas. Cléverton Gomes é o cara que com traços finos e rápidos, faz caricaturas de anônimos e famosos e surfa na onda da ironia e crítica social, com charges sempre relevantes e atuais. Para saber mais sobre este tipo de arte, conversamos rapidamente com o homem da prancheta.

Canibal Vegetariano: Cara, como pintou o desenho em sua vida? Quais são suas influências?
Cléverton Gomes: Desde criança curto muito fazer desenhos em geral. Enquanto a galera jogava futebol, eu desenhava. As influências são as mais diversas que se possa imaginar. Desde Maurício de Souza, Ziraldo, irmãos Caruso, Ique, J. Carlos, Wall Disney, a pintores como Monet, Van Gogh, Da Vinci, Rembrant, Picasso, entre outros. Gosto de arte em geral e procuro variar estilos sempre que posso.

Rodrigo Birai
CV: E o lance das caricaturas, desde quando você as desenha e o que ainda pode ser aperfeiçoado?
CG: As caricaturas surgiram naturalmente. Como falei, entre as diversas tentativas de variar estilos comecei a fazer caricaturas ainda criança e não parei mais. As pessoas que acompanham meu trabalho incentivaram a divulgar esses desenhos que hoje são feitos em menos de um minuto, mas tenho muito o que melhorar, nunca sabemos tudo.

CV: Como é a reação de quem você desenha? Conte algo inusitado que já lhe ocorreu durante seu trabalho.
CG: Já desenhei muita gente, nas mais diversas situações e lugares e ainda pretendo fazer isso o resto da minha vida. É muito legal ver a reação da pessoa desenhada, muitas vezes ela se identifica de tal forma que coloca seu desenho em uma moldura, faz uma camiseta personalizada, entre outras possibilidades. Certa vez participava de um programa de rádio, quando de repente o  locutor falou: "Quem ligar agora ganhará uma caricatura falada", ou seja, uma espécie de retrato falado em forma de caricatura. O ouvinte passou o perfil físico da pessoa e fiz o desenho. Mais tarde a ouvinte foi até a rádio para retirar o desenho e segundo ela, a caricatura ficou parecida com a pessoa.

Rodrigo Birai
CV: Você faz muitas caricaturas de artistas, como eles veem esse tipo de arte? E como foi desenhar a galera do 'Ícones dos anos 80'?
CG: É muito bacana ter contato com as pessoas em geral, pois se percebe de imediato como a pessoa se sente ao ver sua imagem em forma de desenho. Quando tenho a possibilidade de desenhar artistas de grande repercussão e se deparam com as mais diversas situações, noto que eles também gostam muito do traço e da rapidez que o trabalho é feito. Normalmente o contato com esses artistas é bem rápido e eles curtem muito a possibilidade de serem  caricaturados ao vivo em segundos e levar essa lembrança para casa. Sobre o pessoal dos anos 80, me senti muito privilegiado em desenhar esses artistas que marcaram época no cenário musical nacional. Cresci ouvindo essas músicas e já os desenhei várias vezes, desde a minha infância, antes de vê-los pessoalmente. Estar frente a frente com Kid Vinil, Kiko Zambianchi, Guilherme Isnard, George Israel entre outros e desenhá-los, foi show! 

CV: Nesse dia, você de caricaturista deixou a prancheta e foi desenhado. Como é a sensação de estar do outro lado? E o Guilherme Isnard, leva jeito para isso?
CG: Cara, foi muito legal. Assim que terminei a caricatura do Isnard, ele pegou a prancheta das minhas mãos e me disse: "agora sou eu que vou desenhá-lo" e assim o fez. É interessante estar do outro lado da prancheta...(risos). Curti demais o desenho e a humildade do Isnard que se mostrou um bom caricaturista.

CV: Como é o mercado de caricaturas no Brasil? Você já esteve no exterior, como é o esquema por lá?
CG: Hoje se popularizou mais as caricaturas no Brasil, após o longo periodo histórico de censura no País, as pessoas vem se simpatizando com esse estilo artístico. Mas ainda tem muito o que melhorar. O Brasil ainda está em atraso nessa área cultural. Outros paises já valorizam a arte muitos anos antes e com certeza veem o valor dessas obras com outros olhos. Eu, como tantos outros profissionais, faço minha parte para que essa linha do humor e arte faça cada vez mais parte de nossas vidas.

CV: Como o brasileiro trata a arte, de maneira geral?
CG: O brasileiro é sensacional se tratando de bom humor e criatividade e isso ajuda demais na criação de trabalhos artísticos, porém a valorização da arte no País ainda é muito banalizada. É interessante que os educadores de maneira geral aplique com mais frequência a importância da arte e não deixe que a população apenas a veja como 'algo bonitinho'. A arte deve ser analisada, interpretada e discutida, pois mostra visões variadas, muitas vezes, de situações que deixamos passar despercebidas.

Rodrigo Birai
CV: E as charges, muitas delas polêmicas, de onde surge ideia para este tipo de 'notícia' resumida com humor e quase sem palavras?
CG: As ideias para montar uma charge surgem de situações diárias. Desde assunto políticos de grande destaque a momentos do dia-a-dia. Histórias contadas pelas pessoas também auxiliam na criação dessas charges. É necessário estar atento aos assuntos variados para elaborar uma charge. E legal ver a satisfação das pessoas ao verem e comentarem esse trabalho de rápida interpretação.

CV: Valeu pelo papo, deixo espaço para suas considerações finais e faça seu merchan.
CG: Gostaria de agradecer ao Canibal Vegetariano pela oportunidade de falar um pouco sobre meu trabalho. E gostaria de aproveitar a oportunidade de convidar a todos para que conheça um pouco mais do trabalho de Cleverton Gomes através do blog: www.clevertoncaricaturas.blogspot.com, também no facebook - Cleverton Gomes e do grupo 'O Cleverton já me desenhou'. Quem curtir vídeos, tem uma page no youtube: www.youtube.com/clevertonnaweb. O telefone para contato é o (11)9 9708-9601. Abraço a todos e até a próxima.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Uma viagem no tempo

Canibal Vegetariano
Sem sair do lugar, público que esteve na Festa do Caqui sexta-feira pode voltar aos anos 80 e curtir grandes hits da época ao som de vários artistas
Canibal Vegetariano

                Vários artistas que fizeram história nos anos 80 se apresentaram durante a quarta noite da 11ª Festa do Caqui, realizada em Itatiba. Sem sair do lugar, o público presente cantou e relembrou canções que marcaram a história do cancioneiro popular.

                Escalados para participar da festa estavam Kid Vinil, Kiko Zambianchi, George Israel, Marcelo Nova, Ritchie e Guilherme Isnard. Os artistas foram acompanhados por músicos que integram as bandas Pato Fu e Ultraje a Rigor, entre os mais conhecidos estava o baixista Mingau, que tocou com nomes importantes do punk brasileiro nos anos 80, como Ratos de Porão, Inocentes e 365.
Canibal Vegetariano

                O primeiro a subir ao palco foi o inglês radicado no Brasil, Ritchie que levou o público ao delírio com suas canções mais conhecidas como “A vida tem dessas coisas” e “Menina veneno”. Na sequência veio Kiko Zambianchi, que com seu bom humor habitual conquistou a galera e fez a galera cantar “Rolam as pedras”, “Primeiros erros” e relembrou músicas de sua autoria regravadas por outras bandas do cenário do rock nacional. Assim que Kiko deixou o palco, foi a vez de Guilherme Isnard tomar conta do microfone principal e trazer a 
lembrança de canções de sua banda Zero, principalmente da música “Quimeras”.
Canibal Vegetariano 

                George Israel foi o quarto a se apresentar e o saxofonista da banda Kid Abelha fez o público relembrar músicas de bandas como Barão Vermelho, do cantor e compositor Cazuza e também de sua banda, como “Eu tive um sonho”. Antes de sair do palco, o músico dividiu espaço com a quinta atração da noite, Kid Vinil. Juntos, Kid fez a parte de saxofone no mega hit “Tic tic nervoso”.
                Ainda no palco, Kid mandou o maior sucesso de sua carreira “Sou boy”. Ele relembrou um dos maiores hits da década de 80 “Até quando esperar”. Kid também deu início a música “Aluga-se”, de autoria de Raul Seixas, no meio da canção, ele deixou o palco e o final ficou a cargo de Marcelo Nova, vocalista da banda Camisa de Vênus.
Canibal Vegetariano

                Além de “Aluga-se”, “Marceleza” ainda executou “Simca chambord”, “Só o fim” e relembrou uma música sua em parceria com “Raulzito”, “Pastor João e a Igreja invisível”, onde com uma garrafa d’água, fez menção de ser água benta e jogou para abençoar (ou amaldiçoar?) o público. 
Canibal Vegetariano
Ao final, sem Marcelo Nova, os outros cinco nomes voltaram ao palco e juntos relembraram “Ciúme” da banda Ultraje Rigor e fecharam a noite com “Meu erro” dos Paralamas do Sucesso.






sexta-feira, 12 de abril de 2013

As pedras ainda rolam


Divulgação
Kiko Zambianchi é músico de Ribeirão Preto e fez parte da geração rock 80. Autor de hits que marcaram época, cantor e compositor falou ao Canibal Vegetariano sobre sua carreira de 29 anos, sucesso, as novidades que estão por vir e também sua paixão pelo Santos Futebol Clube. Abaixo você confere entrevista na íntegra e algumas músicas famosas do compositor. 

Canibal Vegetariano: Kiko, como você resume seus 29 anos de carreira? Se pudesse voltar no tempo, mudaria algo?
Kiko Zambianchi: Mudaria várias coisas, mas estou satisfeito com o rumo que a minha carreira tomou. Tive meus altos e baixos mas, sabendo das dificuldades de vencer como artista no Brasil, me considero um vencedor.

" Gostaria que o rock no Brasil fosse mais unido"

CV: Nos anos 80, não havia facilidade para se comunicar. Como foi começar a carreira em Ribeirão Preto?
KZ: Comecei a dar os primeiros passos da minha carreira em Ribeirão mas foi em São Paulo que tudo aconteceu. Em Ribeirão participava de festivais e fiz meus primeiros shows com a banda que tinha chamada "Vida de Rua". Era mais complicado gravar e mostrar o seu trabalho na época, mas tínhamos diretores artísticos e eles faziam uma triagem do que seria lançado no mercado. Essa era a meta de qualquer artista que estivesse começando.

CV: O que te levou a ser músico? Quais são suas principais influências?
KZ: Meu pai sempre me fez escutar música clássica e durante minha infância toda, ouvi todos os compositores clássicos ao mesmo tempo que ouvia nas rádios as primeiras músicas dos Beatles. Depois os Rolling Stones, Secos e Molhados, Rita Lee, Caetano, Gilberto Gil. Toda aquela miscelânea musical dos anos 80 foram influências na minha vida.


CV: Fale um pouco sobre seu trabalho acústico, gravado em Ribeirão. Tem previsão de lançamento? Como rolou a ideia para gravar esse disco?
KZ: Primeiramente, esse disco seria um DVD, mas como tivemos problemas com as imagens, ele virou um CD. Gravei músicas que fizeram parte da minha carreira e algumas inéditas. Foi muito legal gravar esse disco e a ideia apareceu depois que notei que era um dos poucos que não havia lançado um disco acústico.

CV: Depois deste trabalho, você pretende seguir esta linha ou voltará para o "rock'n'roll"?
KZ: Estou louco pra tocar guitarra… acho que nem vou aguentar por muito tempo sem usar a minha 335 nos meus shows. Violão é o meu instrumento, adoro tocá-lo nos shows, mas estou com saudades de fazer mais barulho e o próximo disco vai ter muita guitarra.

CV: Sobre o show que você participará em Itatiba hoje, com vários ícones dos anos 80, como você avalia essa reunião?
KZ: É muito bacana reunir amigos e poder fazer um show dividindo a responsabilidade com eles. Quando comecei a fazer esse tipo de show, achava estranho, mas com o tempo acho que me acostumei com a ideia e hoje gosto bastante. Todos os show que fazemos acabam com uma grande festa e é isso que mais importa para qualquer artista.

CV: O que você pretende apresentar ao público?
KZ: Nesse show toco quatro músicas, às vezes cinco, e faço as minhas mais conhecidas mais um cover da Legião.

CV: A regravação de Hey Jude foi um sucesso enorme no final dos anos 80? Ele estará neste show? Esse sucesso da música, mudou algo para você? O quê?
KZ: Ela foi gravada em 1990 e por essa razão a música não faz parte desse show (risos). Essa música foi gravada para fazer parte da trilha sonora de uma novela da Globo, chamada "Top Model", e para a novela foi melhor do que para mim naquele momento. Preferiria continuar subindo as escadas degrau por degrau, mas essa música foi um sucesso tão grande que desestruturou um pouco minha carreira. Hoje em dia já não tenho tantos problemas em relação a ela, mas na época não gostei de ter gravado e não esperava tanto sucesso.


CV: Quais suas cinco bandas clássicas do rock nacional e o que você tem ouvido atualmente?
KZ: Não tenho ouvido muitas bandas, mas gosto e sou amigo de mais do que cinco bandas, então prefiro deixar em branco essa questão. Gostaria que o rock no Brasil fosse mais unido e voltasse a trabalhar pela música nacional. Estamos precisando de pessoas que tenham essa noção.

"Violão é o meu instrumento, adoro tocá-lo nos shows, mas estou com saudades de fazer mais barulho" 

CV: Uma pergunta sobre futebol. Como você se tornou santista?
KZ: Eu nasci em 1960… tinha jeito de torcer pra outro time? Me tornei santista por que quando era criança meu padrinho levou eu e meu irmão na Vila Belmiro e eu fui recebido pelo Pelé, no meio do campo!! O que mais uma criança precisaria para começar a torcer pelo Santos??

CV: Agradeço pela entrevista e deixo espaço para suas considerações finais.
KZ: Abraço.