quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Promoção Natal de Saco Cheio, resenha da vencedora

Como prometido nesse blog, estamos divulgando a resenha vencedora da promoção de Natal da Nova Rádio Web em parceria com o blog/zine Canibal Vegetariano. Quem levou o saco cheio de CD’s, DVD’s, camisetas e livro foi a ouvinte Mariana Sesti, de 14 anos. Segue abaixo o texto vencedor.

"Não tenho o que falar, o festival estava demais, assisti a apresentação de todas as bandas e curti demais. Eu adorei, todas tocaram super bem e os integrantes são super legais e simpáticos, garanti o CD de várias delas, não de todas, infelizmente. Indiquei amigos para também entrarem no caminho do rock’n’roll e aproveitarem as melhores bandas independentes.

A banda que eu mais gostei foi a Lunettes. É uma banda super legal e super feminina, só um homem, que engraçado. Já a Mão de Vaca era a mais louca e também tocaram super bem. A Banda Racha Cuca é muito porra louca, já a Drákula não tem nem o que falar, é muito maneira, além do som, eles usuram máscaras. A The Beber’s Operários fez um show empolgante e super legal. A Monaural também tocava super bem e a Sprint 77 fez um som muito massa e teve participação da galera que estava no local.

O evento começou as 14h e foi terminar às 22h30, mais ou menos, eu participei do começo ao fim e amei, podem garantir meu ingresso de qualquer evento dessas bandas, pois gostei muuito e vou sempre que tiver. Bom, enfim quero dizer que amei o evento, as bandas estão de parabéns e espero ganhar o saco cheio, pois acho que mereço. Boas festas".

Mariana Sesti

Mariana Sesti provando que esteve presente no 2º Grito Urbano. Ao fundo, apresentação da banda Mão de Vaca

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Nas trincheiras da cultura, Moacyr Scliar fala sobre sua vida e obras

Para encerrarmos muito bem 2009, nós do blog/zine Canibal Vegetariano, entrevistamos um dos escritores mais famosos e reconhecidos do Brasil. Autor de livros como o "Exército de Um Homem Só", Mês de Cães Danados", "Max e os Felinos" e "Centauro no Jardim", o escritor, médico e professor Moacyr Scliar, falou sobre seus vários trabalhos e contou um pouco sobre seu ponto de vista político.

Canibal Vegetariano: Faça uma apresentação de sua pessoa para nosso leitores.
Moacyr Scliar: Sou porto-alegrense, filho de imigrantes pobres, médico, escritor e uma pessoa extremamente simples.

CV: Com quantos anos o senhor escreveu sua primeira obra? E desde qual idade o senhor é escritor e o motivo que o levou a escrever?
MS:
Escrevo desde a infância, estimulado por uma mãe professora que era grande leitora. Minhas primeiras histórias eram narrativas de criança, mas quando entrei na Faculdade de Medicina surgiu uma nova temática na qual se baseou "Histórias de médico em formação", meu primeiro livro de 1962.

Arquivo Pessoal
Moacyr Scliar já conquistou vários prêmios de literatura e tem várias de suas obras publicadas em vários países

CV: Como é a vida de escritor no Brasil, um País em que as pessoas não tem o hábito da leitura? E de onde vem a inspiração para suas estórias?
MS: É certo que no Brasil ainda se lê pouco, mas tenho muitos leitores, sobretudo entre o público juvenil. E baseio minha ficção numa variedade de fontes: episódios históricos, notícias de jornal, pessoas que conheci, a Bíblia...

CV: Além de escritor, o senhor é médico e professor universitário. Qual a opinião do senhor, sobre a educação e saúde no Brasil? E o nível cultural das pessoas, o senhor acredita que atualmente é muito diferente de quando começou a publicar seus livros? Melhorou ou piorou?
MS: O Brasil tem muitas deficiências, tanto na área da saúde como na da educação, mas melhorou muito. Os dados mostram que os brasileiros vivem mais, se alimentam mais, lêem mais.

CV: Qual sua opinião sobre o governo Lula? E o que o senhor pensa desses presidentes, como Chaves e Evo Moralez e outros da América do Sul, que defendem a censura, a orgãos de imprensa, entre outras arbitrariedades?
MS:
No presidente Lula admiro sua empatia para com a população, mas acho que às vezes fala de forma precipitada. E como alguém que viveu sob a ditadura, não posso concordar com atitudes anti-liberdade de imprensa, como as de Chavez.


A obra "Mês de Cães Danados", como em muitos textos do escritor, mistura realidade e ficção


CV: Com a cena política atual da América do Sul, o senhor acredita que nós possamos viver novamente um período de autoritarismo como a Europa viveu entre as décadas de 20 e 40 do século passado, com tiranos como Hitler e Mussolini?
MS: Não, não acredito. Acho que aprendemos nossa lição.

CV: Mudando de assunto, o senhor é membro da Academia Brasileira de Letras há quase 10 anos, tem vários livros publicados no Brasil, em vários estilos, tem obras publicadas em mais de 12 linguas diferentes. O senhor acredita que seu trabalho tem o devido reconhecimento em nosso País? E como suas obras foram recebidas pelo público do exterior?
MS: Sou daqueles escritores que não têm do que se queixar: fui, sim, reconhecido em meu País e no exterior. E é muito gratificante viajar para um País como os Estados Unidos e discutir com leitores, sobretudo jovens, literatura brasileira, o que é um aprendizado para eles.

CV: Alguns de seus livros são citados em algumas músicas, principalmente dos Engenheiros do Hawaii, casos como "O Exército de Um Homem Só", que inclusive é o título da canção e tem a música "Descendo a Serra", em que Humberto Gessinger cita "Mês de Cães Danados". Como o senhor se sentiu quando ficou sabendo e ouviu essas citações? E o senhor acredita que música e literatura podem "caminhar" juntas?
MS: Não tenho dúvidas de que literatura e música podem se associar, e no Brasil isto é muito comum. Para mim é motivo de orgulho; acho que um bom compositor é tão importante quanto um bom escritor.


O título do livro é citado pela banda gaúcha Engenheiros do Hawaii, em uma de suas canções e dá nome a ela. A música é uma das mais populares da banda


CV: Exército de Um Homem Só é um de seus livros que foi escrito há quase 40 anos e continua atual até hoje. Como o senhor explica esse fenômeno? E ele é um de seus preferidos, pois o senhor cita-o bastante na obra "Enigmas da Culpa".
MS: Sim, "O Exército" é muito lido, e acho que é por causa do tema: ele fala da revolta contra a injustiça, do desejo de mudar o mundo, coisas que para minha geração eram tremendamente importantes. O nosso sonho desmoronou, mas acho que os ideais atrás dele permanecem válidos.

CV: Falamos sobre música e literatura. Além dos Engenheiros, há várias bandas que gravam discos e músicas baseados em obras literárias, além de músicos que escrevem livros e se manifestam através de outros tipos de arte, um exemplo é o Arnaldo Antunes. Com tudo isso, na sua opinião, qual seria o motivo para termos poucos leitores e novos escritores com obras interessantes?
MS:
O Brasil tem um longo passado de analfabetismo, do qual apenas agora estamos saindo. Mas o número de leitores vem crescendo, e entre os jovens escritores há gente com muito talento.

CV: Uma de suas obras, Sonhos Tropicais, foi adaptada para o cinema. Como o senhor vê essas adaptações que são muito comuns no exterior, aqui ainda não, e qual sua opinião sobre o filme. Para o senhor que escreveu, o filme é fiel a suas ideias?
MS: Gostei muito dessa adaptação, como gostei da peça baseada em "A mulher que escreveu a Bíblia", mas nem sempre a transposição para a tela ou para o palco dá certo. De qualquer modo, parto do princípio que o escritor não deve interferir na adaptação.

CV: Além de sua vasta obra, ser membro da academia, o senhor ganhou vários prêmios de literatura. Qual a importância desses troféus para um escritor?
MS: Prêmios são importantes: representam reconhecimento (especialmente no caso do importante Jabuti) e às vezes uma grana não desprezível... Mas o melhor juri é aquele que cada escritor tem dentro de si.

Arquivo Pessoal
Mesmo após várias obras publicadas e ser reconhecido no Brasil e no exterior, Moacyr afirma ser uma pessoa simples

CV: Fora os livros, o senhor escreve para vários jornais. Desde que a Internet se popularizou, várias pessoas acreditam que os exemplares impressos de livros e jornais serão extintos. O senhor acredita que isso possa acontecer. Várias editoras já começaram a comercilizar os "e-books". O que o senhor pensa a esse respeito?
MS: A mídia eletrônica veio para ficar, mas o livro ainda tem uma longa sobrevivência. A mim não importa como serei lido; o que importa é que meus textos sejam, literariarmente, os melhores possíveis.

CV: Se possível, cite os seus cinco autores favoritos e as cinco melhores obras que o senhor já leu. E quais são suas principais influências?
MS: Influências: Érico Veríssimo, Franz Kafka, Guimarães Rosa. Cinco grandes obras: Dom Quixote, de Cervantes, A metamorfose de Franz Kafka, O alienista, de Machado de Assis, A hora da estrela, de Clarice Lispector, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Arregaçando as mangas e botando o pé na estrada. Conheça a banda Keps

Influenciados por várias vertentes do Rock'n'Roll, a banda Keps, do município de Guarulhos, está há alguns anos na estrada, "batalhando" seu espaço entre as principais bandas de rock independente nacional. Para você conhecer mais sobre a banda, nós do zine/blog Canibal Vegetariano, batemos um papo com o guitarrista e vocalista Joey. Confira a entrevista abaixo.

Canibal Vegetariano: Faça um resumo da história da banda.
Joey Keps: Nós surgimos de uma reunião de amigos que tocavam em bandas de som próprio e covers. Numa noite típica de bebedeira da banda eu dei a ideia de fazer um som e deu certo. Ficamos satisfeitos e tornamos isso profissional. Tocando para os amigos e agora para um grupo de pessoas que já curti o nosso som.

CV: Quais as principais influências?
JK: Muita coisa diferente, mas tem desde os Beatles, passando por tudo que imaginar dos anos 60 aos anos 10 do novo século, a gente gosta de música e não tem limites pra ouvir nada... a música é um bem universal e deveria ser apreciado com mais gosto e deixar as diferenças de lado é sempre o melhor começo pra poder apreciá-la.

Capa do single "Jim Wilson", o primeiro lançamento dos caras da banda Keps

CV: O estilo que vocês se propuseram a seguir é o mesmo desde o início?
JK: Estilo é dificil de se dizer: é um punk grunge´roll, um rock sem vergonha, um garagem rock safado. Posso dizer que nosso som é um pouco diferente, mas porque gostamos de mudar as coisas, descobrir sempre algo diferente mas que seja o rock sincero de sempre.

CV: Quais as principais dificuldades que vocês enfrentaram e enfrentam até hoje?
JK: Tocar ainda é uma dificuldade, mas muitas portas tem sido abertas para a Keps e convites de pequenos shows. Divulgar graças a Internet é bem mais fácil e barato, mas o maior barato sempre é de mostrar o som para o público certo. Mas claro, senão fosse difícil nao teria tanta graça. O prazer de consquistar essa dificuldade é que torna a coisa mais legal. Agora para quem quer seguir e tem duvidas, não entre nesse caminho, senão pode acabar frustrado.

CV: Como é o espaço para as bandas de Guarulhos apresentarem o seu trabalho? Como é o público na cidade de vocês?
JK: Uma bosta! Aqui você tem que ter um grande nome ou ficar pagando 200 reais para tocar em festivais de bosta. A falta de espaço para a diversidade de música que tem aqui é o que torna a cidade horrível nesse ponto. Tem ótimos lugares para banda TOP, mas nada para o underground, nem há um pico de rock fixo. Mas mudaremos isso! Porque público de rock tem, uma pena que a classe roqueira daqui é financeiramente incapaz de frequentar qualquer casa de rock, mas é bem fiel e as bandas lutam para mostrar seu som através da net mesmo.

Os caras da banda tem o ideal de mudar a cara da "cena" de Guarulhos

CV: Qual o momento mais bacana que vocês tiveram com a banda e qual a maior "furada"? JK: Ah, só 10 meses juntos, aconteceu muita coisa legal, até hoje fizemos tudo que planejamos, abrimos shows pra uma banda foda: ZEFIRINA BOMBA, fomos tocar numa cidade litorânea (Guaruja), fomos convidados para pequenos e ótimos shows, que até que a apresentação não foi tão agradável e as pessoas curtiram e elogiaram principalmente as bandas que tocaram com a gente. Maior furada ainda não teve, mas se ano que vem for igual ao que nós estamos planejando agora, a Keps continuará mostrando seu som para um público maior e mais diferenciado.

CV: Vocês tinham algumas canções gravadas e recentemente vocês regravaram elas. Qual o motivo para regravação? JK: Queriamos lançar um EP, algo pequeno para poder divulgar mas com ótima qualidade de som, daí entramos em estúdio, gravamos o single Jim Wilson e lançamos. Na sequência lançamos o EP "Tem gente", as pessoas queriam o som bem gravado e nós demos isso ao público. É engraçado encontrar pessoas que já foram em um show seu e te elogiar.

CV: Quais os planos da banda para 2010? JK: São segredos...rsrs... Posso dizer que vamos continuar batalhando e tocando, viajar mais e divulgar nosso "roquim rou!" Continuaremos a planejar e gravar o nosso primeiro album e com calma fazer a coisa dar certo.

O vocalista e guitarrista Joey se preparando para fazer "barulho" com sua guitarra

CV: Em festivais de rock, alguns organizadores costumam misturar bandas de vários estilos. O que você pensa sobre isso? Você acredita que está mistura é valida? JK: Concordo, é válida, mas precisa saber fazer isso. Para história da música isso é bom. É bom em festivais grandes, no Brasil infelizmente, as pessoas são muito preconceituosas contra outros estilos, ao contrário da Europa, por isso lá grandes festivais não acabam. E aqui infelizmente, somem cada vez mais. Daí você precisa procuram no interior, nas cidades longe das grandes capitais para achar bons festivais de rock.

CV: Deixo o espaço para divulgação de venda de material, data de shows, contato. Resumindo, o espaço é seu.
JK: Por enquanto a banda fez seu último show esse ano, e só volta a ativa, no ano que vem. Refrescar a cabeça um pouco. Para quem quiser é só procurar myspace da Keps
www.myspace.com/kepsrock
Baixem as músicas e esperem as novas datas de shows já confirmados para o fim de janeiro. Queria agradecer a você Canibal, ao pessoal da Nova Rádio Web que tem nos apoiado e nossos ´pequenos fans', que graças a Deus tem nos divulgado no myspace e outras bandas
que tem nos ajudados nessa jornada foda de shows e contatos. Agradecer a banda Zefirina Bomba, ao Gabriel Thomaz e outras bandas de amigos que curtimos muito. Rock'n'Roll!!

Todas as fotos são de arquivo pessoal, cedidas por Joey

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Autoramas: banda lança disco 'desplugado' e continua a mais de 300 km/h

A banda Autoramas foi formada no Rio de Janeiro no final dos anos 90, e desde então, ela vem realizando um trabalho íntegro, respeitando as influências de seus integrantes e lançando discos com certa regularidade, que são sempre muito bem recebidos pelo público do underground e pela galera que acompanha o mainstream. Aproveitando que a banda está lançando seu primeiro DVD: "MTV Apresenta Autoramas Desplugado", nós do zine/blog Canibal Vegetariano, trocamos uma ideia com o fundador, guitarrista e vocalista da banda, Gabriel Thomaz, para ele comentar sobre os anos de estrada, o lançamento do novo projeto e o futuro do Rock e da Autoramas.

Divulgação
A nova baixista Flávia, Gabriel Thomaz e Bacalhau. O power trio recentemente fez uma turnê pela América do Sul e está lançando DVD

Canibal Vegetariano: A banda está há 12 anos na estrada. Peço que você faça um resumo de como começou essa ideia e se você esperava passar dos dez anos?
Gabriel Thomaz: O Autoramas começou depois do fim do Little Quail, minha antiga banda. O Little Quail tinha um estilo muito bem definido e muitas coisas que eu queria fazer não tinha espaço ali. Na real, a demo do Autoramas foi gravada para ser o repertório de um novo CD do Little Quail, mas eu acabei gravando tudo sozinho e vi que o caminho que eu queria seguir era outro. Me mudei para o Rio de Janeiro, encontrei amigos com quem eu gostaria de tocar e formamos a nova banda, com um repertório já composto por mim. Daí começamos a fazer shows e o negócio foi andando. O que eu esperava e desejava era viver tocando, viajando, gravando discos. E estamos aí até hoje.

CV: Recentemente vocês realizaram mais uma turnê pela América do Sul, desta vez passando por Chile, Argentina e Peru. A Argentina sabemos que os caras são rock total. O Chile também tem umas paradas loucas. Mas e o Peru? Como são as bandas de lá? E qual o resultado deste giro por esses países?
GT: Já fizemos muitos shows por outros países da América do Sul, o primeiro foi no Uruguai em 2004 e desde então sempre voltamos, a galera curte e sempre recebemos convites para tocar nesses países. Nessa última turnê, foi a primeira vez que fizemos shows no Peru. Já sabíamos da tradição roqueira do Peru, principalmente o Rock dos anos 60 que já era bem agressivo, muita gente até diz que o Punk Rock foi inventado lá. É uma realização muito grande ter a chance de tocar num País como esse, desde os Paralamas do Sucesso, que uma banda brasileira não tocava em Lima. O resultado é que vai aumentando o número de pessoas que curte a banda, e conhecer o mundo com tudo pago é realmente uma beleza.

CV: Além de turnês pela América do Sul, vocês já estiveram na Europa e Japão e sempre fazendo sucesso com o público. Como os gringos recepcionam uma banda brasileira nesses lugares? E a divulgação do trabalho de vocês rola legal por lá? E vocês cantam em português?
GT: Sim, cantamos em português. A recepção é sempre maravilhosa. Não importa a nacionalidade da banda, o importante é a galera gostar da música. Cada vez que nós vamos, conseguimos divulgar melhor a banda, tem sempre mais gente dando uma força, falando da banda e comparecendo aos shows. É um trabalho que vai crescendo a cada dia.

CV: Nestes últimos dez anos, muito se falou que o Rock está morto, que acabou e várias outras coisas. Mas em compensação, tem um monte de banda lançando vinil, CD, fazendo shows com certa frequência e saindo em turnê por países vizinhos e até Europa. Como você analisa a atual cena brasileira? E quais bandas você tem ouvido ultimamente e quais você recomenda para os leitores do zine/blog Canibal Vegetariano?
GT: Nunca tinha ouvido falar nessa história do Rock estar morto...que doideira. Tenho ouvido muita coisa de muitos lugares do mundo, de épocas diferentes, coisas novas e antigas. Recomendo a banda peruana atual Turbopotamos, um dos melhores shows que já vi na minha vida. E das coisas antigas, sou fã do Devo, do B-52's, do Sonics, do Guitar Wolf, do Elvis, do Rock Brasileiro dos anos 60...

Divulgação
A banda em uma de suas apresentações ao vivo. Mesmo estando a pouco mais de uma década na estrada, Gabriel quer fazer cada vez mais shows

CV: Nesta época em que tudo está se tornando digital, o Autoramas continuará a lançar EP's em vinil, lançar CD's? E você ainda compra discos? Uma vez eu li uma matéria com você, sobre coleção de discos, e você afirmou que comprava vários discos "exóticos". A sua coleção continua "crescendo"?
GT: Compro sim, é um vício. Adoro ouvir música...colocar um disco, ficar olhando a capa, sentir o cheiro do vinil. Sei que tem gente que nem liga para isso, mas tudo bem, cada um na sua. Se quiser jogar seus discos fora, me mande um e-mail antes, passo aí e busco.

CV: Qual o motivo da saída da baixista Simone? E com a entrada da Flávia, mudou um pouco o estilo de vocês, ou não?
GT: Simone foi fazer pós-graduação num lance aí que nem sei o nome, mas quando me perguntam digo que ela virou doutora em proctologia. Ela sempre vai aos nossos shows e continua enchendo meu saco como antigamente. Flavinha entrou arrebentando, ela toca muito, sabe tudo de música e está acrescentando muita coisa ao som do Autoramas.

CV: De onde surgem as ideias para as letras do Autoramas? E como é o processo de composição de vocês? E como é tocar com um baterista como o Bacalhau, que possui um jeito totalmente tranquilo mas uma pegada muito rock? E qual o segredo para partilhar mais de 10 anos de banda com ele?
GT: Cara, as letras falam de coisas que estão aí, no mundo, que todo mundo sabe ou conhece...não tem muito mistério: quando pinta uma ideia, rola um processo de concentração extrema e a letra acaba saindo. Bacalhau é um gênio da bateria, além de ser uma enciclopédia de assuntos pop: ele sabe toda a programação de todos os canais de TV, o nome de todos os atores e apresentadores, o enredo de todas as novelas e filmes e seus respectivos produtores, ano que foram lançados e detalhes mais incríveis. No mundo da música ele sabe o nome de todos os integrantes de todas as bandas, discografias completas, biografias e tudo mais que cabe naquela memória interminável.

CV: Para quem ainda não sabe, você tocou no Little Quail + The Mad Birds. Qual o motivo do fim da banda e qual a importância que ela teve para o rock nacional nos anos 90? E como foi viver esse período em que surgiram também os Raimundos, Chico Science entre outras bandas?
GT: O Little Quail foi uma banda muito legal e tenho muito orgulho de tê-la formado. O que aconteceu na época, é que tinha um monte de gente no Brasil todo com boas ideias, que formou todo esse cenário. Eu era muito novinho, não sabia nada de nada, só queria me divertir e consegui. A banda acabou quando deixou de ser divertida.

Divulgação
A banda sempre fez questão de deixar explícito em suas músicas suas influências. A Jovem Guarda e todo o Rock nacional dos 60 são algumas

CV: Em todos os discos do Autoramas, dá para sacar una pegada Jovem Guarda. Peço que você comente sobre o projeto Lafayette e os Tremendões. Como surgiu esse projeto? Vocês pretendem continuar com essa ideia? E para você, como foi dividir o palco, no VMB deste ano, com o tremandão Erasmo Carlos?
GT: Foi uma grande emoção, ele é uma referência muito forte pra mim. No mundo inteiro o Rock fervilhou nos anos 60, nosso representante foi a Jovem Guarda, com músicas maravilhosas e divertidíssimas. Esse tipo de som está no sangue, não dá pra eu me livrar disso.

CV: Uma pergunta que precisa ser feita diretamente. Qual o futuro do rock, não só no Brasil, em todo o mundo?
GT: Sempre existirão coisas boas e ruins. O grande lance é saber escolher as coisas boas.

CV: Falamos sobre a banda, rock, seus outros trabalhos. E como fica o Autoramas daqui para o futuro? Quais os objetivos que vocês pretendem conquistar com a banda?
GT: Estamos lançando agora nosso primeiro DVD: MTV Apresenta Autoramas Desplugado. Está bem legal, na minha opinião. Nosso objetivo continua sendo viver de música fazendo aquilo que nós gostamos. Até agora está dando certo.

CV: A banda Autoramas é muito bem recebida tanto no underground como no mainstream. Qual a importância para vocês, e para o rock em geral, dos fanzines, e-zines, blog's e rádios pela Internet?
GT: Sempre houve gente que curte a música e gosta de escrever sobre ela, e assim divulgá-la. Tento acompanhar na medida do possível, hoje tem muita coisa acontecendo. Tenho meus sites preferidos e sempre vou lá me informar.

CV: Gabriel, agradeço pela entrevista deixo o espaço para você divulgar datas de shows, locais de venda de CD's, criticar, xingar. Enfim, o espaço é seu.
GT: No nosso site www.autoramasrock.com.br e no nosso MySpace www.myspace.com/autoramas tem sempre nossas datas, não esqueçam de visitar. Muita paz e muito Rock para todos!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Passe o Natal e comece 2010 de saco cheio

A Nova Rádio Web em parceria com o blog/fanzine Canibal Vegetariano, lançou a promoção "Natal de Saco Cheio" que irá contemplar um ouvinte da rádio com um saco cheio de presentes para passar o natal e começar 2010 curtindo muito Rock'n'Roll.
Já aderiram a promoção as seguintes bandas: Monaural, Mão de Vaca, Lunettes, Instiga, Alcoois, Drakula, Amorin Menezes, Saint Ripper, Rock'n'Watts, Racha Cuca, Vivalda, Ocean Soul, Ecliptica, Amazon, Stormenta entre outras. As bandas estão oferecendo CD's, DVD's, camisetas e adesivos. E os contatos não param, mais bandas se comprometeram em mandar CD's e outros produtos de divulgação.
Para participar, basta que o leitor do blog e ouvinte da rádio, envie uma resenha de um show de uma banda independente, de qualquer lugar do mundo, com uma foto para comprovar que a pessoa esteve no evento. A melhor resenha será escolhida por funcionários da Nova Rádio Web e do Zine. O texto pode ser enviado, no máximo em 20 linhas, fonte Arial tamanho 12, para o e-mail contato@novaradioweb.com.br. As bandas podem enviar material até o dia 12 de dezembro e as resenhas devem ser enviadas até o dia 15.

Com essa promoção, corra para um bar com banda independente, assista aos shows, escreva sobre eles, faça fotos e envie para a Nova Rádio Web. Além de ouvir boa música, a pessoa que fizer isso, com certeza, fará grandes amizades, irá adquirir conhecimento e cultura. Lembrando que além de ganhar um saco cheio de brindes, a melhor resenha será "postada" no blog.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tem shows de rock este fim de semana

Atenção galera que estará este fim de semana no litoral paulista, principalmente nas praias do Guarujá. A partir das 18h deste sábado, dia 07/11, o STUDIO PHÁBIÑO apresentará mais uma noite de concertos para a juventude, com quatro shows de rock!!! Entrada R$ 5.
Para curtir a festa é só comparecer ao endereço abaixo:

RUA JORDÃO OTAVIO DE AZEVEDO, 257, ESQUINA COM RUA E
BAIRRO DO MONTEIRO DA CRUZ, VICENTE DE CARVALHO-GUARUJÁ
PROXIMO AO COLÉGIO NAPOLEÃO, ANTIGA LOCADORA CRIS VIDEO

Se você ficar por Itatiba ou região, a pedida pode ser o 1º Self Fest

Os shows tem início a partir das 13h deste sábado, 07/11, no Aguados Bar, que fica na Rua Romeu Augusto Rela, Bairro do Engenho, atrás da Ford, em Itatiba. Ingressos a R$ 5.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Rock, suor e união, um resumo do Festival Insanidade Coletiva

foto: Renata Olivares
Vista parcial do local onde rolou as muitas horas de rock em São Paulo

Canibal Vegetariano: Como surgiu a idéia de organizar um festival deste porte?
Ayuso: Já fazia algum tempo que eu e o Gui estávamos pensando em fazer um festival. Depois que nós "rodamos" em Trindade, chegamos a pensar em fazer um festival para reembolsar a grana que nos fora roubada pelos policiais. O Festival chamaria “Propina´s Rock Festival” (hahahaa) acredita? Mas depois de um tempo a ideia meio que abafou e pensamos em algo mais sério e maduro e daí surgiu o lance do Festival Insanidade Coletiva.

CV: Qual o balanço que você faz deste primeiro “Insanidade Coletiva Festival”?
A: Para mim foi tudo um grande aprendizado e no geral nós acertamos em muita coisa, tirando o lugar escolhido para o festival que não tinha muito haver e além de abafado tinha péssima acústica! Mas foi bom até, para um lugar onde costuma rolar forró...

foto: Renata Olivares
Apresentação da banda Maquiladora, uma das sete bandas que se apresentaram entre o final da tarde e noite do dia 24

CV: Como foi a recepção do público? Qual a reação das bandas?
A: O público e inclusive as bandas acabaram entendendo o espírito da coisa, todo mundo acabou se ajudando, emprestando um amplificador, mexendo na mesa, etc..
O espírito coletivo é algo que só precisa ser estimulado para que as pessoas percebam que uma depende da outra e só assim através da união é que podemos mudar algo em nossa sociedade ou em qualquer outro meio.

CV: Podemos acreditar que haverá mais edições?
A: Ano que vem pretendo fazer mais um sim, só que mais planejado! Estão dentro desses planos arrumar patrocínios e trabalhar com venda antecipada de ingressos.

foto: Renata Olivares
Linari, da banda La Carne, soltando a voz. O evento foi um sucesso e deve ser ampliado no próximo ano

CV: Como foi a exposição de zines? O público se interessou pelos meios alternativos de informação? E a quantidade de zines, te surpreendeu de alguma maneira?
A: A pessoa responsável (Bruna Sizilio – Fuzz Zine) pela exposição acabou não podendo comparecer e assim acabei ficando responsável por isso também! Levei alguns exemplares que peguei com a Bruna e muita gente se interessou sim, pegando o seu para ler e divulgar.

foto: Renata Olivares
Banca onde ficaram expostos os zines e materias das bandas que se apresentaram no Insanidade Coletiva

CV: No geral, houve uma troca de informações e cultura entre todos os envolvidos?
A: Sim! Nesse aspecto foi o que mais entusiasmou todo mundo, muitas bandas compareceram para prestigiar o evento e fizeram novas amizades e contatos.

foto: Renata Olivares
Ayuso (à esq.), guitarrista e vocalista da Monaural e um dos organizadores do evento, junto com Orione do Superduo

CV: Deixo o espaço para críticas, agradecimentos ou o que você queira escrever.
A: Quero agradecer a todas as bandas que realmente acreditaram na proposta do festival sem se prenderem a idiotices e fizeram sua parte tocando, participando, ajudando, etc...e claro a todas as outras pessoas, bandas e amigos que nos ajudaram nesse mutirão pois sem elas nada disso teria acontecido.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

1º Self Records apresenta bandas de Itatiba e região

Vem aí mais um festival de bandas independentes em Itatiba. No próximo dia 7 de novembro, a partir das 13h (vulgo 1h da tarde) tem a festa de lançamento do selo Self Records, e para comemorar, será realizado o 1º Self Fest com seis bandas, de rock, punk e hardcore, sendo três de Itatiba e três da região.
O evento está previsto para ter início às 13h no Aguados Bar, localizado na Rua Romeu Augusto Rela, atrás da Ford, no Bairro do Engenho. A entrada custa R$ 5. Você que gosta de rock, não deixe de prestigiar a cena independente.

Festa Halloween no Guarujá

Quem vai para o litoral durante o fim de semana prolongado, também pode curtir um bom rock. No domingo dia 1, tem uma incrível festa no Estúdio Phabiño. Informações seguem abaixo:
NÃO PERCA! DIA 1-11 A NOITE MAIS MACABRA DA HISTÓRIA!

HALLOWEEN DO STUDIO PHÁBIÑO!
A PARTIR DAS 18HS!
SHOW COM AS BANDAS: TASTE OF SIN, DRY SYSTEM E STORIA
E MUITO MAIS MÚSICA...

SORTEIO DE BRINDES PARA AS MELHORES FANTASIAS!
ENTRADA 5 REAIS!

STUDIO PHÁBIÑO! RUA JORDÃO OTAVIO DE AZEVEDO, 257, ESQUINA COM RUA E VICENTE DE CARVALHO. PROXIMO AO COLEGIO NAPOLEÃO, ANTIGA LOCADORA CRIS VIDEO!

INFOS: (13) 33417826 e (13)97382992

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Entre o retrô e o moderno, a banda Del-O-Max 'detona' seu rock'n'roll

Formada em Campinas, em 2002, a banda Del-O-Max mistura o rock garageiro do final dos anos 60, com o rock considerado moderno. Com uma formação que por muitos é considerada inusitada, pois ao invés de ter dois guitarristas, os caras têm dois baixistas, Gui Galembeck, que também faz os vocais e Renato Henriques. Com esta diferença, e o potente som que compõem, a banda que além dos baixistas, conta também com o guitarrista Maurício Struckel e o baterista Alessandro Poeta concedeu uma entrevista ao editor do blog/zine Canibal Vegetariano, onde foi comentado sobre o estilo que seguem, influências, composições entre outros assuntos. Boa leitura.
foto: Gui Galembeck e Mari Whitaker
Contra capa do disco 'Too Hard' que a banda lançou em 2007

Canibal Vegetariano: Por que o nome Del-O-Max?
Renato: Alan Lomax pode ser considerado o pioneiro na gravação independente nos EUA. Ele saía com um Ford modelo "T" procurando músicos de blues e country que ele pudesse gravar, sendo estes artistas autênticos, e não músicos querendo gravar um produto meramente comercial. Leadbelly, importante músico de blues e também para as raízes do rock foi uma de suas "descobertas". No fim dos anos 50 teve na costa Oeste dos EUA a gravadora Del-Fi, de Bob Keane. Bob gravava um tipo de rock novo até então, que tinha nos riffs e no instrumental seus pontos fortes e quebravam com aquela tradição do rock típico dos anos 50. Gravou também artistas exóticos e doo-wop. De qualquer modo, pode ser considerado um primeiro marco na destruição/resconstrução do rock, fugindo de seus modelos tradicionais. Assim, com o nome Del-O-Max achamos que poderíamos fazer nossa homenagem a Alan Lomax e à gravadora Del-Fi.
Alê: Eu entrei posteriormente na banda e não participei desta escolha. Apesar da teoria que explica a criação do nome da banda, gosto dele antes da explicação, como alguma coisa abstrata, que faz algumas referências mas não deixa explícito de que se trata, aguçando a imaginação. Na verdade, existem outros fatores que influenciaram na parte estética, como a simetria e o uso dos hífens que separam as palavras (elemento presente nos nomes de eletrodomésticos e em outras coisas dos anos 50 e 60: Trap-O-Matic, Car-a-Van, etc). O nome soou bem no meu ouvido desde a primeira vez que ouvi e acredito que esta impressão não é só minha. Parece que caíria muito bem para um grupo de surf music também, uma associação que já foi feita algumas vezes. Mas depois de ouvir o som e ver o show tudo parece se encaixar harmoniosamente.

CV: Algo de diferente que dá para notar no som e na presença de palco de vocês, é o lance de dois baixos. De quem partiu a ideia? Como o pessoal recebeu essa ideia e como é feito o trabalho de composição?
Renato: A ideia veio do Guilherme, que estava cansado de trabalhar com guitarristas, e pensou que um segundo baixo no lugar de uma guitarra poderia quebrar a hegemonia. Mas percebemos que faltavam clarezas na melodia, diferenças mais marcantes entre tons maiores e menores, etc, e daí incorporamos também uma guitarra, que também é tocada de uma maneira bem peculiar, por conta da formação. A composição para a gente é um processo natural, onde alguém vem com um riff, e vamos construindo a música a partir dos resultados legais alcançados no improviso. Depois a letra é encaixada e os riffs encaixados de maneira mais matemática.
Gui: Os baixistas ainda costumam ser mais entusiasmados a longo prazo que os guitarristas. Não mudou nada.
Alê: Os dois baixos são o principal diferencial na sonoridade da banda. O som fica pesado, gordo, e deliciosamente rouco e sujo com a distorção ao mesmo tempo que pode soar delicado. Acredito que a limitação inicial pela falta de um timbre de guitarra fez com que a banda estudasse e testasse bastante as combinações de timbres entre os baixos e a maneira como eles trabalham. Alguém aparece com um riff, e começamos a testar e adaptar as funções de cada instrumento, inclusive os baixos tem funções distintas. Às vezes o riff vem gravado num celular porque alguém assobiou algo que pareceu legal e gravou para não esquecer. Algumas coisas que a princípio parecem ridículas, acabam ficando fantásticas depois de misturar tudo e cada um dar a sua contribuição. Criticamos quando não gostamos de algo ou da linha de algum instrumento, propomos alterações, readaptamos e assim por diante até a finalização. Algumas músicas ficam prontas em poucos ensaios, outras levam meses, algumas desistimos ou damos um tempo esperando a ideia amadurecer.

foto: Tatiana Ribeiro
A dupla de baixistas da banda, Gui, à esquerda e Renato. Gui também faz os vocais

CV: Quais são as principais influências de vocês?
Renato: Não sei. A gente praticamente nem sequer sabe o que o outro ouve em casa. Mas a atitude verdadeiramente rock de todas as eras certamente é a nossa força-motriz.
Gui: Em casa... Rock, Low-Fi e recentemente música eletrônica.
Alê: Acho que não me arrisco mais responder a esta pergunta citando nomes pois me tornei eclético em relação a música. Gosto de muitos estilos e acredito que esta variedade acrescenta de todos os lados. O rock é minha preferência e como disse o Renato, nossa força-motriz. Gosto de ficar transformando tudo em rock.

CV: Vocês lançaram em 2007, o disco "Too Hard", somente em vinil ou teve lançamento em CD? E por que fazer um lançamento em vinil?
Renato: Lançamos o disco em Vinil e em MP3 gratuito disponível no nosso site (mas que está passando por reformulações no momento).
Gui: Vinil é mais legal para a gente, e já que fazemos isso para nós mesmos antes de mais nada, ter a liberdade de lançar em vinil, que por si só um objeto mais colecionável que o CD, era uma vontade pessoal da banda. Eu mesmo não compro um CD há anos. A idéia é que a pessoa que quiser CD baixe do site e grave algumas cópias, ou passe a música em MP3, tanto faz, o importante é que a música seja ouvida, e quem quiser comprar algo, compra uma peça mais exclusiva em Vinil. Mais do que seria se lançassemos em CD.
Alê: Não é só pelo fato do disco ser de vinil (material), pelo tamanho do objeto ou da capa, ou por ser um formato antigo, colecionável … Na minha opinião o grande e verdadeiro charme e vantagem está no fato de ser um formato analógico. Mesmo novo, nenhum disco será exatamente igual ao outro e depois de usado menos ainda. A leitura é feita através de contato mecânico e isso traz tanto limitações quanto vantagens que tornam o som do disco de vinil diferente do CD. Já o CD não chega a ser exatamente um disco, é na verdade uma mídia de suporte de um arquivo digital que pode ser transferido para qualquer outro tipo de dispositivo de armazenamento digital como um pen-drive, um HD, etc. Hoje, as pessoas se preocupam em carregar mil músicas no seu MP3 portátil, não andam mais por aí com diskman e CD's na mochila. O CD já está obsoleto, vai virar lixo. Hoje poucas pessoas jogam discos de vinil no lixo, normalmente eles vão para o armário de outra pessoa ou voltam para os sebos onde são comercializados novamente. Isso chega a ser engraçado pois se parar pra pensar um disco de vinil usado pode estar sendo comprado pela terceira, quinta vez, e ainda acaba valendo mais hoje do que quando foi vendido pela primeira vez e este disco ainda tem uma história, uma tragetória, foi de outras pessoas, esteve em outros lugares. É meio que uma maneira de agregar mais valor ao som e disponibilizar um formato diferenciado também na sonoridade. Quanto a durabilidade, estou convencido de que a do vinil é superior. Tenho discos de 40 anos que continuam tocando e CD's muito mais novos que já não tocam mais. O CD é muito frágil e delicado. Se você pegar um CD com a mão úmida ou engordurada ele pode oxidar naquele ponto e se perder por completo depois de um tempo, já o disco de vinil vc pode até lavar. É uma maneira de imortalizar a coisa gravar em vinil. No disco de vinil o som está lá, você vê ele lá riscado, dá pra ver a batida do bumbo, falo sério. Você pega no som, você ouve o som saindo da agulha só de girar o disco, nem precisa ligar o aparelho. Não se ouve um disco de vinil, se toca ele, ele é praticamente um instrumento sonoro.

CV: Esse lance de lançar o trabalho em vinil partiu de quem? Houve algum apoio, selo de distribuição? O disco foi lançado somente no Brasil, ou foi para o exterior também?
Gui: Partiu da gente mesmo. O disco foi lançado no Brasil, com apoio da Riva Rock Discos apenas. Mas tem uma longa história por trás disso... Inicialmente a Pisces Records iria entrar na distribuição e produção.. acabou até saindo o logo deles na capa, porém não recebemos um puto deles até hoje, e não creio que isso vá ser acertado algum dia. Falta honestidade por parte do Ulisses, que simplesmente sumiu e não cumpriu com a parte que lhe cabia. O disco só foi lançado mesmo, por causa de nossos próprios esforços e de mais ninguém. Portanto, foda-se a Pisces Records e o Ulisses... não precisamos de "parceiros" assim. Cuidado com esses caras!
Alê: O Gui é o mais bravo dos integrantes. Ainda bem que ele está na banda.
Gui: Acho que as coisas combinadas devem ser cumpridas... underground sim, mal feito não! Então, se puder ser feito melhor que o combinado... ótimo, não é mais que obrigação... coisa que o Ulisses passou longe. Aliás... não sei como esse cara ainda não foi queimado em praça pública por bandas sedentas que estão esperando há anos na gaveta dele para serem lançadas conforme prometido... conheço várias!
foto: Tatiana Ribeiro
"A banda é uma atividade secundária em nossas vidas e também está relacionada a
diversão. Mas não deixa de ser um trabalho voluntário", Alê, baterista

CV: Qual o principal objetivo que vocês almejam como banda?
Renato: Creio que a música seja o fim por ela mesma. Tocamos por gostarmos e fazemos rock do jeito que achamos que o rock tem que ser feito.
Gui: Diversão, música, diversão.
Alê: É uma atividade secundária em nossas vidas e também está relacionada a diversão mas não deixa de ser um trabalho voluntário em que nos dedicamos a música. Claro que gostamos de elogios mas creio que a maior satisfação é quando reconhecemos ou percebemos por si mesmos que fizemos uma música boa. Concordo com o Renato, que é no fundo a música por ela mesma.

CV: Qual a opinião de vocês sobre o lance de compartilhamento de música? Vocês são contra ou a favor?
Renato: Acho que não é nem questão de ser contra ou a favor. A questão é que é isso que está acontecendo no momento, não é algo que irá mudar tão cedo e o artista precisa saber trabalhar de acordo com estas circunstâncias. Mas como público consumidor, certamente todos nós temos uma bela coleção de MP3 pego pela rede.
Gui: Sou completamente a favor.
Alê: Simplesmente é inevitável e acho bom.

CV: Campinas têm muitas bandas de rock, dos mais variados estilos. A cena parece crescer a cada dia. Vocês acreditam que isto ajuda as bandas locais, ou acaba criando alguma rivalidade?
Renato: Nós, infelizmente, não vemos uma cena crescer. Certamente existem pessoas e casas promovendo bons shows e montando bandas, mas achamos que ainda está muito longe do que acontece em locais como Goiânia, onde há uma estrutura muito mais bem fundamentada para fazer a coisa funcionar. Mas pelo menos fazemos nossa parte promovendo intercâmbios com bandas, eventualmente fazendo um show pelos bastidores e não pelo palco com a gente tocando, etc, e temos também várias bandas da cidade que são boas companheiras nesse sentido.
Gui: Acho que cada um deveria se preocupar apenas em produzir e produzir e produzir. Quanto mais gente tocando, fazendo, agitando, se mexendo... melhor ! Rivalidades nesse ponto seria mera infantilidade. A dita "cena" é um objetivo ainda, não realidade.

CV: Voltando a banda, não sei se eu ouvi direito, mas parece que o show de vocês no Bar do Zé, em agosto, foi o primeiro do ano. Por que vocês ficaram tanto tempo sem se apresentar?
Renato: Estávamos e ainda estamos compondo novo material. Isso exige uma certa dedicação, que não estavamos conseguindo ao fazermos muitos shows. Por outro lado, agora achamos que já era hora de testarmos nos palcos algumas dessas novidades.
Gui: A gente trabalha, tem contas a pagar, família (ainda não filhos, mas... ), cada um tem sua profissão fora da música... e não dá para viver da banda.... digo, de shows, venda de disco, essas coisas.... você gasta mais que ganha na maioria das vezes. Sendo assim acho que estamos dando preferência a produzir material novo quando reservamos tempo para a banda, ao invés de se desgastar em apresentações. Mas estamos aí... tocamos quando dá... quando chamam a gente... na verdade chamam a gente bem pouco.

foto: Tatiana Ribeiro
Ao contrário da maioria das outras bandas, os caras do Del-O-Max optaram por ter somente uma guitarra. Na foto, o guitarrista Maurício Struckel

CV: Quais os projetos para o futuro?
Renato: Estamos em uma fase bem introspectiva para cada um dos membros, todos procurando um melhor lugar ao sol nas suas vidas pessoais, o que dissipou um pouco da energia para algo coletivo nosso, mas certamente esta força ainda existe. Assim estamos compondo material, que provavelmente nós mesmos iremos fazer todo o processo de gravação. E para isso, precisamos também de mais boas novas músicas.
Gui: Gravar! Tirar férias .... gastar todo meu dinheiro com a banda.... rsrsrs. E por fim achar uns discos sendo vendidos a 0.50 cents no sebo da esquina daqui a 30 anos...

CV: Para encerrar, deixo o espaço para vocês divulgarem datas de shows, onde comprar o disco e etc.
Renato: Discos à venda na Riva Rock Discos, Baratos Afins e Big Papa, em São Paulo e via internet, na Livraria Cultura e Saraiva. Se preferirem entrem em contato direto com a gente: contato@del-o-max.com.br. Shows em breve! Por enquanto quem quiser pode aparecer nos ensaios e tomar umas com a gente. A garagem está aberta.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Jovem noite de domingo, encerramento do Auto Rock

Após 11 dias de muito rock, exposição, filmes, palestras entre outras atividades, chegou ao final a 5ª edição do Festival Auto Rock, evento que é realizado anualmente em Campinas.
Devido à dificuldade financeira e problemas de saúde, a galera do zine/blog Canibal Vegetariano só pode estar nos dois últimos dias do festival. Mas, entre os males o menor, ao menos curtimos duas noites de muito rock. No sábado dia 10, nos deslocamos até Barão Geraldo, onde está situado um dos bares mais legais e muito procurado por bandas independentes, o Bar do Zé. A programação do dia prometia, três bandas, duas de Campinas e uma do Rio de Janeiro. Representando o rock local, tivemos o new-wave, punk pop da Lunettes e a surf-music dos Violentures. Representando o estado fluminense e o punk, tivemos a participação da banda Os Estudantes.
As primeiras a subir ao palco, foi a banda Lunettes. Desde o início a banda agitou a pista de dança do local, levando os fãs ao delírio. Neste show, deu para sacar que a nova guitarrista da banda, Haline, já deu um toque pessoal às músicas do grupo, deixando-as mais cadenciadas e com o timbre de guitarra mais pesado. Durante o show, a banda apresentou uma nova canção.

Banda Lunettes durante apresentação no Bar do Zé. Quase no final do show, a banda mostrou uma música inédita

Assim que a Lunettes saiu do palco, a vez foi da banda Os Estudantes, que mandou muito bem, um rock punk hardocre, muito bem executado com muita energia, fazendo o público agitar. Eu conhecia a banda somente através de disco, mas depois do show, foi possível notar que os caras formam uma grande banda. Sem frescuras, os caras mandaram um petardo atrás do outro, deixando os roqueiros que estavam no local com um grande sorriso no rosto.

Os fluminenses d'Os Estudantes mandaram muito bem com seu rock simples e enérgico

Para fechar a noite, Violentures. Show que dispensa qualquer tipo de comentário, dá para resumir em apenas algumas palavras, foi uma apresentação simplesmente do caralho. Mesmo com um baterista improvisado, Lirão, do Muzzarelas, que por sinal, arrebentou, os "Violeras", como foi chamado pelo guitarrista Stênio, devido ao número de integrantes do "Muzza" tocando no palco, o o show foi sensacional e havia muitos amigos dos músicos na platéia e no final da apresentação houve uma série de jams sessions incríveis, que também contou com a participação de um dos organizadores do festival, baixista do Drákula, Muzzarelas entre outros trampos, Daniel ETE. Juntos eles mandaram sons que botaram a casa "abaixo" e ainda mandaram Ramones. No final, tivemos uma celebração ao rock. Três shows fodassos!!!

Dois momentos da apresentação da banda Violentures. Na primeira foto, o power trio executando sua surf-music enérgica. Acima, participação de Daniel ETE nos vocais

DOMINGO

A festa no BDZ teve início no sábado e terminou durante a madrugada. E no final da tarde, no domingo, teríamos o encerramento do festival, desta vez na Estação Cultura. Para encerrar com chave de ouro a quinta edição, tivemos três shows, com entrada franca. No palco conferimos as apresentações do bragantinos do Leptospirose e de duas bandas consideradas veteranas do punk hardcore, Ação Direta e Ratos de Porão.
A tarde de rock pauleira foi aberta pelo Leptospirose, que para variar, fez com que o pessoal a cada música agitasse com seu som direto, bem direto, uma porrada na orelha. A apresentação do "Leptos" foi de muita energia, provando mais uma vez que a cada dia, os caras estão cada vez mais com status de banda grande. Show fodasso! Rock sem frescuras e contagiante. E um ponto mais do que positivo, não faz nem um ano que eles lançaram o Mula Poney, segundo disco da banda, e eles mandaram músicas inéditas. Este ano, segundo Quique, guitarrista e vocalista, não teremos disco novo na praça, mas em novembro, eles prometem lançar um DVD sobre a turnê que eles realizaram na Europa em 2007.

O último dia do festival começou com o show da banda Leptospirose, que fez a galera agitar com seu rock pauleira alucinante

Depois do showzaço do "Leptos", subiram ao palco os caras do Ação Direta. A banda que está na ativa há quase 20 anos, mandou muito bem seu rock pauleira. Mas, algo eu não entendi. Antes eles mandavam um punk muito bom, e no show de domingo, ao menos eu entendi assim, os caras estão flertando muito com o "metal", deixando o som, ao menos na minha opinião, muito "duro" e sério. Particularmente, após ouvir quatro ou cinco músicas, acompanhei o resto do show de longe pois estava com fome e ainda haveria um show do Ratos.
Para encerrar a noite e o festival, sobe ao palco, umas das melhores bandas brasileiras de rock, Ratos de Porão. O último show que eu havia visto foi em 1998 e deu para sacar que os caras evoluíram nesses 11 anos. Show para roqueiro nenhum botar defeito. E havia muitos na Estação Cultura, de todas as idades e "tribos". E com o local lotado, os caras "desfilaram" uma enxurrada de hits que compõem o repertório, entre eles: Amazônia Nunca Mais, Agressão, Repressão, Sofrer, Aids, Pop, Repressão, Velhos Decreptus, Crianças sem Futuro, entre outros.

Os Ratos de Porão fecharam a quinta edição do Auto Rock "desfilando" um repertório com "crássicos" do punk e hardcore

Você que é crítico da banda, devido à ocupação de João Gordo, vocalista da banda, que trabalha na MTV, pare com isso. No palco, João continua foda, no bom sentido da palavra. Tem controle absoluto sobre a platéia, devido ao seu carisma e competência. O show foi fantástico, som excelente, público agitado e curtindo muito, abrindo rodas e pogando. Foi uma apresentação calorosa e com muita pegada rock, provando mais uma vez que rock não tem nada a ver com idade, pois o Ratos em breve irá comemorar 30 anos de banda. E eles são como vinho, quanto mais velhos melhor.
E assim, terminou mais uma edição do Auto Rock, já estamos com saudades e na expectativa para que em 2010 possamos curtir mais uma vez. Ficam aqui os parabéns aos organizadores e ao público que compareceu, curtiu, agitou, tudo em paz. Nos dois dias que estivemos acompanhando os shows, não percebemos qualquer tumulto ou confusão. Tudo o que presenciamos foi algo que dá mais força a uma frase muito legal que o ETE disse em uma entrevista para a galera do "Rock'n'Beatz", que nós concordamos plenamente: "O mundo do rock é lindo".

Crédito das fotos para Nova Rádio Web

terça-feira, 6 de outubro de 2009

É mais do que música, cinema e artes, é Cardápio Underground

CARDÁPIO UNDERGROUND 2009 – 6ª edição
de 7 a 12 de outubro

EDITORIAL
Chegamos a sexta edição do festival Cardápio Underground e o que se vê em termos automobilísticos aqui na Rua José Domingues é uma média de 22 carros, de várias classes sociais distintas por minuto, num horário normal de expediente, graças á uma lombada na descida e um farol na subida. Pra quem está descendo a rua de origem foi Coronel Leme, pra quem está subindo ela é o destino, mas o importante mesmo, é que do ponto de vista do caminho a ser percorrido elas são a mesma rua. Quantos destes carros que estão subindo irão estacionar na contramão antes de chegar no último farol antes da praça? Quantos dos carros que estão descendo não chegarão a Rua José Domingues? Lapiseiras no Céu! Cardápio Underground 2009 (6ª Edição) Bem Vindos! Bien Venidos! Welcome! Bragança não termina na Fernão Dias, a estrada de Socorro nos leva para o Circuito das Águas! Há certamente muito o que se ver por detrás das montanhas!!!!


7 de outubro – a partir das 20 horas – ABERTURA DAS EXPOSIÇÕES (gratuito)

FOTOGRAFIA

Vitor Borgheresi
Filho apaixonado da amada desvairada, almoça asfalto e janta gente.
Obra sem nome, sem-teto e sem alma.
Ariela Plaza
Apaixonada pelas imagens que rodeiam sua mente através dos livros, músicas, objetos, pessoas, quer transmitir um pouco de seu mundo imaginário com “Coisas de Anita”.
Thichi Tri
Bragantina, estudante de fotografia , nesta série, 20 portas, 20 dias, 20 atrasos no trabalho e 21 páginas de um álbum velho pra finalizar.
Daigo Oliva
Nasceu em São Paulo e é fotógrafo. Ao lado de Mateus Mondini publica o fotozine Fodido e Xerocado, um compilados de fotos de bandas punks pelo mundo.
Mateus Mondini
É colecionador de discos, tem um selo que lança discos de vinil e sempre que pode sai em turnê fotografando e enfrentando roubadas com alguma banda. Vira e meche faz fotos para grandes revistas, grandes agências e grandes idiotas, mas quem se importa?
Fernanda Zerbini
Na palavra imagem-sonora , assim parece ser esta jovem artista irrequieta, ruindo o silêncio empoçado da família, erro no lugar certo, desenterro, fluxo, furor de vida corrompendo o bom senso.
Mariana Meloni
Formou-se pesquisando fotografia e erotismo a partir dos estudos de gênero. É fotógrafa free-lancer e professora de fotografia de uma universidade.
Laura Aidar
Em “Janela da Janela”, busca explorar a riqueza em intensidade plástica. Riqueza no olhar que enquadra a imagem, e assim, forma uma nova, com diferentes significados.
Renato Lima
Atento às rachaduras nas varandas internas. Aos agoras que fazem o espírito coçar.

ARTES VISUAIS

Yan M. (Atibaia)
Artista visual cujas referências são o caos e a desinformação na era da informação.
Spacek (Atibaia)
Igor e Ivan Spacek desenvolvem trabalhos em diferentes suportes e intervenções urbanas espalhadas pelo mundo afora.

Bia Raposo (Bragança Paulista)
Apresenta um trabalho autoral de vanguarda onde mistura arte-educação e arte conceitual.
Matias Araoz (Buenos Aires)
Artistas gráfico da boa escola argentina de artes punks.
Stu (São Paulo)
Pinta, cobre tudo e volta a pintar, cobre novamente e volta a pintar, com a calma de quem sabe que tudo vai dar certo.
Leonardo Akio (Bragança Paulista)
Explora corpos e linhas, ora delicadas, ora sujas, palavras que levam à imediata reflexão e espaços aparentemente vazios onde se pode respirar tranquilo.
Maffei (São Paulo)
Trabalha, em alto contraste, figuras esquecidas do nosso cotidiano em lugares inusitados.
Pipoca (Campinas)
Cola dejetos achados pela rua nas suas noturnas caminhadas, para depois conciliá-los com desenhos simples carregados de sinceridade.
Matias Picón (Atibaia)
Explora novos conceitos de arte urbana, se apropriando, ilegalmente, de objetos que são comuns no nosso convívio público.

8 de outubro – a partir das 20 horas – CINECLUBE (gratuito)

Os filmes que exibiremos nesta edição do Cardápio, excerto os curtas, foram gentilmente cedidos pela Mostra Microfonia Filmes e Documentários de Rock, ocorrida em Porto Alegre (RS) em junho de 2009.


Curtas – 20 horas
programação gentilmente cedida pela 3ª edição da Mostra Curta Audiovisual de Campinas. A 4ª edição da Mostra acontece entre os dias 23 e 31 de outubro de 2009. Informações: www.mostracurta.art.br

Média metragem – 21 horas
O Rock Sergipano: Esse Ilustre Desconhecido (Werden Tavares, 2008, 27')
Vídeo-documentário que traz um recorte do cenário rock de Sergipe. É uma rápida leitura do movimento cultural local a partir dos anos 80 até meados de 2004.

Longa metragem – 21:30 horas
The Decline Of Western Civilization: Juventude Decadente (Penelope Spheeris, 1981, 100')
Documentário da cineasta Penelope Spheeris sobre o surgimento do punk rock na costa oeste americana. Diferente do que acontecia na costa leste, mais especificamente em Nova York, o punk californiano era mais agressivo e rápido, dando origem ao hardcore. O filme conta com apresentações de bandas pioneiras no estilo como X, Black Flag, Circle Jerks, Fear, Catholic Dicipline, Germs e Alice Bag Band.

9 de outubro – a partir das 20 horas – CINECLUBE + DEBATE + MÚSICA (R$5,00)

Curta – 20 horas
13º Goiania Noise (Sérgio Valério, 2008, 23’)
Cria da Monstro Discos, A ultima edição do maior festival de rock independente nacional é retratada neste documentário, com depoimento de bandas participantes e dos produtores.

Debate – 20:30 horas
Quique Brown, Ruivo, Matheus Mondini, Daigo Oliva e Matias Araoz (Argentina) sobre: vários assuntos relacionados a música independente, fugindo do assunto sempre que for possível!!!
Longa metragem – 21 horas
Guidable: A Verdadeira História do Ratos de Porão (Fernando Rick e Marcelo Appezzato, 2008, 121’)
Registro oficial, e sem censura, de quase três décadas do Ratos de Porão,uma bandas mais antigas e importantes da cena hardcore mundial.O filme também é um importante registro audiovisual do início do movimento punk no Brasil,com muitas cenas raras e inéditas.

NAIFA (São Paulo-SP)
Refrões altamente grudentos, gritados energeticamente alto e em coro!!!

Discotecagem com Carlão Ferrari: cirurgião dentista, especializado em radiologia bucal, um dos primeiros góticos do Brasil e inveterado colecionador de discos, fitas, cds, mp3s, mp4s, equipamentos de percussão, guitarras e qualquer outra coisa que faça som!!!

10 de outubro – a partir das 20 horas – CINECLUBE + MÚSICA (R$10,00)

Longa metragem – 20 horas
Wild Zero (Tetsuro Takeuchi, 2002, 98’)
Imagine uma mistura de Rock’N’Roll High School, Plan 9 from Outer Space e Night of the Living Dead, filmado no Japão com os membros da banda Guitar Wolf! Uma viagem cinematográfica que mistura alienígenas e zumbis, cerveja, e rock nipônico, nesta aventura bem humorada.

EU SEREI A HIENA (São Paulo-SP)
Som doido e ambiental influenciado (inicialmente) por Fugazi e feito por membros atuais de bandas como: Ratos de Porão, Discarga, O Inimigo, Dance Of Days, Good Intentions e Isósceles Kramer.
Os caras estão concorrendo ao VMB 2009 na categoria melhor banda instrumental.

THE BARFLY SURFERS (São Paulo-SP)
Um Japoneis sem sobrenome nipônico sentindo saudades da praia e de seu conjunto máster (o) “Merda”, resolveu chamar dois amigos pra misturar Charles Bukowski e surf music em São Paulo.

MATHEUS CANTERI E A GANGUE DO FRANGO (Bragança Paulista-SP)
Country music radicalmente pesada, técnica e visceral.

11 de outubro – a partir das 20 horas – CINECLUBE + MÚSICA (R$10,00)

Longa metragem – 20 horas
Montevideo Unde (Martín Recto, 2008, 50')
A recente cena uruguaia de musica independente é retratada neste documentário, que conta com as bandas Dante Infierno, Motosierra, Hablan Por La Espalda, Santa Cruz e La Hermana Menor. Uma excelente oportunidade para conhecer um pouco mais sobre a cena latino-americana.

OS ESTUDANTES (Rio de Janeiro-RJ)
Eles são do Rio, não estudam no Múltipla Escolha e não são bronzeados.

ZEFIRINA BOMBA (João Pessoa-PB)
Trio paraibano que usa um violão todo fudido em vez de uma guitarra e faz um barulho desgraçado.

OS VISITANTES (São Paulo-SP)
Rock em português para dançar e pirar.

12 de outubro – a partir das 16 horas – MÚSICA (R$10,00)

LOBOTOMIA (São Paulo-SP)
Crossover violento vindo dos tempos áureos da coletânea Ataque Sonoro (1985) onde emplacaram dois sons. Depois disso lançaram mais dois discos encerrando suas atividades em meados dos anos 90, voltando com força total em 2002. Acabam de chegar de uma turnê monstruosa pela Europa e de lançar o terceiro álbum de carreira “Extinção”.

AÇÃO DIRETA (São Paulo-SP)
22 anos interruptos de rock pauleira!

THE RENEGADES OF PUNK (Aracajú-SE)
Guitarras limpas e vocal feminino num rock and roll alucinantemente agressivo que num determinado momento da vida vira punk/hardcore.

MAHATMA GANGUE (Mossoró-RN)
Depois de torrarem os miolos ouvindo Los Saicos e The Ventures, esses três desocupados entraram em um mundo de surfistas, andarilhos e mortos-vivos e agora estão soltos por aí em ritmo selvagem.

SUJEITO A LIXO (Atibaia-SP)
Powerviolence brutal de Atibaia, completando no ano corrente, 10 anos da mais maldita sujeira rock and roll possível.

Expediente
Realização – Espaço Edith Cultura

Produção Musical – Quique Brown
Fotografia – Vanessa Sobrino
Artes Plásticas – Matias Carsolio Picón
Cinema – Mostra de Curtas de Campinas
André La Salvia
Mostra Microfonia de Porto Alegre - RS
Daniel Villaverde
Designer Gráfico – Matias Araoz
Montagem – Celão e Rodrigo Figueiredo
Produção – Daniela Verde
Colaboração – Bia Raposo
Incentivaram este projeto – João Carlos L. Funck, Bernadete L. Funck, Rubens Filocomo, Di Raposo, André, Juca e Guto La Salvia.

Serviços
Net:
www.edithcultura.org.br
www.myspace.com/cardapiounderground
www.fotolog.com.br/rockna9
cardapiounderground@hotmail.com

Tel. 11 2277 5563/ 11 7168 1270

Endereço: Sociedade Ítalo-Brasileira/ Espaço Edith Cultura
Rua Cel. Leme, 176, Centro
Bragança Paulista/ SP

Passaporte com os dias 9, 10, 11 e 12
R$20,00
Venda antecipada na escola de música Jardim Elétrico