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segunda-feira, 6 de maio de 2024

A terra tremeu em Várzea Paulista


A noite de sábado, 4 de maio, foi uma chona atípica de outono no Estado de São Paulo, principalmente em Várzea Paulista, com mais exatidão no D’Villas Drinks. Foi no mencionado bar que estava previsto a apresentação de três bandas: Fim da Aurora, Rosário, ambas de Jundiaí, e Bayside Kings, de Santos.

A noite prometia pois não é sempre que bandas de crossover, metal extremo e hardcore se apresentam no mesmo palco e o calor estava muito além do normal para o período do ano, algo que nos obrigou a buscar uma hidratação assim que adentramos o recinto, que recebia um bom público.

E a primeira banda a se apresentar foi a Fim da Aurora. Conheço a banda há alguns anos, mas nunca havia visto uma apresentação ao vivo. Mas com o passar dos anos e muitos e muitos shows assistidos, faz com que eu não crie expectativa. E o bom de não criar expectativa é de que quando você acompanha algo, a surpresa pode ser muito boa!

E o show dos caras, da minha percepção, foi uma apresentação brutal, um verdadeiro “arrasa quarteirão”. Quatro caras, uma única guitarra e com os guturais de Dedo, o vocalista, a banda causou o primeiro abalo. A resposta de parte da plateia foi imediata e rodas e gingados, que me lembraram capoeira, tomaram conta do local.

A performance de Dedo também foi outro ponto mais do que positivo. Ouvi-lo no disco e conversar com ele em uma quinta-feira normal de futebol é uma situação, mas vê-lo no palco e com toda aquela energia, é outro impacto.

De acordo com meu camarada “Animal”, que presenciou essa noite de festa, disse que o som remete ao que de melhor o metal extremo pode proporcionar, entre o black e o death, que nós gostamos de chamar de “detão”.

Antes do encerramento do show dos caras, eles chamaram ao palco o camarada Gabriel Cuaê, também conhecido como Gabriel Coração. O cara que por um período foi baterista da banda Rosário, fez uma “tabelinha” com Dedo e os vocais em dobro fizeram o lugar ficar ainda mais quente e insano.

Após uma apresentação espetacular da Fim da Autora, chegou a vez da banda Rosário. Missão nada fácil, mas com a experiência do agora quinteto, os caras deram conta do recado e mostraram toda fúria de seu hardcore. Com o público mais do que aquecido, a banda que tem Guilherme Malaquias no vocal, botou todo mundo para agitar.

Foi a segunda apresentação que vi em formato quinteto e posso dizer que a banda tem se saído melhor do que esperava e com a “torcida a favor”, eles demonstraram que estão entrosados e ainda há espaço para mais brutalidade no som. E antes do encerramento, Gabriel Coração e Dedo também deram uma palhinha na apresentação da banda, assim como o baterista Fu, da banda Respiro, que atacou nos backing vocals.

E para fechar a noite, foi a vez da banda Bayside Kings. Veria os caras pela primeira vez e algo antes do início da apresentação chamou-me a atenção. Bolas de praia, boias e equipamentos de piscina foram distribuídos em meio ao público.

E quando a banda iniciou os primeiros acordes, eram só rodas de pogo, movimentos que lembravam capoeira e artefatos de piscina para todos os lados. O show foi algo brutal, que culminou com o encerramento de uma noite incrível e com chave de ouro. Uma apresentação que será ainda muito lembrada.

E ao final, durante a última rodada de hidratação antes de pagar a estrada, restou tempo para passar pelas banquinhas e contribuir com as bandas que fizeram apresentações incríveis e mostram que podemos ter muitos mais eventos como esse, pois nossos ouvidos agradecem.

Texto: Ivan Gomes

Fotos: Pedro Henrique/@ph.fotos

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

‘Festival do Caramelo’

Por Ivan Gomes


O final da tarde e início da noite de domingo (10) foi marcado por três ótimos shows que rolaram no D’Villa Drinks, em Várzea Paulista/SP. Rosário, Fistt e Garage Fuzz fizeram a festa de uma galera que compareceu em bom número para o evento organizado pela Time Bomb Wear e Oba! A festividade marcou a volta, em definitivo, da Rosário aos palcos, após alguns anos de hiato.

E a festividade que não possuía um nome próprio o apelidei de “Festival do Caramelo” pois assim que cheguei ao D’Villa, na porta estava um desses simpáticos cães caramelo, mas com um detalhe, este possuía credencial plena para o evento e tinha acesso inclusive aos bastidores, ou seja, o caramelo impõe respeito.

O evento estava marcado para 17h30, exatamente o horário que consegui chegar e logo que me aproximei do bar, foi possível ouvir os primeiros acordes da Rosário que dava o pontapé inicial na festinha. E a banda, que retorna após alguns anos, volta com mudança na formação. Os caras que antes formavam um quarteto, agora se apresentam como quinteto e com a adição de mais uma guitarra, que deixou o hardcore deles ainda com mais peso e abertura para possíveis improvisos antes, talvez, não pensados.

Devido a uma série de fatores na vida pessoal de alguns integrantes, a banda havia dado um tempo. Em agosto deste ano eles se apresentaram no mesmo D’Villa, mas neste fim de ano o show foi diferente, melhor em comparação com o anterior e a mudança na formação mostra que os caras virão com tudo em 2024. Vamos aguardar!

Sobre a apresentação, em pouco mais de meia hora eles entregaram tudo aquilo que se espera do agora quinteto e para quem está acostumado. Agito, riffs, uma excelente interação com o público e muita diversão. Antes de encerrar, houve a participação de Dedo, vocalista da banda Fim da Aurora.

Ao final da primeira apresentação, à noite chegava e o calor aumentava. Isso exigiu uma pausa para hidratação e aquele papo com os camaradas ao lado externo do D’Villa, principalmente em relação aos assuntos de grande relevância, como o futuro do Santos Futebol Clube e o próximo amistoso do Pisa Fofo Futebol Clube. Enquanto isso, ele, o Caramelo, entrava e saía como se realmente fosse o dono do pedaço e “exibia com orgulho” sua credencial plena.

Entre um papo e um sarro e outro, voltamos para o interior do bar para acompanharmos a Fistt, que está há quase três décadas na estrada e tem realizado em muitas cidades a turnê de seu último trabalho, “A arte de perder”. Banda afinada, afiada e os caras despejaram uma pancada de hits, um atrás do outro. O público estava ensandecido, no mais do que bom sentido da palavra, cantou cada música junto ao vocalista Nick. Se não me falha a memória, essa foi a primeira apresentação deles que acompanho Nick de volta ao seu instrumento, o baixo. Outro ponto que acho interessante, é que durante as apresentações em Jundiaí, ou em cidades vizinhas, ao invés de citar o Hangar 110, que está presente na versão de “Ex-underground”, Nick faz referências ao famoso bar do Bilé.

O show foi tão bom que os caras fizeram chover. Enquanto o suor escorria por corpos próximos uns dos outros que não paravam de se mexer embalados pelo punk dos jundiaienses, ao lado de fora uma forte chuva caía. Foi água, suor e punk rock para lavar a alma. A apresentação ainda teve a participação de ex-integrantes que compareceram para prestigiar a banda.

Mas à noite ainda prometia. Assim que a Fistt deixou o palco, houve mais um tempo para hidratação ao lado externo, tudo sendo observado pelo Caramelo, e na sequência viria outra banda clássica do cenário underground nacional, a Garage Fuzz.

Este que vos escreve havia acompanhado outros dois shows dos caras, mas nenhum soou tão redondo quanto o apresentado em Várzea Paulista. A interação entre público e banda foi simplesmente sensacional e serviu para fechar com chave de ouro um domingo de dezembro não tão quente, mas que teve uma temperatura que podemos considerá-la bem alta dentro do D’Villa, pois foi possível acompanhar três ótimos shows.

E como sempre ocorre em eventos desse tipo, ao final, estávamos em muitos não apenas no papo e despedidas dos camaradas, como houve a clássica passada na “banquinha” de camisetas e CDs. É impossível sair sem comprar nada. E antes do retorno para casa, ainda houve tempo para nos despedirmos do “dono” do evento, o cão caramelo.

Para encerrar, peço licença a Daniel ETE, o mestre das caveiras, para escrever aqui uma de suas frases, que resume bem o evento do dia 10: “o mundo do rock é lindo!”

Ivan Gomes, 45 anos, é produtor e apresentador do programa 3 Notas, transmitido semanalmente pela Mutante Rádio e torcedor do Santos Futebol Clube, sua única virtude.

Foto 1: Guilherme Malaquias, vocalista da banda Rosário.

Foto 2: O cão caramelo.

Foto 3: Fabiano Nick, vocalista e baixista da Fistt. 

Todas as imagens captadas por Pedro Henrique, no Instagram: @ph.fotos